segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Alta pressão

Garantem alguns que a causa do desaparecimento de muitos blogues que apareceram por cá nos últimos anos terá a ver com alegadas pressões a que foram sujeitos os seus autores. Como já tive ocasião de escrever em posts anteriores, não acredito nessa versão. Creio antes que se tratou de manifesta falta de jeito para estas coisas, de esgotamento do interesse pelas mesmas ou, noutros casos, pelos fins que se pretendiam atingir terem sido conseguidos. Como também já escrevi, fazer um blogue é fácil o problema é mantê-lo e isso, o tempo tem-se encarregado de me dar razão, não é para todos.
Voltando às pressões, posso garantir, foi coisa que nunca sofri. Nem sequer marcação à zona. Também é verdade que as entradas que costumo fazer, embora possam em algumas circunstâncias parecer violentas, nunca ultrapassam a margem da lei. Igualmente é este o critério que aplico aos comentadores mais agressivos que, à semelhança das suas entradas, vão de carrinho sempre que entram de forma mais impetuosa. O máximo que por aqui vou tolerando é uma ou outra carga de ombro. Embora, quanto a mim, os piores sejam aqueles que se atiram para o chão, na esperança de enganar o árbitro, mal sentem o mais leve encosto por parte dos adversários.

domingo, 1 de novembro de 2009

Segurança relativa

Estremoz ainda é uma cidade relativamente segura. E sublinho a parte do relativamente. Mesmo assim o melhor é não facilitar a vida aos amigos do alheio – uma expressão curiosa que lamentavelmente está a cair em desuso – e, tal como o proprietário deste meio de transporte, tomar as devidas cautelas para evitar o desaparecimento dos bens que, por qualquer teimosia burguesa ou insensibilidade social, recusamos partilhar com alguns “desprotegidos”, “marginalizados”, “excluídos” ou outros conceitos modernaços que agora se usam para designar aqueles a quem sempre chamámos ladrões.
Desconfio, apesar de tudo, que não é necessário ir tão longe. Prender o veículo com uma corrente de espessura assinalável, que dá duas voltas ao troco de uma árvore, é capaz de ser um pouco exagerado. Até porque qualquer ladrãozeco, por mais desfavorecido que seja, não estará disposto a circular numa coisa destas. Seria cobrir de ridículo a classe da ladroagem e, ao mesmo tempo, revelador de um claro insucesso nesse cada vez mais competitivo ramo de actividade.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tugas originalidades

Portugal prepara-se para ser um dos poucos países da União Europeia, senão mesmo o único, a transpor uma directiva comunitária que permitirá aos comerciantes cobrar aos clientes uma taxa pela utilização do cartão multibanco no pagamento das compras efectuadas.
Ridícula, idiota, disparatada e perigosa tem sido alguns dos adjectivos mais simpáticos utilizados para qualificar esta opção do governo. Por mim discordo destas criticas e manifesto desde já a minha concordância com tão sábia decisão. Trata-se de uma justíssima medida no âmbito do apoio social aos “desfavorecidos” que têm visto os seus rendimentos, oriundos do produto do roubo de carteiras e outros assaltos, diminuírem drasticamente graças ao dinheiro de plástico – único que os portugueses trazem nas algibeiras – bem como constitui uma importante ajuda no âmbito do combate à crise que atravessa o comércio nacional.
Argumentarão alguns que não será bem assim porque os comerciantes já fazem reflectir no preço final os encargos que tem de suportar com os terminais de pagamento automático. Por isso mesmo é que esta ajuda extra é importante. A todos os títulos. Inclusive o fiscal, porque se mais compras passarem a ser pagas em dinheiro vivo maior será o benefício em termos de impostos a pagar pelo comerciante. O que, reafirmo, é óptimo para a economia nacional e para a promoção da justiça e igualdade social.
Claro que os do costume irão pagar um pouco mais, mas, convenhamos, é por uma boa causa. Ajudar quem mais necessita – tal como fazer compras – faz bem a alguns egos e portanto trata-se tão só de juntar o útil ao agradável. Ladrões, comerciantes e outros desprotegidos agradecem.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Enfim, é o país que temos!"*

Parece mentira! A Policia Judiciária, em lugar de se preocupar em identificar os autores de blogues anónimos, lançou uma inusitada campanha de perseguição a empresários e altos quadros de empresas públicas e privadas. Estas pessoas, empreendedoras por natureza, peças chave para a saída da crise, potencialmente geradoras de riqueza e de criação de emprego, não mereciam este tratamento por parte das autoridades. Pelo contrário. As suas acções – sejam elas quais forem – deviam ser apoiadas, estimuladas e alvo de todos os incentivos e aplausos. Infelizmente assim não acontece e opta-se por perseguir gente séria, honesta e que muito contribui para o progresso e bem-estar dos portugueses, ao mesmo tempo que se deixam em paz bloguistas anónimos, que urdem campanhas negras, cheias de ódio e perseguição pessoal contra pessoas ligadas ao Partido Socialista. Partido a que têm ligações alguns dos agora investigados pela PJ, diga-se. Coincidências.
*Expressão tipicamente tuga - e um bocadinho xunga, também - que não sei ao certo o que quer dizer.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pesquisas (só relativamente) estranhas

Há muito que não discorro acerca das pesquisas que trazem os visitantes até ao Kruzes Kanhoto. Verdade que nos últimos tempos nada merecedor de destaque por aqui tem aparecido. Nem mesmo o facto de um leitor ter achado estranho e verdadeiramente surreal que tenha aparecido uma “moeda no fundo de uma piscina” pública, ao ponto de ter introduzido essa frase na caixa de pesquisa do Google como forma de confirmar tão inusitado aparecimento. Só pode considerar isso como algo de estranho porque não mora em Estremoz nem frequenta a piscina municipal cá do sítio. Aí aparecer uma moeda seria o menor dos males. É muito mais frequente aparecer merda… em dias em que não há natação para bebés!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sinalização inútil

Há sinais de trânsito que só atrapalham e que constituem um verdadeiro atentado à facilidade de circulação, ao ambiente ou até mesmo à inteligência. É o caso da zona onde resido. Outros são apenas inúteis. Como o que assinala a proibição de circular numa via junto ao Largo General Graça, onde estão a decorrer obras. Apesar de todos os defeitos que os condutores portugueses possam evidenciar, particularmente a pouca concentração que demonstram em muitas circunstâncias, não parece necessário avisar os automobilistas que naquela artéria o trânsito está proibido. O tapume e o estaleiro que está por detrás constituirão certamente motivo mais que suficiente para desmotivar qualquer um de tentar passar. Digo eu, não sei.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A liberdade da proibição

O estranho – ou talvez não - “caso” do desaparecimento de Maddie McCann e de tudo o que com ele se tem relacionado, sempre constituiu para mim um motivo de forte desinteresse. Mesmo nos dias seguintes ao sumiço da criança, quando os telejornais nos bombardeavam com directos, reportagens e comentários acerca do sucedido durante larguíssimos minutos, nem assim, o mistério que motivava conversas mais ou menos empolgadas entre os portugueses e suscitava o interesse à escala planetária, me conseguiu despertar a mais leve curiosidade. A prova disso, recordar-se-ão os que já na época acompanhavam o Kruzes Kanhoto, é que nunca por aqui foram feitos apelos patéticos aos raptores ou colocados “selinhos” alusivos ao desaparecimento da pequena Maddie.
Se, passado todo este tempo, estou a abordar o assunto é apenas porque me preocupa o ataque à liberdade de expressão. Hoje de um homem, amanhã de muitos mais. E também porque me dá um gozo muito especial contrariar os pequenos ditadores que não percebem que o mundo mudou e que, por mais que se esforcem a proibir a divulgação da informação há sempre muitas maneiras de a ela ter acesso. Não é que me interesse e nem sequer farei o download, mas quem tiver curiosidade em ler pode obter uma cópia gratuita de um livro que aborda esta temática e que está alojada no servidor aqui linkado.

domingo, 25 de outubro de 2009

A importância da paneleiragem

Os paneleiros e as fufas bem como a sua vontade de casar de véu e grinalda parecem constituir o principal problema do país. Ou, pelo menos, o que exige maior celeridade de decisão do governo a empossar por estes dias. Esta ordem de prioridades enoja-me e não pode deixar de causar espanto mesmo entre os eleitores do partido do governo que são na sua imensíssima maioria gente de bem, honesta e que de certeza não dá grande importância à paneleiragem e actividades correlativas.
Como já escrevi inúmeras vezes em posts publicados neste blogue estou-me nas tintas para essa malta. Eles que encham os intestinos com o que quiserem, atasquem o “besugo” em merda se isso lhes dá prazer ou façam o que muito bem entendam. É lá com eles – ou com elas – e desde que não me aborreçam, não serei eu a criticar as suas opções ou os seus gostos. Agora o que acho incompreensível é que os mais altos dignitários da nação, aqueles a quem pagamos para gerir a coisa pública, percam o seu tempo e esbanjem o dinheiro que devia ser aplicado em fins mais nobres a discutir assuntos de nesta natureza. Apesar de reconhecer que mesmo as aberrações devem ter alguma regulamentação isso, num país com tantos problemas importantes, nunca devia ser considerado como prioritário.
É perante situações como esta que me apetece repetir um impropério que, num tempo não muito distante, constituía uma verdadeira afronta àquele a quem fosse dirigido: “Eles que vão levar no cú!”. Mas não o vou fazer. Ainda eram capazes de gostar.

sábado, 24 de outubro de 2009

Politica social 2.0

Ao contrário do que se quer fazer crer, não foram alguns autarcas mais ou menos mediáticos os inventores das políticas sociais nas autarquias. Já desde os idos de sessenta e setenta do século passado, quando ainda nem se sonhava que um dia viesse a existir subsídio de desemprego ou rendimento mínimo garantido, eram as câmaras municipais, nomeadamente do Alentejo, que no interregno dos trabalhos sazonais na agricultura garantiam o trabalho e a remuneração essencial à sobrevivência de muitas famílias.
Apenas muito mais tarde surgiram os apoios no âmbito do ensino e só recentemente chegou a moda dos municípios se substituírem aos privados nas pequenas reparações do cano entupido, da lâmpada fundida ou do armário despregado nas casas dos idosos. Nova é também a substituição por parte das autarquias daquilo que é a obrigação do Estado de garantir assistência médica e medicamentosa. São já muitos os eleitores mais velhotes que beneficiam de remédios grátis e de operações aos olhos patrocinadas pelas respectivas Câmaras Municipais como tem sido amplamente divulgadas na comunicação social.
Uma nova geração de políticas sociais estão, com o iniciar de um novo mandato, a surgir. Depois de tratada a visão é agora altura de virar atenções para outros problemas e, apropriadamente, a boca e a saúde oral dos munícipes mais velhos serão o alvo que se segue. O que nem me parece mal de todo. Alguém com os dentes podres ou mesmo desdentado é, sem dúvida, merecedor de auxílio.
Tudo isto, ainda assim, me parece pouco. Há que ser arrojado, inovador e melhorar a qualidade de vida de quem sempre viveu com dificuldades. E como a imagem é algo de fundamental nos tempos que correm, era capaz de ser boa ideia, como forma de aumentar a auto-estima, nos casos em que ainda não esteja irremediavelmente tudo perdido, pagar uma plástica ou, pelo menos, promover idas à esteticista para tirar o buço às velhotas – há por aí cada bigodaça – ou os cabelos das orelhas aos velhotes. Estas medidas - e outras que a prodigiosa imaginação dos autarcas encontrará – poderão contribuir para uma vida com mais qualidade e, simultaneamente, dinamizar a economia local na terra onde forem implementadas.
Embora estas coisas proporcionem a oportunidade de fazer umas quantas piadolas, são, acredito, medidas importantes e constituem exemplos que devem ser seguidos. Os nossos velhotes, que vivem na maioria dos casos com pensões miseráveis, merecem estes apoios. A sério.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Clique a clique se faz um blogue!

Desde que os gajos – esses palhaços - do adsense, programa de publicidade contextual do google, resolveram rescindir unilateralmente o contrato que mantinham com o Kruzes Kanhoto que tenho testado, aqui no blogue, uma quantidade significativa de alternativas promovidas por empresas que, na maioria dos casos, estão a dar os primeiros passos nesse imenso e promissor ramo do mercado publicitário. Seja resultado da crise, que terá afastado muitos dos potenciais anunciantes, seja fruto da inexperiência, da pouca vontade de correr riscos por parte dos promotores ou simplesmente porque os meus leitores estão-se cagando para os anúncios, a verdade é que todas essas experiências se têm revelado claramente negativas. Ou, para ser mais justo, de resultados que com boa vontade posso classificar como deprimentes.
Ao contrário de outros blogues cá do sitio que pretendiam divulgar, debater ou discutir a cidade e o concelho, o objectivo do “Kruzes Kanhoto” – nunca o escondi – era, e continua a ser apesar fase mázinha que está a atravessar, muito menos nobre. Logicamente que, neste contexto, as polémicas baratas e as ofensas gratuitas não têm lugar por aqui. Talvez seja por isso que o “KK” já viu nascer e morrer quase de seguida, uma quantidade bastante apreciável de “projectos” que prometiam muito mais do que um certo “blogue que só sabe falar de merda de cão”.
Com ou sem resultados significativos este blogue continuará a existir. Continuarei a “não assinar” o meu nome e a escrever posts que são uma “bosta”. A “falta de imaginação”, a “miserável qualidade da escrita”, a “ausência de temas com interesse para o comum dos mortais” e o controlo apertado da caixa de comentários continuarão igualmente a constituir a imagem de marca deste espaço. Pelo menos enquanto me apetecer e houver leitores que, vá lá saber-se porquê, acham piada às alarvidades que vou publicando.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mensagem fraquinha

Para fazer passar uma mensagem, seja de que tipo for, convém que a mesma seja clara e perceptível ainda que não necessariamente verdadeira. Isso pode constituir a diferença entre o sucesso e o fracasso, entre atingir ou não o objectivo que se pretende alcançar.
Este é, por exemplo, o tipo de mensagem condenada ao insucesso. Para além da dificuldade óbvia em decifrar o seu conteúdo, considerar que o individuo cuja imagem e/ou reputação se pretende atingir - provavelmente um inimigo – tem cara de osga, parece constituir um insulto demasiado fraquinho. Principalmente numa região, como é o caso daquela onde a foto foi obtida, em que as pessoas que por lá habitam mantêm uma relação de cordialidade com o pequeno réptil.
Veja-se, igualmente, o caso deste post. A mensagem que transmite será tudo menos clara ou perceptível. Mas, no caso, isso é o que menos importa. Afinal o objectivo não vai além de escrever qualquer coisa que justifique a publicação de uma foto que há meses andava aqui pela pasta das fotografias a publicar e que agora pode finalmente ser apagada.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

No dobrar - e no lamber - é que está o ganho

Existem actividades, chamemos-lhe assim, bem remuneradas neste país. E se calhar no estrangeiro, também. Burlar os outros é uma delas. Mas é igualmente um pleonasmo porque ninguém se burla a si mesmo. Vem este arrazoado idiota e pouco menos que incompreensível a propósito da anunciada possibilidade de qualquer um, com relativa facilidade e pouco engenho, poder auferir a simpática quantia anunciada na imagem ao lado. Para tanto, promete o putativo burlão, necessitará apenas de efectuar procedimentos básicos como dobrar circulares, introduzi-las num envelope, pespegar uma lambidela ao dito e enviá-lo para o destinatário.
Claro que a coisa não é assim tão simples. Trata-se somente de mais um esquema manhoso dos muitos que em tempos difíceis – e se calhar até nos fáceis – é urdido por quem tem uma relação inconciliável com a honestidade e uma grande vontade de ganhar “algum” sem grande esforço. A burla continua a funcionar, mesmo após tantos anos de uso, porque muitos outros, sem a manha dos primeiros mas com a mesma vontade de ganhar dinheiro fácil, acabam por cair na esparrela após fazerem a rápida multiplicação por quatro da quantia prometida e chegarem a um bonito número que corresponderia ao seu hipotético ganho mensal.
Desconfio que anúncios onde se oferecem outro tipo de empregos, em que se tenha de usar mais a força dos braços que a agilidade da língua, não obterão tantas respostas. É uma questão de preferência. Embora, neste como noutros casos que agora não vêm ao caso, fosse preferível usar a cabeça.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A "coragem" da velha carcaça

Não gosto da obra de José Saramago. Tentei lê-lo muito antes de se imaginar que o homem pudesse um dia ser laureado com um Nobel e, confesso, desisti. Também não gosto de o ouvir falar. Embora, felizmente, as suas aparições televisivas sejam raras, o homem tem por hábito despejar um chorrilho de disparates que, não sendo de estranhar em pessoas da sua idade, não parecem próprios de alguém que tem um certo prestígio a salvaguardar.
Gostei, no entanto, das declarações que o dito escritor proferiu ontem em Penafiel por ocasião do lançamento do seu último livro. Não porque conheça a Bíblia, foi livro que nunca me despertou qualquer tipo de curiosidade, mas sim pela frontalidade, descaramento vá, com que Saramago se referiu à religião e à escravatura do homem perante um suposto Deus que um dia alguém se lembrou de inventar. Pode tê-lo dito de forma arrogante e apenas com a intenção de promover a sua obra através da criação de um polémica artificial mas, apesar disso, foi, quanto a mim, uma daquelas verdades inconvenientes que alguém tinha de dizer. 
Pena que a dose de coragem evidenciada pelo ex-director de um matutino da capital - tão aplaudida por uma certa esquerda de discurso cada vez mais parecido com o das beatas que muitas vezes pretende ridicularizar – não tenha chegado para condenar mais uns quantos livros ditos sagrados e umas quantas religiões dessas muito em voga e com aspirações a controlar o mundo. Quem considera a Bíblia um manual de maus costumes não hesitará, certamente, em considerar o Corão como um almanaque do terrorismo. A menos que seja cobarde e tenha medo que os profetas da religião da paz lhe rebentem com a carcaça. 

domingo, 18 de outubro de 2009

Comissões inúteis

A Comissão Nacional de Protecção de Dados, sempre tão zelosa pela segurança e privacidade dos cidadãos, terá permitido que ande por aí um – ou mais sabe-se lá – satélites americanos a espiar-nos?! Segundo o teor desta notícia do “Diário Digital” os maganos conseguem até saber a cor dos olhos das pessoas que aparecem nas imagens captadas pelos seus diabólicos aparelhos de espionagem. Não é que esteja muito preocupado com isso, até porque uso óculos escuros e não ando por aí a pôr bombas, mas não consigo evitar um sorriso irónico só de pensar nos entraves que a dita comissãozinha tuga se lembra de levantar sempre que alguma entidade pretende colocar em uso um sistema de videovigilância na via pública.
O país está repleto de comissões como esta, e de outras ainda mais inúteis, que sugam recursos sem que do seu trabalho sai algo de proveitoso para a sociedade que as mantém. Afinal de que adianta estudar, analisar ao mais ínfimo pormenor e muitas vezes rejeitar a implementação de coisas, quase sempre como o argumento que se trata de proteger a nossa privacidade, a que outros, sem nos passarem cavaco e sem que tenhamos qualquer controlo, há muito têm acesso. Mas nós, enquanto povo, gostamos. Adoramos comissões, estudos, análises e tudo o que sirva para adiar decisões, evitar compromissos e que contribua para que fique sempre tudo na mesma.

sábado, 17 de outubro de 2009

Esclarecimento desnecessário

Sim, eu sei e por isso ninguém precisa de me fazer desenhos para ver se altero o conteudo do post anterior. Quando os peritos propuseram um imposto sobre o café estavam a pensar no IEC, Imposto especial sobre o consumo, cuja cobrança ocorre numa fase de comercialização do produto que não tem nada a ver com o momento em que o consumidor beberrica tranquilamente a sua bicazinha. Da mesma forma que, se um dia se lembrarem disso, um eventual imposto sobre o látex nunca será cobrado ao utilizador final no momento do seu uso. No entanto já todos estamos a imaginar umas quantas piadolas, mais ou menos javardotas, que podíamos fazer acerca disso... É, como tenho a mania de repetir, não deixar que a verdade estrague uma boa história. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vai um impostozinho?

O combate ao défict continuará, para o bem e para o mal, a ser uma prioridade do próximo executivo. Nomeadamente agora que, por força dos chamados incentivos de combate à crise, o seu valor atingiu números a que já não estávamos habituados. Deve ser por isso que fiscalistas e outros activistas destas questões tem surgido nos últimos tempos a divulgar estudos, análises ou simplesmente bitaites, acerca das medidas que deverão ser adoptadas para colmatar o desacerto das contas públicas.
De todas a mais espectacular, ou mais parva dependendo do ponto de vista, seria a introdução de um novo imposto sobre o café. Não sei se a receita gerada terá um impacto significativo ou contribuirá de modo relevante para o aumento da receita fiscal. Do que tenho sérias dúvidas é da eficácia e da capacidade da máquina fiscal em controlar a sua cobrança. Provavelmente não passaria, a ser aplicada tão mirabolante ideia, de mais um aumento do preço a pagar pelo consumidor que serviria apenas para acrescer à margem de lucro dos empresários da restauração. Que, tanto quanto se sabe, não manterão com o fisco uma relação que prime pela honestidade, transparência e rigor.
Desconheço se os tais especialistas da área da fiscalidade se lembraram ou não mas, assim de repente, sou capaz de mencionar meia dúzia de alternativas provavelmente mais rentáveis e de controlo muito mais transparente e socialmente mais justas. Taxar, seja através do agravamento do iva ou de outra maneira qualquer, os artigos de luxo, as viagens para o estrangeiro, os artigos para animais de estimação, as mensagens de telemóvel, os recursos das decisões judiciais e os depósitos bancários que não sejam provenientes de rendimentos perfeitamente identificados como resultantes de uma actividade económica sujeita a tributação, não me parece que fosse por aí além muito difícil nem tão desagradável como o tal imposto sobre o cafezinho.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O doentinho, o resort e a cooperação transfronteiriça

Ontem terá havido festarola no resort. Como todos sabemos uma festa, seja onde for que se realize, provoca quase sempre alguns excessos. Daí que um dos intervenientes mais jovem, em consequência disso ou de um defeito de fabrico de que na óptica dos acompanhantes será portador, tenha tido necessidade de recorrer aos cuidados do centro de saúde local. Apesar do caso não aparentar complexidade de maior o médico de serviço terá sido persuadido, ainda segundo os mesmos acompanhantes do jovem combalido, a enviar o rapaz para o hospital distrital mais próximo.
A chegada de uma ambulância dos bombeiros cá da terrinha ao banco de urgência e o quase simultâneo aparecimento de dois carros da policia, despertou a curiosidade entre os circundantes e constituiu motivo para, enquanto se inteiravam da identidade do ocupante e das causas das suas maleitas, atenuar o aborrecimento provocado pelas muitas horas à espera de noticias dos seus familiares ou amigos que se encontravam a receber tratamento ou aguardavam atendimento naquele hospital.
Não tardou que um automóvel, com muitos mais cavalos que o meu, e dois furgões repletos de gente interessada no estado de saúde do jovem chegasse ao local. A pressa era tal que apenas as mulheres, provavelmente limitadas pelo espaço de manobra permitido pela saia comprida e justa, entraram pelo portão. Os homens numa demonstração da sua evidente falta de civismo e manifesta incapacidade para viver em sociedade, saltaram o muro aos berros e invadiram as zonas de espera, de triagem e irromperam pelo banco de urgência. Quais seguranças, policias ou pessoal de serviço, qual quê, nada os demoveu de ocuparem as instalações. Nada é como quem diz. O aparecimento de dois doentes com uma máscara a tapar a boca e o nariz, de imediato conotados com alguém que padecesse de gripe A, provocou a debandada geral do grupo de energúmenos e a sua concentração no exterior do edifício.
Aqui, depois de acalmados pela polícia que com uma postura serena e dialogante tratou de arrefecer os ânimos, a conversa entre eles animou e rapidamente derivou do estado de saúde do parente para outros temas acerca dos quais, apercebi-me no decorrer da noite, possuem um elevadíssimo nivel de conhecimento que vai muito para além do evidenciado pela generalidade dos cidadãos. Sabem tudo acerca de automóveis topo de gama, respectivos acessórios e extras com que podem ser equipados, os modos de actuação das diversas forças de segurança, portuguesas e espanholas, e as virtudes e defeitos dos hospitais de um e do outro lado da fronteira.
O melhor estava entretanto reservado para o final. Apesar de todos eles serem moradores no nosso famoso resort, receberem o rendimento social de inserção e todo o tipo de apoios sociais que se possam imaginar, apesar de terem nascido por cá, de os filhos frequentarem a escola e de terem todos os documentos que os identifica como cidadãos portugueses, os fulanos são espanhóis! Ou melhor, são também espanhóis. Isto porque, segundo os próprios, o aperfeiçoamento do sistema informático da segurança social – esses malditos computadoris! – impedem que os subsídios sejam atribuídos em diferentes locais do país à mesma pessoa. Daí o recurso a Espanha. Onde, garantem, estão todos no desemprego. No “paro”, como fazem questão de frisar. Para tanto possuem DNI (equivalente ao nosso bilhete de identidade), morada em Badajoz e conta numa instituição bancária espanhola. O resto é fácil de calcular…e é um excelente exemplo da cooperação transfronteiriça entre o Alentejo e a Extremadura.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Estranho sentido de humor...

Circula pela internet um vídeo em que, alegadamente, uma obscura actriz brasileira -Maitê Proença, diz que é assim a sua graça - tece considerações pouco abonatórias em relação a Portugal e aos portugueses. Como não podia deixar de ser milhares de internautas, ofendidos com as opiniões expressas pela senhora, estão a tentar criar uma onda de indignação por considerarem tais afirmações ofensivas e, pasme-se, escandalosas.
Patético. É o que de mais simpático me ocorre dizer acerca desta indignação. Pior, mas muito pior do que é dito pela apresentadora no pequeno filme, são as desconsiderações sob a forma de anedota e as piadolas parvas que todos os dias os agora indignados lusitanos contam acerca dos alentejanos. Por mim, que vi o vídeo, não me sinto mais ofendido do que quando ouço um qualquer papalvo chamar burros, mandriões e outras coisas piores a quem nasceu no Alentejo. E, não. Não me venham com essa história do gajo inteligente e com sentido de humor que sabe rir de si próprio.
A essa cambada de virgens ofendidas é permitido dizer mal de tudo e de todos, contar anedotas e humilhar os outros, mas quando são eles os pretensamente ofendidos “aqui d’el rei que me estão que me estão a ofender” ou, como diz o outro, “ai, ai, ai, ai, ai…que não pode ser!” Por mim, enquanto português, não me sinto ofendido nem insultado. Tenho a inteligência bastante para saber que sentido de humor não me falta e rir de mim próprio é coisa que não me envergonha. Lamentavelmente a essa malta que se anda a indignar com as declarações da brasileirinha é que parecem faltar todos esses atributos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cidadãos merdosos

Perdi já o conto ás inúmeras fotografias de merda de cão que publiquei aqui no blogue. Claro que daí não resultou nenhuma alteração de comportamento por parte dos donos, nem os canitos deixaram de cagar a seu bel-prazer por onde muito bem lhes apetece. Mas não é por isso que deixarei de me insurgir contra a javardice provocada por uns quantos cidadãos pouco respeitadores das regras da boa convivência e do respeito pela limpeza e higiene que devem existir no espaço público.
O mais interessante é que muitos dos que contribuem para este estado de coisas são pessoas bem-postas na vida, com um nível de educação – medida apenas pelo diploma, claro está - acima da média e uma pretensa cultura cívica que não lhes devia permitir terem uma atitude tão básica e primitiva quando se trata de cuidar da canzoada. Abrir o portão e deixar o animal ir cagar para a porta do vizinho não me parece ser um acto de salutar vizinhança. Principalmente quando, como é o caso, o vizinho sou eu. Menos ainda será um acto de alguém preocupado com a saúde pública. Nem, se calhar, com a saúde do seu cão…

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O dia seguinte

Um dia depois de fechadas as urnas e contados os votos parecem ainda subsistir algumas dúvidas acerca de quem ganhou as eleições de ontem. Dúvidas legítimas e absolutamente normais que se colocam sempre que se realizam eleições em Portugal e os intervenientes nas mesmas desatam a analisar, da maneira que mais lhes convém, os números daí resultantes.
Sendo as autárquicas não um, mas trezentos e oito actos eleitorais, parece óbvio que o vencedor será aquele que conseguir vencer o maior número dessas eleições. Ou seja, conquistar o maior número de Municípios. Há, no entanto, quem insista em considerar que não. Porque, para alguns, o que conta é o número de votos obtidos mesmo que num só município votem mais pessoas do que em cem todos juntos. Ou, noutra versão, ainda que um partido tenha ganho um maior número de Câmaras que o segundo, pode ser considerado perdedor se tiver deixado fugir umas quantas para os adversários. Lógico e bem visto. Acho eu.
Mas deixemo-nos de política e tratemos de coisas mais sérias. De futebol, por exemplo. Será que o Sporting, campeão nacional em título, deve despedir o Paulo Bento?! Se calhar é melhor não. Depois de em 2007/2008 ter ficado a catorze pontos do Porto, este promissor técnico conseguiu a brilhante proeza de, em 2008/2009, levar os leões à conquista do campeonato após ter ficado apenas a quatro pontos dos dragões e agora querem pôr o homem na rua?! Tá mal, pá.

domingo, 11 de outubro de 2009

IP2 novamente chumbado

O traçado alternativo para a variante a Estremoz do IP2 apresentado pelas Estradas de Portugal foi, tal como já havia acontecido com a primeira versão, chumbado devido ao impacto ambiental negativo e irreversível que produziria na zona que iria atravessar.
Tenho o maior respeito pela natureza. Sou, até, incapaz de arrancar uma florzinha ou esmagar um caracol. Gosto igualmente do sossego e desagrada-me ter centenas de automóveis a passarem a poucos metros do meu quintal. Compreendo por isso que alguns se sintam igualmente incomodados com a perspectiva de terem relativamente perto da sua habitação - seja ela a primeira, a segunda ou a terceira - todo o desassossego causado por uma via de trânsito, verem destruídas umas quantas flores – lindíssimas de certeza - e arrasado o habitat natural de uns quantos rastejantes raros e amorosos. Percebo ainda melhor que eventualmente - e nem estou a dizer que o façam - se movimentem junto de todos os seus conhecimentos e amizades com o intuito de preservar a sua qualidade de vida que, calculo, não lhes tenha saído barata. Tal como não sairá a sua manutenção, presumo.
Continuaremos, assim, a ter durante mais alguns anos um volume de trânsito elevadíssimo junto a escolas, centro de saúde e parque desportivo, onde diariamente passam milhares de pessoas sem que isso constitua preocupação de maior para quem tem de decidir estas coisas ou para aqueles que a elas se opõem. Que interessa o transtorno de tantos e o risco de vida de muitos se a alternativa é estragar o "meu" sossego?! Principalmente quando "eu" tenho dinheiro para o pagar.

sábado, 10 de outubro de 2009

Reflexões irreflectidas para reflectir no dia de reflexão

Hoje é dia de reflexão. Mais um. Pela terceira vez num curto espaço de três meses somos chamados a reflectir. Embora a reflexão seja um exercício importante a insistência na sua prática parece manifestamente exagerada. Repetitiva, até. Daí que, tal como acontece quando escrevo os outros posts, não tenha reflectido grande coisa acerca do tema sobre o qual me irei debruçar. Assim sendo as opiniões que aqui expressar continuarão a ser pouco sérias, por consequência não deverão ser levadas a sério por gente séria e, acima de tudo, continuarão a revelar-se completamente irrelevantes e desprovidas de qualquer fundamento.
Terminada a campanha eleitoral no nosso concelho e apresentadas todas as propostas, cabe agora aos estremocenses decidir o que querem para o nosso futuro. Por mim lamento apenas que ninguém se tenha referido ou apresentado ideias para combater aquele que é “O” problema de Estremoz e, de um modo geral, de todo o interior. A desertificação humana. Temos uma cidade e um concelho com qualidade de vida e onde temos tudo o que é exigível a uma terra com a nossa dimensão. Falta-nos apenas o essencial. Gente. Pessoas, porque sem elas podemos ter políticos genialmente brilhantes ou uma cidade espectacular, que de pouco servirá.
Claro que esse é um problema que nenhum dos candidatos pode resolver - todos eles até já contribuíram para a sua minimização – porque este é um daqueles casos em que a culpa recairá, quanto a mim, muito mais nos cidadãos do que nos políticos. A baixa natalidade, a continuar a tendência das últimas décadas, provocará num futuro não muito distante o desaparecimento de muitas localidades, tenham elas ou não infra-estruturas fantásticas. Por isso o meu desafio, mesmo que irreflectido, é que os eleitores e as eleitoras aproveitem o dia de reflexão – e também a noite – para reflectir sobre este assunto e, principalmente, agir. Vocês sabem do que eu estou a falar…

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Aprendizes de burlão

Por norma os burlões costumam ser gajos espertos. Por vezes também inteligentes. De nenhum desses atributos parece ter sido dotado o indivíduo que me enviou um destes dias este e-mail, onde me dá conta de uma pretensa divisa a uma empresa de telecomunicações da qual nem sou cliente. Segundo sei, foram muitos os portugueses que receberam igual mensagem que, ao que consta, se limitaria a pedir diversa informação pessoal a quem abrisse o link.
O roubo de identidades, aparentemente o intuito deste estratagema, é um problema sério, muito em voga e que pode trazer consequências bastante complicadas para a vítima. Analisando a relação risco/lucro pode dizer-se que este é um tipo de crime onde o risco de ser apanhado é baixíssimo, quase desprezível, enquanto os proveitos obtidos dependem apenas dos limites que o criminoso impuser à sua ambição.
No caso em concreto, embora o plano não pareça mau, a competência demonstrada deixa muito a desejar e revela claramente que o meliante é aprendiz ou burro. Quando se pretende ludibriar alguém deve sempre partir-se do princípio que o potencial ludibriado não é parvo de todo e que prestará o mínimo de atenção a alguns detalhes. Logo haverá que evitar erros crassos como, para citar apenas um, o português empregue na elaboração da mensagem. Era capaz de não ser má ideia a criatura frequentar mais umas aulas de língua portuguesa. Dessas que agora por aí há para estrangeiros.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Promessa eleitoral que falta fazer

Tal como seria de esperar, até porque é o hábito em período eleitoral, todos os partidos e outros candidatos às centenas de Câmaras e milhares de Juntas de Freguesia prometem nos seus programas a realização de obras para todos os gostos e a tomada de medidas em todas as áreas a que a nossa imaginação nos possa conduzir. Seja o que for que nós pensemos que possa ser feito, de certeza que já alguém pensou antes e aparece escarrapachado no programa de algum candidato a alguma coisa.
Prometem espalhar infra-estruturas de toda a índole por todo o território que, no interior pobre e desertificado, não terão num futuro próximo qualquer utilidade por não haver pessoas para as usufruir e que no litoral superpovoado servirão apenas para atrair ainda mais gente e diminuir, por consequência, a qualidade de vida. Prometem uma generosa distribuição de dinheiro por determinados grupos, modernamente apelidada de apoios sociais, que na prática servirá para estimular o mercado da droga e da venda de armas. Ou, num segmento mais específico, dinamizar o mercado da prostituição e aumentar o fluxo de remessas monetárias para o Brasil.
Para pagar todas essas promessas será necessário muito dinheiro. Isto se partirmos do princípio que quem as faz tenciona pagá-las – o que em muitos casos, a ocorrer, constituiria uma surpresa – mas quanto a isso os programas eleitorais nada dizem. É, no entanto, bom que se tome consciência que aquilo que os aspirantes a políticos pretendem construir ou as verbas que prometem entregar aos mais pobres, como gostam de dizer, vão sair do bolso de alguém. No caso de todos os que pagam o IRS, o IMI e o IUC que, apesar de pagos longe das instalações municipais, constituem a principal fonte de financiamento da maioria dos municípios portugueses.
É por isso que a pergunta se impõe. Será assim tão difícil prometer não fazer nada?! Para além de ser uma promessa relativamente fácil de cumprir, em muitos casos daria reeleição quase garantida.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ataques de verborreia

Já escrevi inúmeras vezes e devia por isso ser conhecido de quem visita este espaço, que o Kruzes Kanhoto não versa sobre a politica local. Embora possa tratar – e já o fez muitas vezes – de assuntos relacionados com a cidade e o concelho, a luta partidária não teve, não tem e nunca terá lugar por aqui. Afinal o blogue é meu e sou eu que decido quanto a isso, independentemente de haver quem ache que tal actuação pode configurar uma qualquer espécie de asfixia democrática. 
Comentários ofensivos – nem elogiosos, acrescente-se - acerca dos candidatos, seus apoiantes ou como sucedeu mais recentemente em que eram mencionados alguns funcionários municipais, não serão obviamente aqui publicados. Mesmo sabendo-se que, por esta altura, as emoções entre os apaniguados das diversas candidaturas estarão ao rubro, que o anonimato proporcionado por estes novos meios tecnológicos potencia uma coragem inaudita e uma fraqueza pouco vista na apreciação das qualidades e defeitos alheios, um pouco de juízo e bom senso não fariam mal a ninguém. Até porque, recorde-se, um homem – ou uma mulher – só não muda de clube...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

As tripas da Elisa

Costumam ser os pequenos partidos a apresentar as propostas eleitorais mais esquisitas. Até porque, sabem à partida, não terão a responsabilidade de cumprir tudo o que de anormalmente estranho prometerem durante a campanha eleitoral. Causa-me por isso alguma surpresa que seja a candidata do Partido Socialista à Câmara do Porto a prometer dar tripas - o típico e simultaneamente asqueroso prato da cidade – a quem visitar a Invicta caso venha a ser, como não se espera, eleita para a presidência daquela autarquia. A proposta, para além de ridícula, apenas é viável mediante uma interpretação deveras generosa do complicado processo legislativo que rege as autarquias.
A Elisa, que até parece ser simpática e acredito pudesse ser uma boa Presidente se tivesse sido eleita há vinte anos, não goza de grande popularidade entre os eleitores locais. A estratégia de colagem ao velhote badalhoco que preside aos destino do clube que joga no Estádio do Ladrão já provou noutras ocasiões ser errada e afasta mais potenciais votantes do que aqueles que poderá cativar. Estranho é que dentro do PS ninguém perceba que enquanto os seus candidatos tiverem o alto patrocínio do presidente do clube de futebol do Porto nunca ganharão eleições naquela cidade. É, aliás, esse distanciamento que tem dado e continuará a dar sucessivas vitórias a Rui Rio.
Ninguém, pelo menos fora do Porto e do PS, percebe do que estarão à espera os dirigentes locais e nacionais para promoverem de vez o afastamento entre o partido e o dito velhinho. A menos que ambos tenham tanto em comum que uma separação se torne mais difícil do que separar gémeos siameses.

domingo, 4 de outubro de 2009

A negação...

Ora aí está a primeira reacção ao post anterior. Pergunta um dos visados, o Geninho, “onde é que dizia que o post era de minha autoria?”. “Minha”, dele, entenda-se. Bom, talvez dentro do espaço assinalado a vermelho...

Para que querem um blog se não sabem escrever?!

Não conheço o individuo da foto de lado de nenhum. Sei apenas que se chamará Bo@avid@ Pires e que será editor de um blogue a que deu o sugestivo nome de “Cú de Oeiras”. Esta criatura merece hoje um lugar de destaque no “Kruzes Kanhoto” porque, descobri recentemente, usa os textos que aqui escrevo para, sem qualquer referência ao autor ou ao local de onde os roubou, publicar no seu patético blogue como se fossem seus. Provavelmente todos os outros posts que por lá estão publicados tê-los-à ido também gamar a outro lado qualquer. Inclusivamente a outros blogues de Estremoz. É só procurar que está lá tudo...
Mas não é o único. Tal como já havia feito o autor do pró-comunista "Rotundas e Encruzilhadas" relativamente à minha prosa acerca da asfixia democrática, um auto-intitulado “Patrulheiro da GNR” resolveu adoptar este post como sendo de sua autoria. Para alguém, que por aquilo que escreve ou copia, diz ser militar da Guarda Nacional Republicana parece-me um comportamento pouco ético e revelador de uma formação pessoal que deixará muito a desejar em alguém que é pago para fazer cumprir a lei.
Existe ainda uma outra classe de plagiadores. Os que vêm até aqui e copiam, no todo ou em parte, os textos que escrevo e enviam como comentário anónimo para outros blogues. Tal como os anteriores revelam uma baixeza de carácter de meter dó e um comportamento intelectualmente indigente.
Todas estas situações suscitam-me algumas questões para as quais não encontro resposta. O que leva alguém que não sabe alinhavar meia dúzia de baboseiras sob a forma de texto, a ter um blogue?! Ou, pior, havendo tanta coisa jeitosa e bem escrita por essa internet fora, porquê escolher as alarvidades manhosas que vou escrevendo no Kruzes?
Finalmente, para estes dois “senhores”, a que acima fiz referência, fica a sugestão. Copiem este post e colem nos seus blogues. Estão autorizados a fazê-lo. Se tiverem integridade para isso, publiquem-no. Na integra.

sábado, 3 de outubro de 2009

Segurança...ou não.

O inicio dos trabalhos de construção do futuro quartel da GNR em Estremoz irá colocar importantes questões de segurança aos técnicos e responsáveis da empresa que realizar a obra. Importará em primeiro lugar salvaguardar a integridade fisica de quem ali vai trabalhar e, depois, garantir o acondicionamento dos materiais a utilizar na obra e dos equipamentos necessários para a sua execução de forma a que os mesmos não levem sumiço. O que, sem dúvida, constituirá um interessante desafio para quem tiver de fazer o planeamento dos trabalhos.
Este tipo de questões ter-se-á já colocado noutros locais, mas as soluções encontradas, mais ou menos engenhosas, nem sempre são as melhores. Atente-se nesta foto, surripiada descaradamente ao blogue “Para melhorar Fernão Ferro” em que, segundo o seu autor, foi necessário recorrer ao estratagema de deixar o contentor pendurado numa grua para evitar o roubo do seu conteúdo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Aqui há gato!

O Bloco de Esquerda é um partido de causas. Perdidas e parvas quase todas mas, ainda assim, causas. Na falta de ideias melhores, ou por influencia de algum militante mais idiota, os gatos parecem ser a nova paixão dos Anacletos. De tal forma assim é que no Porto o programa eleitoral do BE àquela autarquia lamenta “a ausência de protecção para o gato de rua” e propõe-se criar a figura do “gato comunitário”, para o qual defende um “estatuto de protecção”. O que, presume-se, poderá ser o primeiro passo para a nacionalização dos pequenos felinos. 
Faça-se, no entanto, alguma justiça à coerência destes fulanos. Esta causa está plenamente integrada naquilo que tem vindo a ser o percurso e as opções estratégicas deste partido ao longo dos últimos anos. É por isso que depois de defenderam veementemente as causas das bichas, não constitui grande surpresa que venham agora defender a dos bichanos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Xuning" ecologico

Volta e meia ouvem-se noticias que dão conta do roubo de combustível dos depósitos de viaturas estacionadas na cidade e, até mesmo, de outras recolhidas em instalações das empresas a que pertencem. Nada de muito surpreendente. Por um lado o elevado preço dos combustíveis transforma o precioso liquido que faz mover o mundo num bem extremamente apetecível para os amigos do alheio e, por outro, é conhecida a tendência dos automóveis de gama alta e dos furgões de grandes dimensões para consumirem uma quantidade apreciável de combustível a cada cem quilómetros. O que constitui, para os automobilistas que são forçados a possuir viaturas deste tipo, um verdadeiro drama tantas vezes incompreendido pelos fanáticos do abastecimento nas bombas de gasolina.
Desconheço se será por essa ou por qualquer outra razão que o proprietário deste carrito resolveu substituir o fecho do seu depósito por uma rolha de cortiça. Para além de ecológico é muito mais fácil de remover do que o equipamento de série, muito mais barato e apresenta ainda a inegável vantagem de proporcionar ao meliante que tenha de proceder à recolha do conteúdo a possibilidade de deixar tudo como encontrou sem necessidade de provocar estragos.
Claro que pode ser apenas para desenrascar porque a outra tampa se estragou ou, simplesmente, porque se trata de um chasso e o dono não está para investir mais dinheiro naquilo. Seja como for está original.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um dia o resort virá abaixo...

Sempre que escrevo acerca do resort das Quintinhas despoleto a ira de uns quantos visitantes que não se coíbem de manifestar a sua indignação e intolerância perante as posições por mim expressas acerca do assunto. Embora, diga-se, goste de receber por aqui gente indignada e intolerante não é por isso que hoje volto ao tema. É apenas porque me apetece.
Para este local está prevista a construção de um lar de terceira idade, no terreno delimitado pela vedação, do quartel da Guarda Nacional Republica e, provavelmente, passará também por ali uma futura ligação à zona industrial. Estes investimentos aliados à magnifica localização do terreno, situado junto a uma zona comercial, perto do acesso ao IP2, a curta distância do centro da cidade e de equipamentos como o centro de saúde, escolas e parque desportivo, farão com certeza disparar o seu valor podendo proporcionar ao Município e aos proprietários dos terrenos vizinhos igualmente prejudicados pela existência do resort, um significativo encaixe financeiro ou, se não for essa a opção, a utilização para outra qualquer finalidade que contribua para elevar a qualidade de vida dos habitantes de Estremoz ou para a elevação da riqueza produzida no concelho.
Por esta altura já alguns, poucos reconheça-se, espumarão de raiva enquanto se interrogam quanto ao destino a dar aos que por ali resolveram construir a sua habitação, armazém ou sede do seu negócio. Sinto-me tentado a dizer que não se faria nada e que cada um fosse à sua vida. Mas não o farei. Existem muitos edifícios devolutos dentro da cidade que serviriam na perfeição para acolher aqueles residentes e que os actuais proprietários seguramente não se importariam de vender a preços mais ou menos em conta. Quase ao preço de um Audi...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Semasiologia...

Apesar de ter feito a tropa - Paulo Portas apenas haveria de ser Ministro da Defesa e desobrigar os jovens portugueses dessa tortura que era o serviço militar obrigatório vinte anos mais tarde – sempre detestei armas, nunca suportei comportamentos militaristas e ainda hoje detesto alguma linguagem mais belicista que de vez em quando é empregue mesmo em situações que pouco tem a ver com a “arte” da guerra.
Claro que também não sou nenhum pacifista. Pelo menos daqueles que, entre um e outro charro, espatifam montras ou correm policias à pedrada nas cidades onde se realizam as cimeiras do G8, do G20 ou de outra coisa qualquer que envolva lideres políticos ocidentais. Que, como se sabe, são os grandes responsáveis por tudo o que de mau acontece no planeta.
Defendo, isso sim, que algumas expressões que envolvem um potencial conteúdo bélico deviam ser eliminadas do nosso vocabulário. “Contar espingardas” é uma delas. Usa-se quando alguém, ou uma organização, pretende conhecer os apoios de que dispõe e com que pode contar numa qualquer disputa. Reparem como evitei usar as palavras batalha, peleja ou contenda e façam-me o favor de não me recordar que quem disputa não mede bem as palavras...
É por isso que faço questão de saudar as forças politicas que ultimamente tem organizado almoços, jantares, lanches, ceias ou seja lá o que for que envolva comezaina. Por mais discussão que o numero de comensais presentes em cada um dos repastos suscite entre os apaniguados, pelo menos num aspecto estamos já a dar uma lição ao mundo. Por cá não se contam espingardas. Fazemos algo de muito mais saudável, civilizado e que, ou muito me engano, ficará na história. Contamos talheres.

domingo, 27 de setembro de 2009

Euforia socialista

Afinal, tendo em conta as projecções de resultados eleitorais avançadas pelas diversas televisões e as reacções eufóricas a que assistimos, pode concluir-se facilmente e sem qualquer margem para erro que até os militantes, apoiantes e dirigentes do partido socialista estavam fartos da maioria absoluta agora, tudo o indica, morta e enterrada.
Festeje-se pois - e os socialistas já o estão fazer - o fim da maioria absoluta.

Apaixonado(a) anónimo(a)

Na paisagem urbana os contentores de resíduos sólidos indiferenciados são bastante procurados para fazer passar as mais diversas mensagens. Cartazes a anunciar grandiosas corridas de touros, propaganda partidária e publicidade a bruxos capazes de operar milagres daqueles verdadeiramente milagrosos, de tudo é possível encontrar colado a estes objectos.
É-me no entanto difícil imaginar um local mais improvável para escrever uma declaração de amor. Apesar de o amor ser uma cousa muito linda e um sentimento capaz de ultrapassar inúmeras barreiras, não me parece que declara-lo num contentor do lixo seja das atitudes mais românticas. Pior ainda. Esta mania de andar por aí a fazer declarações de amor anónimas é altamente condenável e só revela o baixo nível de quem as faz. Uns palermas é o que é. Quase tanto como os gajos que escrevem em blogues e não assinam por baixo. Ou inventam nomes parvos. Os palhaços.
Mesmo assim espero que a FiFi – ou o FiFi, sabe-se lá – tenha lido, identificado o autor da mensagem, nem que para isso tivesse sido necessário recorrer a sofisticados testes de caligrafia, e correspondido com idêntico ímpeto sentimental. E que vivam felizes para sempre. Ou pelo menos até começarem a reciclar.

sábado, 26 de setembro de 2009

Reflexões

Hoje é dia de reflexão. Reflictamos pois. Não tanto sobre o que se passou nos últimos quinze dias, ao longo dos quais se desenrolou uma campanha desprovida de interesse que para além da má educação de alguns candidatos e apaniguados das forças em presença em nada terá contribuído para alterar o sentido de voto da esmagadora maioria do eleitorado, mas sim acerca do que foram os quatro anos e meio que durou a legislatura.
Reflictamos se, tal como o outro que alegadamente terá acabado os seus dias pregado numa cruz, vamos perdoar o mal que nos fizeram e oferecer a outra face. Reflictamos também na situação profissional que vivíamos há quatro anos e na que vivemos hoje, nos vínculos que então possuíamos e nos que temos agora ou, para não perdermos muito tempo com reflexões, reflictamos apenas se o país em que vivemos é, nesta data, melhor do que era há quatro anos atrás.
Em caso de dúvida, ou de desempate, façamos o nosso exercício reflectivo na companhia das últimas declarações de irs. É capaz de ser esclarecedor para os mais indecisos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As ideias parvas de uma certa esquerdalha

Quando leio ou ouço a maioria das propostas eleitorais de uma certa esquerda pós modernaça, evoluída e cheia de conceitos fundamentais e determinantes – seja lá isso o que for – sinto-me meio assarapantado. Um turbilhão de sentimentos contraditórios percorre-me a mente e é com esforço que consigo evitar que sejam revelados nas páginas deste blogue.
Há, de facto, ideias que não lembram a ninguém. Nacionalizar a banca e mais umas quantas empresas ditas estratégicas será uma delas. Principalmente quando nada se diz do que se faria com os milhares de pequenos accionistas que investiram as suas poupanças na compra de títulos das sociedades que pretendem nacionalizar. É que, por mais que custe a alguns que parecem ter um bloco de qualquer matéria no lugar da cabeça, são muitos os trabalhadores, os reformados e os pequenos e médios aforradores que seriam atingidos por uma medida tão escabrosa como a que é proposta.
Os planos poupança reforma são outro alvo da fúria de uma certa esquerdalha. Para essa cambada a poupança fiscal conseguida é vista quase como um crime e o montante com ela conseguido, em lugar de permanecer no bolso dos contribuintes, deveria passar através do Estado para essa malta do rendimento mínimo que certamente saberia muitíssimo melhor como o aplicar. Nomeadamente em droga, que parece ser coisa do agrado da maralha que propõe estas coisas.
Mesmo nas questões mais comezinhas não se coíbem de igualmente explanar as suas teorias. Só para não ficarem calados. Porque se realmente acreditam naquilo que nos querem fazer crer então o caso não terá tanto a ver com a habitual demagogia politica mas antes com um qualquer problema do foro psiquiátrico. É por isso que acho que existem certos candidatos e candidaturas que nem se deviam apresentar às eleições. Não vale a pena. Além de não terem nada de interessante ou sequer coerente para transmitir ao eleitorado, face aos resultados que obtém – com sorte o quarto lugar – nem vale a pena ocuparem um tempo de antena que podia estar ao serviço da população e da massificação do acesso aos meios de comunicação social.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"Vamos votar"

O Rossio Marquês de Pombal é utilizado por muitos caravanistas como local de pernoita ou mesmo de aparcamento durante um ou dois dias enquanto aproveitam para visitar a cidade. Seja qual for o caso dos ocupantes desta auto-caravana, a mensagem toscamente pintada no veículo parece não deixar dúvidas que estão a caminho do local onde pretendem exercer o seu direito de voto e que fazem questão de – ao intento – o partilhar connosco. Porque quanto ao voto isso é lá com eles.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pequenas preocupações com ordenados ainda mais pequenos

As pequenas e médias empresas despertam entre todas as forças políticas concorrentes ao próximo acto eleitoral uma inusitada paixão. Por alguma estranha e obscura razão há quem acredite que fazer promessas de apoio aquele sector da economia sob a forma de benefícios fiscais e benesses de vária índole constituirá uma forma de garantir a simpatia de um segmento do eleitorado bastante significativo.
Por mim desconfio. É bom recordar que estamos a falar dos pequenos e médios empresários que, como todos sabemos, não são propriamente conhecidos – na sua imensa maioria, porque alguns haverá que contrariam esta ideia – pela gestão transparente, lisura de processos e honestidade fiscal e mesmo pessoal com que gerem as suas empresas. Tenho por isso dúvidas mais que fundamentadas se entregar dinheiro público, de todos os contribuintes, a este tipo de gente será uma opção inteligente porque exemplos de utilização de incentivos em benefício próprio são coisa que, alegadamente, não falta.
Já em relação aos pequenos e médios ordenados não parece haver igual preocupação entre as forças em campanha. Graças ao novo Código Contributivo, a partir de Janeiro do próximo ano, os trabalhadores portugueses vão ver os seus vencimentos reduzidos por força do desconto para a Taxa Social Única que vai passar a incidir sobre remunerações até agora excluídas do âmbito desta tributação. Nomeadamente o subsídio de refeição, abono para falhas, despesas de representação ou outras gratificações e prémios. Mas isso não interessa nada. Afinal são apenas pequenos e médios detalhes.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vale-esmola

Eu não queria ser negativista. Juro que não queria. Mas “eles” não me deixam outra alternativa. É que quando alguém gasta na aquisição de uma prótese dentária umas centenas de euros, outro tanto na compra de um par de óculos e passados seis meses recebe da Administração Regional de Saúde uma compensação pela despesa efectuada no valor de um euro e sessenta e cinco cêntimos, não sou capaz de encarar isso como um facto positivo ou olhar de forma positiva para as politicas de saúde que se praticam no meu país. E, para que conste, quem adquiriu estes bens não o fez por vontade de ficar mais belo, por vaidade pessoal, não gostar dos dentes de origem ou achar que o uso de óculos o tornaria mais charmoso. Fê-lo porque não conseguia mastigar nem enxergar em condições compatíveis com uma qualidade de vida minimamente aceitável.
O desprezo pelos utentes, ou vergonha pela quantia irrisória enviada, vai ao ponto de nem sequer comunicarem a que se deve tão generosa comparticipação. Não sabe assim o utente se a esmola é para a prótese dentária, para os óculos ou para as duas. A ARS limitou-se a meter um vale de correio num envelope e a despacha-lo para a morada do utente. Simplex e baratex.
Argumentarão alguns, os do costume, que tem sido feito um elevado esforço financeiro para comparticipar estas e outras despesas de saúde e que tempos houve em que o Estado nem um cêntimo comparticipava em situações como esta. Até pode ser verdade. Acredito piamente que estejam a fazer um esforço mas, das duas uma, ou se esforçam mais ou o melhor é irem descansar…

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Questões pertinentes

Ao contrário do que se possa pensar a leitura dos programas eleitorais dos partidos políticos nem sempre constitui um exercício maçador e desagradável. Por vezes é também penoso. Mas, quando menos se espera, é possível encontrar algo que pode deixar o leitor surpreendido. Nomeadamente quando em lugar das aguardadas promessas se encontram perguntas pertinentes. Como as que constam deste excerto retirado do programa eleitoral do PND.
Uma coincidência: a imigração islâmica e a sua dinâmica demográfica:
A par do declínio demográfico do Ocidente, ocorre a imigração islâmica para a Europa com uma dinâmica demográfica que terá, e nalguns países (Alemanha, França Holanda, Bélgica, Reino Unido) já começa a ter, consequências sociais e políticas que não podemos ignorar.
Do ponto de vista político levantam-se questões pertinentes já conhecidas em países de maioria muçulmana, pelo impacto que o islamismo tem na ordem política e na lei civil: como será o poder político e a lei, daqui a 10, 20, 30 anos, quando as comunidades e as lideranças islâmicas sentirem que podem tomar o controle político de territórios europeus? E os europeus, como vão sobreviver nessa ordem política? Não poderão alguns países europeus transformar-se num Líbano, numa faixa de Gaza, num Irão, num Iraque, num Egipto, numa Líbia ou numa Argélia, num Hezbollah ou num Hamas?
Soluções para a ordem política do Ocidente:
Garantir que o poder político permanece em mãos ocidentais.
Garantir que as comunidades imigrantes aceitam a ordem política e os princípios do Direito vigentes no Ocidente.

domingo, 20 de setembro de 2009

Plagiadores

Deparo-me de vez em quando com textos publicados no “Kruzes Kanhoto” reproduzidos noutros blogues sem que seja feita qualquer menção ao seu autor ou à fonte de onde foram recolhidos. Pelos vistos há quem goste tanto do que eu escrevo – isto há gostos para tudo – que não resiste a publicá-lo no seu próprio blogue e a assinar por baixo assumindo-o como seu.
O último a fazê-lo foi este blogue pró-comunista, de Alpiarça ou lá perto, que deve achar ser um elementar direito democrático de qualquer aprendiz de blogueiro apropriar-se dos escritos dos outros e publicá-los como sendo de sua autoria. Assim uma espécie de nacionalização ou de apropriação colectiva dos meios blogosféricos.
Provavelmente ao “Primo do Tomé” faltarão temas acerca dos quais possa dissertar. Ou então atravessa uma preocupante crise de inspiração. Experimente fazer um pequeno esforço e vai ver que basta um pouco de imaginação, uma pitada de inteligência – não abuse neste ponto não vá mudar de partido - e sobretudo estar atento ao que nos rodeia, para que as coisas fluam facilmente. Sem necessidade de copiar posts alheios. E se tiver de copiar escolha daqueles bem escritos e não a primeira parvoíce que vê na net.
P.S - Para que não existam duvidas acerca de quem plagia quem, atente-se no tipo de letra utilizado num e noutro blogue, nas horas a que foram feitos os comentários ou nos antecedentes daquele blogue…

Autárquicas

A proximidade de datas entre os dois actos eleitorais tem, muito por culpa dos média, retirado protagonismo às eleições autárquicas de onze de Outubro. O que é pena. Enquanto nas primeiras eleições os candidatos com hipótese de chegar ao poder são tão deploravelmente parecidos que até chateia, nas segundas teremos, pelas características muito peculiares de que se revestem, uma panóplia de candidaturas capazes de animar o país pelas suas propostas mirabolantes, projectos de deixar qualquer um de queixo caído ou ideias parvas que não são capazes de guardar apenas para si. Pelo menos é o que se espera e deseja.
Enquanto no acto eleitoral de Setembro escolheremos entre candidatos cinzentos, sem graça e que a julgar pelo discurso parecem que nunca estiveram no poder, em Outubro teremos o país real, os candidatos exóticos, esquisitos e capazes de nos animar quer pelo comportamento exuberante ou o discurso entaramelado. Poderemos apreciar a ingenuidade de alguns que, coitados, ainda têm idade para pensar que são capazes de mudar o mundo e a manhosice de outros que sabem muitíssimo bem ao que vão. Isto a par de muitos, quero acreditar a maioria, que estão genuinamente dispostos a dar tudo pelas suas terras e a contribuir para o progresso e desenvolvimento das mesmas.
Claro que num blogue pouco dado a coisas sérias como este serão os únicos – os exóticos e afins - a ter destaque. Contudo as coisas não estão correr nada bem. Por mais que pesquise não encontro propostas verdadeiramente revolucionários, sequer inovadoras, nem mesmo ideias daquelas tão estapafúrdias que nos deixam cheios de inveja pela capacidade imaginativa que revelam os seus autores. Não consigo esconder a minha decepção por, a título de exemplo, ninguém ter inscrito no seu programa eleitoral autárquico, em nenhuma autarquia do país, a construção de um espaço de acolhimento aos visitantes de outros planetas. Considero deplorável e fortemente criticável que os aspirantes a autarca estejam a negligenciar uma vertente que muito podia contribuir para o progresso das suas terras e, nomeadamente no interior do país – no Portugal profundo, vá – constituiria um importante factor de desenvolvimento. Para além de até poder dar azo à constituição de mais uma empresa municipal que se encarregaria de gerir as relações intergalácticas e promover eventuais geminações com outras autarquias do espaço sideral.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Incómodos

Na ausência de melhor assunto – e também de pior, diga-se – regressemos hoje ao tema da merda de cão. Foi graças a ele – tema – ou a ela – merda - que este blogue ganhou fama, ainda que má como toda a gente sabe, havendo por isso que não descurar a abordagem a uma temática tão sensível quanto esta. Principalmente quando se trata da matéria através da qual este espaço ganhou notoriedade. Há, em resumo, que manter o nível. Baixo, como convém.
Claro que este é um assunto que divide opiniões. Um ou dois leitores aplaudem e consideram que é uma óptima ideia mostrar a javardice que vai pelas ruas das nossas cidades. Uns quantos ficam indignados, porque afinal os cães gozam do direito de cagar onde muito bem lhes apetece e os malandros dos técnicos de limpeza urbana estão lá para limpar porque é para isso que lhes pagam. Outros, mudam de blogue e enviam pelo menos dez comentários a enaltecer o candidato da sua preferência ou a denegrir o da sua antipatia, na esperança vã de influenciar o resultado dos próximos actos eleitorais.
O Kruzes Kanhoto, muito mais que um simples blogue local, sem que isso envolva qualquer desconsideração para os que o são, é um sítio visitado por leitores de todo o país e até do estrangeiro. Teve, inclusivamente, uma vez um visitante de Badajoz. Assim sendo não faria sentido não mostrar o comportamento de donos de cães de outras localidades que, reconheça-se, são tão porcos quanto os estremocenses que têm canitos. A demonstrá-lo o exemplo desta “senhora” que passeava dois belos exemplares caninos, um deles de grande porte, sem que evidenciasse qualquer preocupação em recolher os cagalhões que os bicharocos iam largando. A única coisa que pareceu incomodar a criatura foi a presença de uma máquina fotográfica. De tal maneira que se posicionou sempre de forma a que não lhe fotografasse a cara. O que conseguiu. Mas também não se perdeu grande coisa.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Rendimentos

Paulo Portas tem manifestado com exuberância a sua oposição relativamente à atribuição do rendimento social de inserção de forma indiscriminada a um largo sector da população que se especializou em viver à conta de todos sem despender esforço maior que ir levantar o cheque à estação dos Correios mais próxima. Trata-se, na esmagadora maioria dos casos conhecidos, de um subsídio à preguiça e, por mais que a malta do social conteste esta designação e argumente a favor do actual estado de coisas, é uma prestação social causadora de injustiças relativamente a quem trabalha e que recebe o salário mínimo enquanto muitos dos seus beneficiários arrecadam montantes significativamente superiores sem “bulirem uma palha”.
Apesar de a intenção que esteve na criação do Rendimento Mínimo Garantido ser louvável, a generalização que se seguiu desvirtuou e descredibilizou o que podia constitui uma excelente medida de combate à pobreza e exclusão social. Hoje são de todos conhecidos exemplos, nomeadamente em terras pequenas como Estremoz, de pessoas que ou vivem em exclusivo desta prestação ou a utilizam como meio para complementar os rendimentos que obtém em actividades – de vária ordem – que exercem à margem do sistema fiscal. De positivo apenas que estas pessoas não são de guardar o que recebem debaixo do colchão e depressa o “investem” no bar do supermercado Modelo e noutros estabelecimentos similares, o que sempre vai contribuindo para dinamizar a economia local e simultaneamente promover a animação da cidade.
Pena que o líder do CDS-PP não manifeste igual indignação acerca dos agricultores, a sua espécie protegida, ou empresários que utilizam os subsídios estatais e comunitários em benefício próprio em lugar de os aplicarem no desenvolvimento e modernização das suas explorações agrícolas ou empresas. Estranho sentido de coerência o deste magano.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Asfixia democrática

A expressão "asfixia democrática" entrou recentemente no léxico nacional e - de forma injusta quanto a mim - está a ser associada a atitudes consideradas mais ou menos cobardes de quem, detendo algum poder sobre outrem ou alguma coisa, o utiliza para pressionar e intimidar com o intuído de daí tirar proveito pessoal - a maioria dos casos - ou para a causa que professa. O que no fundo é praticamente o mesmo.
Não posso estar mais em desacordo com este conceito. Acho até uma injustiça admitir que quem o faz se trate de um cobarde. Considero mesmo que a actividade de pressionar, intimidar e ocupações correlativas não está suficientemente valorizada e, em meu entender, constitui um verdadeiro acto de coragem. Já alguém pensou na dose de valentia que é necessário reunir numa só pessoa – que apesar de deter algum tipo de poder até pode ser um lingrinhas – para chegar junto de outro, suponhamos um calmeirão, e dizer-lhe de forma determinada e ameaçadora que não deve dizer ou escrever isto ou aquilo sob pena de ter umas quantas chatices?! Convenhamos que não é coisa para qualquer um.
Sabe-se que a generalidade das pessoas, excepto talvez meia-dúzia, não gosta de ser pressionado nem intimidado e a esmagadora maioria não aprecia a ideia, mesmo que vaga, de uma eventual asfixia. É até coisa para reagir mal. Principalmente se for um matulão e o candidato a asfixiante não passar de um reles magricela.
Por estas e por outras tenho alguma dificuldade em acreditar no muito do que por aí se publica, nos mais variados meios de comunicação, acerca de pressões asfixiantes. Seja onde for ou venham elas de onde vieram. Ou então somos um país de cobardes. A haver tantos “pressionadores” porque é que ainda não há notícia de algum já ter sido pendurado ou, no mínimo, ter levado um murro nos cornos?!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Só os burros não mudam de ideias

No último debate televisivo Sócrates tentou por diversas ocasiões confrontar Manuela Ferreira Leite com aquilo que considerou serem alterações da sua posição consoante o seu partido está no governo ou na oposição. Pena a senhora, com manifesto mau jeito para debater seja o que for, não ter recordado ao candidato socialista a célebre tirada de Mário Soares quando este, confrontado com as suas próprias incoerências, afirmou que apenas os burros não mudam de ideias.
Durante o debate Sócrates não se cansou de repetir que “nós sempre propusemos…”, “nós sempre defendemos…” Ou seja nunca alterou o rumo ao seu pensamento como, aliás, tivemos ocasião de constatar ao longo dos últimos quatro anos e meio em que governou o país. O que não deixa de ser surpreendente. Principalmente quando se vê por aí tanto asno a converter-se a outros ideais e a mandar às urtigas o exemplo de coerência do agora amado líder.