Está a revelar-se uma tarefa muito difícil exportar o Kruzes Kanhoto do blogspot para o Sapo. Deve ser mau jeito. Coisa que, obviamente, importa. Ao contrário do tamanho, ao que dizem. No caso a coisa coloca-se ao contrário. É que a quantidade de matéria a importar é tão grande que ao Sapo apenas chegam os links dos posts...Do resto, népia. E isso importa. Ainda que apenas a mim.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Afinal essa coisa do amor à pátria é só para exibir à janela...
Um daqueles estudos de utilidade e resultados duvidosos acerca de coisas parvas diz-nos que os portugueses, na sua esmagadora maioria, não estariam interessados em pegar em armas e defender o país em caso de conflito armado. Parece que, ainda segundo o mesmo estudo, apenas vinte e oito por cento estariam dispostos a dar o coiro ao manifesto pela pátria.
Mesmo conhecendo a nacional admiração pelo pacifismo tenho muita dificuldade em acreditar nestes resultados. Os portugueses amam o seu país como poucos. Veja-se a parafrenália de bandeiras, bandeirinhas e bandeirolas que penduraram nas janelas e nos lugares mais improváveis como forma de expressar o seu patriotismo por altura do euro 2004. Quem assim age seguramente também depressa pega numa arma para expulsar um qualquer invasor que se atreva a tentar conquistar esta terra. Digo eu, que sempre achei isso das bandeiras uma manifestação hipócrito-parola do mais básico mau gosto.
Nesta alegada pouca vontade de defender o seu país os portugueses não estão sozinhos. Quase todos os europeus pensam da mesma maneira. Ao contrário do que acontece com as populações do norte de África ou do médio oriente. O que explica muita coisa. E nenhuma boa, convenhamos.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
E a sátira, pá?
Carnaval sem sátira nem gajas nuas pode, até, ser uma coisa muito bonita. Bem feita, bem organizada e tudo o mais que queiram. Para mim é como um jogo de futebol em que não entre o Benfica. Pode ser muito bem jogado mas não tem interesse nenhum.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
A taxinha dos sacos de plástico (IV)
Não há quem, de tão embevecidos que andam com a taxinha, se preocupe com os gajos - e as gajas, que eu não sou de discriminar ninguém - que trabalham nas fábricas que fazem sacos plásticos e que em breve irão engrossar as estatísticas do desemprego. Esses não contam. São, digamos, assim uma espécie de danos colaterais. Aqueles que temos de sacrificar em nome de um futuro glorioso e mais verde.
Glorioso e verde são coisas que não combinam. Misturá-las na mesma frase só pode ser do adiantado da hora.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
A taxinha dos sacos de plástico (III)
De todos os argumentos em defesa deste imposto aquele que mais gosto é que “no estrangeiro os sacos do lixo também se pagam”. Não sei de que “estrangeiro” estarão a falar. Nem isso me interessa. Até porque no estrangeiro fazem-se as coisas mais estranhas e não é por isso que nós, quero acreditar, as vamos importar para o nosso dia-a-dia. Como, por exemplo, prender os Madoff's desta vida...
A taxinha dos sacos de plástico (II)
Dez cêntimos cada saquinho. Barato. Vinte escudos, mais coisa menos coisa. O que m'atormenta nem é o preço. Até porque não tenciono comprar nenhum. Mas, esclareço desde já, que não é para não pagar impostos ou por ser forreta. Nada disso. Trata-se apenas de uma questão de solidariedade. Não quero arranjar chatices ao Lelo das t-shirt's nem ao ti Manel das alfaces. Como é que eles depois se arranjavam para cumprir as obrigações fiscais decorrentes da utilização dos sacos de plástico no seu negócio?!
sábado, 14 de fevereiro de 2015
A taxinha dos sacos de plástico
Uma estranha unanimidade percorre a sociedade portuguesa relativamente à implementação da taxinha sobre os sacos de plástico. Nem, estou em crer, o Parvus Coelho esperaria tanto consenso. Deve ser dessa coisa politicamente correcta de salvar o planeta e os peixes que se engasgam com os ditos sacos que, dizem, poluem os oceanos. E, presumo, também atrapalham a circulação dos submarinos.
Embora não pelas mesmas razões que tenho lido e ouvido, mas sim, admito que é uma boa medida. Logo por ser uma taxa – imposto, é capaz de ser mais apropriado – que só paga quem quiser. Depois porque constitui, ainda que poucos tenham referido este aspecto, mais uma arma de combate à evasão fiscal.
Desconfio é que em relação ao ambiente, pelo menos àquele que nos está mais próximo, os contras sejam maiores que os prós. Não estou a ver a maioria das pessoas a comprar sacos para o lixo. Ou muito me engano ou vai começar a ser tudo deitado ao molho nos contentores. Com as consequências para a saúde pública que não são difíceis de antecipar.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Vejo-me grego para entender esta gente...
De repente todos são muito solidários com os gregos. Ai de governante ou de qualquer um que ouse exprimir opinião contrária. Nomeadamente atrevendo-se a sugerir que aquela malta já teve perdões de divida suficientes, paga juros a taxas comparáveis às nossas e que era capaz de não ser má ideia alterar aquilo de apenas um grego em cada quatro ser pagante de impostos.
Não é que me importe com isso da solidariedade. Cada um solidariza-se com o que muito bem entende. Há, no entanto, uma coisa que me inquieta. Vi hoje - a propósito da noticia que o governo admite o regresso às trinta e cinco horas de trabalho para os trabalhadores das autarquias - que a generalidade dos tugas não são nada solidários com os referidos trabalhadores e criticam veementemente essa hipótese. Não poupam nos insultos nem nos impropérios que lhes dirigem. Assim sendo, a pergunta impõe-se. Será que nesta solidariedade com a Grécia estão incluídos os funcionários públicos gregos? Vejam lá, não se me desgracem, olhem que eles têm privilégios - como vocês gostam de dizer – que por cá nem a CGTP se atreve a reivindicar.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Aquela coisa da mulher de César é capaz de fazer algum sentido...
A capacidade gastadora dos autarcas nacionais é sobejamente reconhecida. Não faltam livros, artigos em jornais e trabalhos televisivos a enaltecer as suas manifestas qualidades nesta matéria. Já no que diz respeito à generosidade que evidenciam no perdão das dividas dos seus eleitores, o reconhecimento tarda em surgir. Um injustiça a que, quanto antes, urge pôr fim.
Segundo os dados da DGAL, públicos e disponíveis na Internet para quem os quiser consultar, a divida de clientes no conjunto das trezentas e oito autarquias ascendia a mil cento e trinta e cinco milhões de euros. Coisa que, obviamente, pouco incomodará os autarcas. Importunar os eleitores com cobranças coercivas é demasiado aborrecido e, já se sabe, eleitor chateado é gajo para votar na oposição.
Presumo que o montante da divida atrás mencionado será, maioritariamente, constituído por facturas de água por pagar. Como se sabe este é um problema recorrente em muitos municípios. Nomeadamente lá para o norte. A infinita bondade de quem vai perdoando os caloteiros apenas serve para promover a injustiça e desigualdade entre os cidadãos e empresas que pagam e os que não pagam. Ou será que alguém acha razoável que uma empresa não pague a factura da água mas deduza o IVA da mesma? Ou que um individuo que não paga as facturas as veja contribuir para as suas deduções no IRS? A mim parece-me que não.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
E o cuzinho lavado com água das malvas, talvez...
Ainda relativamente ao post de ontem – uma espécie de continuação, portanto – acho muito bem que a IGAI trate de investigar a actuação dos agentes da PSP que, alegadamente, não terão recebido da melhor forma os cidadãos – jovens, ainda para mais – que ordeira e pacatamente invadiram uma esquadra da policia. Nem, ao que parece, tiveram a atenção de lhes oferecer um café, um chá, uns biscoitos ou, sequer, uma água. Não se faz. É, há que dizê-lo com toda a frontalidade, uma maneira rude e intolerável de receber quem invade um posto policial. Demonstra claramente que a nossa policia ainda tem muito que aprender no âmbito das invasões e que os seus profissionais necessitam de muita formação no campo da etiqueta. Se fosse eu pedia o livro de reclamações...
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Finórios e outros patifes.
Uma vergonha. Das autênticas. É o que de mais simpático me ocorre para qualificar a actuação da policia que impediu um grupo de jovens – quando se trata de alegados delinquentes, são sempre jovens – de visitar um amigo detido na esquadra. Não se faz. Trata-se de uma desumanidade inqualificável. Para o detido e para os amigos. Separados, pelos menos, há meia-hora. Uma eternidade, reconheça-se.
A situação ainda é mais criticável quando a mesma regra não é aplicável a outros detidos e outros visitantes. Certo que entrar posto policial dentro a mandar vir com os agentes não será uma conduta especialmente bem educada. É coisa, digo eu, para aborrecer a autoridade e despoletar alguma reacção mais musculada, chamemos-lhe assim. Já visitar o presumível meliante e à saída ofender tudo e todos parece uma atitude muito mais elegante. Merecedora de aplausos, até. Coisas de gente fina. Ou finória, digamos.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Descubra as diferenças
A politica é feita essencialmente de frases feitas e desprovidas de qualquer conteúdo que servem apenas para iludir uns quantos parolos. É assim em todos os partidos. Estes chavões, por exemplo, querem dizer exactamente o quê? E, já agora, porquê patriótica e não nacionalista? Ou o contrário. É que ambas as palavras significam o mesmo... Ou será por o nacionalismo ser vulgarmente conotado com a direita, ainda que sendo a mesma coisa que o patriotismo? Só coisas que me atormentam...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Os críticos da austeridade de hoje são os seus apoiantes de ontem...
Ando desde tempos imemoriais a manifestar o meu desagrado com a austeridade. Ainda muitos dos que hoje a criticam eram seus indefectíveis adeptos. Por essa altura, governava o agora preso 44 do Estabelecimento Prisional de Évora, não faltava quem defendesse as medidas austeras que os sucessivos PEC´s iam impondo. Eram, também, em grande número os que rebatiam os meus argumentos, que garantiam ser esse o único caminho a seguir e que - os mais simpáticos - me achavam completamente burro por não perceber uma coisa tão evidente. Tratava-se, para os mais esquecidos, de aumentar impostos, reduzir vencimentos, encerrar serviços públicos e retirar, entre outras coisas, o abono de família a quem ganhava setecentos euros. Tudo uma barbaridade agora mas, na época, um conjunto de intenções virtuosas.
Simultaneamente fui sempre manifestando a disponibilidade de dar a mão à palmatória se, por acaso, essas opções acabassem por resultar. Lamentavelmente parece que nunca o chegarei a fazer. Continua por provar o seu bom resultado como, presumo, concordarão os que então me criticavam.
O que sempre defendi é algo muito diferente. Chama-se rigor. Trata-se, apenas, de usar da parcimónia na gestão do dinheiro dos contribuintes. Conceito que nada tem a ver com austeridade mas que é todos os dias ostensivamente ignorado por centenas ou milhares de decisores políticos. A imagem que acompanha o post é só um pequeníssimo exemplo disso. Uma atrocidade financeira entre as muitas que nos vão empobrecendo. Mas é disto que o povo gosta...
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Prefiro ser solidário com as vitimas. É daquelas coisas inexplicáveis que não lembram a ninguém.
Tenho pouca paciência para essa coisa do politicamente correcto. Daí que aceite com dificuldade a lengalenga do costume quando se fala – ou escreve, o que dá no mesmo – acerca dos marginais. Não há cá justificações. São delinquentes porque querem. Optaram por isso. Assumam, depois, as consequências. Sejam elas quais forem. Nomeadamente o alegado estigma que dizem carregar.
São feios, porcos e maus. Umas bestas, mesmo. E o pior é que são cada vez mais. Multiplicam-se que nem ratos de esgoto – no fundo não são muito diferentes – fazendo disso modo de vida o que a breve prazo irá provocar, nomeadamente em localidades de reduzida e envelhecida população, conflitos cuja dimensão não é difícil prever. Mas, claro, ninguém faz nada. O que está na ordem do dia são os apoios sociais. Isso é que é bonito e fica bem. Depois, quando num dia não muito distante vos forem para as trombas, admirem-se.
São feios, porcos e maus. Umas bestas, mesmo. E o pior é que são cada vez mais. Multiplicam-se que nem ratos de esgoto – no fundo não são muito diferentes – fazendo disso modo de vida o que a breve prazo irá provocar, nomeadamente em localidades de reduzida e envelhecida população, conflitos cuja dimensão não é difícil prever. Mas, claro, ninguém faz nada. O que está na ordem do dia são os apoios sociais. Isso é que é bonito e fica bem. Depois, quando num dia não muito distante vos forem para as trombas, admirem-se.
Com os “solidariozinhos” - não sei se a palavra existe mas pareceu-me razoavelmente ofensiva – estou apenas de acordo num ponto. Não são, de facto, todos maus. Conheço uns quantos bastante bons. Estão no cemitério.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
A coligação PSD/CDS vai ganhar as eleições. Só pode.
Acho piada à aversão que a generalidade da populaça tem aos funcionários públicos. A sério. Diverte-me ler os comentários que uns quantos javardotes se dão ao trabalho de escrever sempre que no centro da noticia está alguma coisa relacionada com a função pública. Inveja, ódio, parvoíce e estupidez destilada em dose industrial por gente que, na maior parte das circunstâncias, não sabe nada acerca do que escreve. Nem de outras coisas, muitos deles.
A julgar pelo entusiasmo com que são acolhidas as medidas governativas relativamente aos trabalhadores do Estado, é licito acreditar que o Parvus Coelho só vai perder as próximas eleições por não ter castigado ainda mais severamente os funcionários públicos. Não deixa de ser curioso que qualquer declaração da criatura, por mais inócua que se revele, suscita um coro de indignação. Mesmo decisões governamentais sem importância de maior – coisas corriqueiras, por vezes – são capazes de despertar no mais pacato dos cidadãos uma ira contra o governo, a Merkel, o Cavaco ou a troika, passível de rebentar com o mais potente dos irritómetros. Já se a coisa for no sentido de prejudicar a função pública, então, o aplauso é garantido.
Deve ser, digo eu que não sou de intrigas, por não terem conseguido um lugarzinho para si ou para os seus na administração pública. Se calhar foi por não se terem esforçado o suficiente. A estudar, como era nos tempos de antanho, ou, nos mais recentes, a lamber os tomates ao gajo certo.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
A cultura não passa aqui...
Por estas “Portas” passam todos os dias muitas centenas – milhares, quiçá – de automóveis e um ou outro transeunte daqueles que, para curtos trajectos, entende que não vale a pena usar o carro. Estão, como as imagens mostram, num estado lastimoso. A degradação é tal que, desconfio, a segurança de quem ali passa poderá estar em risco. Ainda assim o proprietário – o Estado português, conforme indica a placa no local - não faz as obras necessárias para repor a segurança e a dignidade do monumento. Não faz nem deixa fazer. Ou, mas isso sou eu a especular, ainda não apareceu a empresa com as qualificações apropriadas para efectuar a recuperação da edificação. Ou com o dono certo. Sim, pois falta de dinheiro não é de certeza. O financiamento de um ou dois filmes daqueles que ninguém vê deve ser mais do que suficiente.
Entretanto, talvez assustado pelo cenário, um automobilista resolveu dar uma ajuda. Pelo menos na parte da demolição. Que, a nada ser feito pelos gajos que mandam nessa coisa do património nacional, bem pode constituir a solução para o caso. É tudo uma questão de tempo.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Alguém que faça o funeral ao bicho!
Acredito que o dono deste canito esteja inquieto com a sua ausência. Não saberá, ainda, que ele faleceu. O cachorro, vitima de atropelamento ou acometido de uma qualquer doença súbita, jaz, frio e abandonado na caldeira de uma árvore, na avenida Rainha Santa.
Pode também dar-se o caso – hipótese meramente académica, como é óbvio, de tão idiota que é - de o animal ter sucumbido numa das duas circunstância acima enunciadas e o dono ter retirado a trela colocando, de seguida, os pés ao caminho para bem longe dali. Mas isso, reitero, é apenas uma suposição parva.
sábado, 31 de janeiro de 2015
Música celestial. Ou municipal, sei lá.
A música é uma coisa importante. A felicidade também. E os autarcas, como sabemos, gostam de ver os seus eleitores felizes. Daí que uma autarquia gastadora e visivelmente empenhada em aumentar o nível de satisfação dos munícipes tenha decidido criar uma academia de música. Daquelas à séria, com professores e tudo. Pagos, como seria de esperar, com o dinheiro dos contribuintes.
Pode, assim ao primeiro olhar, nem ser a pior maneira de esturrar o graveto que nos sai das algibeiras. Qualquer um se lembrará, sem grande esforço, de outras quinhentas e vinte e duas formas bem piores. A questão nem é essa. É, antes, o poder politico a imiscuir-se naquilo que não lhe diz respeito. A intrometer-se nas competências da sociedade civil e a espalhar os seus tentáculos por áreas das quais se devia afastar. Por muitas razões. A começar pela transparência e independência de que estas actividades deviam gozar face à politica.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Vá, expliquem-lhes lá isso de não pagar a divida...
Nos últimos dias muitos têm sido os capitalistas nojentos – disfarçados de cidadão comum e reformado na maioria dos casos – que se dirigem aos balcões dos correios para comprar divida do Estado. Tratantes e patifes, também conhecidos por mercados. Gananciosos da pior espécie, diria. Uns malandros especuladores que sacam os recursos do país e com os quais urge correr.
Teria tido piada ouvir a opinião dos defensores do não pagamento da divida, da sua renegociação ou, até mesmo, dos mais moderados que defendem somente que não se paguem os juros. A sério. Gostava de os ouvir explicar aos velhotes que ali aplicaram as poupanças de uma vida de trabalho e, de uma maneira geral, a todos os que viram no produto financeiro em causa uma forma de rentabilizar as suas economias, as vantagens de não verem o seu dinheiro de volta. Era capaz de ser hilariante.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Mas isso sou eu que não acredito em bruxas...tenho é tendência, perante alguns fenómenos mais inexplicáveis, a acreditar em bruxedos!
Vai por aí uma estranha indignação por causa das reportagens do jornalista da RTP que fez a cobertura das eleições gregas. Os Charlies de pacotilha, a esquerdalha em geral e os muitos amiguinhos que, de repente, os gregos granjearam por cá, ficaram ofendidos com o conteúdo do trabalho jornalístico que foi emitido. Não gostaram, pelos vistos, de saber que os gregos elaboram os mais sofisticados estratagemas para escapar aos impostos, fazem falcatruas para receber subsídios e que subornam ou aceitam subornos sempre que precisam ou podem. Noticias que os nossos sensíveis ouvidos, habituados à linguagem politicamente corrente dominante, não estavam preparados para ouvir.
Dizer que os políticos são todos corruptos e com práticas manhosas é coisa mais ou menos valorizável ou que, pelo menos, se tolera. Nomeadamente se os políticos forem de direita, já que os de esquerda, por um qualquer toque divino, estão todos envoltos num manto de pureza que os mantém afastados dessas tentações. Já sugerir que o povo que os elege e, no fundo, de onde eles saem é igualmente dado às mesmas práticas constituiu uma espécie de blasfémia difícil de engolir.
Não sei se tudo o que foi reportado pelo jornalista de serviço corresponde ou não à verdade. Não me custa nada admitir que sim. Até porque, salvaguardando algumas diferenças, as coisas por cá talvez não sejam assim tão diferentes. Quiçá sejam apenas um pouco menos “democráticas”. Ou, porventura, mais discretas.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Unidos pelo pote
Tinha artilhado um post onde apelava ao esclarecimento dos motivos que levam tanta gente a exultar com a vitória de uma coligação de extrema-esquerda, confessa admiradora de assassinos vários e ditadores sanguinários diversos, enquanto meia dúzia de votos em partidos da extrema-direita motivam reacções aparentadas com a histeria.
Tempo perdido, vejo agora. É que, afinal, os extremistas de direita e esquerda coligaram-se. Deve ser o cheiro do poder a unir as suas convicções. Aguardo com expectativa os tempos que se seguem. Mas, ainda que os meus dotes adivinhatórios não sejam nada de especial, já estou a imaginar as - até agora - mais improváveis coligações a governar por essa Europa fora. E, também, por cá. Um governo liderado por Paulo Portas e Catarina Martins afigura-se-me como algo perfeitamente normal...
domingo, 25 de janeiro de 2015
Crise?! Sabem lá eles o que é isso!
Pouco me importa como cada um gasta o que tem ou o que não tem. Tanto me faz que o esturre em pastéis de nata ou, simplesmente, limpe o cú às notas. Agora o que me desagrada é a lamuria, o queixume e a pieguice. O constante lamento da crise, da austeridade, da carga fiscal e do camandro. Isto, naturalmente, quando vindo de pessoas cujo comportamento evidencia tudo menos viverem dificuldades de ordem financeira.
É o caso das larguíssimas centenas de milhares de pais – e de avós, provavelmente, que nestas coisas gostam sempre de dar uma ajudinha - que despenderam algumas centenas de euros para proporcionar às suas crias a ida a um espectáculo musical por estes dias realizado em Lisboa. Folgo que tenham disponibilidade para o fazer. Ainda bem. É lá com eles e, reitero, nada tenho a ver com isso. Mas, porra, calem-se com isso de estarem a ser roubados, que não aguentam mais austeridade e que não têm nada de vos ir ao ordenado ou às reformas para pagar a crise. Calem-se não vá, como dizia a minha avó, Deus castigá-los. Seja ele – o Deus – qual for.
sábado, 24 de janeiro de 2015
O turismo como desígnio nacional
Somos um país vocacionado para o turismo. Temos sol, praia, gastronomia e paisagens fantásticas. Há, também, outros segmentos que mais recentemente começámos a explorar como o turismo religioso, o enoturismo ou o surf. O futuro será seguramente melhor se todos estes campos, e outros que entretanto surgirem, forem explorados com inteligência e imaginação de forma a trazer até nós charters de turistas. Endinheirados, de preferência.
Não menos importante será apostar no mercado interno. Aqui a inteligência e a imaginação terão de ser ainda muito maiores. Haverá, até, de recorrer à esperteza. Que, como se sabe, tem pouco a ver com as qualidades antes enunciadas. Mas, reitero, a tudo se deve recorrer para reforçar a aposta turística e dinamizar a economia.
Nesta vertente Câmaras e Freguesias já fazem o que podem – e às vezes o que não podem, mas isso é outra história – levando os seus munícipes ao “Preço certo”, a Fátima e, de uma maneira geral, a passear por esse país fora. É, por assim dizer, o turismo eleitoral.
Com a prisão de Sócrates abriu-se uma nova janela de oportunidades para o sector turístico. O turismo prisional. Depois de muitos já o terem feito de forma individual, vai amanhã realizar-se a primeira excursão organizada à cadeia onde se encontra engaiolado o antigo primeiro ministro. Para já serão mais de cem os excursionistas que rumarão a Évora. Mas isto é só o principio. Trata-se de um segmento que poderá crescer a um ritmo de fazer inveja a qualquer país emergente. Potenciais novas atracções, alegadamente, não faltam.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Eh pá, tratem-se...
O Fuçasbook é um “lugar” estranho. Assim tipo uma parede de casa de banho pública onde cada um escreve as parvoíces que quer. Sobejam, entre outras coisas igualmente parvas, as sugestões de partilha das causas mais ou menos idiotas. Uma delas é a sugestão da criação de hospitais veterinários públicos. Isto é, pagos com o dinheiro dos portugueses que pagam impostos. O mesmo dinheiro que, recordem-se as recentes noticias sobre o assunto, não existe para tratar convenientemente as pessoas.
Percebo que os donos do cães – ou de outros bicharocos – prezem o bem-estar dos seus animais nem me surpreende que muitos tenham dificuldade em suportar os custos associados ao tratamento das suas maleitas. Não devem é sugerir que sejamos todos a pagar. Tratem, por exemplo, de fazer um seguro de saúde para a bicharada lá de casa. Ou, caso não encontrem seguradora disposta a fazê-lo, peçam ao veterinário para passar a receita em nome de outro membro do agregado familiar. Abate no IRS e, com sorte, ainda ganham um carro das finanças.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Somos todos Syriza...
A expectativa da vitória do Syriza nas eleições gregas está a deixar muita gente entusiasmada. Até a mim essa quase certeza me deixa à beira da euforia. Não tanto como Marine Le Pen ou Mário Soares, é verdade, mas o meu nível de entusiasmo não deve andar longe dos evidenciados por essas duas figuras que, afinal, terão mais em comum do que aquilo que suspeitávamos. Pensávamos que, ambos, teriam um qualquer problema na área do raciocínio lógico e da coerência de ideias. Mas não. A coisa é, pelos vistos, muito pior.
Para mim a vitória dos esquerdistas radicais gregos agrada-me por ir provar uma de duas coisas. Ou corre tudo mal e ficamos, de uma vez, vacinados contra as teses da esquerda ou, pelo contrário, o programa resulta e temos ali um exemplo a seguir. Cá e por toda a Europa.
Só uma coisa me apoquenta. Diz que os gajos do tal Syriza não querem pagar a divida e, ao que parece, o Estado português está entre os credores. Mais mil milhões de euros que poderão nunca mais voltar. Assim como um ou dois bancos nacionais o serão também e de uma quantia igualmente simpática. Ora se eles não pagarem desconfio que, por cá, alguém vai ter de calafetar o rombo que o calote provocará nas nossas contas. E, assim de repente e sem vir a propósito, ocorre-me que esse valor corresponde, aproximadamente, à despesa com o subsidio de natal da função pública...
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Costa, por que não te calas?!
Se bem que a mudança de governo – dada, há muito, como certa - pouco vá alterar a vida dos portugueses, começo a duvidar que venha realmente a acontecer. O PS não dispara nas intenções de voto, o distanciamento da direcção em relação Sócrates se foi o mais sensato também foi o pior para a mobilização dos socialistas e, por último, de cada vez que António Costa fala a coisa não parece melhorar.
Agora deu-lhe para repescar o tema da regionalização. Que, recorde-se, foi rejeitado em refendo já lá vão uns anitos. É, poucos são os que não vêem, a pior altura para relançar o tema. Para além das escassas vantagens que tal processo traria parece-me que ainda menos seriam os que estariam na disposição de a pagar. Sim, por que regionalizar iria sair-nos muito, mas mesmo muito caro. E, ao contrário do que afirmam os seus defensores, as poupanças existiriam somente no domínio da fantasia.
Regionalizar significa criar mais um enorme número de lugares políticos, de assessoria e de administração. Será um alagar do campo de acção de interesses que todos, uns mais que outros, conhecemos ou, pelo menos, suspeitamos. Daí que, acredito, seja uma medida que desagrada à imensa maioria dos eleitores. Mais um tiro no pé, portanto.
domingo, 18 de janeiro de 2015
Recuso-me a debater a liberdade...
Assim de repente não me ocorre motivo nenhum para aceitar sequer como racional que uns quantos sujeitos, daqueles que moram três dias para lá do sol posto, queiram decidir acerca do que posso, ou não, fazer ou dizer no meu país. Seria mais ou menos a mesma coisa que concordar que um habitante do resort do outro lado da cidade teria legitimidade para decidir o que devo ou não plantar no meu quintal.
O pior é que já conseguiram pôr as sociedade ocidentais a debater os limites da liberdade de expressão. Um conceito, ironicamente, desconhecido para a maioria deles. E nós, cobardes, aceitamos. Tal como aceitámos, em nome de um multi-culturalismo bacoco e de uma tolerância pedante, que as gajas deles se passeiem mascaradas pelas nossas cidades como se fosse Carnaval o ano inteiro. Pior ainda. Para não ferir a susceptibilidade de gente tão sensível retirámos os crucifixos das escolas, a carne de porco das cantinas, os três porquinhos das histórias infantis e os presépios de espaços públicos.
Um destes dias aceitaremos também a tal lei da blasfémia. Fazer piadas sobre amigos imaginários de outras pessoas passará, então, a constituir um crime. Outras cedências se seguirão. Acabar com os cães, os paneleiros e a mini-saia serão, seguramente, as seguintes.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
O balde do lixo devia ser equipamento de série...
Alguma
explicação cientifica deve haver para justificar a relação entre
furgões brancos e lixo. Especialmente quando se juntam vários
veículos com essas características. Deve ser uma espécie de
tentação que leva os transeuntes que circulam nas imediações a
jogar o lixo num local onde se encontre estacionada uma destas
viaturas. Ou então é para irritar os passageiros e tripulantes das
ditas. Pessoas que, presumo, serão particularmente apreciadas pelos
seus modos civilizados, irrepreensível asseio e pela maneira cuidada
como preservam a limpeza do espaço público.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Deus até pode ser grande mas a liberdade é muito maior!
Essa coisa de ser Charlie tem muito que se lhe diga. Ou se é ou não é. Ser às terças, quintas e sábados e não ser às segundas, quartas e sextas parece-me, assim de uma forma respeitosa, um bocado estúpido. Uma espécie de Charlies intermitentes que se está a reproduzir-se de forma preocupante. E cobarde, também.
Argumentam uns quantos que o pasquim em causa é provocador e que isso vai para lá da liberdade de expressão. Não estou a ver porquê. Quem não gosta e se sinta ofendido explane as suas razões, faça uma caricatura a provocar os caricaturistas e meta os gajos em tribunal. Se preferir, ofenda os tipos, a mãe deles e toda a família até à décima geração. Ou - igualmente boa ideia - ignore olimpicamente a provocação.
Compreendo que a mourama não nutra especial simpatia por aqueles que gozam com a sua religião. Eu também não aprecio anedotas de alentejanos e não é por isso que ando por aí a matar as bestas que as contam. Nem a explodir-me por perto desses piadistas sem graça. Pelo contrário, defendo que têm todo o direito a continuar a ser parvos. Até porque, mesmo que limpasse o sebo aos que têm sempre uma piadola alarve sobre alentejanos na ponta da língua, a recompensa celeste seria incomparavelmente inferior à que aguarda os seguidores do profeta. Quando muito teria lá as mães deles à espera...
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
É politica, dizem...
Isto não vai lá com pedagogia, falinhas mansas ou avisos a que ninguém liga. É preciso actuar. E autuar, também. Ninguém tem de aturar a javardice dos outros nem custear a limpeza da merda privada.
Pode não ser uma coisa simpática para os donos dos cães. Uma chatice, até, isso de recolher os dejectos que os seus animais de estimação vão largando. Será igualmente aborrecido para as entidades com competência para aplicar as coimas. Multar um eleitor e com isso perder uns quantos votos é um risco que poucos autarcas querem correr. Preferem, por isso, colocar uns avisos e limpar daí os pés. Devem pensar que os outros, os que não têm cão, não votam. Mal sabem eles que não são apenas os donos dos canitos o alvo das “bocas” dos que, vá lá saber-se porquê, não apreciam cenas destas...
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