De acordo com um estudo do Banco Central Europeu, em matéria financeira, os portugueses são os mais iletrados da Europa. Não era preciso o BCE perder o seu precioso tempo a estudar o nosso conhecimento das cenas relacionadas com o dinheiro. Somos uns verdadeiros asnos relativamente a esses assuntos e isso é mais do que notório. As evidências são mais que muitas. As consequências desse analfabetismo também. Nomeadamente no nosso bolso.
Veja-se, por exemplo, o IRS. Que é, não me canso de o escrever, dos impostos que mais me incomoda. Aquilo é um verdadeiro roubo, algo que devia revoltar todos os que dele são vitimas e envergonhar qualquer ministro das finanças. Mas não. Ao invés disso ainda há alarves que, parvamente, conseguem justificar o saque fiscal de que são, também eles, vitimas.
Dizia hoje alguém que, na nossa sociedade, ter dinheiro é algo mal visto. Constitui em termos sociais, acrescentava, uma espécie de afronta a que não tem. Infelizmente assim é. Para além de burros, somos invejosos. A rejeição generalizada da “taxa plana” de IRS é disso um bom exemplo. Preferimos continuar a pagar muito, só para que quem ganha mais do que nós não passe a pagar menos do que paga agora. É a inversão de um conhecido dito popular. Com o bem dos outros posso eu mal...mesmo que o bem seja igualmente para mim.
Antigamente, quando um aluno mostrava ser incapaz e não queria trabalhar punham-lhe umas orelhas de burro (em cartolina cinzenta de preferência feitas pelo próprio nas aulas de trabalhos manuais) e metiam-no sentado ao canto da sala a servir de exemplo aos outros. Não era um método bonito, mas ao menos ficava-se a conhecer os burros e aquilo servia de exemplo para um tipo se esforçar e não ter de passar a vergonha dos que passavam por burros. Em Portugal nunca foi por falta de burros. O problema é que daí para cá acabou a cartolina cinzenta.
ResponderEliminarO IRS é um imposto cínico. Ainda ninguém deu por isso?
ResponderEliminarClaro que sim, desde logo o agora líder da CGD.
But ... who cares?
Cumprimentos, caro KK.
Agora, pelo contrário, a burrice até parece constituir uma qualidade...
ResponderEliminarHá até quem ache, cinicamente, que é apenas uma coisa que apenas é paga pelos ricos. Como se alguém que ganha oitocentos euros fosse rico...
ResponderEliminarCumprimentos, carissimo!
Para quem quer manter a situação (quer mande quer obedeça) burrice é uma qualidade.
ResponderEliminarConcordo contigo. Houve um partido que disse e eu senti-o na pele: os nossos aumentos nos salários brutos vão direitinho para o Estado. Mais vale ter salários baixos porque em termos líquidos ficamos quase iguais. Podem criticar que não somos rigorosos na aplicação do conceito da taxa marginal, mas sei o que me cai no bolso todos os meses. A taxa marginal é um saque e um desincentivo a melhores salários.
ResponderEliminarPor mim a chamada "taxa plana" seria a solução mais justa. Até porque, à semelhança da TSU, quanto mais se ganha mais se paga e logo por aí a progressividade do imposto estaria garantida.
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