Há quem sonhe com a réplica em Portugal das manifestações espanholas e francesas contra as alegadas crises da habitação e da educação. Em democracia todo o protesto é legitimo. Os métodos reivindicativos utilizados naqueles países é que não me parecem ser os melhores tendo em vista a obtenção dos resultados pretendidos.
Em Espanha, por exemplo, transformar a Puerta del Sol num circo de aberrações não se me afigura que seja uma boa ideia. Se aquela gente que está por ali acampada quer uma casa o melhor será sair dali quanto antes. É que ninguém de bom senso arrendará uma casa a criaturas como aquelas que as imagens daquele local nos mostram. Como diria a minha avó, aquilo é gente que mete nojo aos porcos.
Já em França diz que o problema são as escolas. Não prestam. E os professores, que são poucos. Partir escolas recentemente recuperadas e chegar a roupa ao pêlo dos alegadamente poucos docentes que ainda têm parece, assim à primeira vista, uma coisa simplesmente estúpida. Mas, quem sabe, se repetirem isso muitas vezes pode ser que resulte. Até porque tem o amém dos paizinhos e, principalmente, da esquerda francesa. Tem tudo para correr bem, portanto.
Cada um sonha com o que muito bem quiser, mas pelo sim pelo não, era capaz de não ser má ideia estar informado acerca das potenciais consequências. Nomeadamente procurar saber, entre outras coisas, quem ganhou e por que margem as eleições convocadas na sequência do Maio de 1968. É que a história tem a estranha mania de se repetir.

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