Ao que investigaram os jornalistas do Público, os políticos que estarão a tratar destas coisas do arrendamento terão, no seu conjunto, mais de mil imóveis. Presumo que a investigação conclua que não deviam estar a tratar de assuntos que envolvam coisas relacionadas com habitação. Haverá, portanto, que chamar a legislar gente que se inclua entre os trinta por cento de portugueses que não têm nenhum imóvel em seu nome. Ou, quiçá, as criaturas que estão acampadas em Lisboa e no Porto. Mesmo que estejam sob o efeito de substâncias esquisitas, não faz mal. Quem nunca, que atire a primeira pedra.
Esta investigação jornalística será certamente apenas o inicio de muitas. Tantas que até já estou com pena dos estagiários, coitados. Deve seguir-se outra sobre os políticos que são funcionários públicos e que estão envolvidos nos processos que envolvem os aumentos de vencimento ou revalorizações de carreiras. Outra, depois, sobre os autarcas – presidentes, vereadores e deputados municipais – que têm casas e aprovam, nos respectivos órgãos, as reduções de IMI e de IRS que, pasme-se, até se lhes aplicam directamente. Uma vergonha, pá! Nem sei do que o Público está à espera para denunciar este escândalo.

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