Da
sinalização que alguns iluminados pela ignorância se lembraram de espalhar
profusamente, aqui há atrasado, pelos bairros da Salsinha, Monte da Razão e
Quinta das Oliveiras, este sinal é talvez o único que faz todo o sentido. No
entanto já foi vandalizado em diversas ocasiões. Terá, portanto, inimigos de
estimação que não suportarão a imposição de parar. Ou, então, será
outra coisa qualquer no âmbito das doenças mentais. Daquelas que alguns
insistem em classificar como vandalismo. Seja como for, a “obra” deu trabalho e
o derrube do sinal não foi uma tarefa simples. Pena que estas bestas não
concentrem as suas energias em atitudes mais cívicas. Como, por exemplo, fechar
as tampas dos três contentores situados poucos metros mais abaixo e que,
misteriosamente, NUNCA estão fechadas. Mas isso, além de constituir assunto
para outro post a publicar um destes dias, deve ser coisa que envolve muito
esforço.
terça-feira, 26 de julho de 2011
domingo, 24 de julho de 2011
Curiosidades da execução orçamental da administração local
A
síntese da execução orçamental recentemente divulgada pela Direcção-Geral do Orçamento apresenta valores, no que diz respeito à administração local, que
simpaticamente me limitarei a classificar apenas como perturbadores. Isto
porque, contrariamente ao que seria expectável, a despesa do conjunto dos municípios
não está a encolher relativamente ao ano anterior. Bem pelo contrário. Até
final de Junho a despesa, do total de toda a administração local, registou um
aumento de 2,4 por cento. Isto apesar das despesas com pessoal – os eternos
culpados – terem caído, por comparação com igual período do ano passado, em 3,3
por cento.
Estes
números não reflectem, na minha opinião, apenas má gestão por parte de quem
lidera os municípios portugueses. O caso será muito mais grave do que isso. O
que estes indicadores nos mostram é que estando o poder local muito mais perto
das pessoas lhe é praticamente impossível ir contra o que dele exigem os
eleitores e, vivendo os portugueses um estranho estado de negação da realidade,
é muito difícil a qualquer autarquia reduzir seja o que for no âmbito das suas
despesas sem ter de se confrontar com a reacção dos que se habituaram a viver,
de alguma forma, à conta do orçamento municipal. De resto apenas um totó acreditará
que um autarca, por mais corajoso ou empenhado em prosseguir uma gestão
racional da coisa pública, será capaz de olhar nos olhos os seus munícipes e
dizer-lhes que a “festa” acabou. Excepto, como os números claramente
demonstram, se os cortes forem no pessoal. Aí ninguém se importa de ser mauzão
porque sabe que a populaça fica satisfeita.
A
título de exemplo – podia ser outro, mas este parece-me sintomático – até final
de Junho, foram pagos pelas autarquias mais 9,8 milhões de euros em
transferências correntes - os vulgares subsídios - do que em período homólogo
do ano anterior. Ou seja, mais de metade da poupança gerada com a redução das
despesas com pessoal não serviu para reduzir o défice, equilibrar as contas
públicas, salvar o país da bancarrota ou, o que me parecia sério, pagar as dívidas.
Foi, antes, parar às contas bancárias dos inúmeros subsidio-dependentes,
verdadeiros peritos na arte de mostrar trabalho – tipo, sei lá, comer camarão -
com o dinheiro que lhes é dado de mão-beijada. Espero que façam bom
proveito. Na verdadeira acepção da palavra.
sábado, 23 de julho de 2011
A média é quase sempre uma má maneira de medir...
Embora os valores apresentados
nem me pareçam merecedores de grande destaque, até pela natureza das faltas em causa,
um jornal de expansão nacional resolveu fazer manchete com um estudo segundo o
qual os funcionários públicos faltam ao trabalho dezoito dias por ano. Isto em
média, claro. E o problema reside principalmente aí. Estou, assim de repente, a
lembrar-me daquela história – não sei se verdadeira mas tenho boas razões para
acreditar que sim – de um vereador de um dos maiores municípios do país,
simultaneamente detentor de um cargo numa empresa municipal e que,
alegadamente, nem sequer sabia onde ficava a sede. Embora – isto também
alegadamente – a generosa retribuição nunca tivesse deixado de ir estacionar na
sua conta bancária.
Ora um gajo destes estraga claramente a média.
Depois temos ainda aqueles fulanos que acumulam vários lugares em instituições
diferentes. Apesar de toda a genialidade que sobejamente lhes é reconhecida,
não terão o poder de estar, simultaneamente, em dois ou mais lugares. O que
constitui mais uma desgraça para a estatística. A menos – hipótese que nem ouso
colocar – esta malta não entre nestas contas.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Pagar uma vez é mau. Justo, mas mesmo justo, seria pagar duas. Ou três, vá.
Acho
piada à tese, maioritariamente aceite como boa, que defende a incidência do
imposto natalício, para além de outros ganhos, também sobre os juros de
depósitos a prazo. Para a esquerda de uma maneira geral e para grande parte dos
opinadores com direito a voz nas televisões, essa abrangência seria da mais
inteira justiça, ao contrário de, como pretende o governo, taxar apenas os
rendimentos do trabalho.
Considero,
como escrevi noutras ocasiões, que este imposto produzirá efeitos nefastos na
economia. Não vejo por isso que abranger outros rendimentos lhe
acrescente qualquer tipo de justiça. Deixemos-nos de fingimentos e hipocrisias.
Provavelmente muitos dos que vão ser abrangidos pelo corte no subsídio de Natal
possuem acções e, seguramente, a larga maioria são titulares de depósitos bancários.
Taxar estes rendimentos seria penalizar quem já vê parte significativa do seu
trabalho ir direitinha para os cofres do Estado e cobrar, ainda mais, aos
mesmos.
Nem
vale a pena espernear muito em busca de argumentos contrários ao que acabo de
escrever. Nem, sequer, armar em anjinho de pau carunchoso e acreditar que é apenas
uma minoria que detém produtos financeiros. De acordo com
os dados do boletim estatístico do Banco de Portugal, hoje divulgados, o total
de depósitos aplicados por particulares atingiu os 122.249 milhões de euros em
Maio, mais 1,386 mil milhões de euros face a Abril. Por detrás destes números
estão, forçosamente, pessoas. Que trabalharam, pouparam e investiram. Entre os
quais se encontram muitos reformados, que têm nos juros obtidos um complemento
para as suas reformas. Mas, apesar disso, há quem considere uma injustiça não
lhes sacar umas massas. Opiniões.
Reitero a minha convicção que, feito o apuramento
final, o resultado do impacto deste imposto na economia e, por consequência,
nas contas do Estado a médio e longo prazo será trágico, e tudo o que seja
alargar a tributação servirá apenas para aumentar a dimensão dessa tragédia. Mas
isso não é preocupante. Os dos costume continuarão a pagar os desvarios dos
inimputáveis do regime.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
O passado está de regresso
Desde
o final da década de oitenta - princípio dos anos noventa do século passado, vá
- até há dois ou três anos atrás, era raríssimo ver ciganos nómadas por estas
paragens. Agora, carroças repletas desta gente, são uma presença constante nas
estradas do distrito de Évora. Não sei a que se deve tão estranho fenómeno mas,
de verdade, não me agrada. Nem é por serem feios, porcos e, possivelmente,
maus. Nada disso. O meu desagrado tem mais a ver com as memórias de um tempo em
estas caravanas eram constituídas por muitas mais carroças e integravam largas
dezenas ou centenas de pessoas que, à sua passagem, iam roubando o que podiam.
Quase sempre a pessoas que pouco mais tinham do que eles, diga-se.
É
a memória desse tempo, que parece prestes a regressar, que me causa um certo
calafrio e me provoca, perante este cenário, um sentimento de déjà vu. Espero
estar enganado e este não constitua mais um sinal de que estamos em claro
processo de regressão social. Admitamos, antes, que esta malta aprecia a
natureza, possui um indomável espírito de liberdade e que prefere levar a vida
a passear. Admitamos. Até porque por estas bandas nem há areia onde possamos
esconder a cabeça.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Crise de valores
Sempre
considerei que é preciso um enorme descaramento e uma colossal falta de vergonha – assim mesmo, sem nenhum conjunto de palavras pelo meio que possa dar
azo a interpretação diversa – para pedir, que é como quem diz exigir, um subsídio
a uma instituição pública para realizar uma festa, fazer uma jantarada ou
promover um qualquer evento semelhante. Na actual situação em que
vivemos vou ainda mais longe. Continuar a exigir – quase encostar os autarcas à
parede, não é mera figura de retórica – apoios para os mais variados disparates
que dirigentes associativos idealizam, constitui um acto lesivo do interesse de
todos os portugueses e que me enoja profundamente. A existência de dinheiro
público a financiar cantorias e cambalhotas, bejecas, camarão ou frango assado é,
principalmente numa altura como a actual, um verdadeiro escândalo que devia
envergonhar a todos os que, em alguma parte do processo, tem uma palavra a
dizer.
Quando
se solicitam estes apoios, são evocados motivos aparentemente muito nobres que
justificam a sua concessão. Desde o interesse público até coisas realmente
imaginativas, como a promoção e a divulgação do concelho em causa. Seja lá o que for que isso queira dizer.
Presumo que terá sido nesse contexto que os “Amigos da Festa Brava”, certamente
uma associação de reconhecido interesse público e que eventualmente promoverá o
concelho onde está sediada, ganharam quase oito mil e duzentos euros de subsídio
atribuído pela Câmara lá da terra. No entanto, nessa mesma terra, muitas famílias
deixaram de receber abono de família, pagam bastante mais irs e vão ver parte
do seu subsídio de Natal ser absorvido pelo imposto natalício. É a crise. De
valores.
domingo, 17 de julho de 2011
Um pelo preço de dois
Numa
loja de electrodomésticos de uma conhecida cadeia de hiper-mercados, enquanto
aguardava a minha vez de pagar, decorria na caixa ao lado um dos mais
interessantes negócios a que já tive a oportunidade de assistir. Um casal tinha
acabado de adquirir uma arca congeladora e, como medida de protecção adicional
à garantia, o vendedor propunha-lhe a subscrição de um seguro que, durante
cinco anos, cobriria toda a espécie de azares que pudessem acontecer ao aparelho.
Pela módica quantia de três euros e sessenta por mês. Uma insignificância quando
comparada com a tranquilidade proporcionada, acrescentava. Qualquer coisa como
duzentos e dezasseis euros no final dos sessenta meses, se nos dermos ao trabalho
de fazer a conta.
Ao contrário do que seria de esperar, o casal – aparentemente de condição humilde, mas com idade
para ter juízo - não demorou muito tempo a concluir pela aceitação da proposta
do vendedor e, assim de repente, levar um electrodoméstico para casa e assumir
o compromisso de pagar outro. Perante um cenário como o descrito anteriormente não
é difícil concluir que os portugueses se deixam convencer com facilidade,
manifestam uma confrangedora iliteracia financeira e uma preocupante
inabilidade para fazer contas. Assim não vamos lá. Contudo ajuda a explicar
porque chegámos até aqui.
sábado, 16 de julho de 2011
Uma "brasa" no Ministério da Agricultura (*)
Mesmo
colocando as mais sérias reservas quanto à sua eficácia, aplaudo as medidas
implementadas pela nova Ministra da Agricultura visando a optimização dos
recursos energéticos pelos serviços do seu ministério. Se, por um lado, tudo o
que envolve poupança me parece bem, já, por outro, não se me afigura que o
simples facto de deixar de usar gravata e, por isso, poupar no ar condicionado
resolva grande coisa. Até porque a ministra já manifestou publicamente a sua
condição de friorenta, o que não augura nada de bom quando, lá mais para o
Outono, as temperaturas começarem a baixar. A menos que, por essa altura, seja
emitida alguma ordem de serviço a aconselhar os funcionários a incluir na sua
indumentária gorros, cachecóis, luvas, sobretudos e ceroulas. Ou, fica a
sugestão, os serviços do ministério distribuam uma mantinha a cada colaborador.
De preferência daquelas artesanais para estimular a economia das zonas rurais.
O
que, de todo, me desagrada é que a alegada poupança tenha apenas como alvo a
gravata. Ou, visto de outra forma, que apenas o pescoço masculino mereça ser
aliviado dos apertos a que normalmente está sujeito nos gabinetes e corredores
institucionais. Surpreende-me que as feministas de serviço, os mais variados
grupos pela igualdade e, até, o Bloco de Esquerda, não tenham ainda vindo
reclamar pela institucionalização do decote generosamente mais amplo ou da saia
mais curta. Tudo, claro, em nome da poupança, da redução da pegada ecológica e,
principalmente, do direito das mulheres a arejarem aquilo que muito bem
entenderem.
(*)
Pelo conteúdo do texto percebe-se claramente que a “brasa” a que me refiro é a
temperatura. Nada de más interpretações que o respeitinho é muito bonito e isto
é um blogue sério.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Fogaréu
Faz-me espécie que, ano após ano, este cenário se repita nesta zona da cidade. Há, pelo menos, vinte e dois anos que em cada Verão os incêndios em redor das muralhas ocorrem com inusitada frequência. Que, refira-se, apenas não é estranha à força de tanto se repetir.
Não existe por ali nada que potencie, mais que em qualquer outro local, o risco de incêndio. Nem, que se saiba, nada que interesse queimar. Daí não se perceber o que motivará o constante arder daqueles pastos. A não ser que estes – coisa difícil de acreditar – possuam invulgares características capazes de provocar a sua combustão espontânea.
Se calhar, digo eu que não percebo nada de fogueiras, o melhor será mesmo deixar arder tudo de uma vez. A menos que se pretenda que estes pequenos focos de incêndio sirvam como teste à prontidão e capacidade operacional das forças competentes para intervir nestes assuntos. O que, bem vistas as coisas, até nem parece mal de todo.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Um coice na crise?
Esta imagem poderá revelar-nos que estaremos já em fase de retoma económica ou, pelo contrário, que regressámos ao tempo em que – presumo, porque não vivi nessa época – se comercializavam muares no principal largo da cidade. Seja como for, é de saudar o espírito de iniciativa destes comerciantes que resolveram mostrar as suas alimárias a eventuais compradores.
Será, talvez, também um sinal que o regresso à terra – à lavoura, vá – está para breve. Quem sabe, com recurso aos métodos mais tradicionais e amigos do ambiente. Ou, vistas as coisas noutra perspectiva, poderão constituir uma alternativa aos actuais meios de transporte. Dispensam seguro, não gastam combustíveis fósseis e são fáceis de estacionar. Apesar disso desconfio que não terão grande sucesso no negócio. De resto só um parvo iria comprar uma mula a um cigano quando pode ter um jipe à borla. Ou com pouco trabalho e alguma ciganice. E os lavradores, como se sabe, não são nada parvos.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Patriotas, mas só relativamente.
O
patriotismo evidenciado pelos portugueses desde que a Moody's
considerou a divida lusa como lixo é deveras enternecedor.
Comovente, até. A maioria de nós descobriu, assim de repente e sem
que nada o fizesse prever, uma repentina paixão patriótica. Quase
tão intensa como naquele longínquo Verão de 2004 em enfeitámos
tudo e mais alguma coisa com bandeirinhas nacionais. Daquelas
compradas nas lojas dos chineses.
Apesar
de achar alguma piada às tentativas de chatear os gajos da Moody's –
ao ponto de também ter acedido e feito refresh inúmeras vezes no
site da organização - e admitindo que as agências de notação até
podem ser uns chatos do caraças, insisto, tal como escrevi aqui, que
a culpa é quase exclusivamente nossa. Ninguém nos obrigou a pedir
dinheiro emprestado. Nem, ainda menos, a não regularizar
atempadamente os nossos compromissos. Só em processos de acção
executiva a aguardar cobrança admite-se que estarão mais de vinte
mil milhões de euros. Sensivelmente um terço da chamada ajuda
externa recentemente negociada. Coisa pouca, portanto.
Admito
que, sem a quantidade astronómica de dinheiro que nas últimas
décadas desaguou no país, a nossa vida não seria a mesma coisa.
Provavelmente não teríamos auto-estradas onde passam quase tantos
veículos quantos os passageiros que embarcam ou desembarcam no
aeroporto de Beja. Não haveria um campo de futebol relvado em cada
aldeia e o Tony Carreira, certamente, daria menos concertos. Não
teria sido construído um parque habitacional suficiente para
acomodar vinte cinco milhões de habitantes nem, quase de certeza,
veríamos qualquer gaiato ranhoso com o pai desempregado e a mãe no
rendimento mínimo a manusear um telemóvel de última geração. Não
era, de facto, a mesma coisa. Mas, se calhar, não era pior.
domingo, 10 de julho de 2011
Deve ser uma espécie de montra...
O
dono deste veiculo pesado quer livra-se dele. Provavelmente já não
é útil à sua actividade, pretende realizar algum capital ou,
então, terá uma qualquer outra razão que não vem ao caso para o
colocar à venda. É lá com ele. Está no seu direito e não temos
nada a ver com isso. Principalmente quando – obviamente também é
coisa que nem questionamos – terá pago todas as licenças que o
habilitam a ter um bem em venda num espaço público.
O
que já me parece questionável é a necessidade da viatura estar
ali. Precisamente ali. Não mais à frente, ao lado ou mais atrás,
mas exactamente naquele local que antes era ocupado por uma
inoportuna pernada da árvore. Entretanto removida, como se pode ver
na imagem, para dar lugar à camioneta que alguém pretende vender. Ramo esse que, como se pode constatar, nem se deu ao trabalho de colocar em local que pudesse ser recolhido pelos serviços de limpeza. Foi, como é visível, direitinho para a berma da estrada nacional.
Pertinente
é, igualmente, o sentimento de impunidade que permite a alguns terem
este tipo de comportamento. São muitos e muitos anos a cometer todo
o tipo de tropelias impunemente. Danificar propositadamente uma
árvore, plantada na via pública, com o intuito fútil de estacionar
um camião pode ser coisa pouca. Constitui, no entanto, uma atitude
reprovável e bem elucidativa do que, até nos mais pequenos pormenores, é hoje a bandalheira em que se
tornou o nosso país.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
"Portantos, ainda hadem vir mais!"
Um
homem muda de mulher, de partido, de opinião, de religião e,
alguns, até de sexo. No entanto, por uma qualquer deficiência de
fabrico que a ciência se revela incapaz de explicar, não consegue
mudar de clube. Algures durante o processo de crescimento torna-se
adepto de uma agremiação desportiva e, queira ou não, nunca mais
se livra dessa paixão. O que é pena.
Por
mim, benfiquista desde sempre, nomeadamente do tempo em que não era
dado a estrangeiros o privilégio de vestir a camisola do glorioso, é
particularmente doloroso ver aquilo em que se está a tornar o maior
clube português. Despedem-se os jogadores que ainda constituíam as
poucas e vagas referências e mandam-se vir charters de
pseudo-craques do outro lado do Atlântico. Quase sempre de qualidade
inversamente proporcional ao dinheiro que custam.
Nem
sei – e para dizer a verdade prefiro nem saber – se, entre as
largas de artistas do pontapé na bola, haverá por lá meia dúzia
que tenha nascido cá pelo rectângulo. Provavelmente esta obsessão
do treinador por gente de fora e a pressa que manifesta em despachar
os poucos portugueses, terá a ver, mais do que com opções
técnico-tácticas, com a pouca vontade de ter no balneário
jogadores que não conseguem evitar um sorriso trocista quando o
ouvem falar. Consta que o homem prefere os estrangeiros porque, pelo
menos ao principio, não se apercebem das suas constantes calinadas.
O
meu benfiquismo passou incólume por catorze anos sem títulos.
Suportei estoicamente goleadas de cinco ou sete golos e outras
humilhações igualmente penosas. Receio, contudo, que fique abalado
por esta pré-época. E um sinal preocupante que isto pode estar a
acontecer é quando dou por mim a fazer zapping logo que, nos
telejornais, surgem noticias do Glorioso. Exactamente o mesmo que
faço quando os noticiários se referem a Andrades e Lagartos. Terei de certeza,
lamento pensá-lo e ainda mais escrevê-lo, alguma dificuldade em vibrar com uma equipa que
se apresentará no relvado sem jogadores portugueses. Coisa que não
se vê nem na Roménia ou em Chipre.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
São lixo?! E foi preciso pagar para saber isso?!
Mas
porque raio há-de uma Câmara Municipal ser avaliada por uma agência
de notação financeira?! Por mais que me esforce não consigo
enxergar uma única vantagem para os munícipes dos municípios
avaliados e, se a lei não mudou desde ontem, os segundos apenas
existem para satisfazer as necessidades dos primeiros. Neste caso nem
os argumentos muito rebuscados, que os autarcas – e os políticos,
de uma maneira geral – costumam utilizar para justificar decisões racionalmente injustificáveis, servem de fundamento. A menos que nos queiram provocar, de
tanto riso, uma valente dor de barriga.
Não
estou por dentro dos preços – por acaso nunca me ocorreu entrar
nesse ramo de negócio – mas, calculo, um servicinho deste género
não deve sair nada barato. Será, acredito, tão caro quanto inútil.
Até porque, por melhor que fosse a classificação obtida, não
serve para nada. É, por isso, muito bem feito que as Câmaras que o
solicitaram tivessem sido consideradas como lixo. Estavam mesmo a
pedi-las.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Agências de rating prestes a considerar divida portuguesa como "merda de cão"
Provavelmente
serei dos poucos que não embarcam nessa nova moda nacional de dizer
mal das agências de rating, que de repente transformou cada
português num auto-proclamado especialista em análise de risco de
investimento. Até porque “lixo” ainda não me parece
suficientemente grave. Por mim apenas vou ficar aborrecido – mas
mesmo assim só um bocadinho - quando a divida nacional for
classificada como ”merda de cão”. Grau que, por este andar, não
demorará a atingir.
Não
sei se as tais agências erram ou não muitas vezes nas apreciações
que fazem. Desconfio que não. Se assim fosse, se calhar, já não
tinham clientes. A menos que a estes perder dinheiro desse um
especial gozo. É verdade que falharam redondamente quando
recomendavam como bom negócio o tal banco que faliu lá para as
Américas mas, que diabo, de gente que se engana de forma ainda mais
redonda estamos todos nós mais que fartos.
Assim,
de repente, nada me ocorre que possa ter causado tanta perplexidade
na classificação da divida portuguesa como lixo financeiro. Isto,
mal comparado, é como se eu for todos os meses ao banco pedir um
empréstimo para manter o nível de vida a que estou habituado e,
simultaneamente, o meu rendimento mensal não parar de ficar cada
vez mais reduzido. Nestas circunstancias será perfeitamente normal
que o fulano do banco – provavelmente um rapazola, escondido atrás
de um computador e, quase de certeza, com ar de fuinha – comece a
desconfiar da minha capacidade de cumprir com o pagamento e, às
tantas, é gajo para me considerar um cliente de alto risco.
Nada
disto acontecia se não recorrêssemos sistematicamente ao crédito e
nos limitássemos a viver à medida da nossa capacidade de gerar
riqueza. Ou, dito de outra maneira, não quiséssemos armar naquilo
que não temos dinheiro para ser. Aí estaríamos-nos nas tintas para
as tais agências, podíamos mandar os mercados dar uma volta e rir
na cara dos especuladores. Mas não. Nós somos mesmo assim. Não
gostamos é de ouvir a verdade.
terça-feira, 5 de julho de 2011
O ordenado da senhora FMI
Nada
tenho contra os ordenados chorudos que por aí se vão praticando. É
por isso que não partilho da indignação que assola uns quantos
comentadores, relativamente ao vencimento a auferir pela senhora
francesa que vai chefiar o FMI. Há que ser realista. Está em causa
uma instituição que opera à escala planetária, que movimenta uma
quantidade inimaginável de dinheiro pelo que, assim sendo, o cargo deve
ser principescamente pago. O que, bem vistas as coisas, nem é o caso.
Principalmente se tivermos em conta que a gaja vai ganhar menos que o
chefe máximo da Caixa Geral de Depósitos. Um banco que, segundo
julgo saber embora isso não seja relevante para o caso, nem estará
entre os cem maiores bancos do mundo. Portanto, nem mesmo pensando à
nossa dimensão, se pode considerar que a criatura tenha um salário
por aí além. Dá para ir vivendo, mas não é lá grande coisa.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Ajudar os "desgraçadinhos" é prioridade nacional
Em
tese será muito defensável a ideia de que uma redução
significativa da Taxa Social Única, paga pelas empresas sobre a
remuneração dos trabalhadores ao seu serviço, contribuirá para
aumentar a competitividade da economia portuguesa. Supõem os
defensores desta ideia que a diminuição de encargos com o factor
trabalho terá reflexos nos custos finais dos produtos ou serviços
comercializados o que, por consequência, se traduzirá por preços
mais baixos. O que significa, ainda para quem defende esta tese, que
as empresas exportadoras ficarão em melhores condições de
concorrer no mercado externo. Internamente os benefícios também se
farão sentir porque, garantem os apoiantes da ideia, será possível
produzir a preços mais competitivos para o mercado interno e, assim,
diminuir as importações.
Só
vantagens, portanto. Estamos em presença de um plano quase perfeito.
Engendrado, talvez, por um génio da táctica. Assim a modos que uma
espécie de Mourinho da economia. Confesso que até o meu aguçado
espírito critico se depara com inesperadas dificuldades em
encontrar pontos fracos, ou criticáveis, em ideia tão brilhante.
Digamos que apenas um pequeno pormenor me inquieta. Muito
ligeiramente, é certo, mas ainda assim não me deixa inteiramente
descansado. Que é o facto de em Portugal os patrões – o que
raramente é sinónimo de empresário – serem, na sua imensa
maioria, portugueses. Trata-se de uma classe constituída, em grande
parte, por aldrabões, broncos e semi-analfabetos, sempre prontos a
enganar tudo e todos. Seja o Estado, os trabalhadores ou os clientes.
Daí que não me espantaria se, a verificar-se a prometida redução
da TSU, ela fosse encaminhada, ao contrário do pretendido, para o
aumento da importação. De Ferraris, uísque, brasileiras e tudo o
mais que ocorra à fértil imaginação do patronato nacional.
domingo, 3 de julho de 2011
O Estado é um gordo comilão que recusa fazer dieta
Prevê-se
que a metade do subsidio de natal convertida em imposto renda aos
cofres do Estado qualquer coisa como oitocentos milhões de euros.
Pecúlio indispensável, dizem, ao cumprimento das metas do défice.
Será, também, uma espécie de adiantamento. Quando o Costa do BPN -
e restantes amigalhaços - forem condenados a pagar ao Estado cada
euro que este já injectou, mais os mil milhões que se prepara para
injectar, naquele arremedo de banco, seremos todos reembolsados. E
com juros, naturalmente.
Por
sua vez a RTP custa aos contribuintes um pouco mais de trezentos e
trinta e quatro milhões de euros por ano. No entanto, em nome dos
interesses das estações privadas, não se pode privatizar e, assim,
aliviar desse fardo quem ainda vai pagando impostos. Ia estragar o
negócio ao tio Balsemão e aos chatos da TVI que, lixados como são, eram gajos
para ir buscar outra vez a Manuela Moura Guedes. Ou porque, dizem
outros, é fundamental manter um serviço público de televisão.
Por
mim estou claramente dividido. Sem décimo terceiro mês ainda
consigo sobreviver, mas quem me tira o inenarrável “Último a
sair”, ou aqueles programas com parolos aos berros que preenchem as
manhãs e as tardes do canal público, tira-me tudo. Isso sim é que é
serviço público. Mas, por outro lado, o graveto dava-me um jeitão
do caraças. É que sem ele vou ter de passar a beber Cergal...
sábado, 2 de julho de 2011
Assalto ao pote
Mudar
de vida nem sempre é fácil. Principalmente quando essa mudança é
para pior. A isso chama-se por cá passar de cavalo para burro e,
naturalmente, constitui uma alteração pela qual ninguém gosta de
passar. Infelizmente vivemos um dos momentos mais difíceis das
ultimas décadas e, queiramos ou não, estamos a ser obrigados a
mudar radicalmente os nossos hábitos. Por mais que não concordemos.
O pior que podemos fazer é assobiar para o lado, continuar a
proceder como até aqui e manter o estado de negação da realidade a
que temos vindo a assistir nos últimos meses.
Poucos
são, pelo menos a julgar por noticias que se vão lendo ou ouvindo,
os que parecem ter consciência desta realidade. Veja-se o caso de um
grupo de cristãos, de uma localidade do interior do país, que não
esteve com mais aquelas e vá de pedir um subsidio, no valor de
trezentos euros, à autarquia lá do sitio, para a realização de um
passeio cultural e de recreio dos mais directos colaboradores da
comunidade cristã ao monumento do Cristo Rei, em Almada. Subsidio
que, naturalmente, foi concedido.
Não
está em causa o valor, quase insignificante, do apoio concedido. O
que me espanta é a distinta lata de um grupo de pessoas que resolve
ir passear e pedir para isso financiamento público. Não está
igualmente em questão a legitimidade da atribuição do referido
subsidio. O exemplo que é transmitido, por quem pede e por quem dá,
é que me parece absolutamente deplorável. Se, em lugar de trezentos
euros, fossem trinta mil que se destinassem a apoiar em termos de
saúde, alimentação ou para suprir outras carências de quem
realmente necessita, seria uma iniciativa louvável que revelaria a
preocupação de todos os envolvidos com as necessidades dos seus
semelhantes. Assim dá quase a impressão de que, uns e outros,
parecem ter manifesta dificuldade em perceber que o dinheiro público
não pode servir para satisfazer prazeres pessoais. Por mais pequenos
que sejam.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
E o burro sou eu?!
Mário
Soares terá dito em certa ocasião, à laia de justificação para
alguma incoerência no seu discurso, que apenas os burros não mudam
de ideias. É uma tirada que gosto de citar, até porque não tenho
receio absolutamente nenhum de mudar de opinião quando me demonstram
– ou descubro por mim – que estou equivocado. Há, no entanto,
assuntos acerca dos quais ninguém me consegue “desmontar da
burra”. Por mais que ilustres entendidos nas matérias alvo da
minha casmurrice se esforcem em demonstrar quanto o meu entendimento,
relativamente à matéria em apreço, apresenta graves falhas. Pode,
até, ser assim. Aceito que, sendo um leigo em quase tudo –
ignorante, vá – não terei grandes argumentos académicos para
contraditar os detentores da sabedoria. O pior – infelizmente,
porque nem sempre fico satisfeito por ter razão – é que o tempo
acaba por demonstrar que, afinal, os experts não são assim tão
espertos.
Vem
isto a propósito do programa de governo apresentado hoje.
Nomeadamente da ideia peregrina de criar um imposto extraordinário
sobre o subsidio de natal. Ando há anos a escrever neste blogue –
e noutros espaços onde vou mandando uns bitaites – que não será
retirando dinheiro às famílias, seja aumentando impostos, baixando
salários ou inventado outras manigâncias, que o problema do défice
do Estado se resolve. Esta receita é velha e está mais que provada
a sua ineficácia perante os objectivos que quem a implementa
pretende atingir. Basta ver que tem sido aplicada continuamente nos
últimos dez anos com o sucesso que se conhece.
Ainda
assim Passos Coelho e os restantes rapazolas que o rodeiam insistem
em trilhar este caminho. Com o aplauso, quase envergonhado, de muita
gente com idade para ter juízo. Uns e outros deviam saber que existe
um ponto a partir do qual as pessoas não estão dispostas a pagar
mais impostos. Ou não querem. Ou não podem. Ou, como dizia um que
também revela uma especial queda para o bitaite, há limites para os
sacrifícios. E esse ponto está prestes a ser deixado para trás.
Com as consequências que não são difíceis de imaginar. E o burro
sou eu?!
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Parecenças e desconfianças
Repete-se
até à exaustão que Portugal não é como a Grécia e que as
realidades dos dois países não são comparáveis. Há um ano, pelo
menos, que ando a ouvir esta conversa. Não sei porquê, desconfio.
Longe de mim pensar que o facto de andarmos uns meses atrasados em
relação ao gregos, no que diz respeito intervenção do FMI e
associados, não seja mais do que uma simples coincidência. Ou,
sequer sugerir, que os pormenores que vão sendo conhecidos acerca do
delírio colectivo que afectará a sociedade grega têm a mais leve
parecença com a realidade nacional.
Provavelmente
inspirada por uma reportagem publicada pelo jornal espanhol El Mundo
há cerca de uma semana, a escandalizada repórter TVI em Atenas
anunciava, como exemplos do que teria contribuído para o actual
estado de coisas, que um hospital com três árvores no pátio teria
quarenta e sete jardineiros, um organismo que dispõe somente de uma
viatura terá ao seu serviço quase meia-centena de motoristas, que
as filhas solteiras de funcionários públicos falecidos auferem uma
pensão vitalícia de mil euros mensais e que um em cada quatro
gregos não pagam impostos.
Nada
disto, obviamente, ocorre por estas paragens. As noticias do que por
cá se vai passando, dão-me apenas conta da existência de hospitais
com muitos mais administradores do que jardineiros contratados em
regime de outsourcing. Ou, quase todos os dias, da renovação
completa da frota automóvel – invariavelmente topo de gama – de
mais uma empresa pública. De vez em quando surge também uma ou
outra noticia mais discreta que revela estimativas onde se considera
que a economia paralela representará perto de vinte cinco por cento
do PIB. Ciclicamente vão igualmente surgindo informações sobre
quanto o país gasta com os políticos - aqueles que adquiriram o
direito, porque para os outros a mama já acabou - que se vão
aposentando após oito penosos anos de actividade. A maioria, ao que
se sabe, vale por algumas celibatárias gregas.
Como
está fácil de ver, não há mesmo comparação possível entre a
Grécia e Portugal. Eu é que sou desconfiado.
domingo, 26 de junho de 2011
Não será pedir demais?
Talvez
por o número de cães existentes nas zonas urbanas, partilhando o
mesmo espaço que as pessoas, constituir já uma calamidade, são
cada vez mais aqueles a quem desagrada a javardice em que se tornaram
os passeios, zonas ajardinadas e outros espaços públicos, provocada
pela falta de civismo, higiene e educação de grande parte dos
donos.
Daí
não surpreender que, de vez em quando, surja um ou outro conflito,
ou troca de opiniões mais exaltada, entre o gajo – ou gaja - que
passeia o canito e não recolhe o presente que este deixou e alguém,
mais consciente do seu direito a ter uma rua limpa, que lhes chama a
atenção. Uma imensa maioria prefere, por enquanto, ir chamando
nomes em surdina, reclamando contra as autoridades que nada fazem ou
deixando recados. Como este, que fotografei numa rua de Estremoz.
sábado, 25 de junho de 2011
Estacionamento tuga
Este
não é um típico estacionamento tuga. Vai além disso. Envolve uma
“garagem” improvisada visando proteger o pópó do tórrido sol
alentejano que fustiga, sem dó nem piedade, o indefeso rodinhas.
Está, reconheço, bem pensado. Melhor só se a coisa fosse portátil,
coubesse na bagageira e pudesse ser montada e desmontada sempre que
houvesse necessidade da viatura se deslocar. Isso é que era uma
grande ideia.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Falência com muita técnica
O
número de famílias que declararam insolvência está a ter um
aumento assinalável relativamente ao ano anterior. Embora as
circunstâncias que levam um agregado familiar a optar por pedir
ajuda ao tribunal possam ser muito respeitáveis, acredito que, pelo
menos em algumas situações, estaremos perante mais um caso de
chico-espertismo tão característico na sociedade portuguesa.
Quem
é declarado insolvente vê a sua vida ser gerida, durante cinco
anos, por alguém nomeado pelo tribunal. Durante este período, em
principio, os seus rendimentos ou eventuais bens que possua, serão
preferencialmente utilizados para saldar as dividas acumuladas. O
que, convenhamos, para quem nada tem de seu, ganha pouco e deve
muito, constitui um verdadeiro euro milhões. Até porque, findo este
prazo, fica completamente livre de dividas e nada o impede de voltar
ao antigo estilo de vida.
Trata-se,
portanto, de mais uma genialidade legislativa em que o infractor sai
nitidamente beneficiado. Nem se pense que o credor – o gajo que se
lixa nesta história - é sempre o malvado do banco e que é muito
bem feito para não serem alarves e andarem por aí a obrigar as
pessoas a contrair empréstimos. Pode ser qualquer um. Desde o fulano
da mercearia da esquina, que graças aos devedores não consegue
cumprir as suas obrigações, ao senhorio que alugava a casa e vê a
vida andar para trás porque o investimento que fez num apartamento
para alugar acabou, afinal, por ser mais rentável para os aldrabões
a quem o arrendou do que ao próprio.
Como
comecei por referir, as razões que levam alguém a percorrer este
caminho podem ser do mais atendíveis que se possa imaginar.
Acredito, também, que não será uma situação fácil de viver e
pela qual a esmagadora maioria não gostaria de passar. Mas, como
dizia o outro, para quem não tem vergonha é uma barrigada de rir. E
desses – dessas, também – não faltam por aí.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Como exemplo não está mal...falta o resto!
Embora
aplauda a decisão de não nomear governadores-civis, apenas lhe
reconheço algum mérito se, daí, resultarem consequências e os
dezoito representantes do governo, bem como o inevitável gabinete de
apoio pessoal, cessarem efectivamente funções e rumarem a outras
paragens. Se assim não acontecer estaremos apenas na presença de
uma tentativa de dar o exemplo de contenção e de austeridade. O
que, constituindo um sinal interessante, é manifestamente pouco.
Não
falta quem entenda este anuncio como uma cedência ao populismo
fácil. Os mesmos, provavelmente, que justificam outros cortes com
pragmatismo. É verdade que a poupança não será grande. Nem,
tão-pouco, será por esta via que os cofres do Estado estancarão a
sangria de recursos públicos. Mas, para além de constituir o
primeiro passo para o fim de uma estrutura de utilidade mais que
duvidosa, é bom que se façam outro tipo de contas. Nomeadamente que
apenas os vencimentos e encargos dos governadores-civis e respectivo
staff equivalem à transferência anual, prevista no Orçamento do
Estado, para mais de cem freguesias. As tais que - é bom não
esquecer - a troika e os partidos que assinaram o acordo, se preparam
para extinguir.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Coisas do além
Que
um médico vivo passe receitas a um paciente morto – poucos mortos
revelarão sinais de impaciência, diga-se – não constituirá
surpresa de monta. Estou mesmo em crer que a Ordem dos Médicos, o
Sindicato ou qualquer outra estrutura representativa da classe, terá
uma explicação mais ou menos lógica para o acontecido.
Embora
mais difícil de justificar, também o curioso fenómeno de médicos
falecidos continuarem a emitir receitas a doentes vivos, merecerá
uma justificação mais ou menos convincente. Por mim nem acho mal
que tal aconteça. Face à falta de médicos com que o país se
debate não nos podemos dar ao luxo de prescindir deles. Nem pelo
facto insignificante de já terem batido a bota.
Menos
normal me parece – acho até que é mais coisa para o paranormal,
as ciências ocultas ou actividades afins – que médicos mortos
prescrevam medicamentos a doentes que também já adquiriram o
estatuto de defunto. Principalmente quando em causa estão fármacos
que custam os olhos da cara. Mesmo daqueles que a terra há muito já
comeu.
Acredito,
ainda assim, que entre médicos, farmacêuticos, doentes,
investigadores, políticos e juízes – se fôr caso para tal – se
concluirá que tudo se regeu pelos mais elementares princípios
deontológicos e que, bem vistas as coisas, o Estado ainda poupou
muitos milhões de euros. Ou então que a culpa foi do morto.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
E o estado de graça, pá?!
Logo
após serem conhecidas a composição e a estrutura do governo,
politólogos, comentadores habituais, conceituados analistas e gente
em geral, ultrapassando o costumeiro estado de graça de que os
governos desfrutam, desataram à procura de qualquer coisa que
servisse para dizer mal do executivo acabado de anunciar.
Falta
de experiência politica foi a primeira critica – generalizada,
quase - que se ouviu. Apesar de mais de metade dos membros do futuro
governo fazerem parte das máquinas partidárias há largos anos, nem
dessa coisa da experiência politica nunca ter faltado em governos
anteriores com os resultados que se conhecem. Logo, a menos que eu
esteja a ver mal, ainda podemos ter uma pequena réstia de esperança
nos quatro ou cinco “maçaricos” que se aprestam para iniciar
funções governativas.
A
inexistência do Ministério da Cultura constitui, também, objecto
de critica. Até uma cidadã espanhola a quem as televisões,
inexplicavelmente e sem razão que o justifique, vão dando palco, se
achou no direito de criticar as opções seguidas nesta matéria por
um governo estrangeiro. Estrangeiro, para ela bem entendido. Por mais
que desagrade aos que estão habituados a mamar na teta cultural esta
é, igualmente, uma boa opção e que merecerá o aplauso de todos os
que sabem que tarantantam não enche barriga.
Já
o inevitável Jerónimo lamentou que, pela primeira vez desde tempos
imemoriais, não exista o Ministério do Trabalho. Desilude-me cada
vez mais este camarada. Esperava eu - mas se calhar é culpa minha e
das elevadas expectativas que às vezes deposito nas pessoas –
ouvi-lo protestar veementemente por, mais uma vez, o governo, cedendo
aos interesses do grande capital, não instituir o Ministério do
Descanso e ele sai-se com esta. Tá mal, camarada!
domingo, 19 de junho de 2011
O que faz falta...
É
isto, segundo uma força politica habitual concorrente a eleições e
que - por mais estranho que possa parecer - até reúne votos
suficientes para estar representada no parlamento, faz falta ao país.
Não consta que quem entende serem estas as necessidades dos
portugueses esteja internado para tratamento ao evidente estado de
degradação mental. Pelo contrário, parecerá até uma coisa muito
moderna e própria de uma mente muito aberta, evoluída e onde as
aranhas não constroem teias. De esquerda, portanto.
Haverá,
presumo, outros que comungarão a premência destas ideias. Por mim
nem perco tempo a tecer considerandos. Mas vou ficar atento a
eventuais frangos do guarda-redes do Porto quando tiver de enfrentar
remates dos laterais do Sporting. Que isto depois da fruta e do leite
com chocolate já nada me surpreende.
sábado, 18 de junho de 2011
Regresso ao passado
Acho imensa piada àquilo a que, muitos municípios, resolveram apelidar de “balcão único”. Não porque a ideia me pareça descabida ou a sua implementação não possa contribuir para uma melhoria significativa do atendimento ao público, nem, ainda menos, queira pôr em causa uma opção perfeitamente legítima de cada autarquia. Nada disso. O que me faz rir é a forma como é anunciada a sua criação e o orgulho inusitado que o respectivo município exibe perante o que considera ser uma genial inovação. Ainda por cima com inauguração solene e a inevitável comparticipação comunitária ou, na ausência desta, ao abrigo de um qualquer generoso protocolo com a administração central.
O cómico da coisa, se não fosse trágico, é que não se trata de nenhuma inovação. A centralização do atendimento ao público num único local não é mais do que o regresso ao que, até há vinte cinco ou trinta anos, existia em todos os municípios de pequena dimensão e não era raro encontrar mesmo nos de média dimensão. Nessa altura existia aquilo a que se chamava “secretaria” onde funcionavam, de forma concentrada, todos os serviços municipais de carácter administrativo. Só a partir do inicio da década de oitenta do século passado se iniciou uma descentralização, mais ou menos acentuada conforme os casos, e que permitiu dotar as autarquias, mesmo as mais pequenas, de múltiplos cargos dirigentes e de outros figurões que fazem tanta falta numa autarquia como um solário em África.
Reitero que considero o “balcão único” uma boa solução. Mas todo o alarido em torno desta solução de atendimento, como se fosse uma grande e original ideia que até chateia de tão grande e tão original que é, não passa de provincianismo bacoco e própria de vendedor de banha da cobra. Assuma-se, antes, que o modelo seguido nas últimas décadas falhou, que foi construído com base noutros interesses que não o dos munícipes e que estamos agora de regresso ao passado. Falar verdade nem sempre é fácil e o povo raramente gosta, mas, por mais difícil que seja a tarefa, é tempo de o começar a fazer.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



