sábado, 17 de julho de 2010

Grandes negócios

Uma curta passagem pela feira de velharias constitui uma das minhas rotinas de sábado de manhã. Não que seja habitual - nem sequer esporádico - comprador de antiguidades ou que perceba alguma coisa acerca do valor histórico do material à venda. Vou mais movido pela curiosidade porque, a cada semana, é sempre possível dar de caras com a peça mais improvável ou assistir, pelo canto do olho e assim como quem não quer a coisa, a um ou outro negócio estrambólico. Daqueles em que um cigano vende um prato rachado, resgatado do lixo, a um qualquer pacóvio lisboeta por cento e cinquenta euros e este ainda acha que é uma grande pechincha. 
Na feira encontra-se de tudo. Ou quase. E esse é um dos seus maiores motivos de interesse. Livros, moedas, bordados, móveis e lixo do mais variado são, digamos assim, os objectos mais normais com que nos podemos deparar. Porque depois há os outros. Os de utilidade duvidosa e os de origem ainda mais duvidosa do que a utilidade dos primeiros.
É no grupo de coisas acerca das quais colocamos muitas reservas quanto à sua utilidade que se pode integrar esta bomba de gasolina – julgo que a traquitana dará por este nome – hoje exposta na dita feira. Se, neste caso, a sua origem não levantará grandes suspeitas, será provavelmente mais um mono de que alguma garagem se quis desfazer, já o mesmo não se pode dizer do tipo de impulso ou necessidade que leva alguém a despender algum do seu dinheiro para se tornar proprietário de uma coisa destas.

Coisas espectacularmente absurdas

Este país é um espectáculo ou sou só eu que acho que está tudo maluco?!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Olha...Afinal eram ervas!

Depois de ter sido motivo de controvérsia entre dois forasteiros que visitavam a nossa cidade acerca da natureza das plantas que ocupavam maioritariamente estas floreiras, parece que alguém, possivelmente os serviços competentes, se encarregou que demonstrar quem tinha razão na discussão em causa. Eram, afinal, ervas daninhas que por ali medravam. 
Rejeito liminarmente qualquer relação entre a colocação deste post e o facto de, poucos dias depois, a floreira ter tido o tratamento adequado. A associação que eventualmente alguém possa fazer entre uma e outra coisa será despropositada e carecerá de fundamentação consistente e séria. Até porque, e se outra razão não houvesse, ninguém lê blogues. Especialmente blogues como este.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Estacionamento tuga

Um espaço assim, enorme e no centro da cidade, está mesmo a pedi-las. A pedir uns quantos carritos estacionados, entenda-se. Embora por períodos curtos de estacionamento, os tugas automobilistas vão fazendo tentativas nesse sentido e das duas rodas em cima da placa, começa-se já a passar para as quatro. Depois das horríveis barracas de lata da parte de baixo, nada melhor do que compor a de cima com outro de tipo de lataria...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Puta que os pariu

Ao contrário do que alguns, provavelmente poucos, ainda possam pensar os filhos das senhoras de hábitos pouco consentâneos com a decência e os bons costumes não são apenas os que estão no governo. A oposição está, também, repleta de gente dessa. 
Um desses senhores, nas jornadas parlamentares do PSD, defendeu a redução dos vencimentos de toda a função pública – vá lá que incluía os políticos – em quinze por cento. O número deve ter-lhe parecido simpático. Pelo menos mais simpático que catorze ou dezasseis e tão credível como cinco ou vinte por cento. 
Soluções destas até eu, quase iletrado, encontro com facilidade. De gente como aquela que as propõe, formada nas melhores universidades e uma vida inteira dedicada ao estudo destes temas, esperar-se-ia algo de mais inteligente e inovador. Nunca uma saída que qualquer parvo encontraria. 
De realçar que estas declarações surgem no mesmo dia em que se soube que a Canavilhas, por ordens do chefe certamente, já não vai fazer os anunciados cortes de dez por cento nos subsídios aos artistas. Coisa que, tanto quanto se sabe, não mereceu a discordância dos que querem roubar ainda mais os funcionários públicos. Não admira. É normal que os palhaços prefiram o circo mesmo que o povo não tenha pão.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O governo é nosso amiguinho...

O governo tem estado preocupado com os problemas na empresa de Viagens Marsans. Uma fonte oficial do Ministério da Economia terá assegurado que, no que toca ao Governo, "a única preocupação é que nenhum cliente da Marsans seja prejudicado”. 
Ainda bem que o executivo de José Sócrates se preocupa com eventuais prejuízos que possam decorrer do encerramento de uma empresa ou do incumprimento de um contrato – ou mais, não interessa - por parte da mesma. Folgo em saber. Assim já sei a quem recorrer quando o talho de que sou cliente, seja por falência ou outro motivo qualquer, não me conseguir assegurar o fornecimento de bifes para o jantar.

A gata adivinha

Depois de terem sido revelados ao mundo os poderes adivinhatórios do polvo Paul foram muitos os que vieram publicamente demonstrar a capacidade igualmente premonitória de outros animais no que toca a antecipar as selecções vitoriosas nos jogos do mundial ora findo. 
Não era para dizer nada mas, como há tantos a divulgarem os acertos de toda a espécie de bichos, resolvi partilhar com os meus leitores que também a gata da vizinha, que vá lá saber-se porquê adoptou o meu quintal como lugar de eleição para passar as horas de maior calor, possui o dom, cada vez mais comum entre os animais, de adivinhar o vencedor das contendas futeboleiras entre países. 
Em cima de duas folhas A4 previamente pintadas com as cores das bandeiras holandesa e espanhola coloquei, respectivamente, uma laranja simbolizando a Holanda e, na falta de melhor, um pardalito, acabado de cair do telhado e ainda incapaz de esboçar qualquer tentativa de levantar voo, representando a Espanha. A gata, garanto-vos, nem hesitou. Abocanhou a pequena ave e sumiu-se do meu campo de visão. O que, como é óbvio e se acaba de confirmar, apenas podia querer dizer que nuestros hermanos ganhariam a final. 
Lamentavelmente não documentei a experiência em vídeo ou fotografia. Mesmo que o tivesse feito, à cautela, não a publicaria não fosse a dona exigir direitos de imagem da bichana. Agora que o felino adivinhou, lá isso adivinhou.

domingo, 11 de julho de 2010

Ao correr do fecho

Nas últimas semanas tem estado em foco a polémica sobre o encerramento das escolas com reduzido número de alunos. Reduzido quer dizer, nas intenções do governo, menos de vinte e um. Como não podia deixar de ser este propósito causou uma onda de indignação entre pais, professores e autarcas tendo, todos eles, vindo a terreiro expressar os mais variados argumentos em defesa da manutenção do actual estado de coisas. 
É consensual que o encerramento dos estabelecimentos de ensino, principalmente quando se assiste a uma sequência que parece interminável  de fecho dos serviços públicos, potenciará ainda mais o processo de desertificação do interior. No entanto há que ser racional. E muitos dos argumentos esgrimidos são manifestamente parvos. Defender que apenas podem existir encerramentos com a concordância dos pais dos alunos afectados parece-me um deles. Claro que os pais daquele aluno, único frequentador do estabelecimento a encerrar mas que mantém três empregados afectos ao seu funcionamento, nunca irão concordar. Espantoso é que a autarquia – seja ela qual for - que paga, pelo menos, dois desses ordenados e suporta todos os custos associados, também se oponha ao fecho. 
A falta de racionalidade na gestão, o compradio ou o cumprimento de promessas de emprego a correlegionários, levou nos últimos anos a um aumento inusitado do número de pessoas admitidas pelas autarquias para “trabalhar” nas escolas. Isto, enquanto a quantidade de alunos diminuía. É por isso que ninguém me tira da cabeça que, mais que pelos interesses dos alunos, é pela defesa dos seus interesses que muita gente refila. Tem, naturalmente, direito a fazê-lo. Mas, porra, digam-no. Até pode ser que nós os compreendamos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Da imprensa local...

Os últimos números de dois dos três jornais que se publicam em Estremoz revelam-nos factos que, a confirmarem-se, serão no mínimo preocupantes. E sublinho no mínimo. 
Comecemos pelo Ecos e o excelente trabalho jornalístico, sob forma de reportagem, intitulado “Este país não é para velhos” em que é abordada a temática dos lares da terceira idade e a maneira como estes cuidam dos idosos. Da sua leitura ficamos a saber que funcionárias das ditas instituições ouvidas pelo jornalista admitem já ter batido num utente e que encaram isso como um meio de os fazer entender algumas regras. 
Por mais casmurros que sejam os velhotes – a casmurrice é uma coisa que normalmente se vai acentuando com o avançar da idade - pensava eu que quem trabalha num daqueles locais teria, por formação profissional, várias maneiras de os fazer entender as regras a que estão sujeitos sem necessidade de recorrer à violência física. Pelos vistos estava enganado. O melhor é ir preparando o couro para quando chegar a minha vez de ocupar um desses lugares... 
Mas nem tudo o que nos é reportado, relativamente a esta matéria, é mau. A fazer fé num excerto do texto, uma das empregadas inquiridas envergaria uma bata arejada. Seja lá o que for que isso signifique. Embora desconfie que se trate de uma peça de vestuário adequada às condições climatéricas que se têm feito sentir. O que revelará, por parte dos responsáveis da instituição, a preocupação de proporcionar às suas colaboradoras fatiotas confortáveis, que contribuam para melhorar o seu desempenho e, por consequência, prestar um melhor serviço aos utentes. 

Por sua vez o Brados desta semana publica mais uma entrevista a um presidente de junta de freguesia do concelho. Ficamos através dela a saber que, na freguesia em causa, a carteira do Presidente e o cofre da Junta se complementam. São, digo eu, assim uma espécie de vasos comunicantes. Porque, garante o autarca, quando não há dinheiro paga ele e que depois vai retirando a pouco e pouco. 
Não está, naturalmente, em causa a honestidade do senhor. É, aliás, uma pessoa integra, séria e dedicada à sua terra. Isso não pode ser colocado em causa. No entanto o procedimento adoptado colide frontalmente com todas as regras do rigor e da transparência e revela a forma como ainda se olha, principalmente em meios pequenos, para o exercício do poder. 
Não vou, acerca desta pouco feliz tirada do entrevistado, recorrer à velha máxima da mulher de César porque, no caso, o que é também parece. Lembro apenas que o voluntarismo quase nunca é o melhor caminho e que, quando menos se espera, se acaba por virar contra quem o pratica.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Herbáceas de fazer espécie

Os modestos conhecimentos que possuo na área da botânica não me permitiram esclarecer dois visitantes que, um destes dias, debatiam entre si se a farta vegetação que emerge desta floreira, colocada junto ao edifico do Tribunal, são flores ou ervas. 
Um deles estava convicto que as magnificas herbáceas se tratariam de uma qualquer espécie de flores que eles não conseguiam identificar. Porque, argumentava, num lugar central da cidade o brio profissional dos jardineiros impediria que ali vingasse uma só erva daninha. 
O outro, mais céptico, garantia que salta à vista de qualquer um que não seja cego que aquilo são ervas embora condescendesse que, entre tanto ervançum, era capaz de haver uma ou outra florzinha. 
Lamentavelmente não pude desempatar a contenda. Mas estou tentado a dar razão ao primeiro. E acrescento outro argumento. Se fossem ervas não eram regadas e certamente não apresentariam este aspecto viçoso e verdejante.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Os Correios são do polvo!

A malta de esquerda tem uma visão romântica e quixotesca da vida. Pelo menos o pessoal de esquerda na verdadeira acepção da palavra. Esses são genuínos, por norma honestos, e não devem ser confundidos com uma certa maralha que se diz de esquerda porque acha que o facto de se dizer posicionado mais para o lado canhoto dá ares de uma pretensa superioridade intelectual. Tão pouco devem ser comparados com a esquerda rosácea. Estes alegados esquerdistas apenas o são por uma questão de conveniência ocasional, embora tenham o cuidado de não praticar, excepto, claro, quando eleitoralmente lhes dá jeito jogar pelo flanco esquerdo. 
Vem isto a propósito deste cartaz. Achar que os Correios, ou qualquer outra empresa pública, são do povo é de uma ingenuidade comovente. Quase de ir às lágrimas. Podemos questionar a sua privatização. Podemos, até, questionar as vantagens e desvantagens de muitas das privatizações que já foram feitas e das que se anunciam. Agora afirmar que qualquer uma dessas empresas foram ou são do povo é próprio de quem vive num mundo de fantasia. No mundo real, o poder – e tudo o que com ele se relaciona – foi tomado por uma mafia, agora rosa e num futuro próximo laranja, que tudo controla. Incluindo as tais empresas que alguns ainda querem que sejam do povo. 
No caso concreto dos Correios, além de ser uma instituição magnifica para dar emprego a bóis que conseguem invariavelmente chorudos prémios de desempenho, não é mais que um local onde o povo espera uma hora para levantar uma carta registada. Onde, em certos dias do mês, mais vale não ir porque está apinhado de malta mal-cheirosa a receber o “rendimentuuuu” - com prioridade no atendimento sobre os outros clientes - e qualquer cidadão se arrisca a ser ofendido. Ou coisa pior.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Fogo!

Nunca quis ser bombeiro. Nem em pequenino, altura da vida em que muitos garantem que quando forem grandes serão bombeiros, manifestei essa intenção. 
Calculo que apagar fogos seja uma chatice. O calor, coisas a arder por todo o lado, labaredas demoníacas...desagradável! Pior ainda num dia como o de hoje, à hora de almoço porque algum maluco – digo eu – se descuidou com as sardinhas e provocou um incêndio. 
Felizmente há quem o faça e, em muitas circunstâncias, arrisque a vida para salvar outras e minorar os estragos provocados por outrem. É por isso que, apesar de nunca ter querido ser bombeiro e de achar que apagar fogos é uma actividade pouco recomendável, admiro quem o faz. Principalmente aqueles que pouco, ou mesmo nada, ganham com isso.

Do mais anónimo que há...

Há quem leve o anonimato na blogosfera ao exagero. Se ser anónimo já é motivo bastante para criticas – pelo menos segundo alguns iluminados - agora imagine-se ser “o” anónimo. E, ainda para mais, anónimo. Pior, pior, só um anónimo abrir um blogue para convidados...anónimos!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O "fim" da macacada

Não consigo entender como é possível um individuo, mesmo uma ou duas dúzia deles, fazer um assalto num comboio, em plena via pública ou noutro lugar repleto de pessoas e safar-se sem ser linchado logo ali. Ou, no mínimo, levar uma carga de porrada que o fizesse ficar com pouca vontade de repetir a façanha. Provavelmente é porque só temos garganta. E, simultaneamente, somos uns cobardes do caraças a quem já roubaram a carteira, a dignidade e, até, os tomates. Embora, concedo, o facto de as leis penais protegerem muito para além do inimaginável o criminoso, também contribuirá para que alguns se inibam de intervir em defesa de outrem e, por incrível que pareça, até de si próprios. 
O que tem acontecido nos últimos dias na linha de Cascais é disso um exemplo. Bandos de jovens – eufemismo que serve para designar bandalhos repugnantes que tem no crime o seu modo de vida e a quem nós vamos sustentando – fazem o que muito bem lhes apetece sem que ninguém levante um dedo para os deter. Os do costume argumentarão que, coitadinhos, não têm culpa. É a sociedade que os empurra para essa vida por não lhes proporcionar condições adequadas de subsistência nem lhes dar perspectivas de um futuro melhor. 
Vamos ver se esses pulhas evidenciarão igual compreensão quando alguma eventual vitima – também ela lixada com a sociedade e sem grandes oportunidades de ter a vida com que sonhou – se passar das ideias e limpar o sebo a um ou dois desses javardolas a que chamam jovens. E que, repito, mais não não que bandalhos repugnantes quase tão nojentos quanto as alimárias que arranjam sempre justificação para os defenderem.

O "botellinho"

O “botellón” é uma prática que consiste em adquirir bebidas alcoólicas em supermercados, ou outros locais que as disponibilizem, que depois são consumidas ao ar livre e em grupo. Esta actividade tem origem em Espanha, embora por lá já tenha sido produzida legislação que visa a sua limitação, sendo praticada em muitos outros países. Nomeadamente em Portugal. E, muito naturalmente, também em Estremoz. Mas, por cá, somos pequeninos. Mesmo quando toca a emborcar as “litronas”. Não admira, por isso, que sejam apenas estes resíduos o que tenha sobrado de uma noite que, espero, tenha sido animada. 
Quanto ao local escolhido parece-me perfeito. O centro do Rossio, mesmo debaixo do palito – ou, se preferirem, pilossauro – constitui um lugar de eleição para este tipo de eventos. Amplo, arejado, deserto, com iluminação bastante e bem no centro da cidade. Há, portanto, que aproveitar as magnificas características do local e explorar todas as suas potencialidades. Quem sabe não está ali um pólo de dinamização turística assaz interessante.

domingo, 4 de julho de 2010

Enganar-nos uns aos outros vai deixar de ter tanta piada...

A anunciada alteração na formula de cálculo da atribuição das chamadas prestações sociais se, por um lado, se impõe face a inúmeras situações de abuso e, por outro, a alguma necessidade de sustentabilidade do próprio sistema vai, na minha modesta opinião, potenciar situações de conflito, que até agora tem estado apenas latente, entre beneficiários e não beneficiários. Nomeadamente entre aqueles que deixarão de ter acesso aos apoios do Estado, ou os verão reduzidos, e aqueles que continuarão a beneficiar como até aqui, ainda que menos necessitados dessa ajuda estatal que os primeiros. 
Se até agora quase toda a gente - uns mais outros menos, uns por uma via outros por outra – vai obtendo algum tipo de rendimento vindo directamente dos cofres do Estado sob a forma de prestação social, de ora em diante isso ficará apenas reservado para os fiscalmente pobres. O que, como se sabe, não significa ser pobre. E, nessas circunstâncias, acredito que o desempregado, que fica sem subsidio de desemprego, não continue a achar que o vizinho do restaurante faz muito bem em enganar as finanças e, por consequência, o filho tenha bolsa de estudo. Ou que os conhecidos ladrões ou traficantes cá do burgo – ciganos ou não – continuem a ter rendimento mínimo, apesar de manterem um estilo de vida dificilmente compatível com os setenta euros que – querem-nos fazer crer os seus responsáveis – a segurança social lhes atribui.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Eles falam, falam...e fazem o mesmo!

Os autarcas das regiões servidas pelas scuts onde o governo pretende passar a cobrar portagens tem sido praticamente unânimes na contestação desta intenção e, alguns deles, são de entre os que protestam, aqueles que mais tem verberado esta medida governativa. Há até quem chegue a apelar à revolta e, em casos mais drásticos, ao vandalismo. Como chegou a ser proposto numa Assembleia Municipal e defendido perante as câmaras de televisão sem que, pelo menos que se saiba, o badameco tenha sido preso ou, no mínimo, declarada perda de mandado por evidente incapacidade intelectual para o exercício do cargo. 
Se há gente que devia estar calado nestas circunstâncias são, precisamente, os autarcas. É bom não esquecer que apesar de sérios e honestos – embora nem sempre as duas condições estejam reunidas na mesma pessoa – eles dispõem de uma capacidade inventiva, nomeadamente quando o assunto é angariar receitas, muito superior à de qualquer mortal. Justiça lhes seja feita que quando toca a gastar também não há quem se lhes igual, mas isso não vem agora ao caso. 
Podia dar uns quantos exemplos que comprovam o que acabo de escrever. Mas não me apetece. Fico-me apenas por trazer à memória de quem me lê o que fizeram inúmeras autarquias do país quando o governo resolveu extinguir a cobrança de taxas pelo aluguer, entre outras coisas, do contador da água. Suas excelências, os autarcas, resolveram inventar algo a que chamam “taxa de disponibilidade” que passou a ser cobrada desde então. Nessa altura não lamentaram o fraco poder de compra dos seus munícipes e estiveram-se nas tintas para a competitividade das empresas da sua região. As mesmas a quem, recorde-se, quase todos cobram derrama. Apreciável a coerência desta malta!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Os mercados?! Isso agora não interessa nada...

Estado veta venda da Vivo - olha que magnifica sucessão de vês – pela PT à Telefónica. Num primeiro momento ainda pensei que se tratasse de uma vingançazinha pela derrota de ontem. Mas, embora isto de ser espanhol não seja coisa muito apreciada pelos portugueses por estes dias, não foi nada disso. Nós é que não gostamos da economia de mercado. Ou melhor.  Gostar até gostamos, mas só quando dá jeito. 
Pode ser apenas impressão – má no caso – minha, mas desconfio que nós, pelo menos os que pagam impostos, que agora ficámos todos contentes por esses malandros desses capitalistas não encherem desenvergonhadamente os bolsos, vamos pagar caro por este capricho de uma classe politica que pensa ainda viver em pleno PREC. O que, diga-se, não admira. Foi por essa altura que quase todos os que hoje andam pelas lides políticas aprenderam a tirar partido das maravilhas da intervenção do Estado na vida das pessoas e das empresas.

Há enganos mesmo lixados...

A recente noticia – já com alguns dias – que dava conta do equivoco, chamemos-lhe assim, de um hospital relativamente à morte de uma paciente, já velhota sublinhe-se, ali internada é deveras preocupante. Primeiro porque a unidade de saúde – nem sei se, face aos nefastos acontecimentos, lhe chame assim – dá o dito por não dito e a morta como viva. Depois por uma questão de credibilidade. Estas coisas não são assim. Está a família preparada para fazer um funeral todo jeitoso à defunta e depois fazem-lhe isto. Tá mal. Há, de facto, equívocos, imperdoáveis. Já não se pode confiar em ninguém é o que é. 
Resta saber quem se vai responsabilizar pelos prejuízos que todas esta situação poderá ter acarretado ou, no futuro, vir a acarretar. Quais prejuízos? Bom, não sei ao certo, mas recordo apenas que o iva está a poucas horas de aumentar...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Portagens?! Não Pagamos!

Parece que as scuts estão a custar o aumento de IRS que, já este mês, senti no meu vencimento. Será, portanto, licito concluir que estou a pagar as passeatas do Pinto da Costa pelas auto-estradas à volta do Porto. E de outros pobrezinhos, também. Pior. Ainda há, mesmo por cá onde pagamos cada metro que circulamos nesse tipo de via, quem entenda isso como algo de bom. Argumenta até que deviam ser os banqueiros e outros ricaços a pagar para que tudo continue na mesma. Esquecem-se, esses tótós, que não há almoços grátis. Nem, sequer, sobremesas.

domingo, 27 de junho de 2010

Patrioteiros

Os patrioteiros de serviço voltaram a exibir as bandeirinhas - bandeirinhas é uma forma de expressão porque como se pode ver pelo exemplo algumas podem ser classificadas, sem grande exagero, como bandeirolas - na janela, na varanda e noutros sítios mais ou menos improváveis. 
Começaram a medo, apenas um ou outro arriscava expor a sua adoração pelo símbolo nacional, mas bastou que a rapaziada da selecção desse uma cabazada das antigas à Coreia comunista para que um número apreciável de tugas recuperasse a moda trazida para cá pelo celebre treinador que conseguiu perder, por duas vezes em dois jogos separados por poucos dias, com a Grécia. Um reconhecido colosso do futebol mundial,como todos sabemos. Isto apesar de jogar em casa e de dispor da equipa base do clube que acabara de se sagrar campeão europeu. 
Suspeito que se o acaso - ou o talento dos jogadores - fizer com que a selecção vença o próximo jogo, o número de bandeiras em exposição cresça ainda mais. Assim como o patriotismo dos portugueses e o amor por esta pátria que é a nossa. Desconfio que vai ser uma corrida às bandeiras, bandeirinhas e bandeirolas. Daquelas feitas na China. Tudo com factura e iva. Só é pena que já tenha passado a época de entregar a declaração anual de rendimentos senão, com tanto patriotismo, ainda era coisa para o défice se transformar em superavit...

sábado, 26 de junho de 2010

Tonecas e Zézito

Por muito que isso custe ao apaniguados do actual Partido Socialista, António Guterres e José Sócrates, excluindo o inenarrável Santana Lopes, foram os piores chefes de governo que Portugal já conheceu. A incompetência do primeiro é unanimemente reconhecida e a ele se devem a implementação de medidas que hoje nos custam muitos milhões euros. Recordo apenas o escandaloso aumento de ordenado que concedeu aos professores, a duplicação das verbas transferidas para as autarquias e a implementação do rendimento mínimo garantido. A par de outras, igualmente generosas, cuja aplicação acabou por, felizmente, não sair do papel. Lembro, a titulo de exemplo, a hilariante lei que previa a insolvência das famílias e o pagamento das suas dividas pelo Estado.

Já José Sócrates é diferente. Igualmente incompetente, é o típico tuga fura-vidas a quem sobra em arrogância e convencimento tanto quanto sobrava a Guterres em humildade e vontade de dialogar. Com o seu nome – e o de muita outra rapaziada do PS, sejamos justos - permanentemente associado às mais variadas trapalhadas, está a conduzir Portugal para uma situação de total insustentabilidade também ao nível politico. Pior ainda do que económica e financeira, porque a economia ou as finanças recuperam-se muito mais depressa do que a credibilidade. Mesmo que as questiúnculas que envolvem a malta que equipa de rosa não configurem crimes ou qualquer outra espécie de ilícitos, as permanentes “confusões” em que alegadamente andarão metidos constituem um absoluto descrédito para os próprios, para a classe politica e, de uma forma geral, para o país. 
Não admira por isso que o homem se sinta só na tarefa de puxar pelo optimismo dos portugueses. É natural. Ninguém gosta de más companhias. Hoje, o primeiro-ministro, o governo e este Partido Socialista são, claramente, companhias a evitar.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sinalização tuga

Não deixa de ser irónico que o automobilista tuga, sempre pronto a não ligar nenhuma a um insignificante sinal de estacionamento proibido, nutra um profundo respeito por um balde, um caixote ou outro qualquer objecto estrategicamente colocado como forma de reservar determinado local. Por incrível que pareça ninguém os desvia para estacionar o carrinho ou, sequer, lhes dá um pontapé. 
Talvez não seja má ideia os serviços camarários, em lugar de gastarem pequenas fortunas em material de sinalização, passarem a utilizar este tipo de apetrechos. Para além do evidente êxito no cumprimento da sua missão, esta técnica de regulação da circulação rodoviária permitirá recuperar materiais e diminuir a quantidade resíduos.
A sua utilização poderá mesmo ser ponderada noutras circunstâncias. Os chamados monstros, sofás por exemplo, seriam óptimos substitutos para os sinais de trânsito proibido. E assim por diante. Era só uma questão de imaginação. Coisa que, como se sabe, não falta.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pinturas

Como escrevi aqui à atrasado dediquei-me à pintura. Não é para me gabar mas tenho jeito para a coisa. A prova disso é que, quase em simultâneo, consigo pintar na horizontal e na vertical. Que é como quem diz, o pavimento e a parede ao mesmo tempo. E só não digo queda porque a chaminé e toda a envolvente do telhado ainda não estão completamente pintadas. Não vá o diabo tecê-las. Ou pintá-las, sei lá. É que não me sinto por aí além muito confortável em locais com um nível de elevação significativa relativamente ao solo. Ou seja, tenho um medo do caraças das alturas. Agora que penso nisso, esse será provavelmente o motivo porque um dos meus lemas é que um homem não deve subir mais alto que a altura de uma mulher. Quando ela está deitada.

O café da discórdia

Desconheço em absoluto o que terá levado o presidente da Câmara de Faro, Macário Correia, a implementar medidas tendo em vista limitar o tempo despendido pelo funcionários daquela autarquia nas pausas para o café. Ainda assim - e porque, como dizia o outro, já cá ando há muitos anos a virar frangos – não me é difícil adivinhar o cenário que conduziu a esta tomada de posição.
Mesmo admitindo que existam abusos da parte de um número significativo de funcionários – coisa em que sou o primeiro a acreditar – não deixo de considerar esta medida como meramente populista. Isto para usar um termo tão do agrado dos políticos quando em causa estão os seus privilégios. E populista porque se o homem estivesse mesmo preocupado com a produtividade, os processos em atraso, ou lá o que argumenta, chamaria os prevaricadores e confrontá-los-ia com a necessidade de mudarem de hábitos. E, caso isso não acontecesse, seria ele a fazê-los mudar de emprego. 
Por outro lado - da leitura dos relatos disponíveis na internet sobre esta matéria nada é possível concluir - desconheço se esta restrição apenas  visará os funcionários administrativos  e técnicos que trabalham no edifício dos Paços do município, ou, pelo contrário, se aplicará às empresas municipais e restantes trabalhadores dos serviços operativos da autarquia. Não se aplicando, significa que os operários das diversas artes poderão continuar a fazer a sua vidinha. E se tiverem o mesmo comportamento dos seus colegas de outras localidades poderão calmamente continuar a emborcar cerveja e a despejar garrafas de vinho pelos cafés e esplanadas da cidade. Mas, quanto a esses, não tem importância. Pelo seu trabalho poucos eleitores cidadãos nutrem inveja suficiente para ir buzinar queixinhas aos ouvidos de qualquer Presidente. Nada que não se veja, portanto, em mais trezentos e sete municípios... 
Claro que o ilustre edil, preocupado como estará com o controlo e redução de custos, podia optar por coisas de maior significado. Reduzir as despesas de funcionamento do seu gabinete, por exemplo. Que, a fazer fé na exactidão do Orçamento daquele município para o ano corrente, ascendem a nove milhões seiscentos e vinte cinco mil euros. Dos quais um milhão seiscentos e sete mil para pessoal e quatrocentos e treze mil para estudos, pareceres, projectos e consultadoria. Mas isso sou eu, armado em populista e alarve, a dizer.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Foi do calor...

Destruir equipamentos públicos é um desporto muito apreciado – e também praticado – por alguns portugueses. Não percebem os pobres coitados que estão a danificar aquilo que é deles e, por essa forma, a contribuir para o empobrecimento do país. E também do deles. Infelizmente quem assiste a este tipo de ocorrências, quando se dá o acaso de alguém assistir, prefere não ligar, afastar-se e, sob o pretexto de não querer arranjar complicações, não intervém, não denúncia e assobia para o lado como se não fosse nada com ele. 
Reconheço que, ainda que alguém tivesse a atitude cívica de denunciar estes actos de vandalismo junto de quem compete zelar por estas coisas, as consequências para o energúmeno seriam nenhumas. Quem o fizesse, até era capaz de ficar mal visto por ir dar trabalho e causar chatices, porque é muito mais fácil, e significativamente mais barato, substituir uma peça como aquela do que punir quem a danificou.

domingo, 20 de junho de 2010

Estacionamento tuga

A placa está lá e não deixa margem para dúvidas. É proibido estacionar em todo o comprimento da rua Victor Cordon. Ou seja, desde o sinal até às portas de Santo António. Pode argumentar-se, para justificar este comportamento, que o sinal está desajustado da actual realidade e que ainda vem do tempo, já longínquo, em que a dita rua tinha trânsito nos dois sentidos. Pode. O pior é que a sinalização é para cumprir desde o momento em que é colocada até que seja retirada. Por mais estúpida ou desajustada que se revele. Veja-se, para não ir mais longe, o caso dos bairros da Salsinha, Monte da Razão e Quinta das Oliveiras em que um grupo de idiotas resolveu que a circulação se faria apenas num sentido em todas as ruas. 
No caso da Victor Cordon, rua com alguns cafés e casas comerciais, apenas deviam ser autorizadas paragens para cargas e descargas. Quem vai beberricar um café ou pagar uma conta em atraso, pode perfeitamente estacionar a sua viatura no Rossio Marquês de Pombal que, recorde-se, diz que é o maior parque de estacionamento do país dentro de uma cidade e fica a não mais de cinquenta metros. Embora, convenhamos, isso seja uma distância considerável para o tuga. É coisa para o cansar e até prejudicar a sua perfomance na caminhada do lusco-fusco. 
Obviamente que a comodidade de uns representa o transtorno de outros. É o caso dos passageiros dos autocarros que tem aqui uma paragem forçada e que, em certas ocasiões, chega a ser de largos minutos. O tuga automobilista nem sempre é lesto a movimentar o tuga-móbil e, quando o faz, ainda resmunga por o estarem a incomodar. Uns chatos, estes gajos,  que não respeitam o direito adquirido do tuga estremocense de estacionar onde muito bem lhe apetece.

sábado, 19 de junho de 2010

Perguntar, afinal, ofende!


Há perguntas que não se fazem. São inconvenientes. E podem causar efeitos devastadores no entrevistado...

As cinzas dos dias que passam

Desde ontem que nas televisões nacionais apenas dá Saramago. E, ainda, Mundial de futebol. Dois temas que me causam um aborrecimento desmedido e que contribuem por dar por bem empregue cada euro da factura da televisão por cabo. Não fora a calosidade que se começa a formar no polegar da mão direita – a que movimenta o comando – e nem lamentava que apenas dois temas tão desinteressantes ocupassem tanto tempo da antena televisiva nacional. 
Apesar de não apreciar a escrita do ex-director do Diário de Noticias, admito que alguma qualidade terá. Se assim não fosse a criatura não teria obtido o reconhecimento à escala mundial que obteve. Mas não gosto e, quanto a isso, nada há a fazer. Não vou, ao contrário de muito boa gente, dizer que aprecio apenas para dar ares de possuidor de um intelecto superior. 
Apreciava ainda menos o homem que o escritor. Arrogante e mal educado eram algumas das características que, a julgar pelas aparições televisivas, o fulano demonstrava possuir e que o seu desaparecimento não apaga. 
Manifestamente exagerado me parece também o envolvimento do Estado nas exéquias fúnebres deste senhor. Pagar um avião, só para ir buscar o corpo e levar parte das cinza de volta, quando se coloca a hipótese de encerrar serviços do INEM – que, habitualmente, cuidam dos vivos - por falta de dinheiro é de um descaramento inqualificável. Até porque lá por Lanzarote deve haver quem saiba fazer fogueiras. 
Há, em alturas como esta, quem se sinta na obrigação de vir fazer o elogio do falecido. Não eu. O senhor viveu a sua vida, longa por sinal, e partiu no tempo adequado. Como, dadas as circunstâncias, a expressão não é apropriada não vou desejar que a terra lhe seja leve. Faço apenas votos para que ninguém snife as suas cinzas.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dúvidas

Quatro jogadores de futebol da selecção norte coreana que está na África do Sul estão, segundo as últimas noticias, desaparecidos. As razões para esse alegado desaparecimento poderão ser muitas mas, vamos ser positivos, nada de mal lhes terá acontecido. Provavelmente estarão apenas com as mesmas dúvidas que já foram manifestadas por um relativamente jovem – mas já com idade para ter juízo - deputado comunista e resolveram tirar a coisa a limpo.