A tolerância de ponto concedida por ocasião da visita papal provocou reacções que, simpaticamente, classifico apenas de surpreendentes. A mais original foi-nos proporcionada pelo Presidente da Câmara de Castelo de Vide que entendeu não seguir a orientação governativa – nada o obrigava a isso, é bom que se saliente – e, no uso dos seus poderes, resolveu manter os serviços do município a funcionar. Uma decisão inteiramente legitima e que, muito naturalmente, não poderá ser objecto de qualquer contestação.
Argumenta o dito autarca que na actual conjuntura não é aceitável a concessão de tolerâncias de ponto e que o país em geral e a autarquia a que preside em particular precisam é que se trabalhe. Coisa que, obviamente, não se lhe afigura compatível com a Câmara fechada e o pessoal em casa a ver o Papa. No entanto, assegurou, os trabalhadores não vão ficar prejudicados relativamente aos seus colegas de outras autarquias que puderam usufruir de um dia sem trabalhar. Promete, numa tirada que nem a mim – que também gosto de dizer parvoíces – me ocorreria, que vai compensar a rapaziada com tolerâncias a cinquenta por cento para os feriados de Junho. Bem visto, sim senhor! Ou a crise está quase a passar e dentro de um mês já não faz mal a malta ficar um dia sem bulir ou então a produtividade é muito maior quando o chefe da Igreja católica está entre nós. Existe, claro, ainda a hipótese de o homem gostar de ser do contra, ou ter, digamos, algum problemazito…mas isso é lá com ele e com quem o elegeu.








