sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ainda a (in)tolerância de ponto

A tolerância de ponto concedida por ocasião da visita papal provocou reacções que, simpaticamente, classifico apenas de surpreendentes. A mais original foi-nos proporcionada pelo Presidente da Câmara de Castelo de Vide que entendeu não seguir a orientação governativa – nada o obrigava a isso, é bom que se saliente – e, no uso dos seus poderes, resolveu manter os serviços do município a funcionar. Uma decisão inteiramente legitima e que, muito naturalmente, não poderá ser objecto de qualquer contestação.
Argumenta o dito autarca que na actual conjuntura não é aceitável a concessão de tolerâncias de ponto e que o país em geral e a autarquia a que preside em particular precisam é que se trabalhe. Coisa que, obviamente, não se lhe afigura compatível com a Câmara fechada e o pessoal em casa a ver o Papa. No entanto, assegurou, os trabalhadores não vão ficar prejudicados relativamente aos seus colegas de outras autarquias que puderam usufruir de um dia sem trabalhar. Promete, numa tirada que nem a mim – que também gosto de dizer parvoíces – me ocorreria, que vai compensar a rapaziada com tolerâncias a cinquenta por cento para os feriados de Junho. Bem visto, sim senhor! Ou a crise está quase a passar e dentro de um mês já não faz mal a malta ficar um dia sem bulir ou então a produtividade é muito maior quando o chefe da Igreja católica está entre nós. Existe, claro, ainda a hipótese de o homem gostar de ser do contra, ou ter, digamos, algum problemazito…mas isso é lá com ele e com quem o elegeu.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

E agora, gostam?!

José Sócrates garante não ter medo de uma eventual onda de contestação social caso o governo tenha mesmo de tomar as medidas que, ao longo do dia de hoje, foram sendo anunciadas como possíveis, por uns, e inevitáveis segundo outros. O primeiro-ministro vai mais longe e relembra que na anterior legislatura teve igualmente de equilibrar as contas públicas e que nem por isso deixou de contar com o apoio da opinião pública.
O problema do engenheiro – e dos portugueses, principalmente – é que a coisa, agora, chia muito mais fino. Ao contrário da outra vez, em que o alvo das decisões mais drásticas foram os funcionários públicos, prevê-se que seja necessário tomar medidas que tocarão a todos. Mesmo aos que se regozijaram com a perda de direitos dos servidores do Estado e com o congelamento das suas remunerações. Agora, caso se confirme o pior cenário, também eles vão ser chamados a dar o seu contributo aos cofres do Estado. Aguardo, com alguma expectativa, a reacção dessa malta que, quando o combate ao défice era problema de outros, aplaudia entusiasticamente a genialidade governativa do Zézito.

domingo, 9 de maio de 2010

Quem toma a última?


Não posso, por esta hora, adivinhar qual o resultado dos jogos de futebol que definirão o campeão da presente época futebolística. Espero que seja aquele que eu desejo e esse é um sentimento que, seguramente, partilho com a esmagadora maioria dos portugueses.
Já vivi muitas vezes a sensação de ver o Benfica campeão. Esta, contudo, não será, a confirmar-se, apenas mais uma. Nunca, nas anteriores conquistas, houve tanta gente a torcer por fora e a fazer de tudo – acredito que façam mesmo de tudo – para que o título rume a outras paragens que não o Estádio da Luz. Tal atitude, para além de revelar uma ingratidão inqualificável para com quem lhes encheu os estádios de gente e as tesourarias de dinheiro, é reveladora de um comportamento que até agora julgava apenas exclusivo dos grunhos do norte. O ódio que têm ao Glorioso, a Lisboa e de uma maneira geral ao sul, é uma coisa doentia, própria de gente debilitada intelectualmente de que é símbolo máximo o velhinho careca e caquéctico, que se faz rodear de gaijas boas convencido que elas o seguem pelas suas aptidões físicas e não pelo conteúdo da sua carteira. 
Desde há muitos anos que exulto – quase todos os benfiquistas o fazem, mais ou menos exuberantemente – com as cada vez mais frequentes derrotas da equipa de Campanhã. De igual modo procederei, de ora em diante, com todas os outros clubes. Nomeadamente quando, lá para Setembro, começar a sua mais que previsível miserável participação nas competições europeias. Não tenho dúvidas que, com o actual comportamento, essas agremiações conquistaram em cada adepto do Benfica um potencial adversário.

sábado, 8 de maio de 2010

Lamentações lamentáveis


Não foram poucas as ocasiões em que me expressei, aqui no Kruzes ou noutros locais, a favor de ordenados dignos. Dão-me estas circunstâncias o direito de me indignar perante um excerto de uma entrevista a uma professora do ensino secundário, já com bastantes anos de profissão e perto da aposentação, que hoje encontrei por acaso ao folhear uma revista antiga. Antiga mas apenas com alguns meses, saliente-se.
O que mais me revolta é que o vencimento não é mesmo nada compatível com a função que exerço”, lamentava-se a docente quando inquirida acerca dos aspectos menos positivos da sua função. Admito que a carreira docente tenha sido muito atacada nos últimos anos. Admito com facilidade que o papel do professor tem sido substancialmente desvalorizado, a sua autoridade colocada em causa, as escolas estejam repletas de alunos mal-educados e negligenciados pelos pais ou que o sistema de ensino tende a beneficiar os burros e a não valorizar os bons alunos. Deve ser, tudo isso, a que chamam a tal escola inclusiva. Agora o que não admito – no sentido de discordar, obviamente – é que esta classe profissional, nomeadamente aqueles que estão na faixa etária da professora que proferiu as declarações que reproduzi, se queixem do vencimento que auferem. Podem, os professores, ter muitas razões de queixa, mas no que diz respeito à retribuição mensal não é coisa de que se possam lamentar.

Imagem obtida daqui (Lista de aposentações da Caixa Geral de Aposentações – Junho 2010)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Malta que, irreflectidamente, se apodera de coisas...


A fraude hoje divulgada pela comunicação social envolvendo, alegadamente, alguns funcionários públicos de um hospital portuense que, segundo as fontes difusoras da notícia, burlaram a ADSE em cerca de cem mil euros não me causa a mais pequena surpresa. Quanto muito apenas me espantam os pequenos montantes envolvidos e, face ao número de supostos intervenientes, ao valores irrisórios que terão cabido a cada um deles.
Recordar-se-ão com certeza os meus leitores de ter escrito num post, ou até mesmo em mais, que este tipo de actuação é uma consequência dos baixos salários, da inexistência de expectativas de carreira, dos congelamentos salariais e, em suma, da forma como os funcionários públicos tem sido tratados nestes últimos anos. E, também, como é evidente da ganância, da má formação moral dos intervenientes e dos maus exemplos que a cada dia lhes são transmitidos por outros muitíssimo melhor colocados na hierarquia profissional, social e outras. 
Obviamente que, apuradas as responsabilidades, as pessoas envolvidas no esquema deverão ser punidas. Não se brinca assim com o dinheiro público. Para mais numa altura em que todos os cêntimos são importantes para o nosso engenheiro brincar aos comboios. De resto a este tipo de comportamento - altamente condenável, é bom sublinhar – chama-se roubar e merece ser severamente castigado. Escusam, no entanto, de vir para aqui – ou para outro lado qualquer – argumentar que fulano, sicrano ou beltrano roubaram milhões e nada lhes aconteceu. Isso não passa de populismo. 
É por essas e por outras que temo pelas consequências que certamente advirão para o deputado que irreflectidamente se terá apoderado de dois gravadores pertença dos jornalistas que o entrevistavam. Vão ver o homem ainda se trama. É que com coisas deste valor nunca se sabe…

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ideias parvas


O país enlouqueceu. Só pode. Pelo menos aquele país que na televisão, nos jornais e nos blogues sugere soluções para essa tal crise que alguns insistem em garantir que anda por aí. A cada dia surgem as ideias mais ousadas – foi a maneira mais simpática que encontrei para não lhes chamar disparates – e chegaram já ao ponto de sugerir a redução do número de feriados para quatro e de acabar com os subsídios de férias e de Natal. 
Por mim acho que podem ir ainda mais longe. Acho até lamentavelmente pouco aquilo que propõem estes malucos. Bom, mas mesmo bom, era terminar com essa invenção – desconfio que foram os comunistas, esses malandros – das férias, que só servem para prejudicar as empresas. E a mesma coisa para o Natal. Vai sendo tempo de pôr fim a essa festa cristã ridícula que discrimina de forma provocatória as restantes confissões religiosas. Com a vantagem da malta poupar uma pipa de massa em presentes e, no caso das férias, as praias algarvias não estarem repletas de bimbos a dizerem palavrões. 
Ainda bem que este pessoal só pensa em cortar na despesa e não tem ideias para aumentar a receita. Ou muito me engano eram gajos para defender de forma intransigente um imposto sobre a queca. O que, pensando bem, não estaria mal visto. Afinal não são os que mais podem que devem pagar a crise?!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

domingo, 2 de maio de 2010

A má moeda (ou a falta de memória)

Numa altura em que se procuram explicações para a situação que vivemos, são já muitos os que não hesitam em apontar a nossa adesão à moeda única como um dos principais factores que contribuiu para chegarmos a este estado de coisas. Há mesmo quem sugira a nossa saída do euro e o regresso ao velhinho escudo. Voltar a ter controlo sobre a política monetária será, garantem alguns teóricos, a única forma de ultrapassar a crise em que nos encontramos.
O retorno à antiga moeda nacional era capaz, digo eu, de ser coisa para ter a sua piada. Ao contrário do que aconteceu com os “réis”, que noventa anos depois da sua extinção ainda eram recordados - sou do tempo em que vinte mil réis, que é como quem diz vinte escudos ou, hoje, dez cêntimos, tinham direito a nota – actualmente já quase ninguém se lembra do escudo nem, muito menos, da sua valia. Com a entrada em vigor do euro perdeu-se por completo a noção do valor do dinheiro e gasta-se de uma maneira desregrada e sem a percepção de quanto estamos realmente a gastar. Daí que o regresso ao escudo tivesse, pelo menos, a grande vantagem de nos trazer de volta à realidade e de nos fazer acordar de um sonho. Que poderá estar muito perto de se tornar o maior pesadelo que a minha e as gerações mais novas viveram. 
Só por curiosidade vejamos quanto nos custariam hoje em escudos, ou poderão vir a custar amanhã se a equivalência à entrada se mantiver à saída, alguns bens ou serviços pelos quais pagamos sem nos apercebermos bem do valor que estamos a despender: 
Café – 110$00;
Pastel de nata – 160$00;
Cerveja (numa espelunca) – 190$00;
Moeda para o arrumador – 200$00;
Litro de gasolina – 288$50;
Entrada na Fiape – 400$00;
Bilhete para o futebol (2ª divisão distrital) – 800$00;
Maço de cigarros – 900$00;
Viagem de autocarro Estremoz-Lisboa e volta – 4.972$00;
Bilhete de um dia para o Festival Optimus Alive – 10.000$00 (Dez contos!!!).

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sacrificios

Pergunta hoje uma estação de televisão que sacrifícios estaremos dispostos a fazer para salvar o país. Pela minha parte a questão é de fácil resposta. Nenhum. Pelo menos voluntariamente. A classe politica tem, durante as ultimas dezenas de anos, sugado os recursos da nação e, por isso, se alguém tiver que se sacrificar que sejam eles. De resto, nenhuma politica de austeridade que não implique cortes sérios nos sectores mais privilegiados da sociedade merecerá qualquer credibilidade nem produzirá os efeitos pretendidos.
Claro que quando chegar a hora de fazer sacrifícios ninguém nos vai perguntar se estamos ou não dispostos a fazê-los. Não teremos voto nessa matéria. Com mais ou menos dificuldade, mais ou menos protestos, pagaremos o bem-estar de um grupo de privilegiados e de oportunistas. Deve ser a isso que chamam patriotismo.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os desempregados que paguem a crise!

Diz-se, com alguma ironia, que o mundo - e no caso o país - não encontra saídas para a crise porque aqueles que seriam capazes de a resolver estão ocupados a cortar cabelo e a conduzir táxis. Ou, acrescento eu, a escrever em blogues. É provável. Quase tão provável como a maior parte daqueles que conduzem táxis, cortam cabelo ou escrevem em blogues, não acreditarem nessa tal crise que, insistem em garantir-nos, anda por aí e, tal como já fez na Grécia,  ameaça instalar-se de armas e bagagens cá pela lusa pátria. 
Tenho dias - e hoje é um deles - em que faço parte desse grupo. Dos que têm dificuldade em acreditar que a tal crise financeira que, garantem, nos pode levar à ruína, existe mesmo e que não passa de uma manobra para os mesmos de sempre ganharem mais uns cobres. Senão vejamos: Apesar de todo o alarmismo provocado por umas denominadas agências de rating*, que terão feito subir os juros do dinheiro de que necessitamos para nos ir governando, as medidas anunciadas pelo governo no sentido de poupar “algum” para fazer face às despesas acrescidas que terá de suportar com o aumento do serviço da divida, implicam apenas alguns cortes nas despesas com o subsidio de desemprego!!!!! Com o acordo do maior partido da oposição, sublinhe-se. É por coisas destas que não consigo levar esta crise a sério. Nem, menos ainda, quem nos governa e quem finge que se opõe mas que afinal até está de acordo. 
Decididamente os gajos que cortam cabelo, conduzem táxis e escrevem em blogues, não percebem nada disto. São tão ignorantes que não viram que a culpa é dos desempregados. Esses malandros que, além de não quererem trabalhar, recebem uma pipa de massa para ficar em casa sem bulir. E o pior é que são cada vez mais. Aposto que fazem de propósito! 

* O corrector ortográfico sugere-me que substitua rating por ratinha. Eu bem que andava desconfiado…

terça-feira, 27 de abril de 2010

O outro lado da praça de touros.

Por muito que custe aos aficionados e outros saudosistas dos tempos áureos que se terão vivido naquele espaço, a recuperação da praça de touros de Estremoz é coisa que não se me afigura como viável. O edifício está em ruínas e qualquer projecto de reconstrução teria de partir do zero. Ou lá perto. 
Reclama-se com frequência que sejam os poderes públicos a intervir e apontam-se sucessivos exemplos do que terá ocorrido em localidades vizinhas, onde espaços semelhantes foram intervencionados e transformados em modernos locais de utilização multidisciplinar. É bom ter presente que a praça de touros é propriedade privada e que é ao legítimo proprietário a quem cabe a responsabilidade de zelar pela sua conservação. Convém igualmente não esquecer que a tourada é um negócio, normalmente da esfera privada, e que são as entidades vocacionadas para esta área empresarial que deverão criar condições para que o mesmo se realize. 
Como em tudo o que possa contribuir para dinamizar a actividade económica local – e, admito, os espectáculos taurinos até podem dar algum contributo – os poderes políticos locais e nacionais não devem ficar indiferentes e é nesse contexto, e apenas nesse, que não acharia chocante ver dinheiro público envolvido nesse negócio. Não directamente mas, por exemplo, adquirindo todo aquele espaço, demolindo as construções existentes e promovendo a recuperação de toda aquela área ligando-a ao parque desportivo do Caldeiro. Tal arranjo urbanístico proporcionaria, para além da integração da zona desportiva na cidade, a aproximação ao centro das novas urbanizações situadas nas traseiras das escolas, com  inegáveis vantagens para moradores e comércio local.
Quanto à praça de touros pode perfeitamente ser construída noutro qualquer local sem os condicionalismos, técnicos e urbanísticos, que a reconstrução da actual forçosamente implicaria. Seria neste aspecto que a autarquia teria um papel determinante, nomeadamente na construção de infra-estruturas ou na concessão de isenções de taxas e impostos à entidade que promovesse a sua construção. Algo que vá para além disso é capaz de ser pedir demais aos contribuintes estremocenses…

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Bonecos

Sou, seguramente, das pessoas menos indicadas para dissertar acerca dos eventos culturais que se vão realizando cá pela terrinha. Até porque é sobejamente reconhecida a minha vontade de puxar da calculadora sempre que ouço falar em cultura. Não é, hoje, o caso. 
Assisti ontem, na sede da Junta de Freguesia de que sou freguês, a um espectáculo dos “Bonecos de Santo Aleixo”. Para quem não sabe do que se trata é só pesquisar no Google, ou noutro motor de busca qualquer, que está lá tudo. Não farei a crítica à representação. Disso percebo pouco e para além de dizer que gostei e que achei divertido não terei muito a acrescentar. De assinalar a linguagem utilizada pelos actores que dão voz aos bonecos e às personagens. Popular, politicamente incorrecta quanto baste e, se calhar, só possível de utilizar naquilo a que chamam a província. Veja-se o caso do acto “Castigo de Caim”, em que Deus castiga o irmão e assassino de Abel transformando-o em negro. Calculo que para um molusco intelectualóide da capital tal facto constitua algo capaz de pôr os cabelos em pé, se os tiver, e de provocar a publicação de inúmeras postas indignadas nos blogues da esquerda caviar que não poupariam acusações de racismo. 
É apenas um pormenor, mas que não podia deixar de saudar. Principalmente quando se assinala mais uma passagem do vinte cinco do A e numa altura em que a liberdade de expressão, então devolvida ao povo, se encontra seriamente ameaçada pela ditadura do politicamente correcto quase sempre promovido por aqueles que mais se arvoram em defensores dessa mesma liberdade.

domingo, 25 de abril de 2010

Reservado


Á semelhança do Marquês de Pombal em Lisboa, da Rotunda da Boavista no Porto e, provavelmente, muitos outros lugares espalhados por esse país fora, também os benfiquistas de Estremoz já reservaram um local para as eventuais comemorações do título de campeão nacional. A rotunda dos Combatentes evidentemente…

sábado, 24 de abril de 2010

Legalizar a corrupção

Sou do tempo em que muitas práticas hoje legais ou toleradas constituíam crime ou eram socialmente reprovadas e aqueles que as praticavam, na linguagem actual, discriminados em função do seu comportamento. Outros tempos, outros valores e, seguramente, uma perspectiva muito diferente de ver a vida relativamente à maneira como são hoje encarados muitos conceitos. Ou preconceitos, alegarão muitos. 
Recordo-me da legalização do divórcio e de como, antes de ser legalizado, se olhava com desconfiança as pessoas que entendiam colocar um fim ao casamento. Também a legalização do aborto foi uma medida recente e, sabe-se, houve quem tivesse sido presa por o praticar. Até há pouco tempo duas pessoas do mesmo sexo viveram maritalmente seria algo impensável e mesmo quem tinha os gostos trocados não era tratado pela sociedade da melhor forma. Lembro-me ainda do tempo em que alguém apanhado a roubar era de imediato preso. E os exemplos podiam continuar… 
Poucos ousarão contestar a tese que a legalização destes comportamentos constituiu um significativo avanço civilizacional. Mas não chega. Há que inovar. Ser ousado e avançar ainda mais. Legalizar, por exemplo, a corrupção. Se hoje corromper, subornar, untar as mãos ou, simplesmente, ofertar um valor simpático – monetário ou de outra natureza - com vista à remoção de um obstáculo às suas pretensões, não é motivo para levar ninguém à prisão e é socialmente bem visto – vide o resultado de alguns actos eleitorais - porque raio a lei não há-de determinar que tal prática é perfeitamente legal?!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Surpresas e indignações. Ou talvez não.

Discordo dos que se mostram indignados com a decisão parlamentar de suportar as viagens - e respectivas ajudas de custo - entre Lisboa e Paris, onde alegadamente terá residência, a uma ilustríssima deputada da nação. Não acho mal que assim seja. Os bons profissionais devem ser bem pagos, sejam eles gestores, futebolistas ou exerçam outra qualquer profissão. O mesmo se aplica aos deputados. E às deputadas boas. 

Também o alarido relativamente à absolvição do empresário Domingos Névoa da acusação de tentativa de corrupção a um vereador da Câmara de Lisboa me parece manifestamente exagerado. Afinal a douta decisão judicial constituirá uma dinâmica interpretação da legislação em vigor e, principalmente, tratar-se-á do merecido reconhecimento há muito devido ao livre empreendedorismo. Absolva-se, pois, o homem. Melhor ainda. Louve-se o empresário dinâmico, de sucesso e, já agora, ensine-se-lhe que da próxima vez se deve dirigir às pessoas certas…

Por cá tem constituído notícia o desaparecimento, num caso, e o aparecimento, noutro, de coisas com rodas. O sumiço de três tractores do interior das instalações de uma empresa de comércio destes equipamentos, por serem objectos de dimensões apreciáveis, não pode deixar de ser surpreendente. Afinal uma máquina daquelas não se transporta num bolso nem esconde num qualquer canto. Nem, sequer, se vende em mercados semanais.

Surpreendente, ou talvez não, é o alegado aparecimento de umas largas dezenas de carrinhos de supermercado num bairro contíguo a uma superfície comercial. Ao que se diz, a inusitada procura destes apetrechos por parte dos moradores, assíduos frequentadores do estabelecimento em causa, terá a ver com as múltiplas utilizações que lhes podem ser dadas. Entre outras coisas diz que são óptimos como utensílios de cozinha. Grelhas para colocar sobre as brasas, nomeadamente.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Boatos

Alguns, com o sentimento clubistico um pouco abalado, têm andado a espalhar a piada que o espaço aéreo nacional esteve prestes a ser encerrado por causa de uma espessa nuvem de pó. Segundo os piadistas de serviço o encerramento apenas não se verificou porque, atempadamente, o Instituto de Meteorologia detectou que a dita nuvem não tinha origem no vulcão islandês de nome impronunciável, mas que tal quantidade de pó provinha dos cachecóis de milhões de adeptos benfiquistas.
Tem, de facto, alguma piada mas não corresponde, no entanto, à verdade. Até porque a nuvem  vulcânica terá mesmo atingido o nosso país e com uma densidade muito maior do que a verificada noutros países europeus. Apesar disso o espaço aéreo nacional não foi fechado e muitos voos puderam ser realizados normalmente. Há quem garanta que José Sócras, as companhias aéreas e muitos passageiros que puderam regressar a suas casas sem os incómodos que se verificaram noutros aeroportos, já terão agradecido ao Bloco de Esquerda.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A minha quinta

Se forem verdadeiras as conversas que por aí se vão ouvindo, os portugueses voltaram a interessar-se pela agricultura. Estão de novo a tratar a terra, a semear, a colher e, em suma, a dedicarem-se a um tipo de vida mais saudável. Fazem bem. Por mim, devo confessar, não sou apreciador. Nada que envolva a utilização de ferramentas agrícolas me entusiasma e encaro com desagrado qualquer actividade relacionada com o mundo da lavoura.
Felizmente a minha quinta não o chega a ser. É apenas um quintal. Dos pequenos. Digamos que mais ou menos à medida da aversão que nutro pelas labutas rurais. Não dá, ao contrário da maioria dos novos lavradores, para comprar maquinaria pesada, manter animais ou para fazer sementeiras que resultem em fabulosas colheitas. Nada disso. Como partilho com os meus leitores, a coisa não vai além de uns miseráveis espinafres, coentros que hesitam em brotar da terra, salsa raquítica, duas couves manhosas e nabiças que prometem constituir a excepção neste panorama de pré-calamidade que parece vir a tornar-se a presente época agrícola. 
A fauna residente é constituída essencialmente por uns quantos pássaros, pardais e outros de marca desconhecida, e lesmas. Muitas lesmas. Deixo mesmo um apelo aos que têm a paciência de me ler para me enviarem sugestões – que não incluam produtos químicos - que conduzam ao extermínio de tão irritante praga.
Há, também, uma gata. Que, por sinal, até é da vizinha. Bonita. A gata, claro, porque a vizinha… 


terça-feira, 20 de abril de 2010

Promessas por cumprir


É definitivo. Pinto da Costa, o septuagenário que preside ao clube de futebol do Porto, não cumpriu a sua promessa de dedicar o título de campeão nacional ao defunto treinador José Maria Pedroto tal como prometera, chorando baba e ranho, numa reunião de "família". Não constitui surpresa por aí além. De resto é perfeitamente normal que naquela idade já não consiga atingir determinados objectivos nem cumprir tudo o que promete. 
Às senhoras que o acompanham, invariavelmente bastante mais novas, não sabemos que tipo de promessas faz e se as cumpre ou não é coisa que dificilmente chegará ao nosso conhecimento. Nem, diga-se, temos nada a ver com isso. Acredito no entanto que, uma ou outra vez, as possa concretizar. Até porque um golo é muito mais difícil que um gole…

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sejamos tolerantes

Já escrevi acerca do assunto mas não resisto a voltar ao tema. Constitui para mim um mistério a indignação que vai grassando por aí relativamente à concessão de tolerância de ponto aos funcionários públicos aquando da visita papal. Os argumentos contra, ou a favor, da decisão governativa são mais que muitos e cada um mais espectacular que o outro.
Entre a argumentação mais rebuscada dos que se manifestam contra encontrei a opinião, partilhada por um número significativo de intervenientes, que o dia de descanso da função pública vai custar largos milhões de euros ao país. Provavelmente entre os que perfilham este argumento encontrar-se-ão alguns que consideram os funcionários do Estado uma cambada de calões que pouco produzem. Excepto, evidentemente, nos dias em que o Papa vem a Portugal. Aí não há funcionário que não produza o dobro. Ou mais. Deve ser algo parecido com a influência que o Jesus exerce sobre os jogadores do Benfica… 
Há também quem alegue que o mesmo principio se deve aplicar quando outros chefes de Estado visitam Portugal e citam, a título de exemplo, a visita de Barack Obama a realizar lá mais para o final do ano. Sou tentado a pensar que debaixo de marosca. Embora pela minha parte ache muitíssimo bem essa coisa das tolerâncias – devemos ser tolerantes, não é? – hesito em achar boa ideia que se tome tal medida na altura da visita do Presidente norte-americano. Ou muito me engano ou essa malta quer é ir para lá manifestar-se contra o homem e a sua politica imperialista.

domingo, 18 de abril de 2010

Cobardemente, sob pseudónimo.

A blogosfera constitui um espaço onde todos podem - de forma anónima, sob um pseudónimo cobarde ou de maneira perfeitamente identificável – exprimir a sua opinião acerca de tudo. Percebam alguma coisa ou sejam manifestos ignorantes relativamente ao assunto sobre o qual estão a opinar. Ao contrário de muita gente, defendo e acredito que qualquer das opções não é determinante para a validade das ideias que se pretende transmitir.
Relativamente ao anonimato, diabolizado quando critica e tolerantemente aceite quando elogia, constitui um direito de qualquer cidadão não querer ser identificado quando exprime a sua opinião. Deve ser por isso que o voto é secreto. Deve, também, ser essa a razão porque na nossa sociedade democrática tanto se criticam os partidos e organizações de vária índole onde as votações ainda se realizam de braço no ar, método pelo qual inevitavelmente se ficam a conhecer as opiniões de cada um. Não estou, mas aceito facilmente que seja problema meu, a ver grande diferença entre uma e outra situação. Com a inegável vantagem de, no caso de comentadores, o webmaster poder com toda a facilidade eliminar as opiniões divergentes. Coisa que nos tais partidos e organizações nem sempre é possível. E sublinho nem sempre. 
Já quanto aos cobardes que se escondem por detrás de um pseudónimo é, de facto, intolerável. Nem sei como é que a legislação nacional – ou comunitária que estas coisas não conhecem fronteiras – não se encarregou de regulamentar esta matéria. E já agora de proibir artistas, escritores, jogadores de futebol e outros palhaços de usar um nome diferente daquele que pais ou padrinhos lhes atribuíram. 
Escrever e assinar por baixo, de preferência com fotografia ao lado, não me parece – mas isso é só a minha opinião – acto de particular coragem. Atente-se num caso ocorrido, não há muito tempo e certamente ainda fresco na memória dos mais atentos à blogosfera, onde alguém perfeitamente identificado escreveu as maiores bacoradas, ofendeu e ameaçou de forma que poucos anónimos ousaram fazer, todos os que agiram ou pensaram de maneira diferente daquilo que parecia correcto ao opinante cabalmente identificado. Argumentar-se-á que será possível pedir responsabilidades a quem assim procede. Pois sim. Vê-se. Quando muito a única vantagem é saber a quem se pode dar um murro nos cornos.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Calinadas

O português é uma língua muito traiçoeira. Disso já sabíamos. Também não nos é desconhecido que é muito maltratada. Mesmo ao mais alto nível. Veja-se, literalmente porque ouvir não se ouve nada, a resposta do primeiro-ministro ao chato do Anacleto Louçã. “Manso é a tua tia, pá!” constitui um enorme pontapé na gramática, como qualquer puto ranhoso do quarto ano do ensino básico tem obrigação de saber e todos os que – ranhosos ou não – se sentam no parlamento tem igualmente o dever de conhecer. 
Garanto que se no meu tempo de instrução primária mandasse uma atoarda desse calibre seria valentemente sovado. Embora nessa altura, justiça seja feita, nem fosse necessário nenhum motivo em especial para a facínora que me leccionou as primeiras letras malhar qualquer um. O facto de frequentar a sua escola já era razão suficiente. 
O pretenso insulto proferido por Sócrates enferma, portanto, de um erro fundamental. “Manso é o teu tio, pá!” estaria, isso sim, correcto. No entanto, vá lá saber-se porquê, não teria o mesmo impacto nem atingiria com a mesma intensidade aquele que se pretende ofender. Sabe-se que constitui uma ofensa muito maior a referência aos membros femininos da família. Coisa que, agora que penso nisso, se revela um intrigante mistério. Neste contexto, e partindo do principio óbvio que o adjectivo “manso” seria sempre de incluir na ofensa, o primeiro-ministro devia ter afirmado “Manso é o teu pai, pá!”. A construção da frase estaria correcta, evitando uma confrangedora calinada ao nível de outras construções pelas quais também é responsável, e, simultaneamente, ofendia Anacleto Louçã fazendo uma implícita referência a um elemento feminino da família daquele. A menos que a lembrança dos cornichos do seu ex-ministro Manuel Pinho tenham feito José Sócrates, no último momento, trocar o parentesco…

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Finalmente boas noticias

Quando tudo parecia correr mal para as finanças nacionais, eis que começam a surgir as boas notícias. Um daqueles fulanos que manda uns bitaites lá para as europas veio a público ameaçar os estados com défices excessivos que essa condição poderá levar a União Europeia a fechar a torneira dos fundos comunitários. Apesar do alarme que essa eventualidade, a concretizar-se, possa causar às construtoras e a todos os que, de uma ou de outra forma, obtém alguns proveitos dos dinheiros europeus, esta é uma excelente noticia para os portugueses. Aquilo que é tido como uma represália pelo mau comportamento das nossas finanças públicas poderá afinal constituir um excelente ponto de partida para a recuperação das contas nacionais e, eventualmente até, contribuir para alguma moralização da sociedade.
A falta de financiamento poderá por em causa os investimentos megalómanos já anunciados pelo governo, bem como outros, embora de menor dimensão mas de utilidade igualmente duvidosa, promovidos pelas autarquias locais. Ao contrário daquilo que nos querem fazer crer, a comparticipação comunitária representa um valor que oscila entre os cinquenta – às vezes nem isso – e os setenta e cinco por cento do total do investimento. Significa isso que uma obra financiada terá sempre uma forte componente nacional que será tanto maior quanto menor for o financiamento europeu. Ou, exemplificando, se o arranjo de um qualquer largo tiver um custo de dez milhões de euros, e obtiver um financiamento de cinquenta por cento, o promotor nacional terá de entrar com cinco milhões de euros. Como não possui esses recursos irá, inevitavelmente, recorrer à banca para se financiar o que, como é fácil de ver, aumentará o seu nível de endividamento. De recordar que muitos analistas consideram esse – o endividamento – o maior dos nossos problemas. Mal comparado, seria o mesmo que alguém me desse quinhentos mil euros para comprar uma casa de um milhão e eu ficasse com a obrigação de pagar o resto…Nestas circunstâncias haveria muita gente a pensar que seria um bom negócio?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Bento de Jesus Carcaça"?! Cum caraças!

Há muito que não faço menção às buscas no google que dão origem às visitas dos leitores que, por um ou outro acaso, acabam por vir parar até ao Kruzes. Verdade que ultimamente não tem aparecido nada de muito especial. Até hoje. Não sei se sou só eu que acho, mas “Bento de Jesus Carcaça” parece-me uma pesquisa a atirar para o sui generis…

Não chateiem o Zé Rato!

Apesar de algumas tentativas de pressão em sentido contrário, o governo resolveu – e bem – conceder um conjunto de tolerâncias de ponto nos dias em que o Papa visita o país. Treze de Maio, dia em que a dispensa de comparecer ao serviço se estende a todo o país, é feriado cá na terrinha e, por isso, os benefícios da visita papal não se farão sentir por aqui. Ainda assim, reitero, acho muitíssimo acertada a decisão governativa. O que me parece pouco acertada é a contestação que alguns sectores da sociedade, embora marginais e muito menos representativos do que o eco das suas vozes pode fazer crer, estão a evidenciar relativamente a esta questão.
Por detrás da contestação à visita de Joseph Ratzinger - o Zé Rato - estarão os movimentos e associações da paneleiragem e os interesses de uns quantos que, alegam, terem sido abusados por padres pedófilos quando eram miúdos. Esta situação levou alguns membros do clero a fazer a associação óbvia, que qualquer mortal faria, entre pedofilia e paneleiragem. Admito que nem todos os paneleiros sejam pedófilos mas, no caso, não sei que nome chame aos padres que, alegadamente, terão abusado dos senhores que agora se queixam de, em crianças, terem sido vítimas de abusos sexuais. Talvez homossexuais. Ou gays, vá. 
Os assuntos religiosos, desde que não interfiram com o meu modo de vida, são coisa que não me interessam absolutamente nada. Como tal a visita da criatura é-me indiferente. O que já não me é tão indiferente é a indiferença que alguns – agora tão ofendidos com estes casos de pedofilia, paneleiragem ou lá o que lhe queiram chamar – manifestam relativamente a outras ocorrências semelhantes. Bem mais próximas de nós no espaço e no tempo. Deve ser, parece licito concluir, por os intervenientes em lugar das batinas e sotainas usarem fatos e gravatas de marcas famosas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Homenagem?!

A Câmara de Lisboa homenageou hoje o Marechal António de Spínola, assinalando a data em que, se fosse vivo, completaria cem anos. Está bem que o homem, escassos seis meses depois do golpe militar que o colocou na presidência da república, optou por outro estilo de vida mas, que diabo, também não havia necessidade de atribuir o seu nome a uma avenida que vai dar a Chelas. Ainda assim o senhor foi presidente deste país, porra!

Os patetas do politicamente correcto são a maior ameça à liberdade de expressão


A comunicação social, a blogosfera, a classe política e uma pequena parte do país real discutiram não há assim tanto tempo, de forma acalorada, se em Portugal havia ou não condicionalismos que limitavam a liberdade de expressão. Fui um dos subscritores da petição on-line que sobre esta matéria circulou pela internet mas, provavelmente, por razões diferentes da maioria dos que subscreveram o tal abaixo-assinado virtual. Pese todas as tentativas de controlo da comunicação social por parte do poder político, ou das ameaças e chantagens dos seus apaniguados para controlar a bloga, não me parece que a liberdade de cada um exprimir as suas opiniões políticas esteja em causa. Afirmar o contrário é, para não lhe chamar outra coisa, patético. 
Como venho a afirmar há muito tempo a liberdade de expressão está, de facto, ameaçada mas por outros motivos. Que – e aí reside, quanto a mim, o verdadeiro perigo – vão muito para além das opções politicas de cada cidadão. Vivemos a época do politicamente correcto, onde uma elite supostamente bem pensante define os termos e as condições em que nos devemos pronunciar acerca das coisas mais banais. O pior é que nem sempre damos conta dos seus avanços, dos tentáculos com que vão silenciando a sociedade e da forma, como quase sem nos apercebermos, vamos expulsando da nossa linguagem palavras ou expressões que sempre utilizámos. 
Como todas as ditaduras também esta é ridícula. Veja-se um recente episódio em que um ouvinte da rádio pública se queixou ao provedor do ouvinte da dita estação por o jornalista que fazia a transmissão radiofónica do jogo de futebol entre o Sporting e o Everton ter usado, durante o relato, expressões como “ graças a Deus”, “Deus queira” ou “oxalá”. Argumenta a criatura que “a utilização destas expressões é injustificável precisamente porque a linguagem na comunicação social laica deve ser a adequada”, entre outros argumentos, verdadeiramente risíveis, que evoca para sustentar a sua critica relativamente ao trabalho do profissional que assegurou a cobertura do evento desportivo em causa. 
Se a existência deste tipo de queixa já de si seria motivo para preocupação – pelo menos pela sanidade mental de quem a faz – a coisa piora quando o provedor lhe dá razão. Vai mesmo mais longe e afirma que “não fazem sentido expressões destas numa transmissão radiofónica” e que “a melhor forma de as evitar é o exercício de uma atenção crítica e autocrítica permanentes na área profissional”. Um pouco de auto censura, portanto. 
Se episódios destes não são condicionadores da liberdade de expressão, então não sei como os classifique. Até porque se repetem com uma frequência inusitada em todos os sectores da sociedade. Mesmo na classe politica, que também é vitima desta nova e repugnante classe de ditadores. Ou ainda ninguém reparou como o termo “autista”, outrora tão em voga independentemente do evidente mau gosto, desapareceu misteriosamente do debate político?

domingo, 11 de abril de 2010

Estacionamento tuga

Vão-me faltando as palavras para qualificar o comportamento dos condutores quando chega a hora de estacionar os seus carrinhos. Faltam-me na mesma proporção em que me sobram as imagens de constante atropelo às normas que regulam o trânsito na via pública e, principalmente, ao civismo e ao bom senso que deviam estar sempre presentes quando se tem um volante nas mãos.

sábado, 10 de abril de 2010

As teorias do Dr. Frasquinho

Ainda nem oito dias tinham passado desde a publicação deste post e já o Dr. Frasquinho se encarregava de me dar razão. Ao discursar em mais um congresso do PSD, o ex-secretário de estado de Manuela Ferreira Leite no governo em que esta foi ministra das Finanças, defendeu que o partido a que pertence devia propor a redução dos vencimentos dos funcionários públicos. Acerca disto já manifestei a opinião, em muitos textos publicados aqui no blogue, que tal medida, a efectivar-se, apesar de numa primeira fase até poder contribuir para o equilíbrio das finanças públicas, acabaria por se revelar catastrófica para a economia. Recorde-se que o governo a que o Dr. Frasquinho pertenceu foi pioneiro no congelamento de salários – durante dois anos consecutivos os vencimentos acima de mil euros estiveram congelados – e os resultados demonstraram claramente que tal medida foi absolutamente ineficaz e não produziu qualquer efeito no combate ao deficit. Todos se recordarão que, apesar disso e das muitas receitas extraordinárias cozinhadas à pressa, o desequilíbrio das contas do Estado não parou de aumentar.
Acredito que o Dr. Frasquinho seja um brilhante economista. É, até, Mestre em “Teoria Económica”. Perceberá destas coisas, como é óbvio, muitíssimo mais do que eu. Pelo menos em teoria. Do que eu e do que muita gente. Mais até do que o Belmiro que, apesar de forreta e de ter fama de pagar mal aos seus empregados, não lhe parece bem que haja uma redução de salários. Porque, diz ele, o consumidor com menos dinheiro compra em menor quantidade, o vendedor não consegue vender os seus produtos e, por consequência o produtor terá de produzir menos ou, pior, encerrar o estaminé e mandar o pessoal para o desemprego. O que se reflectirá em menor receita fiscal – desempregado não paga irs e diminuindo a actividade comercial baixa a receita gerada pelo iva – e maior despesa publica porque aumentarão os encargos com o subsidio de desemprego e com o Rendimento social de inserção. Mas isso deve ser o Belmiro a divagar porque o Mestre em “Teoria Económica” é o tal Frasquinho do PSD.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Soltem os prisioneiros!


Tem sido noticiada ao longo do dia a entrada em vigor  do novo código de execução de penas na sequência do qual passará a ser possível a qualquer meliante que se encontre detido passar a sair em liberdade após cumprir um quarto da pena a que foi condenado. Apesar de alguém do governo - ou do PS, não sei ao certo mas também não faz grande diferença – já ter vindo a público garantir que afinal não será bem assim, a verdade é que a medida está a deixar muita gente indignada. O que, como adiante se verá, é manifestamente exagerado. 
Argumentam os detractores deste governo, para quem tudo está mal e cada medida é pior que a última, que com a entrada em vigor do novo código um homicida condenado a vinte anos de cadeia deixará o xelindró ao fim de cinco. Ora esta é uma forma absolutamente redutora de ver o problema. Só não vê quem não quer – e os bota abaixistas não querem ver - que o dito assassino passará uma longa meia década na choça antes de poder vir de novo para a rua continuar a assassinar. O que é muito tempo, concordarão. 
Há também quem sustente que esta medida, aprovada no parlamento apenas com os votos favoráveis deste Partido Socialista, foi tomada à cautela. Uma espécie de medida de prevenção. Com tantos processos por aí a correr – correr é uma forma de expressão porque a maioria está tão imóvel como o Cardozo – e com novos escândalos a surgirem diariamente, que não são poucos os que consideram isto obra de  uma certa malta a prevenir-se contra algum juiz mais descontrolado que tenha a improvável ideia de mandar prender alguém. 
Por mim não concordo com esta última teoria. Inclino-me mais para a tese que esta será uma nova causa fracturante deste PS. Quase tão crucial para o desenvolvimento do país como o casamento dos rabetas ou a limitação do teor de sal no pão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Oportunidade de negócio


A crise, a falta de juízo ou a baixa educação económico-financeira - ou tudo em simultâneo - da generalidade dos portugueses, a par da eficiência da máquina fiscal, estão a contribuir para fazer disparar o número das penhoras efectuadas pela Direcção-Geral dos Impostos. Como o azar de uns constitui a sorte de outros, esta pode ser a altura certa para realizar bons negócios. Basta para isso estar atento ao que vai sendo posto à venda e ter alguma liquidez. Não muita, como se pode ver pela imagem anexa. Afinal, por pouco mais que o preço de um café é possível comprar um T1.
Obviamente que não se poderá esperar grande coisa deste imóvel. Provavelmente será algo ao nível de um pardieiro, capaz de provocar uma enorme dor de cabeça a quem arrisque fazer uma licitação. E nem sequer estou a pensar na eventualidade da ocorrência de uma derrocada do edifício sobre a cabeça de um eventual comprador. Recordo-me, antes, de casos similares que de vez em quando vem a público e que relatam os sarilhos em que se metem aqueles que adquirem imóveis através deste processo. 
O valor pelo qual o bem é colocado à venda revela, suponho, uma divida insignificante e a forma quase sempre ridícula como se esbanja o dinheiro público em nome de conceitos absolutamente estúpidos. Há, no entanto, quem lhes chame objectivos. Objectivamente sairia muito mais barato perdoar ao caloteiro…