quarta-feira, 11 de abril de 2012

Consumidos pelas taxas


Ao que consta o governo terá a intenção de criar mais uma taxa. Parece que, desta vez, sobre as superfícies comerciais acima de uma determinada dimensão. A finalidade – que é como quem diz o argumento - será, alegadamente, qualquer coisa vagamente relacionada com a saúde, condições de higiene, segurança alimentar e outros aspectos mais ou menos relacionados e igualmente parvos. Ou seja, traduzindo em linguagem clara, simples e daquela que eu entendo, arranjar mais uns pozinhos para maquilhar as contas do défice à custa dos consumidores.
De fora deste processo taxativo ficarão as pequenas lojecas. Ou, por exemplo, o tipo de comércio que se pratica em barracas como as da fotografia. O que, atendendo à alegada finalidade da taxa a criar, diz tudo o que precisamos de saber acerca da honestidade politica e transparência de meios que os javardolas que pusemos no poleiro usam para governar. Nada que mereça a nossa estranheza. Afinal estamos mais do que habituados a barracadas.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A maternidade Alfredo da Costa vai fechar. E daí?


Tenho aqui manifestado em inúmeras ocasiões a minha indignação pelo encerramento de serviços públicos no interior do país. Com este tipo de políticas prejudica-se a população, diminui a qualidade de vida aos que ainda por cá restam, promove-se o abandono do território e fomenta-se a desertificação. Parece-me óbvio, mas se calhar é só a mim, que aquilo que eventualmente se poupa no presente ao fechar serviços ainda nos irá – a todos – custar muito caro no futuro.
Pena que àqueles que vivem no litoral, em especial nos grandes centros, pouco tenha incomodado esta estratégia de encerramento de tudo o que pertence ao Estado. Pelo contrário. É mais ou menos comum este procedimento colher a simpatia praticamente generalizada daqueles que, até agora, não têm sido afectados por esta tendência de fechar tudo o que fica longe de Lisboa. O argumentário em defesa desta posição envolve quase sempre razões de escala, nomeadamente a pouca gente servida e os altos custos do serviço. Como se, por sermos poucos, fossemos cidadãos de segunda ou apenas onde existe muita gente todos os direitos devam estar garantidos.
É por estas e por outras – mais pelas primeiras do que pelas segundas – que tenho alguma dificuldade em solidarizar-me com todos os que estão hoje indignados pelo encerramento da maternidade Alfredo da Costa. A indignação terá, provavelmente, apenas razão de ser em termos sentimentais. O que, convenhamos, se comparada com a onda de encerramentos a que temos assistido país fora é coisa pouca. Até porque, caso se confirme o fim daquela unidade de saúde, aos potenciais utentes não faltarão alternativas no raio muito reduzido de quilómetros. Coisa de que nem todos os portugueses - supostamente iguais – têm à disposição.

domingo, 8 de abril de 2012

Era uma vez o progresso.





Ainda que para muitos a destruição da linha de caminho de ferro tenha constituído um erro colossal – o futuro se encarregará, ou não, de o confirmar – a verdade é que a cidade, no imediato, fica a ganhar com a construção deste novo arruamento já, parcialmente, aberto ao trânsito. É um espaço de que até agora os cidadãos não podiam desfrutar, contribuirá para a melhoria da circulação automóvel dentro da cidade e permite um acesso muito mais rápido à zona industrial. Para além de ter requalificado uma área que começava a evidenciar uma preocupante degradação que, mais cedo ou mais tarde, traria consigo problemas de segurança.
Dispensava-se, digo eu que não percebo nada disto, era a ironia de ornamentar a rotunda onde se inicia – ou termina, dependendo do ponto de vista – o dito arruamento, com material alusivo à via-férrea agora destruída. Tratar-se-á de uma homenagem póstuma para nos recordar que ali já existiu uma infra-estrutura que, em determinada altura da história, foi um símbolo do progresso. Mas será, também, mais um motivo que contribuirá para que todos os que por ali vão passar se questionem se a opção foi a melhor.
Por outro lado esta decoração constituirá um enorme desafio para os coleccionadores. E são muitos os que passam por ali. Eventualmente alguns até podem ter residência por perto. Sabe-se que o metal é muito procurado, constitui hoje um bem facilmente transaccionável e aquela coisa ainda deve pesar um quilitos jeitosos. O que a fará render uma quantia simpática. Tudo para, na calada de uma qualquer noite, ser recolhido pela malta que se dedica à angariação de fundos através de esquemas manhosos. Por mais pregado que esteja ao chão desconfio, especialmente a traquitana amarela, não se vai aguentar muito tempo naquele lugar.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Farmeville da crise





Há muitos anos que não tinha o quintal todo cultivado. Não sei ao certo quantos mas, de certeza, deve andar perto de vinte. Tempo em que, feito alarve, tive a mania que era rico. Como, de resto, todos os portugueses. Excepto, claro, aqueles que o são mesmo e não precisam de ter a mania podendo ser tão alarves quanto lhes apetecer.
A produção aqui retratada não vai, obviamente, dar para grandes coisas. Na verdade não passa de um “desdém”. Uma brincadeira, vá. Digamos que não é mais do que uma espécie de entretém. Ainda assim, ao contrário de certas previsões mais pessimistas, tenho fundamentadas esperanças de correr o risco de me engasgar com alguma fava, ervilha ou outro produto com origem no quintal.
A pedido de várias famílias – que é como quem diz, um leitor interessado cujo nome não será aqui revelado – são hoje publicadas várias fotos da horta da crise. Um destes dias, se chegarem a ter “cara” para aparecer, também os morangos, as courgettes ou as nabiças, poderão merecer honras de fotografia. Até lá, leitor interessado cujo nome não será revelado, vai aguardando.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Diz umas piadas giras, o gajo.



O ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares – o Relvas, portanto – quis hoje, segundo as suas palavras, deixar um sinal de esperança aos portugueses. Acho que não conseguiu. Mas, em contrapartida, arrancou-me um sorriso. Amarelo. Que, apesar de isto não estar para graças, o homem evidencia uma enorme capacidade para dizer larachas. Segundo a criatura, o governo está a seguir "um princípio de exigência, de rigor e de seriedade nas políticas que temos seguido para que possamos no fim da legislatura poder dizer que estamos a construir um país mais equilibrado, um país mais próspero, e também um país mais feliz”. E, como qualquer bom humorista, disse tudo isto sem se deixar rir. Cá para mim anda a beber às escondidas. Ou então a fumar alguma coisa estragada.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Não pague impostos, ande a pé!


O preço da gasolina não pára de bater sucessivos recordes. Já vai em mais de um euro e setenta e seis cêntimos – nalguns postos terá mesmo superado um euro e oitenta – mas nem isso parece levar os portugueses a encostar o carrinho. Apesar de números oficiais indicarem que estão a ser vendidos menos uns quantos milhões de litros e que a cobrança de impostos sobre os combustíveis continua em queda, não se verifica ainda a diminuição de viaturas em circulação que seria expectável face aos valores que são agora necessários para atestar o depósito.
Esta questão faz-me, de certa forma, lembrar as estatísticas acerca da criminalidade. Sempre que são divulgados os dados relativos à actividade criminosa, todos os indicadores apontam para a baixa do número de crimes. Invariavelmente. Isto apesar de toda a gente ter a percepção do contrário. Sinto o mesmo quando tomo conhecimento de notícias que dão conta da redução do trânsito automóvel em consequência da escalada de preços dos combustíveis. Não noto nada. As cidades continuam repletas de carros e poucos são os que optaram por andar a pé. Desconfio, até, que existirá petróleo a jorrar em muitos quintais. Só pode.
Tenho curiosidade em ver até que ponto vamos resistir e continuar a insistir em não prescindir do automóvel nas deslocações dentro da cidade. Que preço estamos dispostos a pagar pelo conforto, vicio, vaidade, mania ou o que lhe queiram chamar, de percorrer escassas centenas de metros sentados ao volante quando o podíamos fazer a pé? Quando a gasolina sem chumbo chegar aos dois euros voltarei ao tema. Um dias destes, portanto.

Manifesta discriminação


O facto de algumas juntas de freguesia terem decidido alugar autocarros para levar os seus fregueses a manifestarem, em Lisboa, o seu desacordo pelo desaparecimento da sua freguesia parece ter causado algum incomodo em certos opinadores. Daqueles que, nas mais variadas televisões e outros órgãos de comunicação social, têm a mania que fazem opinião. Para essa rapaziada, uma passeata até à capital da república para exprimir indignação não será o destino mais adequado a dar a umas centenas de euros oriundos do erário público. Embora muitos deles não se tenham cansado de, num passado não tão distante quanto isso, exaltar o direito dos portugueses à indignação. Desde que a paguem, acrescentarão agora.
Parece não levantar grande celeuma a necessidade de uma reorganização que envolva o fim de freguesias que hoje, praticamente, já não têm habitantes e que, na prática, apenas existem no papel. É, também, consensual que ao nível autárquico – municípios e freguesias – se esturra dinheiro se forma absolutamente tresloucada. Mas, que diabo, apontar o dedo aos autarcas que entenderam mobilizar os seus eleitores, mesmo gastando dinheiro de todos, para a defesa do órgão da administração pública que está mais próximo do cidadão comum, já me parece demais. Principalmente quando há tanta outra coisa, mesmo a este nível, onde o procedimento é exactamente o mesmo. Assim de repente estou a lembrar-me daqueles eleitores que ciclicamente são transportados para, a título individual e apenas porque lhes apetece, participarem nas mais diversas manifestações. De carácter lúdico, no caso. Estamos, portanto, perante uma clara discriminação do manifestante. O que me deixa indignado. Ludicamente, claro.

sábado, 31 de março de 2012

Tá bem tá


Um dos meus passatempos diários – em casa, não no trabalho como faz muito boa gente – é ler a edição on-line da maioria dos jornais nacionais. Podia, reconheço, dar-me para pior. Andar a esparvoar pelo facebook, por exemplo.
Ler aquilo que se publica na imprensa é, acho eu, a melhor maneira de entender como se chegou a este estado e, também, de perceber que não há grande coisa a fazer por isto. Veja-se, assim ao acaso, a manchete do Jornal de Noticias de hoje: “Quem não quiser trabalhar perde rendimento mínimo”, escrevia aquele periódico em letras garrafais. Fica-se, à primeira olhadela, a suspeitar que vem aí uma alteração às leis que regulamentam a atribuição do RSI e aquela malta que vive permanentemente à custa deste esquema, financiado com os impostos de quem trabalha, vai ter de pensar noutra forma de vida. Pois que, se calhar, não será bem assim. Em letras muitíssimo mais pequeninas pode ler-se de seguida que “Autarquias e IPSS proporão tarefas a desempenhar pelos beneficiários”. E pronto. Ficamos logo esclarecidos, lendo apenas a capa, que tudo vai continuar na mesma, que o dinheiro continuará a seguir o mesmo fluxo que até aqui - dos nossos bolsos para o Estado e daí para os deles – e que quanto a trabalho “tá bem, tá”.
O contínuo desbaratar de recursos do país tinha de dar no que deu. O RSI foi apenas mais uma loucura entre tantas outras. A que se devem somar inúmeros actos de gestão danosa, corrupção e aproveitamento ilícito, sob todas as formas, dos bens públicos. Tudo alegadamente, como é óbvio. O pior é que tudo, como se percebe por esta e outras notícias que diariamente se publicam, continuará igual. Dá jeito que assim seja. Aos que “lá” estão hoje, aos que estiveram ontem e aos que estarão amanhã. Um pouco à semelhança do que acontece com a generalidade dos tugas, para quem a grande máxima continua a ser “deixa lá aproveitar enquanto a coisa ainda dá”.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Á espera que chova


Diz que já chove. Diz, porque aqui nem vê-la. À chuva. Nem um pingo para animar um agricultor de trazer por casa – pelo quintal, vá – que escolheu mal o ano para retomar a tradição de cultivar o espaço em redor da casa. O vasilhame – bazaréus, como gosto de lhes chamar – continuam vazios, a capacidade de armazenamento há muito que se esgotou e o recurso à água da rede está a revelar-se uma tragédia. Devido aos produtos químicos que a compõem queima todas as folhas das plantas por onde vai caindo. Às tantas ainda sou gajo para pedir uma indemnização. Seja pela destruição das culturas ou pela burla de que estarei a ser vítima. Pago água e vendem-me um composto químico qualquer!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Uma visão iluminada


Que o poder transforma as pessoas é um facto mais do que conhecido. E amplamente reconhecido também. Entre outras coisas - a maioria delas não será para aqui chamada - transforma-os em optimistas inveterados. Visionários, até. Parvus Coelho estará prestes a adquirir estas capacidades. Depois de meses a dar-nos más notícias, o homem veio hoje transmitir a sua convicção de que a economia nacional crescerá no último trimestre do ano. Sustentará a sua opinião, acredito, em estudos devidamente fundamentados e em indicadores dotados da maior fiabilidade. Não serei eu, portanto, a questionar, nem sequer a desconfiar, de tão boa noticia. Primeiro porque não percebo nada de economia. Segundo, porque as previsões dos economistas constituem para mim uma espécie de misteriosa ciência, e às vezes, também, um género de cartomancia.  Por fim, porque não estou a ver que tipo de milagre possa estar para acontecer. Antes pelo contrário. Perspectivo algumas ocorrências que apenas por intervenção de algum santo milagreiro não nos conduzirão a uma situação ainda pior.
O aumento de preço dos mais variados bens e serviços, por exemplo. Entre eles, quase de certeza, o da energia eléctrica. A próxima liberalização deste sector conduzirá, tal como aconteceu com os combustíveis, a uma acentuada escalada do preço da electricidade. Com todas as consequências daí decorrentes para as empresas, administrações públicas e portugueses em geral. A menos que estejam reunidas duas condições: Pertençam a uma minoria étnica e morem num local onde tenham água e luz à borla. Assim tipo um qualquer resort situado à entrada de uma qualquer cidade. Nesse caso podem continuar a encher a piscina, ligar o ar condicionado, o plasma e toda a panóplia de equipamentos que se ligam à corrente. Depois alguém – está-se mesmo a ver quem – há-de pagar os muitos milhares de euros da continha.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Badalhocos!


A suposta reivindicação que o cartaz da JSD pretende transmitir não me surpreende. Afinal, aqueles que se espantam, indignam e vociferam contra a mensagem nela contida, estavam à espera de quê? Este discurso é mobilizador para quem não tem emprego ou, mesmo que empregado, esteja em condições de precariedade. Pretende culpar os que ainda tem alguns direitos – poucos e cada vez menos – da situação daqueles que não têm direitos nenhuns. É, notoriamente, um discurso que está na moda e cativa seguidores. Daí que estes aspirantes a políticos o promovam. Para se promoveram àquilo a que aspiram. Um cargozinho. Com todos os direitos - adquiridos, pois então - inerentes a qualquer cargo onde esta malta pretende chegar. A começar pelo mais importante. O direito à impunidade. Quando um dia, depois de uma meteórica carreira na “jota”, forem nomeados para um lugar de relevo, poderão continuar a roubar os portugueses, tal como o fizeram os seus antecessores e a construir grandes vidas, para si e seus correlegionários, que ninguém lhes “vai ao cú”. Em sentido figurado, claro, que eu não pretendo implicar com a paneleiragem. Nem, ainda menos,  pôr em causa os seus direitos adquiridos.

domingo, 25 de março de 2012

Ovo de Colombo


O governo descobriu a maneira fácil, rápida e barata de arranjar mais lugares em lares de idosos e jardins-de-infância. Com uma simples alteração da legislação que regulamenta esta a matéria passou a ser possível que, na mesma  instituição, coabitem mais velhotes e no caso dos mais pequenos que estes se tenham de contentar em fazer as suas brincadeiras num espaço mais reduzido. Genial. Sem construir um único edifício estes génios da manigância conseguiram, quase do dia para a noite ou contrário, criar lugar para arquivar mais umas largas centenas – ou milhares, sei lá - de velhos que ninguém quer ter por perto e outros tantos para criancinhas a quem os pais não sabem onde deixar quando vão trabalhar. Ou fazer outras coisas que agora não vêm ao caso.
Não é que ache mal a solução encontrada. Sabe-se que as leis relativamente a estes assuntos estão cheias de esquisitices e requisitos do mais estapafúrdio que se possa imaginar. Não me parece, portanto, muito criticável que se adeqúem certas normas à nossa realidade de país pobre, sem recursos e onde cada cêntimo tem de ser bem aplicado. Tratou-se, neste caso, do verdadeiro ovo de Colombo.
E como isto anda tudo ligado, mesmo que às vezes não pareça, foi o mesmo governo que se apressou a adoptar uma directiva comunitária manhosa acerca da qualidade de vida das galinhas e do espaço que estas necessitam para viver confortavelmente. Nada de viver apertadas como até agora. Ao contrário de velhinhos e catraios, que tem vivido escandalosamente à larga, os galináceos europeus habituados a viver compactados uns contra os outros, viram a agora as condições de vida substancialmente melhoradas e podem, finalmente, pôr ovos sem incomodar a galinha sua vizinha.
Posto isto – lá está, isto mesmo tudo ligado – não sei se os ovos estão ou não mais saborosos. Nem, tão-pouco, se as aves de capoeira andam mais felizes. O que sei é que os ovos estão mais caros. Bastante mais caros. Parece que a produção, apesar da provável felicidade das galinhas, diminuiu significativamente. Isto porque, como é óbvio, os industriais do sector não aumentaram o espaço. Face à obrigação de cumprir a lei optaram por fazer baixar a população de galináceos. Assim, graças aos amiguinhos dos animais e às bestas de cá e da Europa, estamos a pagar mais caro pelas omeletas.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O mealheiro



De certeza que não sou o gajo mais indicado para dar dicas de poupança aos que têm a paciência de me ler. Primeiro porque não me acho tão poupado quanto isso. Apenas racional, quando muito, e mesmo assim tem dias. Em segundo lugar porque não quero entrar em concorrência com a legião de blogues acerca deste tema que pululam por essa blogosfera fora e, finalmente, porque ninguém ligava nenhuma à minha retórica.
Tenho, no entanto, uma regra de poupança que não de canso de divulgar e de sugerir a todos os que se queixam – e aos outros também – de não conseguir poupar absolutamente nada. Há anos, ainda muito antes de se falar em crise, todas as moedas de um e dois euros estrangeiras, apenas as estrangeiras, que me vêm parar à carteira vão direitinhas para um mealheiro. E, como a imagem documenta, por este dias abriu-se a latinha. Sendo eu de gostos simples e pouco dado a extravagâncias, mesmo não se tratando de uma quantia avultada, é coisa para não andar muito longe de pagar as férias. Até porque este ano vou querer tudo sem factura.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Não há comboios grátis


O governo decidiu – e muitíssimo bem – parar definitivamente com o projecto do TGV. Mesmo descontando o facto de isso do definitivo, em tudo na vida e na política ainda mais, ser um conceito muito relativo foi uma das raras notícias que gostei de ouvir nos últimos tempos. Para aqueles – não muitos, infelizmente - que sabem fazer contas é uma decisão sensata e que livra os portugueses de um volume de encargos que dificilmente suportaríamos.
Tenho manifesta dificuldade em perceber o raciocínio de certa gente. Ou melhor, em entender qual é a espécie de bloqueio que lhes tolda a mente quando ouvem falar em fundos comunitários. Embora compreenda que possa haver, naturalmente, quem não goste da ideia de ficar sem um comboio todo jeitoso. Não sei se muitos se poucos. Nem isso me incomoda. O que me transtorna é que, pelo menos alguns deles, nos queiram fazer de parvos. Papaguear que o país, por abandonar o projecto, vai perder mil e duzentos milhões de euros – a parte da obra que a União Europeia, alegadamente, financiaria – sem esclarecer que para receber esse dinheiro teria de gastar muitos outros milhões que não tem é, no mínimo, próprio de um vigarista. Mal comparado, será como alguém oferecer um milhão e duzentos mil euros a um sem-abrigo com a condição deste construir uma casa que lhe vai custar um milhão e quinhentos mil e chamar-lhe parvo se ele não aceitar.