sábado, 9 de junho de 2012

Feijão-verde da crise


Esta coisa da agricultura nunca foi a minha praia. Daí que a produção do meu exíguo e maltratado quintal não se possa comparar à conseguida por outros hortelões que, apesar de igualmente recém iniciados nestas lides agrárias, dispõem de outras condições logísticas e, principalmente, de jeito para a actividade de amanhar a terra. Que, diga-se, é uma expressão um bocado manhosa mas que agora veio mesmo a calhar.
Cá pelo quintal – logradouro, vá – depois das favas e das ervilhas da crise, é agora a vez do feijão verde. A sementeira foi um destes dias e, surpreendentemente, as plantas apresentam já este aspecto. Magnífico, atendendo ao seu curto período de existência. O único senão, por enquanto, continua a ser a bicharada que vai devorando as folhas e para a qual não estou a conseguir desenvolver um método eficaz de combate. Se relativamente às lesmas foi possível diminuir de forma significativa a população residente, o caso da passarada parece mais bicudo. Meia dúzia de baixas infligidas constitui um resultado insignificante face ao esforço de guerra envolvido, ao contingente do inimigo e aos estragos provocados pelos invasores.
Noutro recanto, que um destes dias merecerá igualmente destaque, crescem – pelo menos assim espero - pepinos, courgettes, batatas e morangueiros. Com sorte o único morango que conseguiu vingar será comido em breve.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Temos pena


Tenho o maior respeito por todos – infelizmente muitos – que passam por dificuldades bem maiores do que aquelas que me afectam. Nomeadamente por quem, face a situações de desemprego, doença, divórcios ou outras contingências da vida, se vê impossibilitado de pagar a prestação da casa e corre o sério risco de ficar sem ela. É, sem dúvida, um drama pelo qual todos dispensamos passar.
Apesar disso não me parece apropriado que se institua uma tolerância ao incumprimento, como pretendem alguns partidos. Tal, para além de constituir um estímulo perigoso a que se deixe de cumprir - com as nefastas consequências que daí poderão advir - será forçosamente encarado como uma injustiça em relação aos que, sabe-se lá com que sacrifícios, sempre honraram os seus compromissos perante a instituição credora.  
É notório e por demais evidente que muitos aproveitaram o crédito fácil para comprar casas desajustadas das necessidades dos seus agregados familiares. Outros tantos utilizaram o dinheiro que jorrava dos bancos para as mais variadas inutilidades. Quase todos, durante o tempo em que viveram sem dificuldades e com alguma folga orçamental, não optaram por amortizar a divida ao banco e aligeirar assim as suas responsabilidades. Pelo contrário. Aproveitaram para fazer mais créditos, ir de férias para lugares exóticos ou fazer as mais disparatadas opções em termos financeiros. Todas muito legítimas, reconheça-se. Hoje têm um problema. Temos pena.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sol e dó

Acredito que este seja um cenário capaz de agradar aos accionistas da EDP. A mim, que não sou accionista de coisa nenhuma, desagrada-me profundamente. Talvez esteja a ver mal mas, mesmo sabendo quanto os portugueses são aselhas a estacionar, não me parece apropriado que às vinte horas, em pleno mês de Junho, exista necessidade de iluminar um parque de estacionamento. E manter a luz acesa custa dinheiro. Muito dinheiro. Nomeadamente daquele que não há.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ainda há boas noticias


No meio de um turbilhão de más noticias, ainda há um ou outro facto noticioso que me deixa bem-disposto. Hoje, bem pela manhã, foi o relato de uma viagem de idosos o causador da minha boa disposição. Tratou-se de uma iniciativa – não sei quem promoveu, mas isso agora também não vem ao caso – que levou um grupo de velhotes a dormir com os tubarões. Dormir é como quem diz. Queixava-se um participante que não pregou olho em toda a santa noite. Estranhou a cama, garantiu para quem o quis ouvir.
Também da parte dos tubarões a coisa não correu pelo melhor. Para além dos visitantes nocturnos estarem na parte errada do aquário, ainda tiveram de dormir sob o olhar indiscreto de um grupo de mirones. O que, como se compreende, é aborrecido. Capaz até de comprometer o desempenho na hora de juntar a barbatana com a patroa. E o pior de tudo é que isto deve ser ideia para ganhar adeptos. Eu, que não sou de intrigas, desconfio que uma certa rapaziada já arranjou pretexto para mais umas quantas passeatas.
Outra noticia que me deixou satisfeito foi a da maneira como algumas comunidades, em diversos países europeus, lidam com a horda de muçulmanos que, com a complacência dos diversos poderes, está a invadir a Europa. Em lugar de manifestações que podem conduzir a conflitos desnecessários e que, por norma, nada alteram, escolheram uma maneira original de lutar pela sua terra. Quando se sabe ser intenção da malta que reza de cú para o ar construir uma mesquita em determinado lugar, logo aí são espalhados pedaço de porco. O que, face às crenças daquela maralha, de imediato inviabiliza para todo o sempre a utilização do terreno para esse fim. Simples, eficaz e um bom exemplo da maneira como, sem grandes alaridos, se conseguem atingir os objectivos.

domingo, 3 de junho de 2012

Esta gente não se cansa de errar?


A opinião veiculada por muita gente, alguma com obrigação de saber do que opina, que os primeiros indicadores de retoma do crescimento da economia irão surgir no segundo semestre deste ano - não sei se repararam, mas já estamos em Junho e nicles - sempre me tem deixado ligeiramente confuso. Quase tanto como a tese, normalmente defendida por gente com rendimentos obscenos de tão elevados que são, segundo a qual os salários terão de sofrer uma redução significativa para, então sim, as coisas começarem a melhorar. Uns e outros, por mais reputadas que sejam as qualificações que ostentam no currículo, parecem-me manifestamente deslocados da realidade que se vive por cá.
Relativamente aos primeiros invejo-lhes o optimismo. Apesar da evidente demência das suas previsões se encontrarem a um nível muito próximo dos meus prognósticos quando escolho os números do euro milhões. Terão, esforço-me por acreditar, indicadores que lhes garantam que apesar de nos últimos seis meses do ano parte significativa da população deixar de receber dois meses de ordenado, das receitas fiscais irem sofrer o trambolhão resultante desse corte e de, como vem sendo hábito, no regresso de férias muitos trabalhadores encontrarem as empresas encerradas, ainda assim, entraremos numa fase de crescimento. O Pai Natal, o Coelhinho da Páscoa ou até mesmo o Sócrates, não diriam melhor.
Quanto aos segundos, para além de lhes desejar saúde de morto, desconfio que acreditam existir em cada aldeia, vila ou cidade, uma fábrica a produzir coisas destinadas à exportação. Ou, pelo menos, sonham que assim venha a ocorrer. Mas entre isso e o que realmente acontece vai uma distância que nunca percorreremos porque, por mais que corramos atrás desse desígnio, haverá sempre quem chegue primeiro. Esses lunáticos desconhecem que, principalmente no interior, a economia privada se baseia no pequeno negócio – o café, o cabeleireiro, a boutique e outros de pequena dimensão – sempre dependentes do dinheiro que os moradores da terra tenham na carteira. E, parece evidente, quanto menos estes tiverem, mais negócios encerram as portas. O que, mas isto sou eu a especular, me parece difícil de conjugar com as tais oportunidades de que falava o outro parvo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O resort vai ficar mais seguro


O recente anúncio que a obra de construção do novo quartel da Guarda Nacional Republica estará prestes a arrancar constituirá, estou em crer, uma das melhores noticias para a cidade. Será mesmo uma das mais ansiadas pela população e, arrisco-me a vaticinar, a que a esmagadora maioria dos estremocenses colocaria como prioritária caso isso lhes fosse perguntado. É, portanto, de aplaudir quem finalmente, após tantos anos de avanços e recuos, decidiu avançar com o empreendimento.
O entusiasmo dos nativos cá do burgo terá muito pouco a ver com a notória falta de condições do actual posto da GNR. Nem envolverá grande solidariedade com os militares que ali desempenham a sua missão. Estas serão questões que a poucos dirão alguma coisa. O motivo principal – único, talvez – para o regozijo de quem vai tomando conhecimento da notícia, tem exclusivamente a ver com a localização do edifício. O local é verdadeiramente estratégico e a sua implementação no terreno causará, pelo menos o pessoal tem essa esperança, a debandada de parte significativa daqueles que agora habitam na zona.
Por mim tenho algumas reservas que todo este processo decorra de forma inteiramente pacífica. Desconfio que os habitantes do resort irão protestar pelo incómodo causado pelas obras, os custos de construção – nomeadamente os materiais – vão, de certeza, derrapar e, ou muito me engano, vamos assistir à tradicional reivindicação da casinha. Embora, quanto a este último aspecto, sem qualquer sucesso. É que toda a gente sabe que politico que por cá prometa casinhas não ganha eleições.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Os porcos do costume


Estremoz, Bairro da Salsinha, dezanove e trinta. Hora local. Embora o sítio pudesse ser qualquer outro e o horário também.
Não tenho grande coisa a acrescentar ao que ando a escrever, ao longo dos sete anos de existência deste blogue, acerca da falta de educação dos que permitem que o seu animal de estimação faça uma javardice destas na via pública. Nem vale a pena gastar a cabeça dos dedos a martelar o teclado. Desta vez faço apenas votos para que o governo não se esqueça que existe neste campo dos animais de companhia um vasto campo para colecta de impostos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Isto anda tudo ligado


A actualidade noticiosa dos últimos dias tem sido marcada por temas que me causam um nível de irritabilidade capaz de estourar a escala ao melhor e mais sofisticado irritometro. Isto, claro, se os aparelhos de medir a irritação já tivessem sido inventados ou, a existirem, houvesse um por perto.
Por algum motivo que escapa à minha compreensão, os sms do Relvas e doutro personagem obscuro, de quem nem fixei o nome, estão na ordem do dia. Não há telejornal que não dedique pelo menos vinte minutos ao assunto e, vá lá saber-se porquê, parece que isso é o que de mais importante se passa no país. Há, também, umas quantas escutas que poucos querem ouvir, várias investigações a personagens acerca das quais ninguém está interessado em saber seja o que for e até, segundo rezam as crónicas, alegadas ameaças de revelação de dados pessoais de criaturas totalmente desinteressantes.
Depois vem a selecção. Um bando de alarves que um destes dias vai de viagem até à Polónia, para os quais não servem pardieiros como os que vão albergar pobretanas e jogadores de trazer por casa como alemães, holandeses e todos os restantes participantes no Euro. Ficam instalados no hotel mais caro, que isto é um país rico e essa coisa dos sacrifícios não se aplica a craques. Mesmo sem jogarem à bola, afinal – recorde-se – é para isso que lá estão, conseguem ocupar largas horas do espaço televisivo nacional. Os mais atentos às diversas emissões, cálculo, já devem saber tudo acerca de todos os componentes da equipa. Desde a cor das peúgas até à marca do óleo de motor de cada um dos bólides que aquela malta ostenta. Tudo, como se vê, coisa do mais relevante interesse nacional.
No meio de tudo isto nem um pio – uma investigaçãozinha jornalística, vá - acerca das alegadas denuncias do cavalheiro careca posto em prisão domiciliária. Terá dito a criatura que haveria por aí uma espécie de rede, mais ou menos mafiosa, a passar dinheiro por água e que envolveria uns largos milhares de "clientes", entre os quais figurões que ocupam ou já ocuparam lugares de destaque na vida pública.  Se calhar é porque isto anda tudo ligado. Provavelmente mais do que parece.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A invasão das lesmas



Várias pragas assolam o meu quintal. Via aérea são, principalmente, melros e pardais. Bandos deles. Apesar de, quanto aos primeiros, constar que estão em extinção e que gozam de um regime qualquer de protecção que torna criminoso que lhes torcer as goelas, a verdade é que, pelo menos por aqui, são mais que muitos. Cada vez mais espertos, também. Não se deixam enganar, se é que me faço entender. Ao contrário dos pardais, estúpidos por natureza, que de vez em quando vão caindo na esparrela de debicar nos locais mais inapropriados.
Mas nem é da passarada que vem a pior ameaça. Pela calada da noite centenas - milhares, quiçá - de lesmas abandonam os seus esconderijos secretos e devoram tudo o que ameaça crescer no quintal. Nada as parece travar. Mas está declarada a guerra. Foram, até agora, usadas várias abordagens ao inimigo. Contudo as imensas baixas infligidas parecem não ser suficientes para o fazer desmobilizar e, por mais estranho que pareça, o seu número não aparenta diminuir nem as consequências dos seus ataques se afiguram menos relevantes.
Preocupado com esta temática procurei encontrar uma solução que me levasse ao extermínio destes criminosos rastejantes. Não a encontrei mas, em contrapartida, deparei-me com comentários de alguns amiguinhos dos animais dignos de realce. Pelo lado da parvoíce, claro. Vejamos estes exemplos:

“Porque mata-las? Não fazem mal a nós.”

“Ah, elas são tão bunitinhas! Me  lembram muitos bichos do fundo do mar... Por que quer vê-las mortas?”

“Solta um peido perto delas '-' “

“Por acaso as lesmas fazem-me muita impressão, e bastantes estragos nas plantas... Mas sou incapaz de as matar...”

“Será que as pessoas só pensam em matar as lesmas? Procurei em vários sites e a única literatura que se acha é como combater esta praga! Será que é mesmo uma praga ou são os Homo sapiens que estão ocupando o lugar de todos os animais no nosso planeta?”

“MATAR LESMAS E CARACÓIS É MALDADE! Já há estudos que comprovam que eles sentem dor, com aparelhos específicos pode-se até ouvi-los gritar de sofrimento, não vejo razão forte o bastante que justifique essa crueldade! Se elas realmente estão atrapalhando, é melhor retirá-las (sem machucá-las) e colocá-las em outro lugar, MAS JAMAIS MATÁ-LAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! que crueldade!!!!!!!!!!
São animais irracionais, não comem pq querem estragar as plantas, mas sofrem tb!!!!!!!!!!!!!!!! também não acho muitos sites que falem de curiosidades sobre caracois e lesmas, a maioria fala de receitas de escargots e métodos para matar esses bichinhos lentos, inocentes e irracionais. COMO PODEM SER TÃO MAUS? MINHA FELICIDADE É SABER QUE UM DIA A VIDA DESSAS PESSOAS TERÁ SUA "RECOMPENSA" POR TEREM UM CORAÇÃO TÃO MALDOSO!”