quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tá bem abelha...

Dúvida parva:
“Sou nova nisto tudo, ainda só tenho 4 dias de existência como vegetariana e tenho muitas dúvidas sobre muitos temas. Por exemplo quais são os materiais (roupa) vegan que podemos usar, quando queremos respeitar os animais e o ambiente?”
Resposta idiota:
“Em relação à roupa é procurar o mais simples possível; tudo sem ingredientes de origem animal, mas por vezes é complicado descobrir se a tinta usada na roupa tem corantes feitos de insectos esmagados…”
Camisas onde a tinta usada foi feita à base de melga esborrachada são, de facto, de evitar. E que dizer das calças em que, só para a cor, foi necessário massacrar milhões de moscardos?! E quantos zilhões de moscas varejeiras são por ano abatidas, provavelmente em condições degradantes, só para colorir as fatiotas do Sócras?! Até me arrepio só de imaginar a quantidade de vidas – de insecto, mas vidas – que são sacrificadas…
Exterminar insectos inocentes, não tarda, vai constituir crime. O fim dos insecticidas e repelentes ou até, quem sabe, a proibição do fabrico e comercialização de mata-moscas poderão ser, a curto prazo, as novas causas fracturantes do Partido Socialista e do seu irmão mais traquina, o Bloco de Esquerda. Não era coisa para me surpreender.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Badalhoco!

Há, de facto, gente de uma baixeza ao nível da merda de cão. Coisa que, como se sabe é um dos temas chave deste blogue. É por isso que hoje publico esta foto. Talvez a editora do Saramago a aproveite para a capa do seu próximo livro se este continuar a sua saga de temas bíblicos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mamocas e outros regabofes

A propósito do excelente vídeo protagonizado pelos funcionários do Município de Portimão, que divulguei aqui ainda antes do mesmo se ter tornado um fenómeno de popularidade, tenho lido, nos mais variados sites e blogues, comentários pouco abonatórios visando, de uma maneira geral, todos os que trabalham na função pública. Nada de extraordinário nem de muito relevante se tivermos em conta que vivemos num país de invejosos, crápulas e manhosos, para quem a galinha da vizinha é sempre mais gorda. A nossa generosidade, que também temos, não nos permite aceitar de bom grado que o sucesso ou o bem-estar alheio ultrapasse o nosso. Os outros podem até ser ricos e felizes, desde que o sejam um bocadinho menos do que nós.
Está enraizada a convicção que os funcionários do Estado, ou das autarquias, trabalham pouco e ganham muito. Acredito. Tanto como nas anedotas em que os alentejanos são todos malandros ou parvos e, como no anedotário brasileiro, em que todos os portugueses são estúpidos. No Estado e nas autarquias haverá quem trabalhe pouco, quem trabalhe muito, poucos que ganham muito e, sobretudo, muitíssimos que ganham uma miséria. Actualmente, a função pública é o retrato quase perfeito do que se passa no restante mundo laboral e onde a perda de direitos ou, como alguns insistem em considerar, certas regalias tem sido uma constante. Há portanto, lamento desapontá-los, pouco para invejar.
Não levo a sério esse tipo de discurso. Considero-o próprio de indigentes mentais, de labregos vá, com notórias dificuldades em olhar mais longe que o umbigo e visíveis problemas em lidar com a realidade vigente. O que me deixa possesso, verdadeiramente fora de mim, é aquele remate malicioso com que garantem ser “à custa dos meus impostos”. Deles, entenda-se. Principalmente quando, ao que afirmam reputados fiscalistas, reinará em termos fiscais um verdadeiro regabofe no sector privado em que pagamentos por “baixo da mesa”, “por fora” e “sem ir ao vencimento” serão prática corrente na generalidade das empresas.
É por estas e por outras que seria interessante saber quantas plásticas às mamocas, rabiosques e partes menos favorecidas, são por ano objecto de dedução em matéria de IRS. Pelo menos sempre podia afirmar, perante um renovado e vistoso par de mamas, que foi à custa dos meus impostos. Mesmo que daí não tire proveito nenhum.

domingo, 8 de novembro de 2009

Eco-parvoíces

Muitas foram as ocasiões em que nestas páginas manifestei a minha antipatia, desprezo até, pelos ambientalistas. Não contra nenhum em particular, nem para com a causa ambiental, mas relativamente ao fundamentalismo que os grupos organizados colocam naquilo que consideram ser defesa do meio ambiente e que, quase sempre, mais não é que manifestação de parvoíce e desconhecimento da parte de quem cresceu e vive no meio do betão, sem nunca ter vivido no campo ou ter tido contacto com a natureza e com a bicharada que por lá habita.
É por estas e por outras que gosto de, de vez em quando, dar uma vista de olhos por sites e fóruns onde estes temas são tratados e discutidos. Vale a pena, garanto. As questões suscitadas pelos intervenientes estão quase ao nível do consultório sentimental da “Maria” e as perguntas colocadas podem ser consideradas como a versão ecológica das que se lêem naquela publicação. Em lugar da jovenzinha ingénua que pretende ser esclarecida quanto à probabilidade de engravidar por ter passado à porta de um WC para homens ou se pelo facto de outro jovem a ter olhado de soslaio estará apaixonado por ela, podemos encontrar coisas deste tipo:
“Como posso repelir um rato que apareceu na minha cozinha sem o magoar?”. A solução sugerida, com imagem e tudo, surge ao melhor estilo de um qualquer aprendiz de McGyver e é a que se segue:
“A melhor forma de apanhar ratos sem crueldade nem morte consiste no seguinte:
Arranja um tubo de papel higiénico e faz dois vincos no sentido do comprimento de maneira a obter um túnel com os lados planos;
- Põe uma guloseima ao fundo do tubo;
- Arranja um balde alto;
- Coloca o tubo mal equilibrado na ponta de uma mesa ou balcão com a guloseima directamente sobre o balde;
- O rato correrá através do túnel e cairá no balde;
- Liberta o animal bastante longe da tua casa”.
Arranjar um gato era capaz de ser uma alternativa igualmente ecológica…a menos que esta gente seja fundamentalista ao ponto de tornar o bichano vegetariano.
E casos há ainda mais dramáticos. Veja-se este: “Gostaria de saber como posso repelir centopeias de casa, evitando o seu sofrimento. Para mim, isto é uma informação muito importante, pois aparecem bastantes em minha casa e eu tenho quase fobia a elas”:
A resposta não ajuda muito e é a que se segue:
“Fobia de centopeias? lol, entendo, mas não se deve ter fobia de animal nenhum, ainda mais quando eles são inofensivos. Eu já tive uma grande fobia às aranhas e venci-a. Devemos pensar sempre que o animal de que temos medo é que tem medo de nós, e não deixar que o nosso medo injustificado nos leve a sacrificar uma vida. Quanto ao que fazer para as afastar, peço desculpa mas não posso ajudar muito…”
Bolas…e eu è espera de uma solução mais engenhosa do que aquela que preconizo e que envolve uma vassoura e o esmagamento sumário do rastejante…

sábado, 7 de novembro de 2009

O ex-homem do bloco

Desde o inicio deste blogue tenho rejeitado sempre, seja sob a forma de post ou comentários de terceiros, a abordagem à política local. Assim continuará a ser. É por isso que a polémica do momento cá pelo burgo não merecerá aqui qualquer referência e que comentários acerca da mesma não serão publicados. Aliás os intervenientes na questão já tiveram ocasião de esgrimir os seus argumentos e, se assim o entenderem, continuarão a fazê-lo como é normal e legitimo no jogo democrático. Daí que as opiniões que aqui pudessem ser colocadas - para além de irrelevantes - nada acrescentariam ao debate em causa.
Não quero, no entanto, deixar de manifestar o meu mais vivo repúdio, enquanto estremocense, por afirmações difamatórias que vi escritas num blogue e que pretenderão atingir cidadãos de Estremoz eleitos recentemente. Sem pretender defender ninguém, os visados sabê-lo-ão fazer sem necessitar de ajudas alheias, exerço apenas o meu direito à indignação perante os impropérios escritos por alguém que teve uma passagem fugaz por Estremoz onde, a fazer fé nos que o conhecem, poderá ter deixado muita coisa mas saudade não deixou nenhuma.
Não conheço o senhor pessoalmente mas até acredito que seja uma excelente pessoa e, provavelmente, hoje já estará arrependido daquilo que escreveu. O que, reconheça-se, não é caso para menos. Quando se fala em anónimos que escrevem barbaridades em blogues e que o bonito e corajoso é assinar por baixo sou, parece-me, o único a discordar. Infelizmente são coisas destas que me dão razão. Escrever o que o dito senhor escreveu nada tem a ver com coragem mas antes com má educação, falta de respeito e outras coisas que me abstenho de escrever e das quais muitas vezes se acusa os anónimos. Principalmente quando opina sobre algo que não lhe diz respeito e o faz de uma forma grosseira. Argumentarão que, assumindo a sua identidade, o autor poderá ser responsabilizado por isso. Pois sim. Quem assim procede sabe que justiça tem por cá e que as consequências não andarão longe das de uma qualquer “operação furacão”…
Por mim sinto-me indignado e acredito que mesmo os eleitores do Partido Socialista e principalmente os seus eleitos, porque os conheço e sei que são pessoas de bem e com um nível de educação e cortesia muito acima do evidenciado pelo tal senhor cujo nome não será aqui publicado, se sentirão incomodados por aquele desvario de linguagem que não é próprio de alguém inteligente ou, sequer, decente.
Como comecei por referir este post nada tem a ver política local. Apenas com educação. Que pelos vistos estava de folga quando nasceu um certo ex-homem do bloco.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Estas coisas dão-me "fezes"!

Considero absolutamente inacreditável o que se tem passado na piscina municipal de Estremoz perante a passividade dos responsáveis pela gestão do espaço que se revelam claramente incapazes de tomar medidas que obstem à repetição de situações desagradáveis, para ser simpático, e que colocam em perigo a saúde das largas dezenas, ou mesmo centenas, de utentes que frequentam aquelas instalações.
Desde Outubro, altura em que a piscina reabriu ao público, foram detectadas fezes humanas na água por quatro vezes. Pelo menos. O que dá a espantosa média de uma vez por semana. Acredito que os meninos, saliente-se que não se trata de bebés, não defequem de propósito. Acredito igualmente que a responsabilidade não passará pelos monitores que, como é óbvio, não controlarão as necessidades fisiológicas dos seus alunos. Por mim responsabilizo, antes de mais, os papás que não incutem nos seus filhos a noção de que não podem fazer “xixi” ou “cocó” dentro de água. E, repito, estaremos na presença de crianças com idade superior a quatro ou cinco anos que controlarão muitíssimo bem este tipo de “vontades”.
Extraordinária é a ausência de qualquer medida por parte de quem tem obrigação de zelar por aquele espaço. Desde que surgiu o primeiro caso no inicio de Outubro, poucos dias depois da reabertura, e sabendo-se que já em anos anteriores estes problemas surgiam pontualmente, nada foi feito. Identificar os autores da proeza - coisa que nem parece difícil e até será de um domínio vagamente publico - bem como proibir o seu acesso às instalações parece o mais racional e prioritário. Impor o uso de um qualquer tipo de fralda apropriado a estas circunstâncias seria, igualmente, do mais elementar bom senso.
Para além da saúde pública, que constitui o factor mais importante, há uma equipa de competição que fica impedida de treinar e todo um vasto conjunto de pessoas – miúdos e graúdos – prejudicados pelos forçados e sucessivos encerramentos deste equipamento público. Este será com certeza um assunto que merecerá da nova vereadora do desporto, recentemente empossada, a melhor atenção. Pelo menos, espera-se, mais da que tem merecido até agora.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Simbolos que incomodam

A questão dos crucifixos está de novo na ordem do dia. Mesmo condescendendo que tal objecto não faz falta absolutamente nenhuma numa sala de aula, não me parece que a sua presença nesse local, ou noutro, constitua por si só uma ofensa seja para quem for nem, ainda menos, a violação de qualquer direito.
Alega-se, à falta de melhor, que a presença daquele símbolo cristão nas escolas públicas ofende os alunos de outras religiões ou, até mesmo, os que não professam qualquer credo religioso. Parvoíce. A rapaziada, pelo menos a do meu tempo e acredito que a de agora não seja muito diferente, está-se nas tintas para isso e terá coisas muito mais interessantes e bem mais terrenas para regalar o olhar. Toda esta celeuma, desnecessária, idiota e perfeitamente bacoca está a ser provocada por mamãs com falta de homem e papás desejosos de dar o cú a seguidores de outras religiões.
Apesar da minha descrença nas coisas de Deus, seja ele qual for, a polémica suscitada em torno desta questão tem o poder de me deixar indignado com aqueles que exigem a retirada de crucifixos das escolas e outros símbolos religiosos de todos os edifícios públicos. Irrita-me que essa gente manifeste uma estranha intolerância perante símbolos da fé cristã, enquanto revela uma cândida benevolência face aos sinais cada vez mais evidentes e provocadores de outras religiões que, desde há muito, se preparam para nos imporem os seus valores retrógrados, ditatoriais e fascistas. Mas isso é o multiculturalismo. Dizem eles.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mas afinal não queriam a avaliação?!

Foi com José Sócrates e restante pandilha que o país descobriu as maravilhas da avaliação dos servidores do Estado. De repente toda a gente passou a considerar essencial e absolutamente necessário avaliar o desempenho daqueles que são pagos com o dinheiro dos contribuintes. Mesmo que não se soubesse ao certo porquê ou para quê. O importante, até para dar um ar de evoluído e liberal - no conceito económico do termo – era opinar a favor da dita avaliação. E, na ausência de argumentos consistentes a favor desse desígnio, a justificação era um peremptório porque sim.
Por mim, embora o tema me seja relativamente indiferente, nem acho mal de todo. Embora revele alguma desconfiança e subsistam na minha mente algumas dúvidas sobre se o processo avaliativo não incluirá a análise detalhada de alguns decotes mais generosos, o meticuloso estudo de certas características físicas ou as capacidades evidenciadas noutras circunstâncias que pouco tenham a ver com o objectivo final da avaliação.
Apesar das reservas que estas coisas me suscitam, algumas notícias que de vez em quando vão sendo publicadas encarregam-se de demonstrar que não tenho razão. Mas dão-me, ainda assim, um enorme gozo. Foi o caso de hoje, em que se dava voz à indignação popular por, no caso da PSP e GNR, os objectivos dos agentes ligados à fiscalização do trânsito terem em conta o número de autuações efectuadas. Sinceramente não estou a ver que outro tipo de objectivo pode ser estabelecido para estes profissionais nem percebo a ira mal contida de quem critica os avaliadores que assim procederam. A menos que a populaça, sempre desejosa do quanto pior melhor para a função pública, estivesse à espera que o desempenho dos agentes fosse avaliado tendo por base as velhinhas que ajudam a atravessar a rua ou em função da harmonia das notas musicais emitidas pelo apito de que habitualmente são portadores.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O "preço" da popularidade

A popularidade deste blogue não pára de me surpreender. Veja-se o caso do visitante analisado na imagem acima, obtida através do contador de visitas. Já fez, só nos últimos tempos, duzentas e doze visitas, deixou vários comentários e, nada satisfeito por alguns não terem sido publicados, ameaça espalhar pelos mais diversos blogues aquilo que eu não lhe publico. Faz bem. Embora este espaço tenha um número que considero razoável de acessos diários, a sua divulgação trar-me-á com certeza muitos mais. O que é bom.
Como já referi em posts anteriores o “Kruzes Kanhoto” tem existido, praticamente desde o primeiro dia, graças à publicidade que ostenta no topo e na barra lateral que, como é natural, não está ali apenas para enfeitar nem tornar o blogue mais colorido. Esse espaço era antes ocupado por um conjunto de links do programa de publicidade on-line “Adsense”, no entanto, depois de terminada a ligação à plataforma publicitaria do Google, tenho testado outro tipo de anúncios, alguns do quais pagos por visualização de página. Quer isto dizer, para os mais leigos nestas coisas, que quanto mais visitas maior o rendimento obtido…
Embora – afianço, que é uma palavra que não digo vezes suficientes - não exista da minha parte qualquer estratégia tipo “Saramago”, espero que o tal visitante anónimo cumpra o prometido, divulgue este blogue o mais que possa e, sobretudo, volte muitas e muitas vezes. Nem imagina "quanto" lhe agradeço.

Alta pressão

Garantem alguns que a causa do desaparecimento de muitos blogues que apareceram por cá nos últimos anos terá a ver com alegadas pressões a que foram sujeitos os seus autores. Como já tive ocasião de escrever em posts anteriores, não acredito nessa versão. Creio antes que se tratou de manifesta falta de jeito para estas coisas, de esgotamento do interesse pelas mesmas ou, noutros casos, pelos fins que se pretendiam atingir terem sido conseguidos. Como também já escrevi, fazer um blogue é fácil o problema é mantê-lo e isso, o tempo tem-se encarregado de me dar razão, não é para todos.
Voltando às pressões, posso garantir, foi coisa que nunca sofri. Nem sequer marcação à zona. Também é verdade que as entradas que costumo fazer, embora possam em algumas circunstâncias parecer violentas, nunca ultrapassam a margem da lei. Igualmente é este o critério que aplico aos comentadores mais agressivos que, à semelhança das suas entradas, vão de carrinho sempre que entram de forma mais impetuosa. O máximo que por aqui vou tolerando é uma ou outra carga de ombro. Embora, quanto a mim, os piores sejam aqueles que se atiram para o chão, na esperança de enganar o árbitro, mal sentem o mais leve encosto por parte dos adversários.

domingo, 1 de novembro de 2009

Segurança relativa

Estremoz ainda é uma cidade relativamente segura. E sublinho a parte do relativamente. Mesmo assim o melhor é não facilitar a vida aos amigos do alheio – uma expressão curiosa que lamentavelmente está a cair em desuso – e, tal como o proprietário deste meio de transporte, tomar as devidas cautelas para evitar o desaparecimento dos bens que, por qualquer teimosia burguesa ou insensibilidade social, recusamos partilhar com alguns “desprotegidos”, “marginalizados”, “excluídos” ou outros conceitos modernaços que agora se usam para designar aqueles a quem sempre chamámos ladrões.
Desconfio, apesar de tudo, que não é necessário ir tão longe. Prender o veículo com uma corrente de espessura assinalável, que dá duas voltas ao troco de uma árvore, é capaz de ser um pouco exagerado. Até porque qualquer ladrãozeco, por mais desfavorecido que seja, não estará disposto a circular numa coisa destas. Seria cobrir de ridículo a classe da ladroagem e, ao mesmo tempo, revelador de um claro insucesso nesse cada vez mais competitivo ramo de actividade.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tugas originalidades

Portugal prepara-se para ser um dos poucos países da União Europeia, senão mesmo o único, a transpor uma directiva comunitária que permitirá aos comerciantes cobrar aos clientes uma taxa pela utilização do cartão multibanco no pagamento das compras efectuadas.
Ridícula, idiota, disparatada e perigosa tem sido alguns dos adjectivos mais simpáticos utilizados para qualificar esta opção do governo. Por mim discordo destas criticas e manifesto desde já a minha concordância com tão sábia decisão. Trata-se de uma justíssima medida no âmbito do apoio social aos “desfavorecidos” que têm visto os seus rendimentos, oriundos do produto do roubo de carteiras e outros assaltos, diminuírem drasticamente graças ao dinheiro de plástico – único que os portugueses trazem nas algibeiras – bem como constitui uma importante ajuda no âmbito do combate à crise que atravessa o comércio nacional.
Argumentarão alguns que não será bem assim porque os comerciantes já fazem reflectir no preço final os encargos que tem de suportar com os terminais de pagamento automático. Por isso mesmo é que esta ajuda extra é importante. A todos os títulos. Inclusive o fiscal, porque se mais compras passarem a ser pagas em dinheiro vivo maior será o benefício em termos de impostos a pagar pelo comerciante. O que, reafirmo, é óptimo para a economia nacional e para a promoção da justiça e igualdade social.
Claro que os do costume irão pagar um pouco mais, mas, convenhamos, é por uma boa causa. Ajudar quem mais necessita – tal como fazer compras – faz bem a alguns egos e portanto trata-se tão só de juntar o útil ao agradável. Ladrões, comerciantes e outros desprotegidos agradecem.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Enfim, é o país que temos!"*

Parece mentira! A Policia Judiciária, em lugar de se preocupar em identificar os autores de blogues anónimos, lançou uma inusitada campanha de perseguição a empresários e altos quadros de empresas públicas e privadas. Estas pessoas, empreendedoras por natureza, peças chave para a saída da crise, potencialmente geradoras de riqueza e de criação de emprego, não mereciam este tratamento por parte das autoridades. Pelo contrário. As suas acções – sejam elas quais forem – deviam ser apoiadas, estimuladas e alvo de todos os incentivos e aplausos. Infelizmente assim não acontece e opta-se por perseguir gente séria, honesta e que muito contribui para o progresso e bem-estar dos portugueses, ao mesmo tempo que se deixam em paz bloguistas anónimos, que urdem campanhas negras, cheias de ódio e perseguição pessoal contra pessoas ligadas ao Partido Socialista. Partido a que têm ligações alguns dos agora investigados pela PJ, diga-se. Coincidências.
*Expressão tipicamente tuga - e um bocadinho xunga, também - que não sei ao certo o que quer dizer.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pesquisas (só relativamente) estranhas

Há muito que não discorro acerca das pesquisas que trazem os visitantes até ao Kruzes Kanhoto. Verdade que nos últimos tempos nada merecedor de destaque por aqui tem aparecido. Nem mesmo o facto de um leitor ter achado estranho e verdadeiramente surreal que tenha aparecido uma “moeda no fundo de uma piscina” pública, ao ponto de ter introduzido essa frase na caixa de pesquisa do Google como forma de confirmar tão inusitado aparecimento. Só pode considerar isso como algo de estranho porque não mora em Estremoz nem frequenta a piscina municipal cá do sítio. Aí aparecer uma moeda seria o menor dos males. É muito mais frequente aparecer merda… em dias em que não há natação para bebés!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sinalização inútil

Há sinais de trânsito que só atrapalham e que constituem um verdadeiro atentado à facilidade de circulação, ao ambiente ou até mesmo à inteligência. É o caso da zona onde resido. Outros são apenas inúteis. Como o que assinala a proibição de circular numa via junto ao Largo General Graça, onde estão a decorrer obras. Apesar de todos os defeitos que os condutores portugueses possam evidenciar, particularmente a pouca concentração que demonstram em muitas circunstâncias, não parece necessário avisar os automobilistas que naquela artéria o trânsito está proibido. O tapume e o estaleiro que está por detrás constituirão certamente motivo mais que suficiente para desmotivar qualquer um de tentar passar. Digo eu, não sei.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A liberdade da proibição

O estranho – ou talvez não - “caso” do desaparecimento de Maddie McCann e de tudo o que com ele se tem relacionado, sempre constituiu para mim um motivo de forte desinteresse. Mesmo nos dias seguintes ao sumiço da criança, quando os telejornais nos bombardeavam com directos, reportagens e comentários acerca do sucedido durante larguíssimos minutos, nem assim, o mistério que motivava conversas mais ou menos empolgadas entre os portugueses e suscitava o interesse à escala planetária, me conseguiu despertar a mais leve curiosidade. A prova disso, recordar-se-ão os que já na época acompanhavam o Kruzes Kanhoto, é que nunca por aqui foram feitos apelos patéticos aos raptores ou colocados “selinhos” alusivos ao desaparecimento da pequena Maddie.
Se, passado todo este tempo, estou a abordar o assunto é apenas porque me preocupa o ataque à liberdade de expressão. Hoje de um homem, amanhã de muitos mais. E também porque me dá um gozo muito especial contrariar os pequenos ditadores que não percebem que o mundo mudou e que, por mais que se esforcem a proibir a divulgação da informação há sempre muitas maneiras de a ela ter acesso. Não é que me interesse e nem sequer farei o download, mas quem tiver curiosidade em ler pode obter uma cópia gratuita de um livro que aborda esta temática e que está alojada no servidor aqui linkado.

domingo, 25 de outubro de 2009

A importância da paneleiragem

Os paneleiros e as fufas bem como a sua vontade de casar de véu e grinalda parecem constituir o principal problema do país. Ou, pelo menos, o que exige maior celeridade de decisão do governo a empossar por estes dias. Esta ordem de prioridades enoja-me e não pode deixar de causar espanto mesmo entre os eleitores do partido do governo que são na sua imensíssima maioria gente de bem, honesta e que de certeza não dá grande importância à paneleiragem e actividades correlativas.
Como já escrevi inúmeras vezes em posts publicados neste blogue estou-me nas tintas para essa malta. Eles que encham os intestinos com o que quiserem, atasquem o “besugo” em merda se isso lhes dá prazer ou façam o que muito bem entendam. É lá com eles – ou com elas – e desde que não me aborreçam, não serei eu a criticar as suas opções ou os seus gostos. Agora o que acho incompreensível é que os mais altos dignitários da nação, aqueles a quem pagamos para gerir a coisa pública, percam o seu tempo e esbanjem o dinheiro que devia ser aplicado em fins mais nobres a discutir assuntos de nesta natureza. Apesar de reconhecer que mesmo as aberrações devem ter alguma regulamentação isso, num país com tantos problemas importantes, nunca devia ser considerado como prioritário.
É perante situações como esta que me apetece repetir um impropério que, num tempo não muito distante, constituía uma verdadeira afronta àquele a quem fosse dirigido: “Eles que vão levar no cú!”. Mas não o vou fazer. Ainda eram capazes de gostar.

sábado, 24 de outubro de 2009

Politica social 2.0

Ao contrário do que se quer fazer crer, não foram alguns autarcas mais ou menos mediáticos os inventores das políticas sociais nas autarquias. Já desde os idos de sessenta e setenta do século passado, quando ainda nem se sonhava que um dia viesse a existir subsídio de desemprego ou rendimento mínimo garantido, eram as câmaras municipais, nomeadamente do Alentejo, que no interregno dos trabalhos sazonais na agricultura garantiam o trabalho e a remuneração essencial à sobrevivência de muitas famílias.
Apenas muito mais tarde surgiram os apoios no âmbito do ensino e só recentemente chegou a moda dos municípios se substituírem aos privados nas pequenas reparações do cano entupido, da lâmpada fundida ou do armário despregado nas casas dos idosos. Nova é também a substituição por parte das autarquias daquilo que é a obrigação do Estado de garantir assistência médica e medicamentosa. São já muitos os eleitores mais velhotes que beneficiam de remédios grátis e de operações aos olhos patrocinadas pelas respectivas Câmaras Municipais como tem sido amplamente divulgadas na comunicação social.
Uma nova geração de políticas sociais estão, com o iniciar de um novo mandato, a surgir. Depois de tratada a visão é agora altura de virar atenções para outros problemas e, apropriadamente, a boca e a saúde oral dos munícipes mais velhos serão o alvo que se segue. O que nem me parece mal de todo. Alguém com os dentes podres ou mesmo desdentado é, sem dúvida, merecedor de auxílio.
Tudo isto, ainda assim, me parece pouco. Há que ser arrojado, inovador e melhorar a qualidade de vida de quem sempre viveu com dificuldades. E como a imagem é algo de fundamental nos tempos que correm, era capaz de ser boa ideia, como forma de aumentar a auto-estima, nos casos em que ainda não esteja irremediavelmente tudo perdido, pagar uma plástica ou, pelo menos, promover idas à esteticista para tirar o buço às velhotas – há por aí cada bigodaça – ou os cabelos das orelhas aos velhotes. Estas medidas - e outras que a prodigiosa imaginação dos autarcas encontrará – poderão contribuir para uma vida com mais qualidade e, simultaneamente, dinamizar a economia local na terra onde forem implementadas.
Embora estas coisas proporcionem a oportunidade de fazer umas quantas piadolas, são, acredito, medidas importantes e constituem exemplos que devem ser seguidos. Os nossos velhotes, que vivem na maioria dos casos com pensões miseráveis, merecem estes apoios. A sério.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Clique a clique se faz um blogue!

Desde que os gajos – esses palhaços - do adsense, programa de publicidade contextual do google, resolveram rescindir unilateralmente o contrato que mantinham com o Kruzes Kanhoto que tenho testado, aqui no blogue, uma quantidade significativa de alternativas promovidas por empresas que, na maioria dos casos, estão a dar os primeiros passos nesse imenso e promissor ramo do mercado publicitário. Seja resultado da crise, que terá afastado muitos dos potenciais anunciantes, seja fruto da inexperiência, da pouca vontade de correr riscos por parte dos promotores ou simplesmente porque os meus leitores estão-se cagando para os anúncios, a verdade é que todas essas experiências se têm revelado claramente negativas. Ou, para ser mais justo, de resultados que com boa vontade posso classificar como deprimentes.
Ao contrário de outros blogues cá do sitio que pretendiam divulgar, debater ou discutir a cidade e o concelho, o objectivo do “Kruzes Kanhoto” – nunca o escondi – era, e continua a ser apesar fase mázinha que está a atravessar, muito menos nobre. Logicamente que, neste contexto, as polémicas baratas e as ofensas gratuitas não têm lugar por aqui. Talvez seja por isso que o “KK” já viu nascer e morrer quase de seguida, uma quantidade bastante apreciável de “projectos” que prometiam muito mais do que um certo “blogue que só sabe falar de merda de cão”.
Com ou sem resultados significativos este blogue continuará a existir. Continuarei a “não assinar” o meu nome e a escrever posts que são uma “bosta”. A “falta de imaginação”, a “miserável qualidade da escrita”, a “ausência de temas com interesse para o comum dos mortais” e o controlo apertado da caixa de comentários continuarão igualmente a constituir a imagem de marca deste espaço. Pelo menos enquanto me apetecer e houver leitores que, vá lá saber-se porquê, acham piada às alarvidades que vou publicando.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mensagem fraquinha

Para fazer passar uma mensagem, seja de que tipo for, convém que a mesma seja clara e perceptível ainda que não necessariamente verdadeira. Isso pode constituir a diferença entre o sucesso e o fracasso, entre atingir ou não o objectivo que se pretende alcançar.
Este é, por exemplo, o tipo de mensagem condenada ao insucesso. Para além da dificuldade óbvia em decifrar o seu conteúdo, considerar que o individuo cuja imagem e/ou reputação se pretende atingir - provavelmente um inimigo – tem cara de osga, parece constituir um insulto demasiado fraquinho. Principalmente numa região, como é o caso daquela onde a foto foi obtida, em que as pessoas que por lá habitam mantêm uma relação de cordialidade com o pequeno réptil.
Veja-se, igualmente, o caso deste post. A mensagem que transmite será tudo menos clara ou perceptível. Mas, no caso, isso é o que menos importa. Afinal o objectivo não vai além de escrever qualquer coisa que justifique a publicação de uma foto que há meses andava aqui pela pasta das fotografias a publicar e que agora pode finalmente ser apagada.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

No dobrar - e no lamber - é que está o ganho

Existem actividades, chamemos-lhe assim, bem remuneradas neste país. E se calhar no estrangeiro, também. Burlar os outros é uma delas. Mas é igualmente um pleonasmo porque ninguém se burla a si mesmo. Vem este arrazoado idiota e pouco menos que incompreensível a propósito da anunciada possibilidade de qualquer um, com relativa facilidade e pouco engenho, poder auferir a simpática quantia anunciada na imagem ao lado. Para tanto, promete o putativo burlão, necessitará apenas de efectuar procedimentos básicos como dobrar circulares, introduzi-las num envelope, pespegar uma lambidela ao dito e enviá-lo para o destinatário.
Claro que a coisa não é assim tão simples. Trata-se somente de mais um esquema manhoso dos muitos que em tempos difíceis – e se calhar até nos fáceis – é urdido por quem tem uma relação inconciliável com a honestidade e uma grande vontade de ganhar “algum” sem grande esforço. A burla continua a funcionar, mesmo após tantos anos de uso, porque muitos outros, sem a manha dos primeiros mas com a mesma vontade de ganhar dinheiro fácil, acabam por cair na esparrela após fazerem a rápida multiplicação por quatro da quantia prometida e chegarem a um bonito número que corresponderia ao seu hipotético ganho mensal.
Desconfio que anúncios onde se oferecem outro tipo de empregos, em que se tenha de usar mais a força dos braços que a agilidade da língua, não obterão tantas respostas. É uma questão de preferência. Embora, neste como noutros casos que agora não vêm ao caso, fosse preferível usar a cabeça.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A "coragem" da velha carcaça

Não gosto da obra de José Saramago. Tentei lê-lo muito antes de se imaginar que o homem pudesse um dia ser laureado com um Nobel e, confesso, desisti. Também não gosto de o ouvir falar. Embora, felizmente, as suas aparições televisivas sejam raras, o homem tem por hábito despejar um chorrilho de disparates que, não sendo de estranhar em pessoas da sua idade, não parecem próprios de alguém que tem um certo prestígio a salvaguardar.
Gostei, no entanto, das declarações que o dito escritor proferiu ontem em Penafiel por ocasião do lançamento do seu último livro. Não porque conheça a Bíblia, foi livro que nunca me despertou qualquer tipo de curiosidade, mas sim pela frontalidade, descaramento vá, com que Saramago se referiu à religião e à escravatura do homem perante um suposto Deus que um dia alguém se lembrou de inventar. Pode tê-lo dito de forma arrogante e apenas com a intenção de promover a sua obra através da criação de um polémica artificial mas, apesar disso, foi, quanto a mim, uma daquelas verdades inconvenientes que alguém tinha de dizer. 
Pena que a dose de coragem evidenciada pelo ex-director de um matutino da capital - tão aplaudida por uma certa esquerda de discurso cada vez mais parecido com o das beatas que muitas vezes pretende ridicularizar – não tenha chegado para condenar mais uns quantos livros ditos sagrados e umas quantas religiões dessas muito em voga e com aspirações a controlar o mundo. Quem considera a Bíblia um manual de maus costumes não hesitará, certamente, em considerar o Corão como um almanaque do terrorismo. A menos que seja cobarde e tenha medo que os profetas da religião da paz lhe rebentem com a carcaça. 

domingo, 18 de outubro de 2009

Comissões inúteis

A Comissão Nacional de Protecção de Dados, sempre tão zelosa pela segurança e privacidade dos cidadãos, terá permitido que ande por aí um – ou mais sabe-se lá – satélites americanos a espiar-nos?! Segundo o teor desta notícia do “Diário Digital” os maganos conseguem até saber a cor dos olhos das pessoas que aparecem nas imagens captadas pelos seus diabólicos aparelhos de espionagem. Não é que esteja muito preocupado com isso, até porque uso óculos escuros e não ando por aí a pôr bombas, mas não consigo evitar um sorriso irónico só de pensar nos entraves que a dita comissãozinha tuga se lembra de levantar sempre que alguma entidade pretende colocar em uso um sistema de videovigilância na via pública.
O país está repleto de comissões como esta, e de outras ainda mais inúteis, que sugam recursos sem que do seu trabalho sai algo de proveitoso para a sociedade que as mantém. Afinal de que adianta estudar, analisar ao mais ínfimo pormenor e muitas vezes rejeitar a implementação de coisas, quase sempre como o argumento que se trata de proteger a nossa privacidade, a que outros, sem nos passarem cavaco e sem que tenhamos qualquer controlo, há muito têm acesso. Mas nós, enquanto povo, gostamos. Adoramos comissões, estudos, análises e tudo o que sirva para adiar decisões, evitar compromissos e que contribua para que fique sempre tudo na mesma.

sábado, 17 de outubro de 2009

Esclarecimento desnecessário

Sim, eu sei e por isso ninguém precisa de me fazer desenhos para ver se altero o conteudo do post anterior. Quando os peritos propuseram um imposto sobre o café estavam a pensar no IEC, Imposto especial sobre o consumo, cuja cobrança ocorre numa fase de comercialização do produto que não tem nada a ver com o momento em que o consumidor beberrica tranquilamente a sua bicazinha. Da mesma forma que, se um dia se lembrarem disso, um eventual imposto sobre o látex nunca será cobrado ao utilizador final no momento do seu uso. No entanto já todos estamos a imaginar umas quantas piadolas, mais ou menos javardotas, que podíamos fazer acerca disso... É, como tenho a mania de repetir, não deixar que a verdade estrague uma boa história. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vai um impostozinho?

O combate ao défict continuará, para o bem e para o mal, a ser uma prioridade do próximo executivo. Nomeadamente agora que, por força dos chamados incentivos de combate à crise, o seu valor atingiu números a que já não estávamos habituados. Deve ser por isso que fiscalistas e outros activistas destas questões tem surgido nos últimos tempos a divulgar estudos, análises ou simplesmente bitaites, acerca das medidas que deverão ser adoptadas para colmatar o desacerto das contas públicas.
De todas a mais espectacular, ou mais parva dependendo do ponto de vista, seria a introdução de um novo imposto sobre o café. Não sei se a receita gerada terá um impacto significativo ou contribuirá de modo relevante para o aumento da receita fiscal. Do que tenho sérias dúvidas é da eficácia e da capacidade da máquina fiscal em controlar a sua cobrança. Provavelmente não passaria, a ser aplicada tão mirabolante ideia, de mais um aumento do preço a pagar pelo consumidor que serviria apenas para acrescer à margem de lucro dos empresários da restauração. Que, tanto quanto se sabe, não manterão com o fisco uma relação que prime pela honestidade, transparência e rigor.
Desconheço se os tais especialistas da área da fiscalidade se lembraram ou não mas, assim de repente, sou capaz de mencionar meia dúzia de alternativas provavelmente mais rentáveis e de controlo muito mais transparente e socialmente mais justas. Taxar, seja através do agravamento do iva ou de outra maneira qualquer, os artigos de luxo, as viagens para o estrangeiro, os artigos para animais de estimação, as mensagens de telemóvel, os recursos das decisões judiciais e os depósitos bancários que não sejam provenientes de rendimentos perfeitamente identificados como resultantes de uma actividade económica sujeita a tributação, não me parece que fosse por aí além muito difícil nem tão desagradável como o tal imposto sobre o cafezinho.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O doentinho, o resort e a cooperação transfronteiriça

Ontem terá havido festarola no resort. Como todos sabemos uma festa, seja onde for que se realize, provoca quase sempre alguns excessos. Daí que um dos intervenientes mais jovem, em consequência disso ou de um defeito de fabrico de que na óptica dos acompanhantes será portador, tenha tido necessidade de recorrer aos cuidados do centro de saúde local. Apesar do caso não aparentar complexidade de maior o médico de serviço terá sido persuadido, ainda segundo os mesmos acompanhantes do jovem combalido, a enviar o rapaz para o hospital distrital mais próximo.
A chegada de uma ambulância dos bombeiros cá da terrinha ao banco de urgência e o quase simultâneo aparecimento de dois carros da policia, despertou a curiosidade entre os circundantes e constituiu motivo para, enquanto se inteiravam da identidade do ocupante e das causas das suas maleitas, atenuar o aborrecimento provocado pelas muitas horas à espera de noticias dos seus familiares ou amigos que se encontravam a receber tratamento ou aguardavam atendimento naquele hospital.
Não tardou que um automóvel, com muitos mais cavalos que o meu, e dois furgões repletos de gente interessada no estado de saúde do jovem chegasse ao local. A pressa era tal que apenas as mulheres, provavelmente limitadas pelo espaço de manobra permitido pela saia comprida e justa, entraram pelo portão. Os homens numa demonstração da sua evidente falta de civismo e manifesta incapacidade para viver em sociedade, saltaram o muro aos berros e invadiram as zonas de espera, de triagem e irromperam pelo banco de urgência. Quais seguranças, policias ou pessoal de serviço, qual quê, nada os demoveu de ocuparem as instalações. Nada é como quem diz. O aparecimento de dois doentes com uma máscara a tapar a boca e o nariz, de imediato conotados com alguém que padecesse de gripe A, provocou a debandada geral do grupo de energúmenos e a sua concentração no exterior do edifício.
Aqui, depois de acalmados pela polícia que com uma postura serena e dialogante tratou de arrefecer os ânimos, a conversa entre eles animou e rapidamente derivou do estado de saúde do parente para outros temas acerca dos quais, apercebi-me no decorrer da noite, possuem um elevadíssimo nivel de conhecimento que vai muito para além do evidenciado pela generalidade dos cidadãos. Sabem tudo acerca de automóveis topo de gama, respectivos acessórios e extras com que podem ser equipados, os modos de actuação das diversas forças de segurança, portuguesas e espanholas, e as virtudes e defeitos dos hospitais de um e do outro lado da fronteira.
O melhor estava entretanto reservado para o final. Apesar de todos eles serem moradores no nosso famoso resort, receberem o rendimento social de inserção e todo o tipo de apoios sociais que se possam imaginar, apesar de terem nascido por cá, de os filhos frequentarem a escola e de terem todos os documentos que os identifica como cidadãos portugueses, os fulanos são espanhóis! Ou melhor, são também espanhóis. Isto porque, segundo os próprios, o aperfeiçoamento do sistema informático da segurança social – esses malditos computadoris! – impedem que os subsídios sejam atribuídos em diferentes locais do país à mesma pessoa. Daí o recurso a Espanha. Onde, garantem, estão todos no desemprego. No “paro”, como fazem questão de frisar. Para tanto possuem DNI (equivalente ao nosso bilhete de identidade), morada em Badajoz e conta numa instituição bancária espanhola. O resto é fácil de calcular…e é um excelente exemplo da cooperação transfronteiriça entre o Alentejo e a Extremadura.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Estranho sentido de humor...

Circula pela internet um vídeo em que, alegadamente, uma obscura actriz brasileira -Maitê Proença, diz que é assim a sua graça - tece considerações pouco abonatórias em relação a Portugal e aos portugueses. Como não podia deixar de ser milhares de internautas, ofendidos com as opiniões expressas pela senhora, estão a tentar criar uma onda de indignação por considerarem tais afirmações ofensivas e, pasme-se, escandalosas.
Patético. É o que de mais simpático me ocorre dizer acerca desta indignação. Pior, mas muito pior do que é dito pela apresentadora no pequeno filme, são as desconsiderações sob a forma de anedota e as piadolas parvas que todos os dias os agora indignados lusitanos contam acerca dos alentejanos. Por mim, que vi o vídeo, não me sinto mais ofendido do que quando ouço um qualquer papalvo chamar burros, mandriões e outras coisas piores a quem nasceu no Alentejo. E, não. Não me venham com essa história do gajo inteligente e com sentido de humor que sabe rir de si próprio.
A essa cambada de virgens ofendidas é permitido dizer mal de tudo e de todos, contar anedotas e humilhar os outros, mas quando são eles os pretensamente ofendidos “aqui d’el rei que me estão que me estão a ofender” ou, como diz o outro, “ai, ai, ai, ai, ai…que não pode ser!” Por mim, enquanto português, não me sinto ofendido nem insultado. Tenho a inteligência bastante para saber que sentido de humor não me falta e rir de mim próprio é coisa que não me envergonha. Lamentavelmente a essa malta que se anda a indignar com as declarações da brasileirinha é que parecem faltar todos esses atributos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cidadãos merdosos

Perdi já o conto ás inúmeras fotografias de merda de cão que publiquei aqui no blogue. Claro que daí não resultou nenhuma alteração de comportamento por parte dos donos, nem os canitos deixaram de cagar a seu bel-prazer por onde muito bem lhes apetece. Mas não é por isso que deixarei de me insurgir contra a javardice provocada por uns quantos cidadãos pouco respeitadores das regras da boa convivência e do respeito pela limpeza e higiene que devem existir no espaço público.
O mais interessante é que muitos dos que contribuem para este estado de coisas são pessoas bem-postas na vida, com um nível de educação – medida apenas pelo diploma, claro está - acima da média e uma pretensa cultura cívica que não lhes devia permitir terem uma atitude tão básica e primitiva quando se trata de cuidar da canzoada. Abrir o portão e deixar o animal ir cagar para a porta do vizinho não me parece ser um acto de salutar vizinhança. Principalmente quando, como é o caso, o vizinho sou eu. Menos ainda será um acto de alguém preocupado com a saúde pública. Nem, se calhar, com a saúde do seu cão…

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O dia seguinte

Um dia depois de fechadas as urnas e contados os votos parecem ainda subsistir algumas dúvidas acerca de quem ganhou as eleições de ontem. Dúvidas legítimas e absolutamente normais que se colocam sempre que se realizam eleições em Portugal e os intervenientes nas mesmas desatam a analisar, da maneira que mais lhes convém, os números daí resultantes.
Sendo as autárquicas não um, mas trezentos e oito actos eleitorais, parece óbvio que o vencedor será aquele que conseguir vencer o maior número dessas eleições. Ou seja, conquistar o maior número de Municípios. Há, no entanto, quem insista em considerar que não. Porque, para alguns, o que conta é o número de votos obtidos mesmo que num só município votem mais pessoas do que em cem todos juntos. Ou, noutra versão, ainda que um partido tenha ganho um maior número de Câmaras que o segundo, pode ser considerado perdedor se tiver deixado fugir umas quantas para os adversários. Lógico e bem visto. Acho eu.
Mas deixemo-nos de política e tratemos de coisas mais sérias. De futebol, por exemplo. Será que o Sporting, campeão nacional em título, deve despedir o Paulo Bento?! Se calhar é melhor não. Depois de em 2007/2008 ter ficado a catorze pontos do Porto, este promissor técnico conseguiu a brilhante proeza de, em 2008/2009, levar os leões à conquista do campeonato após ter ficado apenas a quatro pontos dos dragões e agora querem pôr o homem na rua?! Tá mal, pá.