sexta-feira, 13 de março de 2015

Diz que foi uma espécie de greve


Hoje foi dia de greve na função pública. Presumo que a adesão, na perspectiva dos sindicatos, ronde uns avassaladores cento e dezanove por cento. Já na óptica do governo os funcionários que hoje faltaram ao trabalho não foram mais que dois. Ou três, se entretanto tiver morrido algum que ainda não tenha sido abatido ao efectivo.


O habitual, portanto. Embora os hábitos tenham mudado. E muito. As greves de hoje nada têm a ver com as de outros tempos. Nos anos seguintes ao vinte cinco do A e até aos anos noventa era predominantemente no sul, em particular no Alentejo, que os seus efeitos se faziam sentir. Agora, a julgar pelas noticias, é no litoral e também a norte que as greves terão uma maior adesão. Por cá não se dá por nada.


Entretanto tudo vai continuar como antes. Mário Nogueira vai, daqui a pouco, dizer coisas a que ninguém liga. Jerónimo de Sousa vai manifestar a sua solidariedade com a luta heróica dos trabalhadores e, mais uma vez, exigir a demissão do goverrrrrrrrno. Já António Costa garantirá que não pode anunciar medidas mas que, quando governar, vai satisfazer todas as pretensões de toda gente. Deve ser por isso que os alentejanos já não fazem greve...


 

Charters de autarcas


Excelentea ideia de envolver as autarquias nessa coisa dos vistos gold. Assimfica afastada a imagem de alegada corrupção que envolvia esseprograma e torna a captação de investidores muito maistransparente. Será, também, um mundo de oportunidades que se vaiabrir para as agências de viagens. Já estou a ver charters deautarcas a caminho da China...

Charters de autarcas


Excelente a ideia de envolver as autarquias nessa coisa dos vistos gold. Assim fica afastada a imagem de alegada corrupção que envolvia esse programa e torna a captação de investidores muito mais transparente. Será, também, um mundo de oportunidades que se vai abrir para as agências de viagens. Já estou a ver charters de autarcas a caminho da China...

O "consporco". Javardote, vá.

 


 


Presumo que, pelo menos desde o fim da escravatura, em todos os locais de trabalho existam meios de controlar a assiduidade e pontualidade dos trabalhadores. Ou, sejamos modernaços, dos colaboradores. Tal como este conceito, também a maneira de fazer o controlo é cada vez mais moderna. O que nem sempre é boa ideia.


Quando comecei a trabalhar – ou a colaborar, sei lá - era o livro de ponto. Com uma esferográfica presa por um cordel não fosse alguém mais distraído metê-la ao bolso. Não querendo partilhar, por não saber onde é que o colega que tinha assinado antes andou com as mãos, cada um podia assinar com o seu próprio material escrevente.


Veio, depois, o relógio de ponto. Os primeiros exemplares produziam, a cada utilização, uma chinfrineira do camandro quando se introduzia o cartão mas, no âmbito da promiscuidade, eram exemplares. Nada de misturas. Cada um só mexia no seu e não precisava de tocar na máquina. Muito menos na ranhura.


Mais tarde inventaram um mecanismo em que os colaboradores são identificados pelas impressões digitais. Uma javardice. Todos colocam o dedo no mesmo espaço de dois centímetros quadrados. Isto depois de o dito dedo ter passado sabe-se lá por onde. Há, até, quem o lamba – ao dedo – quando a máquina manifesta notórias dificuldades em o identificar.


Deve ser por isso, ou por outra razão parva qualquer, que existe sempre um outro colaborador mais intrépido que parte para a agressão ao mecanismo. Acredito que não obterá daí grandes proveitos mas, pelo menos, não o conspurca. Como o outro consporco.


 


 


 

quinta-feira, 12 de março de 2015

O consporco. Javardote, vá.

Presumo que, pelo menos desde o fim da escravatura, em todos os locais de trabalho existam meios de controlar a assiduidade e pontualidade dos trabalhadores. Ou, sejamos modernaços, dos colaboradores. Tal como este conceito, também a maneira de fazer o controlo é cada vez mais moderna. O que nem sempre é boa ideia.
Quando comecei a trabalhar – ou a colaborar, sei lá - era o livro de ponto. Com uma esferográfica presa por um cordel não fosse alguém mais distraído metê-la ao bolso. Não querendo partilhar, por não saber onde é que o colega que tinha assinado antes andou com as mãos, cada um podia assinar com o seu próprio material escrevente.
Veio, depois, o relógio de ponto. Os primeiros exemplares produziam, a cada utilização, uma chinfrineira do camandro quando se introduzia o cartão mas, no âmbito da promiscuidade, eram exemplares. Nada de misturas. Cada um só mexia no seu e não precisava de tocar na máquina. Muito menos na ranhura.
Mais tarde inventaram um mecanismo em que os colaboradores são identificados pelas impressões digitais. Uma javardice. Todos colocam o dedo no mesmo espaço de dois centímetros quadrados. Isto depois de o dito dedo ter passado sabe-se lá por onde. Há, até, quem o lamba – ao dedo – quando a máquina manifesta notórias dificuldades em o identificar.
Deve ser por isso, ou por outra razão parva qualquer, que existe sempre um outro colaborador mais intrépido que parte para a agressão ao mecanismo. Acredito que não obterá daí grandes proveitos mas, pelo menos, não o conspurca. Como o outro consporco.



quarta-feira, 11 de março de 2015

É cultura, estúpido!

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Esta magnifica, extraordinária e até mesmo sublime obra-prima esteve, no Verão passado, patente ao público numa exposição de…digamos… arte. Ou lá o que lhe queiram chamar. Trata-se de um livro de guias de remessa de uma firma de mármores onde, ao longo do tempo, os empregados de escritório foram emitindo os documentos que acompanhavam as mercadorias que a firma comercializava. Sem sequer desconfiar que estavam a produzir arte. E da melhor! Afinal quanta criação artística se pode transmitir através de uma guia de remessa, uma factura ou uma venda a dinheiro?! Muita, como se pode ver.

Dar bom uso à lingua

Tenho alguma dificuldade em perceber a razão pela qual muitas pessoas têm a necessidade imperiosa de, sistematicamente, fazer alusão à genitália humana nas suas conversas com os outros. Há mesmo quem, por cada três palavras pronunciadas, não resista a incluir pelo menos uma menção às partes pudibundas e ao uso que delas se faz.


Este mau hábito está a vulgarizar-se também na escrita. Muita gente usa essas palavras em frases onde não se justificam e que, quase sempre, podiam ser substituídas por outras. A generalidade das vezes com inequívoca vantagem. Até porque a língua portuguesa, para além de muito traiçoeira ou talvez por isso mesmo, é pródiga em sinónimos, cada um mais jeitoso que o outro, para designar quase tudo. Em especial os órgãos sexuais e funções afectas, sempre tão presentes na boca e nas mãos dos portugueses.

terça-feira, 10 de março de 2015

O tio-avô

Um tio-avô, falecido já lá vão muitos anos, quando algo de menos bom acontecia a algum familiar ou conhecido repetia invariavelmente a mesma frase: “Eu já sabia…” Não que a notícia lhe tivesse chegado em primeira mão ou que antes de o interlocutor lhe contar a novidade ele já tivesse conhecimento. Mas sim porque, queria dizer na dele, sempre calculara que as coisas se passariam da forma como acabavam por acontecer.


Ora para alguém como eu, então um teenager inconsciente, isso não fazia sentido nenhum. Pior. Se sabia devia ter era avisado e não ficar a gabar-se que possuía dotes de adivinho. Pior ainda. Só sabia das coisas más e era um perfeito nabo quando se tratava de adivinhar as boas. Nem sequer conseguia prever por quantos ganhava o Benfica na jornada seguinte. Sim, porque por esses anos o Benfica ganhava sempre e, geralmente, por muitos.


Claro que, com o passar dos anos, comecei a perceber melhor o funcionamento do sistema de previsões que o tio-avô usava para “adivinhar” o futuro e hoje dou comigo, muitas vezes a pensar e algumas a dizer, perante determinados acontecimentos, que “eu já sabia…” ou, como quase sempre acrescento, “pelo menos calculava…”.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A petição do lagartedo

Não constitui novidade para ninguém que na Internete fora dela também, mas isso agora não vem ao caso se publicam as maiores alarvidades. Este blogue é disso um bom exemplo. Mas, depois, há o resto. O que está para lá da parvoíce e, mesmo, da estupidez. Que deixa para trás qualquer réstia de lucidez e se aproxima da indigência moral e da inconsequência mental.
A patética petição dos alegados adeptos do Sporting, pretendendo que os adversários de outro clube não sejam expulsos, reúne todas essas características. Parece, apesar disso, que já contará com umas quantas assinaturas. Bem-visto o pior nem sequer é essa coisa da petição. Mau é que isto é gente que vota e tem os mesmos direitos das pessoas normais. E, desgraça das desgraças, respira.



A petição do lagartedo

Não constitui novidade para ninguém que na Internet – e fora dela também, mas isso agora não vem ao caso – se publicam as maiores alarvidades. Este blogue é disso um bom exemplo. Mas, depois, há o resto. O que está para lá da parvoíce e, mesmo, da estupidez. Que deixa para trás qualquer réstia de lucidez e se aproxima da indigência moral e da inconsequência mental.


A patética petição dos alegados adeptos do Sporting, pretendendo que os adversários de outro clube não sejam expulsos, reune todas essas caracteristicas. Parece, apesar disso, que já contará com umas quantas assinaturas. Bem-visto o pior nem sequer é essa coisa da petição. Mau é que isto é gente que vota e tem os mesmos direitos das pessoas normais. E, desgraça das desgraças, respira.

O bispote


Presumo que este utensílio domestico, vulgarmente conhecido como vaso de noite, tenha visto muita coisa. Umas boas outras nem tanto. Mas isso é, como diria o outro, da vida. Apesar de aparentar ainda um relativo bom estado a sua utilidade no campo sanitário terá chegado ao fim. Ou não. Dado que pouco tempo depois – e ainda antes do lixo ser recolhido - já não estava no local é possível que, por esta altura, esteja a contemplar outras paisagens. Numa feira de velharias qualquer, provavelmente.

O bispote

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Presumo que este utensílio domestico, vulgarmente conhecido como vaso de noite, tenha visto muita coisa. Umas boas outras nem tanto. Mas isso é, como diria o outro, da vida. Apesar de aparentar ainda um relativo bom estado a sua utilidade no campo sanitário terá chegado ao fim. Ou não. Dado que pouco tempo depois – e ainda antes do lixo ser recolhido - já não estava no local é possível que, por esta altura, esteja a contemplar outras paisagens. Numa feira de velharias qualquer, provavelmente.

domingo, 8 de março de 2015

Do Contra

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Não. Não vou fazer nenhuma piadola fácil sobre mouros. Ainda menos vou divagar acerca da maneira pouco ortodoxa que usam para comunicar com o seu deus. Nem, tão pouco, com o facto de tanta gente junta de cú para ar poder ser motivo de chacota. Hoje sinto-me particularmente multiculturalista e prefiro por isso homenagear a criatura que, entre tantos, consegue ser o único a acertar o ritmo da reza.

Mamocas

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Esta foto já tem uns anos. Meia dúzia, talvez. Mas, de cada vez que dou com ela nos meus arquivos, não deixa de me fazer “espécie” que a figura esteja bastante mais escura na zona dos seios. Dado que isso não se deve às características do material utilizado, interrogo-me acerca do que terá levado a esse escurecimento. Quiçá muita investigação pelo tacto por parte dos apreciadores de arte mais atrevidos. Ou ceguetas.

Xuninng fofinho

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O tunning é uma mania que consiste em fazer alterações de carácter mecânico, aerodinâmico ou outras, quase sempre para pior, aos automóveis. Algumas constituem verdadeiras afrontas ao gosto – que nem precisa de ser bom – e transformam carros relativamente jeitosos em aberrações do asfalto completamente insuportáveis.


Do carrito da foto não podemos afirmar que tenha sido vítima de tunning. Tratou-se apenas de um pequeno e amoroso retoque de um dono provavelmente apaixonado. E o amor, como quase todos sabemos, é uma coisa muito linda.


 

sábado, 7 de março de 2015

Metem dó estes urbano depressivos...


O que não falta por aí é gente a recalcitrar contra quem pede factura. Dizem que é bufaria, que “eles” o que querem é saber onde gastamos o dinheiro e mais um conjunto de desculpas parvas que me escuso de comentar. Curiosamente os novos deuses dos esquerdosos e urbano depressivos bem pensantes – os Siryzas, que mandam na Grécia – resolveram fazer mais ou menos a mesma coisa. Ou, provavelmente, pior. Mas, para a legião de fãs Siryzistas que abundam por estes lados não é nada que mereça um reparo, um dichote ou, pelo menos, uma piadola jocosa. Como aideia foi desse tal Varoufakis trata-se de uma coisa muito bem feita. É assim o pagode de esquerda. Mete dó.

Metem dó estes urbano depressivos...

O que não falta por aí é gente a recalcitrar contra quem pede factura. Dizem que é bufaria, que “eles” o que querem é saber onde gastamos o dinheiro e mais um conjunto de desculpas parvas que me escuso de comentar. Curiosamente os novos deuses dos esquerdosos e urbano depressivos bem pensantes – os Siryzas, que mandam na Grécia – resolveram fazer mais ou menos a mesma coisa. Ou, provavelmente, pior. Mas, para a legião de fãs Siryzistas que abundam por estes lados não é nada que mereça um reparo, um dichote ou, pelo menos, uma piadola jocosa. Como aideia foi desse tal Varoufakis trata-se de uma coisa muito bem feita. É assim o pagode de esquerda. Mete dó.

O relógio do chinês

Ciclicamente recorro a lojas de chineses para comprar aquelas inutilidades de que necessitamos quando menos se espera e não nos resta outra alternativa porque todos os estabelecimentos normais já encerraram. Foi assim quando precisei de um cronómetro e a chinesa me tentou impingir um “pito” ou quando, inesperadamente, os velhos chinelos entregaram a alma ao criador e, antes que os calos iniciassem uma jornada de protesto, comprei um par de calcantes de trazer por casa que exalavam um odor capaz de fazer parecer uma suinicultura um lugar de onde se libertam agradáveis fragrâncias.


Há poucos dias voltei a um destes espaços comerciais. A velha cebola deu por terminada a sua tarefa de medir o tempo e arrisquei experimentar um relógio de baixo preço e qualidade a condizer. Como quase tudo o que os comerciantes vindos da terra que já foi do Mao têm à venda. Ainda não me arrependi da compra e acho até que fiz um bom negócio. Aparentemente a máquina apenas tem um pequeníssimo defeito. Insignificante, quase. O ponteiro dos minutos demora trinta e um minutos a percorrer a distância entre o “ e o “12”. Com certeza é de ser a subir. Felizmente a coisa não tem grande importância porque na descida, entre o “ e o “6”, demora apenas vinte nove.

Obviamente já se devia ter demitido


Ninguém gosta de pagar impostos. Por isso mesmo é que há a necessidade do seu pagamento nos ser imposto. Se não fosse pela via da imposição, de certeza, não havia quem os pagasse. E o mesmo se aplica a todas as outras taxas, taxinhas e demais roubalheiras a que os governos têm de recorrer para alimentar o monstro.
Nisto se incluem também as contribuições para a segurança social. A não ser os que já estão reformados, poucos valorizarão este contributo cívico para o sustento dos que deixaram de trabalhar. Principalmente as novas gerações. Estas dão como adquirido que, no futuro, não terão os mesmos direitos dos actuais pensionistas e é com muito desagrado que olham para o esbulho que é feito aos seus parcos rendimentos. Exigir a um jovem recém-licenciado, pago a recibo verde, que dos seiscentos euros – ou menos – que aufere, retire cento e vinte seis para a segurança social - isto para além, claro, do IRS - se não é crime, não sei o que lhe chame.
Esperava eu que o caso do primeiro ministro servisse, entre outras coisas, para também debater esta problemática. Mas não. A guerrilha politica parece ser mais importante. Quanto ao resto, e como que quem manda tem de dar o exemplo, não tenho dúvidas que o homem já se devia ter demitido.





Obviamente já se devia ter demitido

Ninguém gosta de pagar impostos. Por isso mesmo é que há a necessidade do seu pagamento nos ser imposto. Se não fosse pela via da imposição, de certeza, não havia quem os pagasse. E o mesmo se aplica a todas as outras taxas, taxinhas e demais roubalheiras a que os governos têm de recorrer para alimentar o monstro.


Nisto se incluem também as contribuições para a segurança social. A não ser os que já estão reformados, poucos valorizarão este contributo cívico para o sustento dos que deixaram de trabalhar. Principalmente as novas gerações. Estas dão como adquirido que, no futuro, não terão os mesmos direitos dos actuais pensionistas e é com muito desagrado que olham para o esbulho que é feito aos seus parcos rendimentos. Exigir a um jovem recém-licenciado, pago a recibo verde, que dos seiscentos euros – ou menos – que aufere, retire cento e vinte seis para a segurança social - isto para além, claro, do IRS - se não é crime, não sei o que lhe chame.


Esperava eu que o caso do primeiro ministro servisse, entre outras coisas, para também debater esta problemática. Mas não. A guerrilha politica parece ser mais importante. Quanto ao resto, e como que quem manda tem de dar o exemplo, não tenho dúvidas que o homem já se devia ter demitido.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Então vá... onde?!

Há certas expressões no nosso vocabulário que, apesar de utilizadas no dia-a-dia por muita gente, não fazem sentido. Pelo menos para mim. E nem sequer estou a pensar no linguarejar mais do que esquisito que aquela malta toda javardola, de boné ao lado e calças ao fundo do cú, usa para comunicar entre si ou para se fazer entender pelas pessoas. O que, diga-se, quase sempre se revela uma tarefa difícil, quando não impossível, para ambas as partes.


Uma delas, talvez a que esconde os desígnios mais misteriosos e simultaneamente mais repetidas, é o célebre “então vá”. Quando no final de uma conversa alguém diz ao seu interlocutor “então vá” quer dizer exactamente o quê?! Que o outro “vá” a algum sitio impronunciável? Que, simplesmente, vá à sua vida? Ou é apenas algo que se diz quando já não há mais nada para dizer? Provavelmente esta última hipótese será a mais plausível, mas nem por isso a mais convincente para justificar o seu uso.


Prefiro, sem dúvida, o clássico “passe bem”. Pode argumentar-se que não difere muito e que o “passe” poderá esconder sub-repticiamente uma intenção de mandar alguém passear, no sentindo mais pejorativo da expressão. Até pode, mas, pelo menos, deseja-se que o faça bem.

Quase gaja. Nua.

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Como é reconhecido, este blogue não é um espaço de informação nem de debate. Tão pouco pretende ser uma espécie de serviço público - nem privado – para os leitores que assídua, ou ocasionalmente, por aqui vão passando. Não encontro uma forma fácil de o dizer mas, há que assumi-lo com toda a frontalidade, este blogue optou desde o seu início pelo culto do desagradável. E, sempre que possível, pelo inconveniente.


Raras são as ocasiões em que aqui se procura ir ao encontro dos gostos ou sugestões dos visitantes. Fazê-lo constituiria uma cedência intolerável e podia conduzir-nos por caminhos mais ou menos tenebrosos, até que um dia isto se tornasse num sítio razoavelmente agradável. Ou, pior ainda, com alguma “Qualidade”. Por “iso” não trilharei esse caminho.


No entanto hoje estou disposto a quebrar essa regra que impus a mim próprio. A foto que acompanha este post visa, na medida do possível, satisfazer os visitantes que insistentemente continuam a pesquisar no Google por “gajas nuas”, “gaijas nuas”, “mulheres peladas” e outras expressões assaz curiosas, que só não reproduzo por, apesar de tudo, pretender manter alguma dignidade neste espaço. Talvez não corresponda inteiramente às expectativas de quem faz este tipo de pesquisas, mas é o que se pode arranjar.


 

Os séniores

Tenho fundamentado receio de nunca chegar a ser velho. Não que tencione morrer cedo – antes das vinte e três horas não me dá jeito – ou acredite que a ciência vai descobrir qualquer coisa que me impeça de envelhecer. Nada disso. A mania do politicamente correcto vai encarregar-se de tudo e fazer com que eu daqui por uns anitos seja algo que, por enquanto, nem consigo imaginar.


Vejamos o que me leva a esta conclusão. Quando era miúdo, aos velhos chamava-se isso mesmo. Velhos. Num tratamento cordial podíamos apelidá-los de velhotes ou, mais ternamente, velhinhos e alguém menos educado chamar-lhe-ia, depreciativamente, velhadas.


No pós “vinte cinco do A” a intelectualidade de esquerda achou mal esta designação e, vai daí, passaram a ser a “terceira idade”. Mas como no singular não dava muito jeito desatámos a tratá-los por idosos. Ultimamente é ainda pior. Já não são nem uma coisa nem outra. São conhecidos agora como seniores.


Ora isto suscita algumas questões de carácter linguístico que considero assaz pertinentes. Por exemplo, o que devo dizer em lugar de velhinho?  Seniorzinho?! Não me parece.  Idosinho soaria ligeiramente melhor, mas demasiado demodé. E depreciativo? Não encontro pior do que veterano. E como se substitui o sempre simpático e afável velhote? Por qualquer coisa impronunciável, certamente… Era nestas coisas que os gajos que andam sempre a inventar estas mariquices deviam pensar antes de se porem com ideias.


Noutra perspectiva e vendo o lado positivo, reconheço algumas vantagens nesta nova semântica. Nomeadamente ao nível do piropo de andaime. Imagine-se um destes dias um trolha, perante uma senhora que apesar da idade mantenha ainda intactas algumas qualidades, a gritar: “Olha-me aquela sénior… toda jeitosa! Ainda fazia uma perninha nos juniores.”

quinta-feira, 5 de março de 2015

Afinal onde é que é a porra do churrasco?!

Acabo de ler num blogue que “Estremoz já está arder”. Ora sendo Estremoz a minha terra, esta afirmação deixou-me alarmado. Mesmo sem enxergar fumo a elevar-se aos céus nem o meu nariz sentir o cheiro a esturro não fiquei descansado sem descobrir que espécie de tragédia se estava a abater sobre a cidade.
Esmiuçando a noticia conclui-se que a mesma é manifestamente exagerada. Trata-se, afinal, de um alegado arrufo entre gajos que gostam de touros em que parte deles não terá gostado que a outra parte tivesse ficado a cagar estacas na praça onde torturam os ditos. Podemos, portanto, dormir tranquilamente. A cidade não vai ficar reduzida a cinzas. Duvido, até, que tão parva questiúncula seja capaz de, sequer, acender um fogareiro. Ninguém quer saber. Nem os bois, coitados.



Afinal onde é que é a porra do churrasco?!

Acabo de ler num blogue que “Estremoz já está arder”. Ora sendo Estremoz a minha terra, esta afirmação deixou-me alarmado. Mesmo sem enxergar fumo a elevar-se aos céus nem o meu nariz sentir o cheiro a esturro não fiquei descansado sem descobrir que espécie de tragédia se estava a abater sobre a cidade.


Esmiuçando a noticia conclui-se que a mesma é manifestamente exagerada. Trata-se, afinal, de um alegado arrufo entre gajos que gostam de touros em que parte deles não terá gostado que a outra parte tivesse ficado a cagar estacas na praça onde torturam os ditos. Podemos, portanto, dormir tranquilamente. A cidade não vai ficar reduzida a cinzas. Duvido, até, que tão parva questiúncula seja capaz de, sequer, acender um fogareiro. Ninguém quer saber. Nem os bois, coitados.







Os optimistas de serviço

Acho alguma piada àqueles que, por missão ou convicção, demonstram todo o seu optimismo garantindo-nos que o país é hoje um lugar melhor do que num passado não muito distante. Não mais distante que a duração da legislatura.


Este estado de espírito, ora optimista e confiante, ora pessimista e descrente, vai variando consoante o partido que apoiam – ou a que se apoiam - está no poder ou na oposição. Mesmo que as melhorias de que falam não sejam enxergáveis aos olhos de qualquer cidadão que não veja as coisas com a paixão da partidarite a toldar-lhe as emoções e o raciocínio.


Por mim, que já não tenho idade para acreditar em políticos mas que, obviamente, reconheço a infeliz impossibilidade de vivermos sem eles, divirto-me a assistir a este alternar de opinião e ao esforço, quase sempre inglório, que uns e outros vão fazendo para nos convenceram da sua razão. Ou para se convencerem a eles mesmo.


 

O papel (higiénico) da discórdia

A propósito da avaliação na função pública contaram-me recentemente uma história que terá ocorrido numa autarquia local e que ilustra bem a maneira como o sistema é encarado e, através de uma ironia e sentido de humor muito próprios, os portugueses tratam estas coisas. Ou seja, ao nível que elas merecem ser tratadas.


Ao que me contaram, para avaliação da equipa responsável pela limpeza do edifício sede da dita autarquia teria sido estabelecido entre outros objectivos  a redução em dez por cento relativamente ao ano anterior do número de rolos de papel higiénico consumidos no edifício. Compulsadas todas as fichas de monitorização preenchidas ao longo do ano e cruzados os dados obtidos com a documentação do armazém, ter-se-á constatado que o objectivo não teria sido atingido e, em consequência disso, a nenhuma das funcionárias terá sido atribuída a classificação de Muito Bom.


Obviamente insatisfeitas as funcionárias terão reclamado evocando, entre outros argumentos, o facto de cada rolo de papel higiénico ter um menor número de folhas do que os utilizados no ano que servia de comparação. Vários papéis, análises e reuniões depois, ter-se-á concluído que, em resultado de consulta promovida pelo Aprovisionamento, o fornecimento deste produto foi adjudicado a outro fornecedor que apresentou um preço mais favorável. E com menos folhas por rolo, também.


O imbróglio não terá ainda sido resolvido. O conselho de coordenação da avaliação lá do sítio, pese as muitas horas gastas a discutir tão delicado assunto, contam-me, parece hesitar na decisão a tomar. O que se compreende. Decisões fundamentais para o interesse público não se tomam de ânimo leve.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Plástico bom e plástico mau

O ministro que supostamente tutela a área do ambiente continua a insistir que o Estado vai mesmo arrecadar os quarenta milhões de euros previstos em sede de orçamento, com essa coisa da taxinha sobre os sacos de plástico. Deve ir deve. Meu não leva nem um cêntimo e, acredito, bem poucos serão os que se vão sujeitar a pagar essa taxa absurda.
O problema é que o stock de sacos de plástico cá de casa começa a cair para níveis perigosamente baixos. Está, por assim dizer, a chegar ao fim. Significa isso que terão de ser encontradas alternativas para o acondicionamento dos resíduos domésticos. Daí que tenha dado uma vista de olhos pela oferta disponível no âmbito dos artigos destinados a forrar o balde do lixo. Ora essa actividade deixou-me algures entre o estupefacto e o irritado. Constatei que, afinal, o preço de cada saquito – daqueles vendidos aos rolos - anda pelos seis a oito cêntimos. Quase o mesmo preço dos outros que antes eram de borla. O que acarretará uma despesa anual de 22 a 30 euros.
Ainda mais irónico é que, para não prejudicar o ambiente, passei a usar sacos reutilizáveis para transportar as compras. Entre as quais, talvez um dia, se incluam os sacos de plástico para o lixo.



Plástico bom e plástico mau

O ministro que supostamente tutela a área do ambiente continua a insistir que o Estado vai mesmo arrecadar os quarenta milhões de euros previstos em sede de orçamento, com essa coisa da taxinha sobre os sacos de plástico. Deve ir deve. Meu não leva nem um cêntimo e, acredito, bem poucos serão os que se vão sujeitar a pagar essa taxa absurda.
O problema é que o stock de sacos de plástico cá de casa começa a cair para níveis perigosamente baixos. Está, por assim dizer, a chegar ao fim. Significa isso que terão de ser encontradas alternativas para o acondicionamento dos resíduos domésticos. Daí que tenha dado uma vista de olhos pela oferta disponível no âmbito dos artigos destinados a forrar o balde do lixo. Ora essa actividade deixou-me algures entre o estupefacto e o irritado. Constatei que, afinal, o preço de cada saquito – daqueles vendidos aos rolos - anda pelos seis a oito cêntimos. Quase o mesmo preço dos outros que antes eram de borla. O que acarretará uma despesa anual de 22 a 30 euros.
Ainda mais irónico é que, para não prejudicar o ambiente, passei a usar sacos reutilizáveis para transportar as compras. Entre as quais, talvez um dia, se incluam os sacos de plástico para o lixo.



terça-feira, 3 de março de 2015

Pulga maldita

O pulguedo é lixado. Tramado, mesmo. Do piorio, a bem dizer. E ataca quando menos se espera e sem olhar a quem. Nem o lugar. A vitima, desta vez, terá sido José Sócrates. As pulgas terão efectuado um ataque surpresa e concertado que, alegadamente, deixaram o homem cheio de comichões. Algo deveras incomodativo, convenhamos. Entretanto, enquanto a coisa não se resolve, ele que se vá coçando. Tempo para isso não lhe falta.
Por falar em afanípteros. O que cresceu que nem isso foram as empresas do amigo do ex-primeiro ministro. Trintas e tantas, ao que parece. Um homem que revela um inusitado dinamismo empresarial, o Carlinhos. Capaz mesmo de ombrear com outros vultos do nacional empreendedorismo. Curioso, curioso – mas, se calhar, só isso – é a clientela. Câmaras municipais, na sua maioria. Para as quais as ditas empresas projectam, executam e fiscalizam obras como se não houvesse amanhã. O que a mim, que não sou de intrigas, me deixa com a pulga atrás da orelha.