sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O poder local e a crise

Com o agudizar da crise também os Municípios resolveram abrir os cordões à bolsa e, cada um à sua medida e cada qual com mais imaginação que o outro, estão a adoptar medidas para ajudar os extractos populacionais mais desfavorecidos ou, pelo menos, aqueles que na perspectiva municipal estarão mais expostos ao efeitos perversos que a actual situação provoca na economia do respectivo concelho.
Nada de mais, se atendermos que essas preocupações fazem parte das atribuições do poder local e que os seus órgãos dispõem de competência própria para decidir quanto a essas matérias. Não me parece que este tipo de actuação seja merecedor de crítica. Antes pelo contrário. São até conhecidos exemplos, alguns relativamente perto, de medidas inovadoras no apoio aos jovens, aos idosos e a outras pessoas em situação de carência que, para além do objectivo imediato, podem inclusivamente representar uma mais-valia para o próprio concelho.
De certa forma Valentim Loureiro é um homem à frente do seu tempo. Ninguém ousará agora criticar o major pela distribuição maciça de secadores de cabelo, micro ondas ou frigoríficos pelos mais necessitados que ele efectuou em tempos idos e que, provavelmente, voltará a fazer lá mais para o Verão. Afinal ele apenas estimulava a economia local e fomentava o bem-estar dos seus eleitores. Nada de mais, portanto.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

2º Aniversário

Este blogue fez hoje dois anos de existência. O que, para a realidade local, é muito tempo se tivermos em conta que muitos dos blogues que se fazem por cá não resistem mais que meia dúzia de semanas. Quando não apenas igual número de posts e outros tantos comentários.
Este é um projecto sem fim à vista. Acabará no dia em que tiver de acabar, por força de qualquer circunstância própria da vida ou apenas porque essa foi a minha vontade. Até lá, para satisfação dos três leitores atentos e indiferença dos restantes, este blogue vai continuar a publicar conteúdos de carácter irónico e jocoso.

A falta de liberdade está a passar por aqui!

Desconheço em absoluto o que terá motivado esta situação. Mas, seja lá o que fôr, lamento sempre que alguém se queixa de falta de liberdade. Até porque não estou a ver que espécie de democrata se pode orgulhar de silenciar as vozes discordantes.

Mamãs extremosas

O trânsito junto às escolas da cidade, nomeadamente nas horas de entrada ou de saída das aulas, constitui, à nossa escala, um verdadeiro quebra-cabeças. As causas são muitas, estão há muito identificadas mas, apesar disso, não se vislumbra nenhuma solução. Nem a médio, nem a longo prazo. Nem mesmo daquelas soluções imaginativas que provisoriamente servem para minorar os problemas e que acabam, quase sempre, por se tornar definitivas.
A ajudar à confusão, inevitavelmente gerada pela acumulação pessoas e de veículos de transporte de todos os tamanhos, junta-se o comportamento de algumas mães mais extremosas que não arrancam com o carrito enquanto os seus rebentos não estão bem no interior do estabelecimento de ensino. Claro que, nos tempos que correm, todos os cuidados com a segurança dos petizes são poucos mas, que diabo, quem vem atrás não tem culpa.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Multiculturalismo

Não tem sido poucas as vezes que aqui tenho manifestado a minha indignação pelas atrocidades cometidas em nome do islão. As minhas opiniões sobre a matéria, sempre que as publico, são alvo da repulsa de alguns leitores que aproveitam a ocasião para me chamar uns quantos nomes mais ou menos impublicáveis num espaço sério e decente como este. Os mais simpáticos lembram-me que os mouros andaram cá pelo rectângulo e terão deixado um ou outro gene que ainda me correrá no sangue. Outros, mais eruditos, dissertam sobre o multiculturalismo e aconselham-me a manter a mente aberta a outras culturas e outras maneiras de encarar o mundo.
Noticias recentes vindas do Irão, uma república islâmica, fazem-me dar alguma razão a esses comentadores. Ao que é noticiado pelas agências internacionais as autoridades iranianas enforcaram recentemente 30 delinquentes condenados por tráfico de droga, homossexualidade, assassínio e assaltos à mão armada. Afinal nem tudo é mau na lei islâmica e, por lá, sabem como tratar a criminalidade de forma eficaz. Coisas do multiculturalismo que, obviamente, temos de respeitar.

Causas menores

A discussão acerca da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo está definitivamente lançada e, pela amostra que o programa televisivo onde recentemente o assunto foi debatido proporcionou, a coisa promete ser animada.
Independentemente da opinião de cada um – e a minha é inequivocamente contra – ou dos motivos que se invocam para a sustentar, começo a ficar com a impressão que se está a instalar na sociedade uma linha de pensamento politicamente correcta que considera todos os que estão contra esta legalização uns mentecaptos, atrasados mentais ou coisa ainda pior. É neste contexto que não deixa de ser sintomático que alguns apoiantes desta causa, noutras circunstâncias sempre prontos a queixarem-se da suposta falta de liberdade e de um clima de pretenso medo que se está a instalar no país, não se coíbam de usar os mesmos argumentos e reajam da mesma maneira que os dirigentes do Partido Socialista, quando confrontados com opiniões divergentes da sua.
Por mim, que não votarei em partidos apoiantes destas causas, acho lamentável que os homossexuais estejam a ser usados para desviar as atenções e para afastar o debate daquilo que realmente é importante para o futuro do país e dos portugueses. Porque, mesmo que consigam os seus objectivos vão, mais cedo do que tarde, constatar que o Sócrates os f… em grande estilo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A reforma pró-activa

Primeiro foram os professores. Agora os médicos. Aos reformados de ambas as classes profissionais o governo alicia para fazerem uma perninha nas escolas e hospitais, respectivamente. Não se sabe ainda ao certo o que se pretende com esta tentativa de repescar para a vida activa pessoas que estão no pleno gozo da sua merecida – ou nem tanto – reforma. Mas é provável que a coisa não fique por aqui e reformados de outras áreas de actividade venham a ser alvo de semelhante proposta para voltarem a trabalhar.
Não me parece má ideia. Sinceramente. Se tantos políticos já aposentados continuam a dedicar-se à política activa, o conceito de pôr reformados a fazer alguma coisa de útil à sociedade parece ter todo o sentido.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A reacção previsivel

Como era de esperar as reacções ao post anterior não tardaram a surgir. Meia dúzia de comentários com linguagem violenta e agressiva mas todos incapazes de contrariar uma verdade indesmentível. O estado lastimável e de vergonhoso abandono em que se encontra grande parte do litoral alentejano e particularmente a zona em que as fotos foram obtidas.
Alega um defensor deste estado de coisas que assim é que está bem porque as gerações vindouras terão, desta maneira, oportunidade de ver a natureza no seu estado selvagem. Não acredito. Se nada for feito, se não houver investimento e não se aproveitar todo o imenso potencial turístico da zona, dentro de pouco tempo não haverá ninguém no Alentejo. Nem sequer haverá gerações vindouras. Mas talvez seja isso que a matilha ambientalista/ecologista mais ambiciona.

É urgente reciclar os ecologistas.

Apesar de anunciados com bastante pompa e muita circunstância, continua sem haver notícias dos empreendimentos turísticos na costa alentejana. Pelo menos boas noticias. Ao que julgo saber as organizações ambientalistas, pagas quase exclusivamente com o dinheiro dos contribuintes, terão interposto acções visando impedir a concretização dos diversos projectos.
Para essa gente não interessa o bem-estar, o emprego nem a melhoria das condições de vida que o aproveitamento das nossas maiores riquezas – o sol, o mar e o clima – podem proporcionar às pessoas. Para os ambientalistas, ecologistas e outra gentalha, a região deve continuar no estado lastimável e de vergonhoso abandono em que se encontra. Ou, como se costuma dizer, entregue aos bichos. E, mesmo assim, apenas a alguns, porque caso se trate de uma zona de paisagem protegida nem uma vaca lá pode pastar, não vá o simpático ruminante comer alguma florzinha em vias de extinção ou esmagar com uma bosta mais consistente uma lagartixa de espécie protegida.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

X coração

Um coração de proporções gigantescas pairando junto ao edifício sede de uma Câmara Municipal é coisa para dar azo a algumas especulações. Principalmente a alguém que, tal como eu, goste de especular.
Posso ser levado a crer que se trata de uma qualquer iniciativa destinada a verificar o estado de saúde, nomeadamente o relacionado com o coração, da população lá do sítio. Igualmente não será de excluir a hipótese de se tratar de uma mensagem publicitária do género a Câmara Municipal de Grândola ama os seus munícipes ou o inverso, que pode também ser verdade, “Os munícipes de Grândola amam a sua Câmara Municipal”. Nada de estranho, ainda mais se atendermos aos tempos pré eleitorais que se vivem e à facilidade com que alguns se apaixonam e desapaixonam pela sua Câmara consoante as cores de que a mesma se vai revestindo.
Ou, lembrei-me agora e atendendo a que a foto foi obtida ontem, pode apenas ser uma maneira de recordar a quem passa que é “Dia dos Namorados”. Ainda assim ninguém me tira da cabeça que há ali uma espécie de mensagem subliminar...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A moral, a moralização e outros pecados

Este post do meu amigo Albino no seu Estremoz em Debate motivou as mais variadas reacções. De concordância a maior parte, o que atendendo ao público-alvo não é de espantar, e outras que nem por isso. Inclusivamente alguém manifestou, sob a forma de comentário, o seu desagrado e também a sua ignorância relativamente à matéria acerca da qual o Albino dissertou.

Fez-se passar a ideia, com sucesso diga-se, que a moralização da administração pública passaria por uma reforma que, entre outras coisas, iria acabar com as promoções automáticas na carreira dos funcionários e que essas subidas passariam a ter apenas em consideração o mérito de cada um. Nada mais falso, como sabem os que conhecem estas coisas, porque nunca houve na administração pública promoções automáticas. Todo o processo de subida de categoria era precedido de um concurso, que obedecia a formalidades diversas que foram variando ao longo do tempo e dos humores dos governantes.

De forma automática e apenas condicionada pela obtenção de classificação de serviço nunca inferior a bom, era a progressão na carreira. Método que veio substituir, em 1989, as antigas diuturnidades que existiam desde tempos imemoriais na função pública e que ainda hoje são usadas em muitas empresas do sector privado.

A tão propalada reforma não veio alterar estes princípios. Pelo menos da forma radical que é anunciada e que muitos – coitados – gostariam que fosse. Aquilo que o governo fez foi alargar em muito o tempo necessário para a tal progressão automática e conceder aos dirigentes um poder discricionário – ou se quisermos discriminatório – acerca de quem deve ou não ser promovido ou progredir na sua carreira, como muito bem escreve o Albino.

Concluindo, actualmente o nabo com cartão do partido ou a gaja boazona que o dirigente máximo do serviço – qualquer que ele seja - anda a comer, continua a subir de forma automática, muito mais rapidamente e a ter aumentos maiores do que antes o funcionário competente. E quem diz a boazona diz um qualquer paneleiro, se o tal dirigente for desses, porque aqui pelo blogue não há discriminações.

Ou melhor. Haver até há, mas fica sempre bem dizer que não há.

Desculpas...

Apesar da crise, dos despedimentos e dos sucessivos encerramentos de empresas, parece haver ainda empresários patrões que necessitam recrutar pessoal e não encontram ninguém disposto a trabalhar nas suas empresas. Ao que garantem, a culpa será do chorudo subsídio de desemprego que generosamente é atribuído aos desempregados e que motiva pouca apetência aos beneficiários desta prestação social em aceitar qualquer emprego mal remunerado.

Não sei se os empresários patrões lusos terão ou não razão naquilo que afirmam. O que me parece é que, como dizia o amigo Simão Serafim¹, o exemplo tem de vir de cima e de cima há muito que não aparece nenhum exemplo de jeito, nem que mereça ser seguido quando a matéria a tratar é aproveitamento da coisa pública. Perante tudo o que se tem visto, lido e ouvido nos últimos tempos, quem pode criticar que alguém opte por ficar em casa e receber praticamente o mesmo dinheiro não trabalhando em vez de aceitar um emprego com um salário de miséria?!

Nem desconfio se situações dessas ocorrem com frequência. O que me parece estranho é que, sendo o mercado que comanda o funcionamento da economia e havendo escassez de mão-de-obra, não interessando para aqui o motivo, os salários não aumentem e os empresários patrões que disso se lamentam não subam o valor das remunerações pelas quais pretendem contratar trabalhadores continuando a insistir em oferecer o salário mínimo…

¹ Alguns sabem do que estou a falar e lembram-se da tirada, de todo inesperada, que deixou boquiabertos os que assistiam a uma célebre reunião no Teatro Bernardim Ribeiro…

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

No tempo do Eça estas coisas resolviam-se à bengalada. Essa é que é essa!

A detenção em flagrante delito não parece ter sido suficiente para desmotivar um bando que, tudo indica, continua a andar por aí. Segundo alguns rumores, terão sido novamente avistados cidadãos estrangeiros a rondar pelos bairros do Monte da Razão, Quinta das Oliveiras e da Salsinha, locais onde ainda recentemente foram assaltadas várias residências e duas mocinhas, vindas do leste europeu para exercitar as artes do gamanço, foram apanhadas com a boca na botija. Ou, talvez seja mais apropriado, com a mão na massa.

Claro que esta malta pode, com toda a legitimidade continuar a passear-se e a desenvolver a actividade que as trouxe até cá. Por mais assaltos que pratiquem e por mais vezes que sejam apanhadas haverá sempre alguém que se encarregará de as devolver à liberdade. Afinal vivemos num país livre e onde as mais amplas liberdades, garantias e direitos são assegurados a quase todos. Pelo menos aos que cometem algum tipo de crime.

Já os potenciais alvos desta rapaziada estão por sua conta e risco. Apesar dos avisos das autoridades, pouco ou nada poderão fazer para proteger os seus pertences da cobiça alheia. Acredito que não seja a melhor solução mas, a continuar assim, parece inevitável a organização de passeios de moradores pelas ruas do bairro. Cada um, como no tempo do Eça, munido de uma bengala. O que, para além de não ser proibido nem constituir nenhum crime, pode ser uma óptima maneira de resolver qualquer questiúncula como na época Queirosiana se resolviam os mais variados diferendos. À bengalada.

Erro irritante

Ao que se diz, Estremoz está cheio de gente que sabe tudo e mais alguma coisa acerca de todos os blogues que se publicam por cá. Devem por isso saber que o “KruzesKanhoto” dá-me este malvado erro cada vez que edito um post.

Se sabem assim tanto, resolver isto deve ser canja. Digam-me lá o que devo fazer porque, verdade verdadinha, esta coisa começa a irritar-me.