Este vistoso nabo, de proporções épicas, podia esta manhã ser
apreciado – e comprado, também – numa das barracas de venda de fruta e
hortaliça instaladas bem no centro da cidade. Podia armar-me em chalaceiro e
fazer umas quantas piadolas envolvendo o Brassica rapa em exposição. A dimensão do tubérculo
presta-se a isso. Mas não. Não me apetece. Em certa ocasião, dava este blogue
os primeiros posts, fiz uma graçola com uma planta destas e, apesar muito mais
pequena do que a exposta, a coisa não correu nada bem. Houve logo quem se
revisse na prosa. Daí que, desta vez, expresse apenas o meu lamento – e, quiçá,
uma ligeira inveja - de na minha “horta” da crise não se desenvolverem vegetais
destas dimensões.
segunda-feira, 12 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
Executa-se muito pouco...
Acredito que a vida de agente de execução, solicitador e demais
malta que exerce actividade no ramo da cobrança de dívidas, não seja fácil.
Nem, se calhar, especialmente proveitosa. Pelo menos se levarmos em conta a
quantidade de trabalho que provavelmente terão, o risco associado ao exercício dessas
funções – negócio, digamos – e os resultados, que em muitas circunstâncias,
decorrem das suas diligências.
Repare-se, por exemplo, nos bens penhorados e colocados em venda
no concelho de Estremoz. Uma miséria franciscana. Como se pode ver no site de
onde foi retirada a imagem, entre prédios - em altura de profunda crise do
sector imobiliário – e cinco botijas de gás vazias, ainda conseguiram “apanhar”
uma máquina de musculação. A vender em conta, ao que parece. Vá lá saber-se
como é que a conseguiram confiscar…
quinta-feira, 8 de março de 2012
Ler blogues, eu? Kruzes Kanhoto!!!
São muitos os que manifestam uma profunda relutância em admitir
que lêem blogues. Ou que, pelo menos de quando em vez, lhes dão uma vista de
olhos. Há mesmo quem não se coíba de declarar - do alto do seu elevadíssimo QI
e de uma dose QB de ignorância – a sua aversão à blogosfera e ao que por cá se
escreve. Ainda que, como gostam de frisar, não percam tempo com essas
parvoíces. Apesar de, quase sempre, estarem a par de todas as novidades que se
vão publicando.
Ao contrário do que, alegadamente, acontecerá com outros sistemas
de aferição de audiências, os contadores de visitas não mentem. E, como se pode
ver na imagem junta, gente a visitar este blogue não tem faltado. O pico de
audiência – há que dizer isto com estilo – foi atingido no dia cinco de Março,
segunda-feira, com mil e treze visitantes e mil quinhentas e quarenta e três
páginas vistas. O que, para um espaço desta natureza, constitui um número
muito assinalável. Mas ninguém lê blogues. A gente sabe que não…
terça-feira, 6 de março de 2012
Gasolina cara? Não parece.
O preço do litro de gasolina – nas marcas de referência e nas
outras não tardará a chegar lá - já ultrapassa um euro e setenta cêntimos.
Trezentos e quarenta escudos, para aqueles que ainda se lembram do valor do
dinheiro. Nada que impeça os intrépidos condutores tugas de continuar a usar o
seu tugamóbil como se não houvesse amanhã e o precioso liquido que faz mover o
mundo fosse ao preço da água. Por mais incrível que pareça, até numa localidade
de reduzidas dimensões como Estremoz, o número de automóveis a circular afasta
qualquer ideia de crise ou de dificuldade em enfrentar os elevados preços dos combustíveis.
O que não deixa de ser espantoso por se tratar de uma cidade que se atravessa a
pé, de uma a outra ponta, em meia-hora e onde qualquer lugar não dista mais de dez
ou quinze minutos do centro.
É por estas e por outras que tenho dificuldade em perceber a filosofia
da política fiscal relativamente ao automóvel e à habitação. Que é como quem
diz aos valores que se pagam de IUC – Imposto Único de Circulação e de IMI –
Imposto Municipal sobre Imóveis. Em relação a este último vamos, dentro de um
ano e fruto da reavaliação que está a ser levada a efeito, pagar largas
centenas de euros por uma coisa que é, supostamente, nossa e que, coitada, está
ali parada e não faz mal a ninguém. Já quanto ao carrinho, embora sujeito a
múltiplos impostos, não tem nem de perto a mesma importância que a habitação,
prejudica e incomoda bastante mais. Daí que a sua utilização – e não tanto a
compra ou a posse – devesse ser muitíssimo mais penalizada. Substituir os
actuais impostos que incidem sobre o automóvel e passar a cobrá-los nos combustíveis
era capaz de ser muito mais justo. Digo eu, que gosto de andar a pé.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Os fundos que nos levaram ao fundo
Os fundos comunitários são a menina dos olhos de muito boa gente.
E de outra assim não tão boa, também. Se é verdade que foi com os fluxos
monetários oriundos da Europa que o país se desenvolveu – se entendermos o
desenvolvimento como construir coisas, independentemente da sua utilidade – não
é menos verdade que a sua mais do que tresloucada aplicação contribuiu
decisivamente para a tragédia em que agora vivemos. Fazer obra, que quase
sempre se revela incapaz de gerar qualquer espécie de retorno, sem ter dinheiro
para assegurar a contrapartida nacional não constitui, contrariamente ao que
muitos pensam, um acto de boa gestão ou algo de que alguém se deva orgulhar.
Pelo contrário.
Deve ser por estas e por outras que, nos últimos tempos, a gestão
dos dinheiros do QREN tem estado na ordem do dia. Pelos vistos, pretenderá o
governo que seja o ministro das finanças a controlar a sua distribuição. A
ideia, ao que consta, será evitar que entidades altamente endividadas e sem hipótese
de avançar com a parte que lhes cabe no pagamento do projecto, venham a
beneficiar destes fundos. O que, diga-se, parece do mais elementar senso comum.
Este princípio, a ter sido aplicado desde o inicio, teria contribuído para que
o descalabro das contas nacionais não tivesse chegado a este ponto e se calhar –
mas isto sou eu a divagar – não houvesse necessidade de andar por aí a roubar
dois meses de ordenado.
Será, portanto, uma questão de rigor. Embora aplicada tarde e a
más horas. Isto se o lobbies deixarem. Porque isso do rigor é uma coisa que aos
portugueses não assiste.
domingo, 4 de março de 2012
Pavões endividados e pavoas falidas
Segundo a imprensa de hoje haverá mais de cem mil portugueses com
o vencimento penhorado. Provavelmente seriam bastante mais se as entidades
empregadoras, nomeadamente as do sector privado, não ignorassem as penhoras que
lhes são enviadas pelos solicitadores de execução. Significa isso que, tal como
noutras coisas, até em matéria de calotice os funcionários públicos estão a ser
discriminados. Enquanto os caloteiros que trabalham para o Estado vêem os seus
vencimentos reduzidos e são obrigados a ir pagando os calotes, quem trabalha
para a privada vai, tal como nos impostos, escapando ao pagamento das suas dívidas.
Todas as generalizações são perigosas e no que ao calote diz
respeito o perigo, dada a sensibilidade da questão, ainda é maior. São inúmeros
os casos de incumprimento devido a situações dramáticas, que fogem ao controlo
do mais precavido e que apanham de surpresa quem sempre se julgou ao abrigo
destes dramas. Divórcios, doenças, desemprego, falecimento de um dos conjugues
ou fraudes, constituirão um número apreciável deste conjunto de penhoras e
envolverão, com toda a certeza, muita gente honesta que sempre a intenção de cumprir
com aquilo a que se comprometeu.
Do que também não tenho grandes dúvidas é que a maioria desta
malta não se enquadra nas condições que acabo de descrever. É gente que pediu
créditos atrás de créditos, que não tem onde cair morta mas que, ainda assim,
entendeu que tinha o direito a fazer vida de rico. Que, diga-se, em muitos
casos, continua a fazer enquanto vai olhando para os outros do alto de um estatuto
que obviamente não tem. Por mim, que naturalmente nada tenho a ver com isso até
porque nada me devem, acho uma certa piada a alguns narizes empinados que por
aí pululam. Não pagariam o ar que respiram se este fosse pago, mas – como diria
o outro - quem os vê e ouve falar não os leva presos. Nem eu gostaria que
fossem de cana. Depois para quem é que olharia de lado quando me cruzo com
certos pavões emproados? Ou pavoas, que nisto da vigarice elas não se ficam
atrás.
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