domingo, 15 de junho de 2008

Buzinões

Anuncia-se para um destes dias um buzinão em Estremoz para protestar contra o que os organizadores - sejam eles quem forem - entendem ser o alto preço dos combustíveis. Protestar contra esse facto de automóvel, logo gastando combustível, não parece ser uma atitude muito inteligente, no entanto cada um sabe de si.

Normalmente quando o preço de um produto atinge valores considerados insuportáveis, como parece ser agora o caso, a opção mais racional seria comprar menos e procurar alternativas. Os consumidores, por vontade própria, não têm seguido esse caminho. Afinal, por mais caros que estejam os combustíveis, é sempre bom ir festejar as vitórias da equipa de futebol preferida a acelerar na rotunda dos combatentes ou a buzinar histericamente pelas ruas da cidade. Isto para não falar das senhoras gordas que insistem em ir de carro até à porta do pronto-a-vestir.

sábado, 14 de junho de 2008

Javardice

O Estado é uma entidade negligente relativamente à limpeza, conservação e manutenção dos seus bens. Disso temos, infelizmente, exemplos por todo o lado e a nossa cidade não foge à regra geral que impera no país.

A imagem documenta um desses casos. Um edifício público, no centro de Estremoz e num dos locais mais movimentados da cidade, onde os ninhos de andorinhas são em tal número que, para além de contribuírem para a degradação do edifício, dão uma imagem repulsiva, nojenta mesmo, de toda a área envolvente. Os passaritos até podem ser de uma espécie protegida. Podem até os ambientalistas, os ecologistas, os pseudo-defensores dos animais e toda a restante intelectualidade ter uma panóplia de argumentos, de leis, regulamentos e tratados para justificar que nada se faça para impedir este estado de coisas.

Poder, podem. Agora que é uma JAVARDICE, lá isso é.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Andar a pé é boa ideia

Apesar de todos os avisos dos especialistas na matéria os portugueses, e os estremocenses em particular, parecem não estar convencidos de que é necessária uma alteração de hábitos no que diz respeito à utilização do transporte particular. Usam-no de uma forma completamente irracional, desregrada e que, em certos casos, revela claros sintomas de demência. É hoje unanimemente aceite que a alta do preço dos combustíveis veio para ficar, a tendência será subir ainda bastante mais, e mesmo os mais renitentes terão de acabar por aceitar que o tempo de utilizar o automóvel para deslocações de escassas centenas de metros chegou, irremediavelmente, ao fim e que terão de optar por formas alternativas de se deslocarem.

Neste contexto, os espaços urbanos terão de ser projectados tendo em conta essa nova realidade. Aparentemente é o que fez – muitíssimo bem, acho eu - a equipa vencedora do concurso de ideias para a requalificação do Rossio Marquês de Pombal, dos largos da República e Luís de Camões e da zona do Lago do Gadanha. Se bem percebo, a “ideia” escolhida como a melhor privilegia claramente o peão e propõe a criação de amplas zonas destinadas apenas à circulação de pessoas.

Sendo esta uma zona plana da cidade e sendo também plano todo o percurso até à zona de maior concentração populacional, era capaz de não ser má ideia prever, no âmbito desta requalificação ou noutro âmbito qualquer, um local especialmente destinado ao estacionamento de bicicletas. Que, ou muito me engano, será dentro de pouco tempo o meio de transporte em que comemoraremos os êxitos vindouros da selecção nacional.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Os passarões

De tanto ter sido bombardeado com notícias acerca de uma pretensa crise alimentar que, garantem alguns alegados especialistas, estará prestes a chegar, decidi cultivar o meu quintal com toda a espécie produtos hortícolas e vegetais comestíveis. Embora quanto a essa parte do “comestíveis” mantenha sérias reservas relativamente a alguns…

Aparentemente a coisa até não estava a correr mal. As sementes germinaram num tempo espantosamente curto - deve ter sido das recentes chuvadas – e, para meu contentamento, pequenas plantas surgiram à superfície. No entanto estes malvados passarões, vindos sabe-se lá de onde, depressa trataram de se banquetear à custa da minha futura produção e, quiçá, reserva alimentar da família para os tempos difíceis que se aproximam se as previsões dos alegados sábios baterem certo.

Inexplicavelmente parece que este pássaros estúpidos e inúteis são uma espécie protegida e não podem ser abatidos. Diz até que é proibido montar armadilhas para os apanhar e que quem o fizer será severamente punido. Pelo menos é o que me garantem alguns colegas lavradores, companheiros de infortúnio e vitimas destes comilões alados.

Embora me apeteça exterminá-los, não o vou fazer. Vou antes convencê-los, de modo civilizado e ordeiro, a irem debicar para outra horta mais viçosa. Se não o fizerem, aí já não me responsabilizo pelo que lhes possa acontecer e que pode passar, inclusivamente, por acabarem os seus dias numa frigideira. É capaz de resultar. Ao que dizem a persuasão está na moda e é muito praticada nas estradas portuguesas…

domingo, 8 de junho de 2008

Patriotismos

Não é que não goste de bandeiras ou que abomine manifestações de patriotismo, só lamento que os portugueses apenas manifestem o seu amor à pátria por razões desportivas. Ou melhor futebolísticas. Quando em causa estão outros factores, que porventura nos entram no bolso, aí o patriotismo é facilmente esquecido e a nossa contribuição para o país, que nestas alturas tanto enaltecemos, é rapidamente deitado às malvas…

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Javardolas

A merda de cão continuará a ser um tema recorrente deste blog. Pelo menos enquanto alguns javardões não tiverem a consciência cívica necessária para evitar que imagens como esta sejam uma constante nas nossas cidades. Desta vez não vou sugerir que o autor do monumental cagalhão, que se pode visualizar na fotografia, é o cão da Dª. Ro… ou da Dª Ma… I… Sequer refiro que possa ter sido o “Robin”. Por hoje fica apenas a questão: Que porra é que andam a dar ao cão?!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Chinesices

Desde que uma chinesa ousou pensar que eu lhe queria comprar um “pito”, quando eu só pretendia adquirir um cronómetro - estória que conto aqui - não voltei a entrar numa loja dos chineses. Até ontem. E em má hora o fiz. Comprei uns chinelos que, ainda antes de neles introduzir os pés, exalam um odor insuportável e que impede qualquer ser vivo de respirar num raio de vinte metros em seu redor. Coisa perfeitamente normal se já os tivesse calçado, mas não para uns chinelos novinhos em folha.

Por mais que me questione quanto ao material que terão usado para fabricar os ditos andantes, não obtenho resposta para tão intrigante mau cheiro. É que apesar de durante horas terem permanecido mergulhados em várias infusões, mesmo assim, o estranho pivete continua a poluir a atmosfera circundante aos chinelos. Ainda lhes mijo em cima e devolvo-os ao cabrão do chinês.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Pré-aviso

Provavelmente este e os outros blogs “Kruzes Kanhoto” vão entrar em greve. Embora este post constitua apenas uma aviso, melhor um pré-aviso, que nesta coisa de greves é sempre bom cumprir as normas legais devidamente estabelecidas, a paralisação destes espaços é uma possibilidade real.

A efectivar-se, constituirá uma forma de protesto contra certas e determinadas situações. E contra algumas coisas, também. Entre elas a ausência de colaboração e falta de solidariedade por parte dos leitores que, embora me honrem com um número relativamente simpático de visitas, revelam uma decepcionante falta de solidariedade para com as causas divulgadas neste conjunto de blogs. E estes, como todos sabem, são blogs de causas.

domingo, 1 de junho de 2008

A viajar é que a gente se entende

O Presidente da Câmara do Alandroal proporcionou a quatrocentos dos seus eleitores mais idosos uma viagem, a preços módicos, aos Açores. Fez bem. São pessoas que ao longo da vida passaram por inúmeras dificuldades, com rendimentos extremamente baixos e que de outra forma dificilmente poderiam usufruir, com alguma qualidade, do muito tempo livre que agora dispõem dada a sua condição de aposentados.

Por outro lado o turismo é hoje um dos mais importantes sectores de actividade económica e iniciativas deste género podem revelar-se como um importante meio de dinamizar a economia do país. Para isso seria necessário que muitos mais autarcas tivessem estes lampejos de lucidez e a audácia suficiente para os pôr em prática, levando os seus eleitores a fazer turismo pelos quatro cantos do país.

Mais parvoíces em:

kruzeskanhoto no sapo

KontraFactos & KontraFeitos

sábado, 31 de maio de 2008

Vestidos para inaugurar

Os jovens vestidos de branco, com poses esquisitas que hoje deambulavam entre os frequentadores do mercado semanal não eram, ao contrário do que sugeriam alguns passeantes menos informados acerca da actualidade local, agentes da ASAE disfarçados de jovens vestidos de branco com poses esquisitas a deambular entre os frequentadores do mercado semanal. Afinal eram apenas jovens vestidos de branco com poses esquisitas e faziam parte da animação que envolveu a inauguração da “Casa de Estremoz”, obra que recuperou as antigas instalações da Rodoviária Nacional. E que está uma coisa porreira, pá.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Roulotes

À semelhança do que acontece um pouco por todo o país também em Estremoz se vão vendo as roulotes de comes e bebes que, durante a noite, servem de ponto de reabastecimento aos estômagos mais desaconchegados. Pena que a oferta gastronómica se fique pelos cachorros, hamburgueres e outros inventos recentes da moderna comida de plástico. Uma açorda era capaz de ser coisa para ter saída...

domingo, 25 de maio de 2008

Publicidade

Da apreciação deste placard publicitário a um artesão de Estremoz podemos concluir que o senhor(a) gosta de ratos e, provavelmente, detesta aranhas. Pelo menos a julgar pelo tratamento carinhoso que dedica aos primeiros e a denominação menos amigável que atribui às segundas. Isto caso “aranhões” signifique o marido da aranha, com quem esta vive em união de facto ou simplesmente com quem o aracnídeo fêmea dá umas quecas. É que também nestas coisas do mundo animal há que manter o espírito aberto às novas realidades sociais.

sábado, 24 de maio de 2008

A "barreca"

O que leva um cidadão, não sendo o Kadahfi, a escolher para si e para os seus residir numa barraca? E porque será que não deposita o lixo, que ele próprio faz, no contentor mais próximo, ainda que este fique a 50 metros? Queixa-se o mesmo cidadão da lama no Inverno, dos mosquitos no Verão e das cobras e ratazanas todo ano mas, no muito tempo livre de que dispõe dada a sua condição de reformado ou desempregado, nada faz para melhorar o ambiente do local onde está instalado. Queixa-se igualmente da falta de água e de electricidade que, coitado, se vê forçado a puxar do poste mais próximo. Uma chatice. Apesar de “alguém” pagar a conta da energia eléctrica que abastece o local e de uma torneira debitar, generosa e ininterruptamente, muitos metros cúbicos de água que, obviamente, também “alguém” paga.

Não se sabe se, no interior da aparentemente precária habitação, o cidadão em causa possui ou não jacuzzi, ar condicionado, ou um plasma onde sintonize os canais televisivos que a sua parabólica lhe permite captar. Isso é lá com ele. Mas, a julgar pela viatura topo de gama estacionada nas imediações da “barreca”, é bem capaz de se dar a esses pequenos luxos.

Assim sendo, o que leva um cidadão, não sendo o Kadahfi, a escolher para si e para os seus residir numa barraca? Talvez a tranquilidade e a segurança que o local lhe inspira. Pode ali receber as visitas dos parentes afastados e serão poucos, ou mesmo nenhuns, os abelhudos que vão meter o nariz nos negócios com que vai arredondando o “Rendimento”. Entretanto, muito de vez em quando, vai pedindo uma casinha. Mas bom, mas mesmo, mesmo bom, era arranjarem a estrada. Um carro de cinco mil contos não é para andar naqueles buracos.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Vinte anos depois...

A limpeza e os pequenos arranjos tem, quase sempre, mais significado para os moradores do local onde são feitas do que as grandes obras, por vezes também necessárias, onde se investem recursos muitíssimo mais avultados. O caso presente apenas captou a minha atenção por, ao fim de vinte anos, alguém ter finalmente feito alguma coisa por aquele espaço. Diga-se, no entanto, que não se trata de uma intervenção isolada e que na mesma zona outras acções do mesmo género foram efectuadas nos últimos tempos. O que se saúda.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Blogueadores

Fujo como o diabo da cruz, ou maomé do toucinho, de blogues carregados com toda a espécie de mariquice. Ele são contadores com dados para todos os gostos (desconfio que ainda vão inventar um que nos informe qual é a cor das cuecas dos últimos dez visitantes), templates com florzinhas ou bichinhos de ar apalermado e ainda mais umas quantas inutilidades que podem ir desde uma merda qualquer que transforma o dispositivo apontador vulgarmente conhecido como rato numa abelha, ou coisa ainda pior, até algo que faz uma irritante imitação de uma estação rádio. Tudo com a finalidade suprema de bloquear os computadores daqueles que tiveram a infeliz ideia de os visitar.

E se há coisa que eu não gosto é de ver o computador bloquear. Chateia-me, aborrece-me e dá-me vontade de escrever um post a manifestar a minha indignação.

sábado, 17 de maio de 2008

Visitas na sala

São muitos, parece que cada vez mais e com maior frequência, os caravanistas que escolhem a nossa sala de visitas para aparcar a sua caravana e passar por aqui algum tempo. Nada de mais quanto a isso, nem daí vem qualquer espécie de mal ao mundo ou à cidade. Pode, contudo, fazer-nos concluir que apesar de uma certa malandragem que anda por aí, o centro da cidade ainda é um local seguro para pernoitar. Quantas terras, mesmo de pequena dimensão como a nossa, se podem gabar disso?!

terça-feira, 13 de maio de 2008

O eco-ponto não morde

Consequência, quiçá, da estreita abertura dos eco-pontos ou de qualquer patologia indeterminada, há quem prefira deixar, armado em javardo, os sacos do lixo no chão.

Revela-se igualmente assaz difícil, do interior de uma viatura, introduzir o saco no contentor. Tal habilidade, por alguns tentada, requer um elevado grau de perícia, principalmente se o candidato a Michel Jordan do lançamento de resíduos for o condutor.

Vamos lá ter juizinho e colocar o lixo no sítio certo. Ai, ai, ai....

sábado, 10 de maio de 2008

Prestigiozinho

Num curto espaço de tempo foi este blog por três vezes citado na imprensa local. No Brados do Alentejo, que primeiro citou este post, mais tarde este e, recentemente, no jornal Ecos onde um habitual e conceituado colunista menciona a persistente luta que aqui se tem feito contra a merda de cão.

Nada mau, portanto. Principalmente se tivermos em conta que este é um espaço cinzento, sem graça e que eu próprio não hesitaria em adjectivar como qualquer coisa entre o relativamente idiota e o totalmente desinteressante. No entanto é sempre bom saber que alguém nos lê. Até porque, como dizia o outro (já repararam que o “outro” é o gajo que mais vezes é citado em Portugal?!) um blog sem leitores não passa de um acto de masturbação intelectual.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Conversas na via pública

Sempre me questionei acerca da necessidade de um condutor interromper a marcha para, em plena faixa de rodagem, ficar na conversa com um transeunte seu amigo, conhecido ou com outro grau de afinidade qualquer, impedindo a passagem dos veículos que seguem na sua retaguarda. É algo que me irrita e para que só encontro justificação na má formação cívica, falta de educação e ausência de respeito para com os outros utentes da via pública.

Este tipo de situação sucede em Estremoz a toda a hora. É ver curvas mais ou menos bem delineadas debruçadas para o interior de um automóvel, proeminentes barrigas encostadas à chapa ou, se a conversa se faz a uma distância um pouco maior, bocas e narizes fora dos vidros debitando esganiçados decibéis. Tudo para falar de coisas importantes, presumo.

Em locais como as ruas Brito Capelo e 31 de Janeiro a coisa chega a atingir níveis absurdos. Na primeira porque os comerciantes estão sempre à porta, o que potencia a possibilidade dos automobilistas terem qualquer coisa para lhes dizer e, sendo esta uma rua que apenas permite um sentido de trânsito provoca, no caso de alguém parar, o bloqueio da circulação.

Na 31 de Janeiro assisti hoje ao facto curioso de, em simultâneo e quase lado a lado, dois automobilistas terem tido a súbita necessidade de falar com peões. E, por azar, cada um com um peão diferente o que, obviamente, impediu o normal fluir do trânsito enquanto decorreu a animada conversa. Menos mal que, num dos casos, as curvas não eram más.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A osga

Está oficialmente aberta a caça à osga. Com a chegada dos dias quentes, ou apenas ligeiramente mais quentes, estes irritantes e asquerosos répteis deixam os seus refúgios de inverno e desatam a passear-se pelas paredes. Aparentemente estes bicharocos são inofensivos e, de alguma forma, úteis porque alimentam-se de insectos, nomeadamente mosquitos e melgas, esses sim prejudiciais para o ser humano.

No entanto a presença das osgas provoca um alarido e uma algazarra entre os circunstantes que, fatalmente, só termina com a certeza da morte do pequeno rastejante. Foi o que aconteceu ao primeiro exemplar desta espécie que uma destas noites teve a ousadia de percorrer desajeitadamente as paredes do meu quintal. Para igualar o record do ano passado só faltam quarenta e nove.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Estou indignado!

Desagradam-me as inscrições desta natureza. Principalmente na minha cidade. Desconheço as motivações que podem levar alguém a escrever este tipo de frase numa parede que, não se justificando em qualquer circunstância, ainda menos sentido faz numa cidade relativamente pacifica como é Estremoz onde a comunidade africana se resume a uma dúzia de jovens estudantes da Epral, oriundos de Cabo-Verde, cujo comportamento, relativamente aos que conheço, apenas tenho a elogiar. Enquanto estremocense estou indignado. Não apenas pela frase em si, mas também por ter conterrâneos capazes de a escrever.