Anda por aí meio mundo – talvez mesmo mais – a exigir a renegociação da divida do país. Não sendo especialmente entendido nesta questão, nem nos assuntos dela derivados – sou tão ignorante, aliás, como a maioria dos que sobre ela opinam - há, no entanto, duas ou três questões que quando ouço falar no perdão do calote da república me deixam ligeiramente inquieto.
Uma delas – a principal, diga-se – é saber quem vai ficar a arder. Ao que parece parte significativa da divida portuguesa estará nas mãos dos bancos nacionais, da segurança social e dos portugueses que nela investiram com a esperança de rentabilizar as suas poupanças. Muitos talvez nem sejam gananciosos capitalistas. Quiçá apenas reformados ou funcionários públicos a quem o governo roubou, entre cortes e aumentos de impostos, três ou quatro meses de reforma ou ordenado por ano.
Nada que preocupe os iluminados que, despudoradamente, sugerem que o país não cumpra as suas obrigações perante os que emprestaram o dinheiro que manteve esta merda a funcionar. O deles, provavelmente, estará na Suíça ou num offshore qualquer, daí que não se importem de perdoar tudo e mais um par de botas. O que me admira é haver quem, entre os cidadãos mais ou menos normais, vá na conversa.










