domingo, 22 de abril de 2012

Só para contrariar



É um clássico. Local onde esteja afixada uma placa a proibir o despejo de lixo, entulho ou outro qualquer tipo de resíduo é, quase sempre, o preferido daqueles que se querem livrar deste género coisas. Deve ser algo que integra o nosso ADN e que nos leva, só para chatear, a desrespeitar o aviso.
No caso documentado pelas imagens, provavelmente, também assim será. Apesar do alerta de “perigo de electrocussão” – garanto que está lá, apesar da máquina não o ter captado de maneira a ser legível na fotografia – a porta está escancarada. Mesmo que dali esteja a sair um cabo – e não é garantido que assim seja - podia, pelo menos, estar um bocadinho mais encostada. Até porque numa piscina e para mais na zona das partidas e viragens existirá a vaga possibilidade da caixa ser atingida por uns salpicos. Ou então o gajo que se lembrou de afixar ali aquele papel é que é um chato. Talvez um pouco menos do que eu mas, ainda assim, um chato.

sábado, 21 de abril de 2012

Contas furadas


Isto, tal como se esperava, não está a correr nada bem. Por “isto” entenda-se o programa de ajustamento orçamental a que o país está a ser sujeito. O cada vez mais evidente falhanço não surpreenderá muita gente. Até porque os indícios são evidentes. Avizinha-se, portanto, mais austeridade. O que também não surpreende. Apesar dos anos usados a queimar as pestanas – ou a lubrificar as goelas, talvez – os economistas convertidos à política não conseguem encontrar alternativas inteligentes e, vai daí, insistem nas soluções que, comprovadamente, apenas trazem mais problemas.
Tal como revela a síntese da execução orçamental de Abril, divulgada por estes dias, a receita continua a cair a pique e a despesa a subir em flecha. Exactamente o contrário daquilo que se pretendia e que os actuais governantes, quais génios da táctica e magos da estratégia económico-financeira, se propunham realizar. Os números demonstram o evidente falhanço desta gente e desta política. Aliás quase todos sabíamos que ia ser assim. E isto é apenas o princípio.
Dos dados agora divulgados saliento apenas dois aspectos que me parecem significativos. O Imposto Municipal sobre Transmissões - a antiga sisa - e o Imposto sobre Veículos caíram, respectivamente, 31% e 47,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Sintomático, sem dúvida. No seu conjunto a receita fiscal, apesar do brutal aumento de impostos, tem uma quebra de 5,8% e a despesa, apesar de todos os cortes, verifica um aumento de 3,5%. Numa empresa, os responsáveis por resultados desta natureza, já estavam todos na rua. Neste caso isso não acontece. Os accionistas até parecem  continuar satisfeitos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O quintal da crise



Tal como referi noutras ocasiões, não será a produção do quintal da crise a ter influência determinante na economia cá de casa. E ainda bem. Mas, mesmo assim, sempre dá para um petisco. O espaço é reduzido, a terra não está minimamente estrumada, água apenas da chuva ou os restos da cozinha e o jeito do alegado hortelão para estas lides é quase nenhum. Portanto, face a todos estes condicionalismos, qualquer coisa que por aqui consiga vingar constitui um facto digno de assinalar.
Hoje foi dia de colheita. A primeira. Devidamente documentada pelas fotografias anexas. Favas e ervilhas. Digamos que, face ao acima exposto, não correu propriamente mal. Até porque – verdade, verdadinha – nem gosto de favas…

terça-feira, 17 de abril de 2012

Graffiti valorizável


Em diversas ocasiões manifestei a minha indignação contra aqueles que se ocupam a borrar paredes. Abro hoje uma excepção. Este bloco de cimento – que, diga-se, parece não servir para nada além de ocupar espaço - ficou muito melhor após o trabalho que um qualquer projecto de artista resolveu executar. Sim, vá lá, desta vez vou achar que é arte urbana. Aplaudo. E com as duas mãos. A sombra, aparentemente, também.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O massacre das galinhas


Três milhões. Diz que será esse o número de galinhas a abater para que as restantes possam levar uma vidinha de acordo com as normas europeias. Uma mortandade. Uma verdadeira chacina, até. Um holocausto em vertente galinácea, mesmo. Tudo, ironicamente, graças aos defensores do animais e ao zelo dos legisladores europeus e portugueses que, parece, não terem nada de mais interessante para fazer com o dinheiro dos nossos impostos.
Já aqui há atrasado discorri acerca da melhoria das condições de vida das galinhas. Coisa importante, como se sabe, e que a todos devia preocupar. Não irei, portanto, repetir-me. Mas agora, que os produtores já fazem gala – isto anda mesmo tudo ligado – das condições das gaiolas em que os ovos são produzidos, confirmam-se as piores expectativas que então manifestei. O preço vai disparar. Mas, em contrapartida, vamos passar a mandar abaixo omeletas ou ovos mexidos de muito melhor qualidade. Pelo menos produzidos por galinhas muito mais felizes. As que sobreviverem ao extermínio, claro.

domingo, 15 de abril de 2012

Paineleiros e outros populistas


Não era preciso ser bruxo nem possuidor dons adivinhatórios para saber que o resultado da brutal austeridade que está a ser imposta aos portugueses não seria muito diferente daquilo a que estamos a assistir. Houve, no entanto, parvos que não perceberam. E não me refiro aos que estão agora no governo nem aos que lá estiveram antes. Esses sabiam que as consequências seriam estas e este era o resultado que pretendiam. O que me surpreende é não assistir à penitência de todos aqueles que nos jornais, televisões, blogues ou em simples cavaqueira de café, defenderam esta politica suicida. Ou, se calhar, homicida. Porque, no fundo, o que se trata é de aniquilar a economia nacional e, por consequência, um número significativo de portugueses.
Causa-me, também, algumas náuseas a forma como é discutida a questão dos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos pela esmagadora maioria dos paineleiros. Todos, alegadamente, especialistas em medidas que nos hão-de tirar da crise. Ainda estou por perceber a razão porque escapa a esta gente que cerca de cinquenta por cento da alegada poupança constitui receita directa do Estado e da parte restante um valor significativo voltaria aos cofres públicos através do consumo. Ou, pior, porque raio nenhum deles denuncia que relativamente aos trabalhadores da administração local esse dinheiro vai apenas servir para os municípios e freguesias gastarem como muito bem entenderem, porque o governo vai transferir exactamente o mesmo valor.
Como sempre afirmei, a poupança com este corte é em termos orçamentais – ponderados os valores da despesa que fica por pagar e a receita por cobrar – praticamente residual. Envolve, antes, muita demagogia, populismo e uma mal disfarçada vontade de colocar uns portugueses contra os outros. Ou, como diria um fulano que em tempo entendia que outros tinham que nascer duas vezes para serem mais honestos do que ele, “temos é de nos preocupar com o desemprego”. É, sem dúvida, verdade. Mas uma coisa não desculpa a outra. E misturar as duas parece-me vagamente estúpido. Pelas razões expostas e, principalmente, pela falta de argumentos para as rebater.