Será, porventura, um cão tão bem treinado que até é capaz de levar
o lixo para o contentor? Ou, talvez, uma vítima canina da austeridade não menos
canina que por cá vai grassando e que obriga o pobre animal a procurar comida
entre os restos que ali foram despejados? Provavelmente nem uma coisa nem
outra. Apenas um canito que, na falta de conseguir fotografar a fazer a
habitual cagada no passeio, surpreendi hoje de manhã nesta pose pouco vulgar.
Como somos praticamente vizinhos um destes dias ainda o apanho a arrear o
calhau.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Felizmente já não há foguetes.
Todos os anos por esta altura a comunicação social, na falta de
melhor, faz questão de nos lembrar como se vivia antes de 25 de Abril de 1974.
Invariavelmente enfatiza os hábitos, costumes e leis parvas que então vigoravam,
transmitindo-nos a ideia que foi graças aos acontecimentos daquele dia e dos
que se seguiram que hoje vivemos muitíssimo melhor, livres de um legislador ridículo
e caquéctico. Tudo isto sem o conveniente distanciamento ou enquadramento no
tempo que então se vivia. O que já não acontece relativamente aos tempos que se
seguiram. Perante os crimes, a parolice – de que o gajo da ferramenta no
documentário sobre a ocupação da herdade da Torre Bela, é um magnífico exemplo –
e as selvajarias então cometidas, existe uma ternurenta condescendência e a
constante preocupação em nos recordar que, então, vivíamos tempos conturbados, tínhamos
ânsia de liberdade e que estávamos todos a aprender a viver em democracia. Seja
lá o que for que tudo isso queira dizer.
Vivi os últimos anos do regime anterior e tenho memória de como
eram as condições de vida de então. Obviamente que hoje – pelo menos até agora –
vivemos incomparavelmente melhor, em todos os aspectos, do que antes daquela
data. Mas seria inevitável, mesmo sem golpe de Estado, que as coisas acabassem
por mudar. Tal como ocorreu em Espanha e nos países da Europa de leste. A
ditadura tinha os dias contados e, de certeza, teríamos tido uma transição para
a democracia sem sobressaltos nem destruição do tecido económico e financeiro
do país. Prefiro dizer, mesmo sendo politicamente incorrecto – prática de que
não abdico - que estamos muito melhor apesar do 25 de Abril. Por enquanto.
Daí que não veja grandes motivos para comemorar a data.
Congratulo-me, até, por os festejos anuais serem agora bastante mais discretos
do que há uns anos atrás. Será mesmo da mais elementar justiça deixar aqui um
grande bem-haja a quem teve a sensatez de acabar com o foguetório que
assinalava a ocasião. Estoirar - principalmente daquela forma inglória - o dinheiro que a todos custa a ganhar é coisa de um passado que, à semelhança do
outro, também se quer distante.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Vá lá entender-se estes sindicalistas
Embora reconheça a importância dos sindicatos, ainda mais numa
fase em que ter direitos é quase encarado como um crime, não nutro especial apreço
pela maioria daqueles que se dedicam à actividade sindical. Na generalidade, é
claro. Porque não tenho nada de pessoal contra nenhum e, de certeza, não
faltarão pessoas estimáveis entre os activistas sindicais.
Fui, durante alguns anos – não muitos, diga-se – sócio de um
sindicato. Assinale-se, também, que raramente me revia nas estratégias –
estratagemas, a maior parte das vezes - que então eram praticadas. Pior do que
isso. Das poucas ocasiões em que solicitei os seus préstimos – afinal a quota
devia servir para alguma coisa – acabei, invariavelmente, por me arrepender tal
era a qualidade das respostas que obtinha. Confirmada em todas as
circunstâncias. Que, reitero, felizmente não foram muitas.
Hoje a coisa não deve ser muito diferente. Talvez por isso cada
vez menos trabalhadores se revejam nos sindicatos. E, por consequência, a
qualidade dos líderes sindicais venha sistematicamente a cair. Exemplo disso
são as declarações atabalhoadas do secretário da UGT a propósito da eliminação
de feriados. O homem, ao que parece, está indignado por apenas terem sido
eliminados dois feriados, os civis, enquanto a decisão sobre os religiosos,
lamentava-se, era atirada para as calendas. Pensava eu, mas ninguém me manda
ser burro, que os sindicatos eram contra o fim de todo e qualquer feriado e que
não iam apreciar que os trabalhadores – ou os seus associados, pelo menos –
trabalhassem mais dias de borla. É o que faz dar certas coisas como adquiridas.
domingo, 22 de abril de 2012
Só para contrariar
É um clássico. Local onde esteja afixada uma placa a proibir o
despejo de lixo, entulho ou outro qualquer tipo de resíduo é, quase sempre, o
preferido daqueles que se querem livrar deste género coisas. Deve ser algo que
integra o nosso ADN e que nos leva, só para chatear, a desrespeitar o aviso.
No caso documentado pelas imagens, provavelmente, também assim
será. Apesar do alerta de “perigo de electrocussão” – garanto que está lá,
apesar da máquina não o ter captado de maneira a ser legível na fotografia – a porta
está escancarada. Mesmo que dali esteja a sair um cabo – e não é garantido que
assim seja - podia, pelo menos, estar um bocadinho mais encostada. Até porque
numa piscina e para mais na zona das partidas e viragens existirá a vaga
possibilidade da caixa ser atingida por uns salpicos. Ou então o gajo que se
lembrou de afixar ali aquele papel é que é um chato. Talvez um pouco menos do
que eu mas, ainda assim, um chato.
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