O ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares
– o Relvas, portanto – quis hoje, segundo as suas palavras, deixar um sinal de
esperança aos portugueses. Acho que não conseguiu. Mas, em contrapartida,
arrancou-me um sorriso. Amarelo. Que, apesar de isto não estar para graças, o
homem evidencia uma enorme capacidade para dizer larachas. Segundo a
criatura, o governo está a seguir "um princípio de exigência, de rigor e
de seriedade nas políticas que temos seguido para que possamos no fim da
legislatura poder dizer que estamos a construir um país mais equilibrado, um
país mais próspero, e também um país mais feliz”. E, como qualquer bom
humorista, disse tudo isto sem se deixar rir. Cá para mim anda a beber às
escondidas. Ou então a fumar alguma coisa estragada.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
Não pague impostos, ande a pé!
O preço da gasolina não pára de bater sucessivos recordes. Já vai
em mais de um euro e setenta e seis cêntimos – nalguns postos terá mesmo
superado um euro e oitenta – mas nem isso parece levar os portugueses a encostar
o carrinho. Apesar de números oficiais indicarem que estão a ser vendidos menos
uns quantos milhões de litros e que a cobrança de impostos sobre os combustíveis
continua em queda, não se verifica ainda a diminuição de viaturas em circulação
que seria expectável face aos valores que são agora necessários para atestar o
depósito.
Esta questão faz-me, de certa forma, lembrar as estatísticas acerca
da criminalidade. Sempre que são divulgados os dados relativos à actividade
criminosa, todos os indicadores apontam para a baixa do número de crimes.
Invariavelmente. Isto apesar de toda a gente ter a percepção do contrário.
Sinto o mesmo quando tomo conhecimento de notícias que dão conta da redução do trânsito
automóvel em consequência da escalada de preços dos combustíveis. Não noto nada.
As cidades continuam repletas de carros e poucos são os que optaram por andar a
pé. Desconfio, até, que existirá petróleo a jorrar em muitos quintais. Só pode.
Tenho curiosidade em ver até que ponto vamos resistir e continuar
a insistir em não prescindir do automóvel nas deslocações dentro da cidade. Que
preço estamos dispostos a pagar pelo conforto, vicio, vaidade, mania ou o que
lhe queiram chamar, de percorrer escassas centenas de metros sentados ao
volante quando o podíamos fazer a pé? Quando a gasolina sem chumbo chegar aos
dois euros voltarei ao tema. Um dias destes, portanto.
Manifesta discriminação
O facto de algumas juntas de freguesia terem decidido alugar
autocarros para levar os seus fregueses a manifestarem, em Lisboa, o seu
desacordo pelo desaparecimento da sua freguesia parece ter causado algum incomodo
em certos opinadores. Daqueles que, nas mais variadas televisões e outros órgãos
de comunicação social, têm a mania que fazem opinião. Para essa rapaziada, uma
passeata até à capital da república para exprimir indignação não será o
destino mais adequado a dar a umas centenas de euros oriundos do erário público.
Embora muitos deles não se tenham cansado de, num passado não tão distante
quanto isso, exaltar o direito dos portugueses à indignação. Desde que a
paguem, acrescentarão agora.
Parece não levantar grande celeuma a necessidade de uma
reorganização que envolva o fim de freguesias que hoje, praticamente, já não
têm habitantes e que, na prática, apenas existem no papel. É, também, consensual
que ao nível autárquico – municípios e freguesias – se esturra dinheiro se
forma absolutamente tresloucada. Mas, que diabo, apontar o dedo aos autarcas
que entenderam mobilizar os seus eleitores, mesmo gastando dinheiro de todos,
para a defesa do órgão da administração pública que está mais próximo do
cidadão comum, já me parece demais. Principalmente quando há tanta outra coisa,
mesmo a este nível, onde o procedimento é exactamente o mesmo. Assim de repente
estou a lembrar-me daqueles eleitores que ciclicamente são transportados para,
a título individual e apenas porque lhes apetece, participarem nas mais
diversas manifestações. De carácter lúdico, no caso. Estamos, portanto, perante
uma clara discriminação do manifestante. O que me deixa indignado. Ludicamente,
claro.
sábado, 31 de março de 2012
Tá bem tá
Um dos meus passatempos diários – em casa, não no trabalho como
faz muito boa gente – é ler a edição on-line da maioria dos jornais nacionais.
Podia, reconheço, dar-me para pior. Andar a esparvoar pelo facebook, por
exemplo.
Ler aquilo que se publica na imprensa é, acho eu, a melhor maneira
de entender como se chegou a este estado e, também, de perceber que não há
grande coisa a fazer por isto. Veja-se, assim ao acaso, a manchete do Jornal de
Noticias de hoje: “Quem não quiser trabalhar perde rendimento mínimo”, escrevia
aquele periódico em letras garrafais. Fica-se, à primeira olhadela, a suspeitar
que vem aí uma alteração às leis que regulamentam a atribuição do RSI e aquela
malta que vive permanentemente à custa deste esquema, financiado com os
impostos de quem trabalha, vai ter de pensar noutra forma de vida. Pois que, se
calhar, não será bem assim. Em letras muitíssimo mais pequeninas pode ler-se de
seguida que “Autarquias e IPSS proporão tarefas a desempenhar pelos
beneficiários”. E pronto. Ficamos logo esclarecidos, lendo apenas a capa, que
tudo vai continuar na mesma, que o dinheiro continuará a seguir o mesmo fluxo
que até aqui - dos nossos bolsos para o Estado e daí para os deles – e que
quanto a trabalho “tá bem, tá”.
O contínuo desbaratar de recursos do país tinha de dar no que deu.
O RSI foi apenas mais uma loucura entre tantas outras. A que se devem somar
inúmeros actos de gestão danosa, corrupção e aproveitamento ilícito, sob todas
as formas, dos bens públicos. Tudo alegadamente, como é óbvio. O pior é que
tudo, como se percebe por esta e outras notícias que diariamente se publicam,
continuará igual. Dá jeito que assim seja. Aos que “lá” estão hoje, aos que
estiveram ontem e aos que estarão amanhã. Um pouco à semelhança do que acontece
com a generalidade dos tugas, para quem a grande máxima continua a ser “deixa
lá aproveitar enquanto a coisa ainda dá”.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Á espera que chova
Diz que já chove. Diz, porque aqui nem vê-la. À chuva. Nem um
pingo para animar um agricultor de trazer por casa – pelo quintal, vá – que escolheu
mal o ano para retomar a tradição de cultivar o espaço em redor da casa. O
vasilhame – bazaréus, como gosto de lhes chamar – continuam vazios, a
capacidade de armazenamento há muito que se esgotou e o recurso à água da rede
está a revelar-se uma tragédia. Devido aos produtos químicos que a compõem queima
todas as folhas das plantas por onde vai caindo. Às tantas ainda sou gajo para
pedir uma indemnização. Seja pela destruição das culturas ou pela burla de que
estarei a ser vítima. Pago água e vendem-me um composto químico qualquer!
quarta-feira, 28 de março de 2012
Uma visão iluminada
Que o poder transforma as pessoas é um facto mais do que
conhecido. E amplamente reconhecido também. Entre outras coisas - a maioria delas
não será para aqui chamada - transforma-os em optimistas inveterados.
Visionários, até. Parvus Coelho estará prestes a adquirir estas capacidades. Depois
de meses a dar-nos más notícias, o homem veio hoje transmitir a sua convicção
de que a economia nacional crescerá no último trimestre do ano. Sustentará a
sua opinião, acredito, em estudos devidamente fundamentados e em indicadores
dotados da maior fiabilidade. Não serei eu, portanto, a questionar, nem sequer
a desconfiar, de tão boa noticia. Primeiro porque não percebo nada de economia.
Segundo, porque as previsões dos economistas constituem para mim uma espécie de
misteriosa ciência, e às vezes, também, um género de cartomancia. Por fim, porque não estou a ver que tipo de
milagre possa estar para acontecer. Antes pelo contrário. Perspectivo algumas
ocorrências que apenas por intervenção de algum santo milagreiro não nos
conduzirão a uma situação ainda pior.
O aumento de preço dos mais variados bens e
serviços, por exemplo. Entre eles, quase de certeza, o da energia eléctrica. A próxima
liberalização deste sector conduzirá, tal como aconteceu com os combustíveis, a
uma acentuada escalada do preço da electricidade. Com todas as consequências
daí decorrentes para as empresas, administrações públicas e portugueses em
geral. A menos que estejam reunidas duas condições: Pertençam a uma minoria étnica
e morem num local onde tenham água e luz à borla. Assim tipo um qualquer resort situado à entrada de uma qualquer cidade. Nesse caso podem continuar a encher a piscina,
ligar o ar condicionado, o plasma e toda a panóplia de equipamentos que se
ligam à corrente. Depois alguém – está-se mesmo a ver quem – há-de pagar os
muitos milhares de euros da continha.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Badalhocos!
A suposta reivindicação que o cartaz da JSD pretende transmitir
não me surpreende. Afinal, aqueles que se espantam, indignam e vociferam contra
a mensagem nela contida, estavam à espera de quê? Este discurso é mobilizador
para quem não tem emprego ou, mesmo que empregado, esteja em condições de
precariedade. Pretende culpar os que ainda tem alguns direitos – poucos e cada
vez menos – da situação daqueles que não têm direitos nenhuns. É, notoriamente,
um discurso que está na moda e cativa seguidores. Daí que estes aspirantes a políticos
o promovam. Para se promoveram àquilo a que aspiram. Um cargozinho. Com todos
os direitos - adquiridos, pois então - inerentes a qualquer cargo onde esta
malta pretende chegar. A começar pelo mais importante. O direito à impunidade. Quando
um dia, depois de uma meteórica carreira na “jota”, forem nomeados para um
lugar de relevo, poderão continuar a roubar os portugueses, tal como o fizeram
os seus antecessores e a construir grandes vidas, para si e seus correlegionários,
que ninguém lhes “vai ao cú”. Em sentido figurado, claro, que eu não pretendo
implicar com a paneleiragem. Nem, ainda menos, pôr em causa os seus direitos adquiridos.
domingo, 25 de março de 2012
Ovo de Colombo
O governo descobriu a maneira fácil, rápida e barata de arranjar
mais lugares em lares de idosos e jardins-de-infância. Com uma simples
alteração da legislação que regulamenta esta a matéria passou a ser possível que,
na mesma instituição, coabitem mais
velhotes e no caso dos mais pequenos que estes se tenham de contentar em fazer
as suas brincadeiras num espaço mais reduzido. Genial. Sem construir um único edifício
estes génios da manigância conseguiram, quase do dia para a noite ou contrário,
criar lugar para arquivar mais umas largas centenas – ou milhares, sei lá - de
velhos que ninguém quer ter por perto e outros tantos para criancinhas a quem
os pais não sabem onde deixar quando vão trabalhar. Ou fazer outras coisas que
agora não vêm ao caso.
Não é que ache mal a solução encontrada. Sabe-se que as leis
relativamente a estes assuntos estão cheias de esquisitices e requisitos do
mais estapafúrdio que se possa imaginar. Não me parece, portanto, muito criticável
que se adeqúem certas normas à nossa realidade de país pobre, sem recursos e
onde cada cêntimo tem de ser bem aplicado. Tratou-se, neste caso, do verdadeiro
ovo de Colombo.
E como isto anda tudo ligado, mesmo que às vezes não pareça, foi o
mesmo governo que se apressou a adoptar uma directiva comunitária manhosa
acerca da qualidade de vida das galinhas e do espaço que estas necessitam para
viver confortavelmente. Nada de viver apertadas como até agora. Ao contrário de
velhinhos e catraios, que tem vivido escandalosamente à larga, os galináceos europeus
habituados a viver compactados uns contra os outros, viram a agora as condições
de vida substancialmente melhoradas e podem, finalmente, pôr ovos sem incomodar
a galinha sua vizinha.
Posto isto – lá está, isto mesmo tudo ligado – não sei se os ovos
estão ou não mais saborosos. Nem, tão-pouco, se as aves de capoeira andam mais
felizes. O que sei é que os ovos estão mais caros. Bastante mais caros. Parece
que a produção, apesar da provável felicidade das galinhas, diminuiu
significativamente. Isto porque, como é óbvio, os industriais do sector não
aumentaram o espaço. Face à obrigação de cumprir a lei optaram por fazer baixar
a população de galináceos. Assim, graças aos amiguinhos dos animais e às bestas
de cá e da Europa, estamos a pagar mais caro pelas omeletas.
sexta-feira, 23 de março de 2012
O mealheiro
De certeza que não sou o gajo mais indicado para dar dicas de
poupança aos que têm a paciência de me ler. Primeiro porque não me acho tão
poupado quanto isso. Apenas racional, quando muito, e mesmo assim tem dias. Em
segundo lugar porque não quero entrar em concorrência com a legião de blogues acerca
deste tema que pululam por essa blogosfera fora e, finalmente, porque ninguém
ligava nenhuma à minha retórica.
Tenho, no entanto, uma regra de poupança que não de canso de
divulgar e de sugerir a todos os que se queixam – e aos outros também – de não
conseguir poupar absolutamente nada. Há anos, ainda muito antes de se falar em crise, todas as moedas de um e dois euros
estrangeiras, apenas as estrangeiras, que me vêm parar à carteira vão direitinhas
para um mealheiro. E, como a imagem documenta, por este dias abriu-se a
latinha. Sendo eu de gostos simples e pouco dado a extravagâncias, mesmo não
se tratando de uma quantia avultada, é coisa para não andar muito longe de pagar as
férias. Até porque este ano vou querer tudo sem factura.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Não há comboios grátis
O governo decidiu – e muitíssimo bem – parar definitivamente com o
projecto do TGV. Mesmo descontando o facto de isso do definitivo, em tudo na
vida e na política ainda mais, ser um conceito muito relativo foi uma das
raras notícias que gostei de ouvir nos últimos tempos. Para aqueles – não muitos,
infelizmente - que sabem fazer contas é uma decisão sensata e que livra os
portugueses de um volume de encargos que dificilmente suportaríamos.
Tenho manifesta dificuldade em perceber o raciocínio de certa
gente. Ou melhor, em entender qual é a espécie de bloqueio que lhes tolda a
mente quando ouvem falar em fundos comunitários. Embora compreenda que possa
haver, naturalmente, quem não goste da ideia de ficar sem um comboio todo
jeitoso. Não sei se muitos se poucos. Nem isso me incomoda. O que me transtorna
é que, pelo menos alguns deles, nos queiram fazer de parvos. Papaguear que o
país, por abandonar o projecto, vai perder mil e duzentos milhões de euros – a parte
da obra que a União Europeia, alegadamente, financiaria – sem esclarecer que
para receber esse dinheiro teria de gastar muitos outros milhões que não tem é,
no mínimo, próprio de um vigarista. Mal comparado, será como alguém oferecer um
milhão e duzentos mil euros a um sem-abrigo com a condição deste construir uma
casa que lhe vai custar um milhão e quinhentos mil e chamar-lhe parvo se ele
não aceitar.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Custe o que custar...
Diz que a execução orçamental, nomeadamente do lado da receita,
não está a correr lá muito bem. Nada que constitua motivo para admiração.
Excepto, talvez, para uns quantos brilhantes académicos com vasto conhecimento
teórico acerca de matérias orçamentais mas profundos desconhecedores de como
funcionam as coisas no mundo real. Uns rapazolas, ansiosos por colocar em
prática os ensinamentos adquiridos nos bancos da faculdade que chegaram aos
corredores do poder vindos directamente da jota. Seja ela laranja, agora, ou
rosa antes. Gente que, como dizia o outro, sabe lá o que é a vida. Por mais que
nos gabinetes, nos jornais ou nas televisões, se esforce por aparentar o
contrário.
Interessa, porém, não esquecer que os resultados divulgados estão
ser comparados com o período homólogo de 2011. Que foi, como toda a gente
certamente se recordará, marcado por uma execução orçamental espectacular. Isto
na opinião dos que faziam campanhas negras porque, na realidade, foi para lá de
sublime. Tanto que deu naquilo que se sabe. E que se sente, também.
Obviamente que a coisa ainda vai ficar pior. Muito pior. Nem vai
ser preciso chegar ao final do ano para perceber isso. Quando forem divulgados
os resultados de Julho perceber-se-á o tamanho da tragédia em que nos metemos. E
depois vai ter de acontecer um milagre. Assim tipo tirar mais um mês de
ordenado a uns quantos, lançar uma sobretaxa qualquer, inventar mais um imposto
ou, talvez, tudo em simultâneo. Por mim legalizava já a prostituição e a droga.
Sujeitas, naturalmente, a IVA à taxa máxima e os rendimentos obtidos tributados
em IRS. Pelo sim pelo não. Mas isso sou eu que tenho pouco cabelo.
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