terça-feira, 31 de dezembro de 2019

E se a omissão também for xenofobia?

Se há coisa que aprecio no jornalismo e nos jornalistas é a objetividade. A opinião deles, seja qual for o assunto, dispenso-a. Não me importa para nada. Agora o relato que fazem de uma ocorrência, a clareza com que expõem um tema do momento ou a independência com que tratam determinada matéria constitui, pelo menos do meu ponto de vista, algo de essencial do ponto vista do desempenho do seu trabalho.


Ontem foi agredido um cidadão – um turista, no caso – em Évora. No dizer de quem noticiou a ocorrência a agressão terá sido cometida por um “grupo de pessoas”. Ora porra. Tanta objectividade até aborrece. Para ficar a saber o que realmente aconteceu, nomeadamente quem foram os agressores, foi necessário recorrer às redes sociais. As tais que, no dizer de gente de elevado intelecto, estão a destruir a democracia. Estranho conceito de democracia, o desta malta. Se calhar o azarado turista ficou muito mais ferido do que teria ficado a democracia se o jornalista tivesse tido o profissionalismo de informar que os alegados agressores serão ciganos. Ou, pelo menos, uns moinantes.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O pássaro manco

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A literatura policial não está no top das minhas preferências literárias. Tenho, no entanto, um especial apreço pela imaginação dos autores, nomeadamente no que diz respeito à escolha dos títulos. É mais ou menos como os nomes fantásticos que os gajos da PJ escolhem para as operações policiais.


O caso do canário coxo”, por exemplo. Só uma mente dotada de uma prodigiosa imaginação engendrará uma história que envolva um pássaro manco. Que, diga-se, deve ser coisa rara. E de pouca importância, também. Até porque uma ave, em principio, usa outro meio de locomoção em que o facto de coxear não tem grande relevância. Excepto, calculo, neste livro onde a perna marota do bicho certamente se revelará determinante para o desvendar do mistério.


Já uma operação da policia judiciária denominada “canário coxo”, dependendo das circunstâncias e do alvo a investigar, pode fazer todo o sentido. Por exemplo – se para tal houvesse motivo, obviamente - numa investigação a um ex-presidente de uma câmara vizinha...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Em nome da estabilidade emocional, do bónus e da falta de vergonha...

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Manter o dinheiro longe do sistema bancário constitui, nos tempos que vivemos, um sinal de inteligência. Não que debaixo do colchão, enterrado no quintal ou no fundo falso do balde dos papéis da casa de banho esteja mais seguro. Nada disso. Eu, se fosse um perigoso meliante – ou apenas relativamente ameaçador - seria dos primeiros locais onde ia procurar. Gente com mais estabilidade emocional tem, ao que se ouve nas noticias, outras alternativas.


Não sei em que categoria devo colocar os gajos dos bancos. Se entre os perigosos ou entre os ameaçadores. Deixar o pecúlio à mercê de quem se propõe retirar ao dito mais de cinco euros todos os meses parece-me um perigo. E, também, uma séria ameaça às minhas parcas economias. Do que tenho a certeza é que não as vou deixar entregues a quem, pelos vistos, levou a conversa da esganiçada demasiado à letra e perdeu a vergonha de ir buscar dinheiro a quem o tem. Ainda que pouco.


A Caixa Geral de Depósitos anunciou um significativo aumento, para o próximo ano, das comissões bancárias. Uma conta à ordem vai ficar pela hora da morte. Por mim é um ponto final numa relação com cerca de quarenta anos. Por enquanto – se calhar não por muito tempo – ainda vivemos numa economia de mercado e, adaptando um dito da minha avó aos dias de hoje, quem menos me rouba mais meu amigo é.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Não sejam piegas, pá!

Diz que o ministro do Ambiente terá sugerido que as aldeias afectadas pelas cheias devem começar a pensar em mudar de sitio. Assim mais ou menos aquela coisa de sair da sua zona de conforto que, afinal, se trata de uma zona de risco. Ideia que, presumo, estará a ser acolhida entusiasticamente pelos aldeões que viram os seus terrenos e as suas casas alagadas.


O palerma deve ter aprendido com o Passos Coelho. Mas, ao contrário do outro, quase aposto que esta tese terá o melhor acolhimento. Esta gentinha tem boa imprensa. São como aqueles pirralhos mimados que todas as diabruras que fazem constituem uma gracinha para os avós babados. Neste caso decerto não faltarão vozes a aplaudir a clarividência do senhor ministro.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Mais um comendador...

Um exagero esta histeria à volta do Jesus. O Jorge. O homem pode ser - como muitos outros -  um bom treinador de futebol, mas o tempo de antena que lhe dedicam é manifestamente exagerado. Menos mal que choveu e que a equipa do gajo não ganhou. Caso contrário teríamos assunto para vinte minutos de telejornal. Tenho é pena dos alemães. Aquilo lá para a Alemanha deve ser uma festa por o Klopp ter ganho o mundial de clubes. Diretos, reportagens, comentadores, histórias de vida, os amigos de infância, condecorações, a Merkel a dizer coisas...Nem quero imaginar.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Deve ser isto a politica de esquerda

Ainda sou do tempo em que os aumentos dos vencimentos dos funcionários públicos e das pensões era calculado em função do número de cafés, carcaças, copos de aguardente ou o que fosse que pagavam por dia. Não havia cão nem gato que não se dedicasse a esse exercício estatístico, chamemos-lhe assim.


Hoje ninguém perde tempo com essas ninharias. O que é uma pena. Até porque as contas são muito mais fáceis de fazer. O crescimento dos salários e reformas dará para consumir sensivelmente a mesma quantidade de cafés, carcaças e afins. Só que agora já não é por dia. É por mês.


Coisa que, presumo, incomodará muito pouca gente. Ou nenhuma. Nomeadamente sindicalistas e apoiantes da geringonça. Como aqueles dirigentes sindicais que, pouco antes das últimas eleições legislativas, estiveram no meu local de trabalho a instigar ao voto “nos partidos de esquerda”. Porque, argumentavam, “não podemos voltar para trás” nem “perder o que já conseguimos”. Pois. Só se fôr em matéria de vida saudável. Diz que cafés, carcaças e aguardente são do piorio para a saúde. Por falar em saúde...

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Os “interesses”

Consta da proposta de orçamento do Estado para 2020 que “os prédios classificados como monumentos nacionais de interesse público ou de interesse municipal voltam a pagar Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI)”. Sinto-me dividido quanto a isto. Por um lado considero este imposto um dos mais estúpidos do mundo. Não faz sentido tributar algo que não consome recursos à sociedade e que serve para cumprir um dos mais elementares direitos de cada qual. O direito à habitação. Ou, mesmo não sendo um edifício a isso destinado, não descortino pingo de racionalidade em tributar paredes. Excepto, claro, naquela parte de sacar dinheiro onde julgam que ele existe. Mas, por outro lado, diverte-me esta ideia. Anda, por este país fora, tanto edifício a ser declarado de interesse público, municipal e coiso e agora fazem isto?! Não devem estar a ver bem a cena...Quase aposto que uns quantos “interesses” e outros tantos “interessados” tratarão de manter a normalidade fiscal. Chamemos-lhe assim.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Inconstitucional? Depende...

Ando há não sei quantos anos – uns trezentos, no mínimo – a reclamar benefícios fiscais, nomeadamente no IRS, para quem reside e trabalha no interior do país. Que não, não pode ser. Seria inconstitucional, por violar o principio da igualdade ou outro principio qualquer que ocorra a quem manda nestas cenas. Esta, ou outra parecida, é a justificação que mais frequentemente leio ou ouço em reação a esta ideia.


Coisa que, pelos vistos, não se verifica no caso dos jovens. No próximo ano os que saírem de casa dos pais vão ter uma bonificação de vinte por cento no IRS. Mesmo que se mudem para o prédio ao lado. Ou seja. Dois jovens que até podem ser vizinhos, trabalhar na mesma empresa e ganhar o mesmo ordenado, pagarão IRS diferentes. É tudo constitucional. Não deixar uma vastidão de território desertificar, através de incentivos fiscais a sério como é o imposto sobre o trabalho, é que contraria a constituição.


Como não sou constitucionalista não sei se assim é ou deixa de ser. Nem me interessa. O que sei é que um país que despreza três quartos do seu território e quem neles vive, nunca valerá grande coisa.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Alfaces da crise

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Mesmo sem o “substracto” que resultará – espero - do processo de compostagem, as alfaces evidenciam este bom aspecto. Hoje foi dia de colher a primeira. Outras se seguirão. Isto se conseguir descobrir a tempo um método natural e eficaz de exterminar as lagartas e restantes espécies invasoras. As maganas comem como se não houvesse amanhã e são exímias na arte da camuflagem.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Ó miúdo! Olha que nesta casa pia apenas quem eu quero!

Seja pela figura grotesca ou por qualquer outro motivo, Ferro Rodrigues é das figuras mais detestadas – e mais detestáveis - da política portuguesa. A sua escolha para presidente da assembleia da república é uma daquelas opções difíceis de perceber e mais parece uma provocaçãozinha que uns quantos socialistas sentiram necessidade de fazer.


O homem é um incapaz. Um inapto para o lugar. O caso do deputado Ventura é só mais um. O fulano, da maneira como se dirige aos seus pares – é isso que são os restantes parlamentares - quase dá a ideia de pensar que está falar para miúdos. Ou que tem a pretensão de achar que naquela casa pia apenas quem ele quer.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Uma ideia luminosa

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Toda a gente, numa ou noutra ocasião, já teve uma ideia parva. Acontece o mesmo com as organizações. Sejam elas empresas, governos ou gangues de criminosos. Relativamente a ideias parvas que ocorreram aos governos, tenho poucas dúvidas que, no âmbito das ideias desconchavadas, as da geringonça pulverizam todos os recordes. Quer em quantidade quer em qualidade.


Quando tinha para mim que aquela ideia do Passos Coelho de baixar a TSU dos patrões - que até os putativos beneficiários acharam parva - iria estar durante muitos anos no topo da idiotices governativas, eis que a António Costa ocorre a ideia de criar um regime de IVA progressivo no consumo de electricidade. Para estimular o uso mais racional da energia e combater as alterações climáticas, diz o homem. Com alguma razão quanto a este fundamento, diga-se. Com a luz a este preço não serão muitos a alterar o clima da respectiva habitação de frio para quente no Inverno, nem o contrário no Verão.


Mas esta ideia, para além de parva, é perigosa. Abre precedentes para o mesmo principio se aplicar a outros produtos ou serviços e, dada a nossa tendência para a trafulhice, pode potenciar esquemas da mais variada ordem. Ocorre-me, assim de repente, que o IVA é o imposto onde se verificam mais fraudes, que muito do consumo de energia é medido de forma estimada ou através de contagem fornecida pelo consumidor e que, por não terem condições para aceder a outras alternativas, possam ser os mais pobres a pagar a taxa mais alta. O que até nem admira. As ideias parvas têm, por norma, resultados parvos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

"Refugiados" do nosso contentamento

Andam por aí umas alminhas todas radiantes com a chegada às costas algarvias de meia dúzia de marroquinos, alegadamente refugiados. Nem conseguem – ou não querem – disfarçar a satisfação que lhes enche a alma. Percebo-os. O desembarque desta gente e o seu acolhimento pelas autoridades lusas não constitui apenas um gesto humanitário. Até porque não consta que em Marrocos haja guerra, fome ou outra qualquer espécie de cataclismo. Isso do cataclismo estará reservado para a principal indústria nacional – o turismo – se mais “turistas” destes se lhes seguirem. Como, de resto, já acontece noutros destinos turísticos assolados por esta traficância.


Receber este grupo, mais do que a humanidade do gesto, significa abrir as portas a outros. E, principalmente, a um imenso negócio que está associado a estas movimentações. Os que irradiam felicidade com esta chegada bem o sabem. Também por cá há muita gente com vontade de se atirar aos milhões de euros, provenientes dos nossos impostos, que estes desgraçados fazem movimentar.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Vendo colecção de burriés

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Uma banana colada com fita adesiva a uma parede é apenas isso. Uma banana colada com fita adesiva a uma parede. Seja a parede de um museu ou a parede de uma casa de banho pública. Tanto faz. Continua a ser uma banana. Arte será apenas na cabeça de gente mimada, fútil e intelectualmente a funcionar à base de psicotrópicos.


Espantoso é que alguém tenha pago mais de cem mil euros pela tal banana. Das duas uma. Ou não lhe custaram a ganhar ou deu-lhe jeito gastá-los. Pode, também, acontecer que seja parvo. Hipótese que, obviamente, não invalida nenhuma das anteriores. Pena é que não tenha falado comigo. Por esse dinheiro arranjava-lhe uma colecção de burriés, colados aos mais variados objectos, capazes de deixar extasiado qualquer apreciador de arte moderna, performativa ou lá o que chamam agora a cenas parvas. 


Mas, nesta história, o que mais me surpreende é o silêncio da ex-deputada Ana Gomes e da sua vasta legião de seguidores, quais paladinos da luta contra a corrupção. A venda do passe de um jogador de futebol por cem milhões cheira-lhes a lavandaria e a crimes da mais variada ordem, mas uma banana vendida por cento e oito mil euros parece não suscitar especiais reservas – nem odores estranhos – a essas miseráveis criaturas. Mesmo que as ditas bananas estejam hoje no Continente a vinte cêntimos cada uma.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Discriminação no âmbito das vias rodoviárias

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Na conclusão das jornadas parlamentares do PCP ficou-se a saber que aquele partido exige a conclusão das obras de ligação da A6 ao IP2 entre Évora e o nó de S. Manços. Têm toda a razão, os comunistas. Aquilo está para ali abandonado vai quase para uma década e a sua entrada em funcionamento permitiria desviar o trânsito em direção a sul, nomeadamente ao Algarve, de dentro da cidade com todas as consequências – boas, neste caso – que daí resultariam.


Pena que para aquela malta o IP2 e a A6 não tenham a mesma importância em toda a sua extensão. É que relativamente à ligação entre estas duas vias em Estremoz, nem uma palavrinha. Embora o problema seja em tudo idêntico ao de Évora. Deve ter sido esquecimento. Por causa do vinho, provavelmente. Dizem que, entre outros efeitos, o divino néctar faz esquecer muita coisa a muita gente...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

E aquela cena da imparcialidade do jornalista, já não se usa?!

Jornalistas vários têm dedicado os últimos dias a dissecar o programa do Chega. Visivelmente preocupados, não se cansam de nos alertar para o conteúdo programático daquele partido – ou lá o que é – que incluirá, entre outros malefícios, acabar com o SNS e a escola pública. Compreendo o desagrado. A mim também não é coisa que me cause especial apreço. Não estou é a ver qual é o problema dessas – ou de outras propostas igualmente escabrosas – estarem incluídas num qualquer programa partidário. O BE e o PCP defendem a nacionalização de tudo o que mexe e a saída do euro e não há jornalista que se incomode com isso. Apesar de terem hoje mais deputados do que aqueles que o Chega provavelmente algum dia terá e de estarem mais próximo do poder do que alguma vez André Ventura estará. A menos que continuem a fazer este tipo de campanha contra o homem. Normalmente resultam num efeito contrário ao pretendido...

O saco de plástico

Continuo a achar que o imposto sobre os sacos de plástico é uma parvoíce. Mas, reconheço, a minha é uma posição que não reúne muitos adeptos. Pelo contrário. A maioria parece concordar e - confesso o meu espanto – esta medida tem até defensores tão acérrimos quanto improváveis.
Hoje encontrei um deles. Uma, no caso. Foi no mercado semanal, onde os vendedores continuam a oferecer os sacos, que ocorreu a cena que descrevo:

Vendedor, dirigindo-se à Maria que acabava de adquirir produtos hortícolas em quantidade superior à expectável - Veja lá se quer um saquinho...

Maria – Pois... se calhar é melhor, já não tenho onde acondicionar a alface...

Cliente idosa, toda empinocada e a armar em ambientalista – Sacos?! Está a dar sacos?! Não pode. É proibido!

Enquanto Maria e Vendedor ignoram liminarmente a criatura, Eu a pensar baixinho – Cala-te senhora idosa, agora apelidada de sénior, filha de um marido encornado e de uma senhora que provavelmente prestava serviços remunerados de índole sexual.

Cliente idosa, toda empinocada e a armar em ambientalista – Fazem-se as leis e ninguém as cumpre. Por isso é que este país não avança...

Eu, novamente a pensar baixinho – Tem razão a senhora... e se ficou assim por causa do saco nem quero imaginar como vai ficar quando o homem não lhe passar factura.

Sim, porque DE CERTEZA pediu factura...

E uma estátua a homenagear a mãezinha, não?!


Para encontrar obras parvas e maneiras idiotas de esturrar a pouca riqueza que por cá se vai produzindo não é preciso sair de Lisboa. Da civilização, portanto. É que parvos e esturradores há em todo o lado. Inclusive na capital. Onde, até, por força da maior concentração de pessoas, os pacóvios e esbanjadores terão de ser, forçosamente, em numero substancialmente mais elevado do que no resto do país.
Isto a propósito da edificação em Lisboa de uma estátua de homenagem ao corredor. Nada mais apropriado. Siga-se outra que homenageie quem caminha. Outra a quem ande de bicicleta. Mais outra aos que se deslocam de trotineta. Skate, até. O limite é a imaginação. Coisa que não escasseia a quem não tem problemas em gastar o que não lhe custa a ganhar.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Merda de cão



Isto é coisa que não falta no meu bairro. Nem nos outros. Da minha cidade e de todas as outras. É o resultado de existirem cada vez mais bichos a partilhar o mesmo espaço que os seres humanos em zonas urbanas. Acho amoroso ter um cão. Ou um gato. Mas não consigo entender que animais e pessoas partilhem uma habitação. Tive, enquanto vivi no campo, dezenas deles. Nenhum se atrevia a colocar uma pata dentro de casa. Ficavam no quintal ou andavam por onde muito bem lhes apetecia. Na cidade não acho jeito nenhum a isso.
Permitir isto em plena via pública é coisa que me revolta mesmo à séria. Que queiram ser pouco asseados dentro de casa é lá com eles. Na rua é com todos.

Livra!

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Se isto não é zenofobiazinha da boa, eu vou ali e já venho!

Populares


Gosto de ouvir os populares a quem é dada oportunidade de dizer umas coisas para o microfone que lhes puseram à frente da boca. Por mais que haja quem deprecia a sua opinião, para mim, ela constitui uma fonte inesgotável de conhecimento. Ou, como alguém escreveu em tempos, “por mais comprida que seja a fita de um gravador nela não caberá a sabedoria popular”.
Isto a propósito do que proclamava ontem para uma reportagem televisiva, num mercado da Madeira, um peixeiro lá da ilha. Garantia o senhor que até à hora em que falava só tinha feito quinze euros, enquanto antes – antes do euro, provavelmente - já teria ganho setenta contos. Trezentos e cinquenta euros, portanto. Significa que, por essa época, o senhor ganharia o equivalente a sete mil euros por mês.
Solidarizo-me, naturalmente, com o popular. E com todos os que, tal como ele, sofreram tão dramática redução de rendimentos. Há, apenas, duas coisas que me inquietam. A primeira, tão intensa actividade económica não se ter traduzido em riqueza. A segunda. os impostos cobrados não corresponderem ao nível de ganhos que quase todos os comerciantes juram ter tido nesses, pelos vistos, saudosos tempos. Mas isto sou eu, que tenho a mania de dar importância às conversas dos populares...

Pombos


Cá a terrinha, como quase todas as outras sejam grandes ou pequenas, está cheia de pombos. O que não surpreende. Os gajos reproduzem-se como o caraças e, para ajudar à festa, há sempre uns javardões a tratar de os alimentar. Devem-lhes achar muita graça, eles. Ou, coitados, pensam que estão a fazer uma boa acção. Se a isso juntarmos a habitual e tão característica inércia das autoridades que deviam tratar disto e não tratam, temos a javardice perfeita.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Pirata arrependido

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Zeinal ou Berardo não são nomes tipicamente portugueses. Embora possam ambos, logo assim de repente e ao primeiro olhar, ser associados a alegados pantomineiros e a não menos alegadas vigarices recentemente cometidas por terras lusas. Ora, perante isto, não parece coisa de génio adoptar o “nickname” “Zeinal Berardo” quando se pretende intrujar alguém. Vale, no entanto, o arrependimento. Os outros nem isso.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O circo chegou ao cais

A pequena Greta chegou, finalmente, a Lisboa. Não era sem tempo. Já enjoava. Fez bem a catraia em atravessar o Atlântico num barco que não deixa pegada ecológica. Há que ser coerente e, pelo menos neste aspecto, nada haverá a apontar à activista sueca a quem, parece, roubaram os sonhos, a infância e essas cenas.


À espera da moçoila estava um magote de gente. Jornalistas, ambientalistas e seguidores, nomeadamente. Para além de outros basbaques que aparecem sempre quando suspeitam que há câmaras de televisão nas imediações. Raros, presumo, terão utilizado meios de transporte amigos do ambiente para ali chegar. Mas, para o efeito, pouco importa. O que interessa é alimentar o circo. Por este andar o melhor é alguém começar a pensar numa maneira de proteger o planeta dos seus defensores.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Comícios, bebícios e outros vícios...

 


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Para que conste, fui à “Cozinha dos Ganhões”. Trata-se, obviamente, de uma informação absolutamente inútil e completamente desprovida de interesse. O Berardo e o Ventura estiveram igualmente presentes no certame gastronómico. Até este canito, rebocado pela dona e provavelmente contra a sua vontade, marcou presença. Quase seria caso para dizer que se tratou de um evento notoriamente mal frequentado. Mas não. Tenho a certeza absoluta que também por lá terá passado muita gente respeitável. Que isto, como dizia a minha a avó, na hora do "comer" até o diabo aparece.