Discordo da generalidade dos balanços que, nas rádios e televisões, têm vindo a ser feitos das últimas autárquicas. Até porque se foram trezentas e oito eleições, teriam de ser fazer outros tantos balanços. E consolidar todas essas contas de certeza não dá grande resultado. Pode, quando muito, dizer-se umas quantas generalidades. Assim tipo, ah e tal o PS ganhou porque teve mais votos e venceu em mais Câmaras. Pois sim. Vão dizer isso aos socialistas de Braga, Guarda ou Évora que eles vão ficar entusiasmados com a estrondosa vitória que insistem em proclamar. O mesmo para os comunistas de Niza, Crato ou Vendas Novas que, certamente, erguerão felizes as suas vozes perante a tão propalada vitória da CDU.
Pretender tirar conclusões nacionais em resultado de um conjunto de eleições locais não me parece, portanto, boa ideia. Em cada terra os eleitores fizeram as suas escolhas em função da simpatia - ou falta dela – que nutriam por cada candidato e o resto é conversa de pateta. Ou do Seguro. O que, basicamente, é a mesma coisa.
A entender-se o resultado das eleições como um cartão amarelo – ou vermelho, depende das interpretações mais ou menos fundamentalistas – que os eleitores mostraram ao governo, então como qualificar as intenções do eleitorado dos concelhos que deram a vitória a movimentos de cidadãos? Será que, para não ir mais longe, alguém acredita que a intenção dos 5.590 cidadãos dos concelhos de Estremoz e Borba que elegeram Presidentes independentes, em detrimento dos candidatos do PSD, o que queriam mesmo era penalizar o governo?! Se alguém achar que sim o melhor é ir ao médico!






