Estremoz. Centro da cidade. Sábado de manhã. Apesar da imensa
placa central do Rossio Marquês de Pombal - onde cabe sempre mais um - ali
mesmo ao lado, há quem insista em levar o popó até à porta do estabelecimento
onde quer fazer compras. Neste caso talvez tenha sido o talho. A urgência em
adquirir uns bifes para o almoço será uma razão de peso. Ou, quem sabe, a
imperiosa necessidade em beberricar um cafezito no pastelaria ali ao lado. No
caso em frente, para quem estiver no carro. Embora também não seja de descartar
a hipótese da loja das cuecas. Há coisas que não escolhem dias nem horas e que
não se compadecem com dificuldades logísticas. Nem de estacionamento.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Não gosto de ultimatos. É uma coisa que me aborrece.
Estrangeiros a mandar palpites acerca da maneira como nos
governamos ou fazemos a gestão do nosso território é coisa que parece estar a
tornar-se um hábito. Agora foram uns camionistas espanhóis. Diz que não querem
pagar as portagens nas nossas auto estradas. Pior. Têm a lata de fazer um ultimato ao governo –
ao nosso, que apesar de ser uma merda é o nosso e portanto só nós é que podemos
dizer mal – para no prazo de um mês criar uma zona livre de portagens até cento
e trinta quilómetros da fronteira.
Apesar do meu carro, mesmo nos dias em que está na garagem,
possuir o fantástico poder de passar por inúmeros pórticos das mais variadas
ex-scuts – mas isso talvez constitua motivo para um post com mais pormenores –
não discordo da cobrança de portagens neste tipo de vias. Se assim não for
terão de ser todos os contribuintes a pagar. Mesmo os que não têm automóvel. O
que, deve ser falta de visão estratégica, não me parece justo. Portanto quem as
usa que as pague. Principalmente se forem espanhóis.
Fico a aguardar que todos os que se indignaram com as declarações
da Merkel e do outro gajo alemão do parlamento europeu, manifestem igualmente a
sua revolta com esta espécie de ultimado. Que envolve, ao que parece, a ameaça
de uns quantos desacatos caso a sua pretensão não seja atendida. Desconfio, no
entanto, que a reacção seja exactamente a contrária. É capaz de recolher
simpatias do lado de cá. Principalmente entre um bando de alarves que se, num
caso semelhante, fizessem o mesmo em relação a opções do governo espanhol –
afectassem ou não os portugueses – eram gajos para não ter uma vida sossegada
quando atravessassem a fronteira.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Ninguém tem nada a ver como esbanjamos o dinheiro que nos dão!
Não partilho da onda de indignação que para aí vai em resultado
das declarações da chanceler alemã, por acaso uma cidadã da ex-RDA, acerca da
maneira como na Madeira se desbarataram os muitos milhões de euros que, oriundos
dos cofres europeus, desaguaram na ilha do Alberto João. A senhora podia até
ter dito muito mais, porque muito mais havia para dizer. Portugal de norte a
sul está repleto de exemplos que podiam perfeitamente figurar num compêndio
sobre a maneira como se não deve esturrar dinheiro.
Obviamente não é agradável ouvir um estrangeiro tecer criticas à forma
como nos governamos. Por mais razão que tenha. Edifícios que apenas são
utilizados escassos dias por ano ou, como mostra a imagem, estradas no meio de
nenhures com enigmáticas rotundas, são exemplos flagrantes da loucura
despesista de alguns que fazem obras, independentemente da sua utilidade, apenas
porque há dinheiro para gastar. Isto sem esquecer os milhares de “cursos de
formação”, que vão entretendo desempregados e gente com manifesta aversão ao
trabalho, de uma inutilidade sobejamente certificada e que de pouco mais servem
para além de mascararem os números do desemprego.
Mesmo assim acho que a senhora devia estar calada. Nestas como
noutras coisas a acção é muito mais importante que a conversa. E a criatura, se
acha que andamos a gastar mal o dinheiro que manda para cá, há muito que devia
ter agido. Fechado a torneira era capaz de ter sido uma boa opção. Com os
exemplos que todos conhecemos, o cidadão comum não notaria grande diferença.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Os azelhas da comissão de trânsito
Umas quantas sumidades na matéria, reunidas sob a designação de Comissão Municipal de Trânsito, produziram – já lá vão uns anitos – uma proposta de alteração ao trânsito no Bairro da Salsinha, Monte da Razão e Quinta das Oliveiras, aqui em Estremoz, que revolucionou a maneira de circular nas referidas urbanizações. Nada que os moradores reivindicassem, assinale-se, mas que mesmo assim os conceituados especialistas insistiram em produzir. Embora, como é fácil de constatar no terreno, as soluções propostas revelem – já o escrevi inúmeras vezes e voltarei a escrevê-lo outras tantas – completo desconhecimento da zona, desrespeito absoluto pelos moradores e total ausência de preocupações ambientais ou com a poupança de combustível.
Atente-se, a título de exemplo, na imagem acima. Não é difícil perceber - pelo menos para quem conhece o bairro, grupo em que os membro da tal comissão parecem não se incluir - que há moradores a percorrer agora mais quinhentos metros de cada vez que se deslocam de automóvel para fora da sua zona de residência. Tudo porque os cavalheiros que assim decidiram gostam de ruas com sentido único. Ainda que dois veículos se cruzem com a maior facilidade. Se cada residente fizer este percurso duas vezes por dia, não será necessária grande inteligência para calcular o dinheiro gasto ingloriamente por causa da decisão destas mentes iluminadas. Verdadeiros génios da arte de gestão de tráfego, até. Pena que evidenciem uma gritante falta de jeito para o cálculo.
PS - As setas verdes representam a circulação que se fazia antes e as laranja a que se faz depois da implementação do plano engendrado pelos sábios da comissão de trânsito.
PS - As setas verdes representam a circulação que se fazia antes e as laranja a que se faz depois da implementação do plano engendrado pelos sábios da comissão de trânsito.
E se fosse o Sócrates?
Façamos um pequeno exercício. Um suponhamos, vá. Imaginemos que o primeiro-ministro era ainda José Sócrates – lagarto, lagarto, lagarto, ai Jesus, cruzes canhoto - e que, tal como o parvo que lá está agora, tinha decidido não conceder tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval. Mais. Não contente com tamanho tiro no pé vinha, alarvemente, papaguear que quem não fosse trabalhar não era patriota. Não serão certamente necessários especiais recursos imaginativos para calcular o arraial que a comunicação social ia montar em torno de tamanho disparate. Com este tudo é diferente. Muito mais suave. O homem tem boa imprensa, os críticos de antes são os apaniguados de agora e os jornalistas não se atrevem a piar muito não vá o Relvas tecê-las.
Embora não seja especial apreciador de festas carnavalescas reconheço, tal toda a gente que saiba fazer contas, a importância desta quadra na economia e na tradição popular. A mesma para a qual Parvus Coelho se está nas tintas. O que significa estar nas tintas para o povo que governa. Mas isso, vindo de onde vem, a poucos surpreenderá.
Tudo indica que em 2012, apesar de receber menos dois meses de salário, vou trabalhar mais cinco dias. Pelo menos. Daí que não reconheça a um badameco qualquer, autoridade para ganir acerca de atitudes patrióticas. Para isso ou para outra coisa. Porque – não me devo enganar muito – Terça-feira de Carnaval vai ser um feriado igual ao que sempre foi. Já da autoridade do primeiro-ministro não se poderá dizer o mesmo. O país vai desobedecer-lhe. Ostensivamente.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Concentradissimos no acessório
Imaginação e capacidade para gastar dinheiro – que normalmente não têm, sublinhe-se – são atributos que reconheço à generalidade dos autarcas. Qualquer pretexto é bom para uma comemoração, uma festa ou para instituir a prática de uma qualquer actividade. Tudo à borla, de preferência, que isso de cobrar seja o que for aos eleitores envolve sempre aspectos desagradáveis. A menos, claro, que seja à socapa. Tipo no IMI, que aí eles pagam nas Finanças e a maioria nem sabe que a massa vai direitinha para os cofres das Câmaras e daí para as tais comemorações, festas e actividades importantes.
Como, por exemplo, proporcionar a prática de yoga aos meninos do ensino básico e pré-escolar. Coisa fundamental na formação académica das criancinhas, ao que parece. Essencial para as manter atentas e elevar a sua capacidade de concentração nas aulas, diz que também. Deve ser, pois. Nem desconfio se os montantes envolvidos serão ou não relevantes. Pouco me importa. Se calhar a malta que encontrou emprego a dar estas aulas até nem ganha muito e, compreende-se, precisa de trabalhar que a vida está difícil. Depois queixam-se que as refeições escolares estão em perigo porque a autarquia não tem verbas…
Nem tudo, no entanto, são actividades parvas ou despesas sem nexo. Algumas autarquias do interior estarão a ponderar a hipótese de se substituírem ao Estado no transporte de doentes a consultas e tratamentos médicos. De louvar, sem dúvida. Se podem levar velhotes e mais carenciados a discotecas, proporcionam viagens de avião só para experimentarem a sensação, organizam excursões a Fátima ou ao Oceanário e fazem as festas mais variadas e alarves, também podem ajudar quem necessita a aceder aos cuidados de saúde indispensáveis.
Mas isto sou só eu a divagar. É uma estranha mania de ver as coisas todas ao contrário que não há maneira de me largar.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Estroinas
Comparar a situação em que vive o país com a de um grupo de amigos que foi ao restaurante e no final da festarola não tem dinheiro para pagar a conta é apenas uma parte da verdade. E, como se sabe, uma meia verdade geralmente produz muito mais estragos que uma mentira. Embora a analogia faça algum sentido, seria bom esclarecer que, desse grupo de pândegos, alguns comeram caviar e beberam champanhe enquanto a imensa maioria apenas emborcou umas mines e mastigou uns tremoços. Convém também que se diga que, no final da pândega, a conta é a dividir por igual independentemente do que cada um tenha consumido e que, pasme-se, até os que não foram ao banquete têm de pagar. Mesmo assim, seria bom que quem faz estas comparações não se esquecesse de referir que ainda há uns quantos que insistem em continuar o repasto e outros que não querem pagar. Nem ficar a lavar os pratos, que foi a alternativa manhosa que a nova gerência da espelunca encontrou para minorar os prejuízos.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Poupar nas balas. E, já agora, nos juizes.
Não sou especial apreciador da maneira como os polícias abordam o vulgar cidadão. Arrogância e não raras vezes má-educação parecem ser requisitos essenciais para pertencer a qualquer força de segurança. Que essa postura seja exibida em situações críticas ou na presença de potenciais criminosos é compreensível, mas quando se trata de uma qualquer banal ocorrência é esta pose absolutamente descabida e reveladora, entre outras coisas, de má conduta profissional.
Nutro, no entanto, alguma admiração pelo trabalho policial. Nomeadamente aquele que obriga a dar o coiro ao manifesto. Que é como que diz a lidar com todo o tipo de escumalha e arriscar a vida, na maior parte das situações, por muito pouco. Daí que tenha dificuldade em perceber que um policia seja condenado em catorze anos de prisão por ter morto um meliante. Na sequência de um assalto, diga-se. Parece que o agente terá agido com negligência. Durante o assalto e na perseguição que se seguiu não manteve o cano da arma apontado para cima e o dedo longe do gatilho. Coisa que, pensava eu – mas ninguém me manda ser parvo – devia ser, ela sim, considerada negligente. Se assim é não se justifica que a polícia ande armada. Era até uma boa maneira de poupar. Não se gastava dinheiro em armamento, não se apanhavam os assaltantes e poupava-se um dinheirão com os trâmites judiciais. Só vantagens, portanto.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Justiça cega
Valentim Loureiro foi hoje absolvido por um tribunal qualquer. Parece que era acusado de coisas. Que, como é óbvio, não terá feito. Tal como já aconteceu, em tempos, com a Fátinha de Felgueiras, com o Avelino de Marco de Canavezes e está para acontecer com o Isaltino de Oeiras. Ou como irá suceder sempre que em causa esteja alguém – autarca ou não – a quem a parolada bate palmas. Nem se percebe bem porque razão a justiça perde tempo com ninharias em lugar de se preocupar crimes realmente importantes. Tipo roubo de peixe congelado, feijão verde ou champô. Vá lá que, de vez em quando, aparecem juízes com “eles no sítio” capazes de punir, com a severidade que este tipo de crime merece, os perigosos sem abrigo e as temíveis velhinhas que espalham o terror nos supermercados.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Lágrimas de crocodilo
As noticias sobre velhinhos sozinhos e abandonados à sua sorte – ou, no caso, azar – voltaram a estar na ordem do dia. Infelizmente aquilo que, por estes dias, as televisões não se tem cansado de mostrar não constitui novidade e, antes pelo contrário, não se trata de um fenómeno isolado nem, ainda menos, passageiro. O envelhecimento da população e outras circunstâncias que, quase sem se dar por elas, se foram acentuando na sociedade potenciam o surgimento de cada vez mais casos como os que têm sido relatados.
Soluções para situações desta natureza não existem. Nem será fácil encontrar uma forma de as minimizar. O que se dispensam são as lágrimas de crocodilo. Nomeadamente de jornalistas bem pagas ou de assistentes sociais com jeito para a representação. Não se espera que ninguém, principalmente esta gente, faça milagres. Agora o que gostava era que as profissionais da assistência social tivessem a honestidade de, perante as câmaras de televisão, ter a mesma atitude que exibem nos seus gabinetes a quem as procura para encontrar uma solução de acolhimento para os seus parentes mais velhos. Ou, por exemplo, quando nos hospitais procuram a todo o custo despachar, seja para onde for, os doentes com alta médica mas sem condições para ficar em casa. E, já agora, que jornalistas de lágrima prestes a brotar as interrogassem acerca disso.
domingo, 29 de janeiro de 2012
E a crise que não há maneira de chegar à praga dos animais de estimação
Esta é uma nova foto do alhal da crise, bastante mais pormenorizada do que a anteriormente publicada e obtida poucas semanas depois. É por isso visível, entre as viçosas plantas que entretanto evidenciam um razoável crescimento, a presença de um vistoso cagalhão. Não tendo eu nenhum cão, gato ou qualquer outro animal de estimação que produza dejectos destas dimensões a sua presença só pode significar que o meu quintal anda a servir de retrete à canzoada da vizinhança.
A julgar pela inusitada frequência com que estas coisas me aparecem por aqui, tudo leva a crer que algum canito das redondezas terá qualquer problema do trato intestinal e apenas consegue aliviar a tripa nesta circunscrita zona do bairro. Onde, por azar, se situa o meu pequeno quintal. A identificação do abusivo prevaricador está a revelar-se difícil. O que é uma pena. Teria todo o gosto em devolver o presente ao legítimo proprietário. Enquanto isso não acontece decidirei se, quando souber a quem pertence o cachorro, lho atiro para o quintal ou o introduzo na caixa do correio. Até lá vai direitinha para o meio da rua. Literalmente.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Jardinismo
Ao contrário de muitos comentadores, que nos últimos dias não se têm cansado de declarar o fim do “jardinismo”, tenho alguma dificuldade em acreditar que esta forma de governar esteja a chegar ao fim. Direi mesmo que o anúncio do seu termo é manifestamente exagerado. Isto porque apesar da aparente rendição forçada do Jardim da madeira, onde se calhar a coisa de ora em diante irá piar ligeiramente mais fino, há em quase todos nós um pequeno Alberto João.
Se, com o chamado plano de resgate da Madeira, o original e grande Alberto terá forçosamente de alterar um bocadinho - pelo menos é o que se espera – a sua forma de governar a ilha, por cá vai continuar tudo na mesma para os muitos jardinistas que dirigem municípios, juntas de freguesia, empresas públicas, fundações e demais instituições onde, de alguma forma, é gerido dinheiro público. O rigor – não digo austeridade porque sou contra e acho-a desnecessária – ainda não tem data marcada para aparecer nessa espécie de universos paralelos onde tudo corre como se vivêssemos num país onde o dinheiro brota das árvores. E, quando um dia aparecer, não me enganarei muito se servir apenas para despedir funcionários, mandriões inúteis e malcriados, quase todos principescamente bem pagos. Malta que, como se sabe, ganha muito e trabalha pouco.
Mesmo ao nível do cidadão comum o jardinismo continuará a imperar. Continuaremos a adorar quem tapa cada pedacinho de terreno com betão e a aplaudir quem esturra fortunas – nossas, só por acaso – em cantorias e festarolas badalhocas. Vamos continuar a desprezar quem pretende gastar os dinheiros públicos de forma racional, a odiar os que procuram gerir a coisa pública com transparência e a votar em Isaltinos, Fátinhas ou Valentins.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Estacionamento tuga
Em
Estremoz poucos são os que se deslocam a pé. Excepto, claro, os que
ao fim da tarde, depois de arrumar o carrinho na garagem, caminham
freneticamente pelas ruas da cidade para, alegadamente, melhorar a
saúde e, aspecto não menos importante, diminuir o tamanho do rabo.
Os mesmos – a chamada brigada do croquete - que não faltam a
nenhuma das inúmeras caminhadas promovidas pelo Município e juntas
de freguesia cá do sitio. Mas aí compreende-se. Mudar o de trás
para a frente dá uma fomeca do caraças e a certeza de encontrar um
lauto banquete, ainda para mais à borla, no final da etapa causa um
efeito deveras estimulante nos caminheiros de fim-de-semana.
Deve ser pela ausência de qualquer manjar oferecido pelos comerciantes da zona que, de segunda a sábado até ao final da manhã, nesta rua da cidade, o tuga estremocense – maioritariamente na versão feminina – estaciona o popó sem se importar com quem vem a seguir e não cabe na faixa de rodagem. Que trepe o passeio se quiser passar, porque deixar o tugamobil mesmo à porta do pronto-a-vestir ou da esteticista é algo de que elas não prescindem.
Compreendo a necessidade de andar trajada segundo os últimos ditames da moda. Aceito, também, que comprar uma roupita toda janota fará bem ao ego. Percebo que tirar o bigode, depilar o sovaco ou suprir pilosidades indesejáveis de locais mais recônditos, seja uma necessidade imperiosa. Mas, que diabo, não podiam deixar a merda do carro no rossio?! Porra, são apenas cento e cinquenta metros. Para além de poderem exibir a figura, não chateavam ninguém e não obrigavam os outros a cometer uma infracção às normas do trânsito. Sim, não sei se sabem, circular de automóvel pelo passeio dá direito a multa.
Deve ser pela ausência de qualquer manjar oferecido pelos comerciantes da zona que, de segunda a sábado até ao final da manhã, nesta rua da cidade, o tuga estremocense – maioritariamente na versão feminina – estaciona o popó sem se importar com quem vem a seguir e não cabe na faixa de rodagem. Que trepe o passeio se quiser passar, porque deixar o tugamobil mesmo à porta do pronto-a-vestir ou da esteticista é algo de que elas não prescindem.
Compreendo a necessidade de andar trajada segundo os últimos ditames da moda. Aceito, também, que comprar uma roupita toda janota fará bem ao ego. Percebo que tirar o bigode, depilar o sovaco ou suprir pilosidades indesejáveis de locais mais recônditos, seja uma necessidade imperiosa. Mas, que diabo, não podiam deixar a merda do carro no rossio?! Porra, são apenas cento e cinquenta metros. Para além de poderem exibir a figura, não chateavam ninguém e não obrigavam os outros a cometer uma infracção às normas do trânsito. Sim, não sei se sabem, circular de automóvel pelo passeio dá direito a multa.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Eu também não mudo de ideias...
Não
era necessário possuir invulgares dons adivinhatórios. Nem, sequer,
ter grandes conhecimentos em matéria económica ou financeira.
Bastava não ostentar um nível de parvoíce acima do tolerável.
Era, portanto, bastante fácil perceber desde o inicio que cortes de
salários e outros crimes contra quem trabalha não constituem
solução para coisa nenhuma. Pelo contrário. Apenas contribuem para
agravar ainda mais o triste estado do país.
Como
se pode constatar, já lá vão uns anos que ando a escrever isso
mesmo nas páginas deste blogue. Devem ser às centenas os
comentários que deixei noutros espaços onde este assunto tem vindo
a ser abordado. Nem têm conta os “gafanhotos” que já mandei a
vociferar contra estas opções de quem nos tem governado e a
contrariar os que acham que este é que é o caminho certo. Daí que
não possa deixar de me congratular com a posição do FMI
recentemente divulgada. Afinal, agora, a austeridade já é uma coisa
má. E também perigosa, parece. Se é verdade que apenas os burros
não mudam de ideias, esperemos que estes não tenham mudado tarde de
mais. Já quanto a outros asnos não tenho grandes dúvidas que vão
continuar a fazer jus à sua condição.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Clubes-palhaço
A
constituição de empresas municipais tem servido quase sempre –
embora não haja disso noticia, admito que possa haver um ou outro
caso em que assim não seja – para contornar procedimentos,
empregar clientelas e, até algum tempo atrás, para continuar a
aumentar alegremente o endividamento das autarquias.
Estas
entidade empresariais desenvolvem a sua actividade nos mais diversos
sectores. Mesmo naqueles em que a autarquia, a iniciativa privada ou
o movimento associativo, fariam igual ou melhor por muito menos.
Veja-se, por exemplo, no desporto. Por mais estranho que possa
parecer existem em Portugal empresas municipais com equipas
federadas, nas mais diversas modalidades, a competir como se de um
vulgar clube desportivo se tratasse. E não, não me estou a referir
aos clubes que são financiados quase a cem por cento pelos governos
regionais, câmaras municipais ou juntas de freguesia. São mesmo
empresas municipais. Assim, rigorosa e descaradamente.
Podem
argumentar que se trata de proporcionar aos jovens uma salutar
prática desportiva. É, por norma, um bom argumento. Colhe
simpatias, também. Mas, isto sou eu a especular, pode-se igualmente
acrescentar que gera postos de trabalho. E todos sabemos da
importância de empregar a malta amiga que acabou um curso ou que
anda para aí aos caídos. Principalmente daquela que possui o cartão
do partido ou que segurou o pau da bandeira por alturas das eleições.
Haverá certamente, nestas – e nas outras- empresas municipais,
lugar para todos. Desde o administrador ao roupeiro. Não esquecendo
os treinadores e outros profissionais. Tarefas que nos clubes são,
na maior parte das circunstâncias, desempenhadas gratuitamente por
pessoas que dão algum do seu tempo ao clube da terra.
Este
tipo de “organizações” causam-me um elevado nível de alergia.
E nem é por recentemente ter aturado uma claque de um destes
“clubes” palhaços, devidamente uniformizada com t-shirts da
empresa, que acho profundamente erradas estas concepções de
desporto e de iniciativa empresarial local. Ainda que os progenitores
que a constituíam, nomeadamente as mamãs, berrassem mais do que
três claques femininas do Nacional da Madeira. Coisa que,
convenhamos é muito desagradável.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Totós
A
escumalha que se dedica a encher as cidades de gatafunhos não passa
de uma cambada de totós. Tal como o que não encontrou melhor local
do que este para largar um pouco de tinta. Mas, ao contrário de outros,
reconhece a sua condição de totó. Javardice à parte, fica-lhe bem
a auto-crítica.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Alguém que interne esta gente!
Diz-se
com frequência que se isto fosse um país a sério a maioria dos
políticos estariam presos. Não é que discorde. Nem, sequer, que não considere a parte de lá das grades como
um sitio jeitoso para manter um número significativo daqueles que
nos conduziram a este triste estado. Mas, parece-me também, em
muitas circunstâncias estaremos antes na presença de loucos.
Verdadeiros indigentes mentais. O que não os torna menos perigosos.
Três deles saltaram para a ribalta durante a semana de passou com declarações ao melhor nível de um doente mental. Primeiro foi um obscuro deputado social-democrata, exultante com o recente acordo no âmbito da concertação social. O discurso do homem foi de tal forma nojento que até as reacções das deputadas Ana Drago e Rita Rato pareceram de alguém dotado de uma sapiência intocável. Veio depois Daniel Bessa e a sua convicção de que cada português que se for embora resolve, de uma assentada, dois problemas. O seu e o dos que cá ficam. Partindo do principio que quem emigra é porque está desempregado ou ganha mal, se esta besta desaparecesse resolveria certamente muitos problemas. Por fim Cavaco Silva. O quase indigente. Diz que tem uma reforma de miséria. Pois. É capaz. Isso ou, como se diz por cá de alguém que não junta o gado todo, não conhece bem o dinheiro.
Três deles saltaram para a ribalta durante a semana de passou com declarações ao melhor nível de um doente mental. Primeiro foi um obscuro deputado social-democrata, exultante com o recente acordo no âmbito da concertação social. O discurso do homem foi de tal forma nojento que até as reacções das deputadas Ana Drago e Rita Rato pareceram de alguém dotado de uma sapiência intocável. Veio depois Daniel Bessa e a sua convicção de que cada português que se for embora resolve, de uma assentada, dois problemas. O seu e o dos que cá ficam. Partindo do principio que quem emigra é porque está desempregado ou ganha mal, se esta besta desaparecesse resolveria certamente muitos problemas. Por fim Cavaco Silva. O quase indigente. Diz que tem uma reforma de miséria. Pois. É capaz. Isso ou, como se diz por cá de alguém que não junta o gado todo, não conhece bem o dinheiro.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
"Tempos modernos"
A
culpa do pouco crescimento da economia, do elevado desemprego, da
baixa produtividade e, em suma, do nosso atraso em relação aos
outros países europeus era a rigidez das leis laborais. Era. De ora
em diante vai deixar de ser. O futuro será radioso. O
desenvolvimento, o progresso e o emprego para quase todos não
tardarão em chegar. Tudo isso porque vai ser ainda mais fácil e
barato despedir, trabalhar-se-à muito mais e ganhar-se-à muito
menos. Só vantagens competitivas, portanto. Lamentavelmente ficou
apenas por consagrar a possibilidade legal do patrão poder
chicotear os empregados menos produtivos ou que ousem olhá-lo de
soslaio. Nada que, numa próxima revisão do código do trabalho, a
UGT não se disponha a aceitar.
As perspectivas são de tal forma entusiasmantes que o primeiro-ministro não hesitou em considerar que vivemos um momento histórico. Até pode ser. Embora desconfie que pelas piores razões. É que, tal como dizia hoje o proprietário de um comercio qualquer, se não houver clientes não há negócio. Não sei é se esta gente estará a perceber que aqueles que vão trabalhar mais tempo, receber um ordenado menor e, muitos, ser despedidos é que são os tais clientes que fazem mover qualquer negócio.
As perspectivas são de tal forma entusiasmantes que o primeiro-ministro não hesitou em considerar que vivemos um momento histórico. Até pode ser. Embora desconfie que pelas piores razões. É que, tal como dizia hoje o proprietário de um comercio qualquer, se não houver clientes não há negócio. Não sei é se esta gente estará a perceber que aqueles que vão trabalhar mais tempo, receber um ordenado menor e, muitos, ser despedidos é que são os tais clientes que fazem mover qualquer negócio.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
O cliente tem sempre razão. Mesmo quando parte a loja.
Cidadãos
indignados terão hoje partido a pontapé uma divisória em vidro
numa “Loja do Cidadão”. Estaria mesmo a pedi-las, suponho. Tal
como também acredito que bastou escaqueirar o objecto em causa para
que o motivo que provocou tão elevado grau de indignação ter
ficado de imediato resolvido. Porque, como toda a gente sabe, para
resolver certos assuntos nada como partir coisas. Ou, no mínimo,
elevar em muitos decibéis o nível da berraria.
Ao
que parece, na origem do desacato terá estado o desagrado de alguns
beneficiários da segurança social que terão sido chamados a repor
comparticipações a que não teriam direito. O que, naturalmente,
provocou a ira dos lesados e motivou a sua colérica reacção. E
nada melhor e adequado para resolver a coisa do que começar por
ofender os funcionários e partir a loja.
Normal
nos dias que correm, diga-se. Hoje quem se dirige a uma repartição
pública, nomeadamente quando o assunto a tratar envolve algo que o
utente entende não o beneficiar, fá-lo quase sempre de forma
deselegante, agressiva e ostensivamente provocadora. Pena que toda
essa coragem e ousadia seja dirigida, por norma, aos alvos errados.
Seria, com certeza, muito mais apropriado que o fizessem quando, por
exemplo nas campanhas eleitorais, os políticos vão visitar os
locais onde vivem. Mas não. Aí portam-se que nem santinhos, talvez
na esperança de receber uma torradeira, um emprego ou outra qualquer
benesse. E não, não estou a pensar apenas em gente de poucos
recursos, baixa escolaridade ou de certas franjas sociais. Bestas
engravatadas ou mulas de salto alto é coisa que não falta.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Paradigmas há muitos...
Não
seriam necessários grandes estudos, elaborados ou não por reputados
especialistas de conceituadas instituições, para sabermos que a
economia paralela representa um valor assustador em relação ao PIB
do país. Nem, tão pouco, que constitui uma das principais causas de
muitos desequilíbrios da nossa sociedade. O seu combate devia
constituir um desígnio nacional e uma das principais apostas de
qualquer governo que tivesse tempo - ou bom senso, talvez – para
ver mais longe que o horizonte eleitoral.
Podia,
também, servir de pretexto para a actuação de um desses auto
intitulados movimentos de intervenção cívica que, de vez em
quando, surgem por aí a promover causas aparentemente nobres. Quem
sabe a capacidade de mobilização dessa malta não produzia
resultados surpreendentes capazes de equilibrar o défice ou, menos
provável, de levar o governo a ser mais simpático com aqueles que
não podem fugir às garras da máquina tributária.
No
actual cenário a vida parece sorrir aos que vivem à margem da
realidade fiscal. Poucos sentirão qualquer espécie de apelo,
patriótico ou outro, para depois do canalizador, o electricista ou
o limpa-chaminés terminarem um serviço pelo qual cobraram cem
euros, ainda desembolsar mais vinte e três. A somar, muito
provavelmente, a outras centenas ou milhares que o governo já lhes
sacou no ordenado e nas dezenas de impostos e taxas que pagamos a
toda a hora. Pelo menos enquanto não mudar o paradigma. Que é coisa
que, por estes dias, fica sempre bem dizer. E escrever.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Comprar só quando se pode pagar?! Que ideia tão parva...
Nestas
situações de aperto como a que actualmente se vive nem tudo é mau.
Existem também alguns aspectos positivos. Constatarmos que afinal,
contrariamente aquilo que pensávamos, não somos ricos e que teremos
que gerir muito melhor os recursos de que dispomos será seguramente
um deles. Ainda que, em muitas circunstâncias, essa constatação
tenha de nos ser imposta pela via legislativa.
Até
agora o Estado e demais entidades públicas têm comprado tudo o que
muito bem lhes apetece. Mesmo que não exista dinheiro para pagar nem
a sua existência seja previsível para os meses – quiçá anos –
mais próximos. Nem, às vezes, para os mais distantes. Por mais
irresponsável que pareça a ideia, o governo vai pôr um ponto final
neste peculiar modelo de gestão. Estará, ao que se sabe, para breve
a publicação de legislação que limitará novas compras dos
serviços públicos à possibilidade de as pagarem no prazo máximo
de noventa dias.
Não
faltarão sorrisos trocistas perante tão patética ideia. Teorias
impraticáveis de gente que não tira o cú dos gabinetes,
afiançarão uns quantos. Impossível. Se for assim “isto” pára
tudo, garantirão outros. A mim o que me surpreende é que apenas
agora, quando a desgraça está consumada, é que alguém se tenha
lembrado de impor ao Estado e restantes administrações uma regra
tão básica. Comprar apenas quando há dinheiro ou, mesmo não
havendo no momento, haja a garantia da sua existência num prazo
considerado aceitável.
Governar
ou gerir uma instituição sujeita a pressões das mais diversas
clientelas – em sentido lato, porque nem todas têm interesses
ilegítimos – com as novas regras que se avizinham não será
fácil. Mas também ninguém disse que a função governativa deve
ser algo que se faz com relativa facilidade. Isso é o que tem
acontecido até aqui, com os resultados que estão à vista. Aliás
se fosse fácil qualquer badameco lá podia estar.
Blogue do ano 2011
O Aventar, um dos melhores blogues portugueses, está a promover uma
votação destinada a escolher o “Blogue do ano de 2011”. Entre
os muitos candidatos, na categoria “Actualidade politica -
individuais”, está o Kruzes Kanhoto. A votação decorre entre 15
e 21 de Janeiro e a mesa de voto está instalada em
aventar.eu/blogs-do-ano-2011/. Todos os que se interessam por estas
coisas podem ir até lá – e os não se interessam também - e
votar neste blogue. Ou então num realmente bom.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Pontes da discórdia
Ciclicamente
vem à baila a malfadada história das pontes. As quais, pelo menos
até agora e ao que me tenho apercebido, constituíam um exclusivo
dos funcionários públicos e representavam um intolerável
privilégio dessa classe de malandros que não merecem o ar que
respiram nem a água que bebem. Principalmente agora que o precioso
liquido está cada vez mais precioso. Há semelhança, diga-se, de
quase todas as matérias que se apresentam naquele estado.
Vaí daí que não percebo a indignação causada pela intenção do patronato que, segundo a manchete do “Jornal de Negócios”, pretenderá encerrar as empresas sempre que ocorra uma ponte e descontar o dia nas férias dos trabalhadores. Admito não estar a ver bem a coisa. Concedo que a minha capacidade de análise destas matérias não seja a melhor. Dou, até, de barato que esteja a fazer uma confusão qualquer. Mas esta gente queixa-se do quê?! Alguém que me corrija se estiver enganado, mas não é por causa dos funcionários públicos – essa cambada – poderem fazer exactamente o mesmo que é agora proposto para os privados que tantas criticas lhes têm sido dirigidas?! Não percebo.
Vaí daí que não percebo a indignação causada pela intenção do patronato que, segundo a manchete do “Jornal de Negócios”, pretenderá encerrar as empresas sempre que ocorra uma ponte e descontar o dia nas férias dos trabalhadores. Admito não estar a ver bem a coisa. Concedo que a minha capacidade de análise destas matérias não seja a melhor. Dou, até, de barato que esteja a fazer uma confusão qualquer. Mas esta gente queixa-se do quê?! Alguém que me corrija se estiver enganado, mas não é por causa dos funcionários públicos – essa cambada – poderem fazer exactamente o mesmo que é agora proposto para os privados que tantas criticas lhes têm sido dirigidas?! Não percebo.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Mais de 70 anos? Afaste-se de um microfone!
Era
para escrever qualquer coisa acerca do desplante daqueles
anti-patriotas que, só para chatear e dar cabo das contas ao Gaspar,
insistem em estar doentes. Tinha intenção de zurzir – malhar, vá
– naqueles desenvergonhados que se atrevem a ter doenças cujo
tratamento saí caro ao serviço nacional de saúde e que o país não
tem condições de suportar. Gentinha sem dinheiro que, apenas porque
existe, pensa que tem direito a adoecer e a ser tratada. Era, pois,
para discorrer sobre tudo isso. Mas não vou perder o meu tempo.
Manuela Ferreira Leite antecipou-se e já disse tudo o que havia a
dizer acerca deste assunto. De forma brilhante e esclarecedora,
faço-lhe a justiça de reconhecer.
Sei
de um caso, até porque me é relativamente próximo, onde o
descaramento, oportunismo e aproveitamento inqualificável de
recursos do SNS atinge um nível absolutamente revoltante. Coisa
para, se convenientemente divulgada nas redes sociais, causar uma
onda de revolta difícil de conter. Nomeadamente entre bestas seres
como a velha carcaça senhora que ontem opinou na televisão. Mas,
escrevia eu, conheço uma pessoa com noventa e nove anos que há mais
de vinte faz hemodiálise. À borla. Grátis. Á pala. Sem pagar um
chavo. Nadinha. O que, imagino, deve ir já numa conta calada. De
tal forma elevada que o melhor é nem pensar em quantos milhares de
euros a doença da pessoa em questão já custou ao país. Para
facilitar as contas pensemos antes em quantos meses de reforma da
Manuela Ferreira Leite é que isso dá.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Coerências
Dois
factos contribuíram hoje para me baralhar as ideias. Ou para me
esclarecer. Não sei ao certo. Nem, sequer, ao incerto. O primeiro dá
conta de um relatório do Banco de Portugal onde se afirma que as
medidas de austeridade e a contenção salarial vão implicar uma
quebra recorde no consumo e conduzir-nos a uma recessão sem
precedentes. Fiquei, no entanto, com dúvidas se, para este gente,
isso seria ou não uma coisa má. Pelos vistos não é. Se para qualquer
pessoa com juízo mediano este seria uma caminho a evitar, para esta
malta é por aqui que se deve continuar. De tal forma que até
admitem a necessidade de mais austeridade. O que - não sei, digo eu
– é capaz de ainda agravar mais a tal recessão sem precedentes.
O
segundo facto que contribuiu para me aturdir, foi a justificação
dada por Eduardo Catroga quando inquirido se não achava o seu novo
ordenado – uns míseros 45 mil euros por mês a acumular com uma
pensão de quase dez mil – um bocadito a atirar para o exagerado.
Que não, terá dito o homem. Porque “quanto mais ganhar maior é a
receita do Estado com o pagamento dos meus impostos e isso tem um
efeito retributivo.” O que é manifestamente verdade, Embora seja
mais verdadeiro para uns do que para outros. Principalmente quando
esta tirada de génio não se aplica aqueles que são vitimas da
redução salarial decretada em consequência de acordos em que o
figurão em causa terá estado, directa ou indirectamente, envolvido.
Perante
declarações e relatórios deste quilate parece legitimo
questionar-me, citando um famoso filosofo brasileiro, se o burro
serei eu. Quero acreditar que não, mas lá que ando há anos a
levar coices destas bestas disso é que não tenho dúvidas.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Crise de pluviosidade
Esta
persistente ausência de pluviosidade começa a preocupar-me. E a
aborrecer, também. Era só o que faltava, logo quando me dediquei à
agricultura, ser confrontado com uma seca. Estas ervilhas – hoje já
ligeiramente mais desenvolvidas do que na altura em que a foto foi
obtida – começam a dar os primeiros indícios de que já bebiam
qualquer coisinha. O que pode vir a constituir um problema. Ou uma
chatice. É que, para regar, teria de recorrer à agua da rede e isso
era coisa para fazer disparar as taxas – para cima de muitas –
que todos os meses constam de uma factura que me aparece na caixa do
correio. Ironicamente chamam-lhe conta da água, ou lá o que é.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Vão morrer longe!
Emigrem.
Vão-se embora. Ou morram. Melhor ainda, vão morrer longe. Essa
parece ser a única proposta que os javardolas que nos governam tem
para apresentar aos portugueses. Comigo não terão sorte nenhuma.
Pelo menos na parte de emigrar não lhes farei a vontade. E na outra
só contrariado. Deve ser falta de patriotismo.
Desconfio
que eles se estão a esforçar muito para levarem a deles avante.
Provavelmente vão conseguir que muitos de nós morram e que os
jovens se vão embora. O pior – ou melhor, depende do ponto de
vista – é que se cumprirem o seu desígnio não fica cá ninguém
para os sustentar e lá terão de ir para Paris, ou para outro sitio
qualquer, estudar coisas.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Devem ser uns optimistas, eles...
Começo
a interrogar-me acerca das previsões, mais ou menos catastrofistas,
que por aqui – e também por outros lados - tenho andado a
espalhar. Nomeadamente quanto às consequências que a quebra brutal
do poder de compra dos portugueses, em particular dos funcionários
públicos, representaria em termos de queda no consumo. Admito que,
provavelmente, estarei errado. E, se assim for, ainda bem.
Indiferentes
aos aumentos de preços, subidas de impostos, descidas de salários e
incertezas quanto ao futuro, continuamos a consumir como se não
houvesse amanhã. Ou, noutra perspectiva, a dinamizar a economia. O
que, reconheço, não é necessariamente mau. Mas, digo eu, se calhar
era conveniente não abusar.
Apesar
de todos os indicadores mostrarem uma acentuada diminuição dos
níveis de consumo, por cá – pelo menos é essa a minha sensação
– não se nota nada. Nos parques de estacionamento das quatro
superfícies comerciais, nomeadamente ao fim-de-semana, é quase
impossível arranjar lugar para estacionar. Nos cafés e pastelarias,
em certas horas, não se arranja mesa para beberricar um cafezito
porque estão repletos de malta a devorar os deliciosos bolos e doces
cá da terra. Moro num bairro que, a pé, não dista mais do que dez
minutos do centro da cidade mas, para além de mim e da patroa, são
pouquíssimos os moradores que não fazem sistematicamente este
trajecto de automóvel.
É
por estas e por outras que desconfio que está a faltar lucidez na
análise da alegada crise. Da minha parte, quase de certeza, por
pintar um cenário demasiado negro. Ou do restante pessoal, o que
será menos provável, que achará não ser o futuro tão mau quanto
o pintam. O pessimista serei, portanto, eu. O pior é que há quem
insista em definir o pessimista como um optimista informado.
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