segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Jardim iluminado

As luzinhas da Madeira, aquelas que vão alumiar a vaidade de Alberto João, estarão prestes a acender. Diz que é próprio do natal e que sem elas a época não terá tanta piada. Estará, portanto, desculpado aos olhos de muitos que acharão esta despesa das menos más quando comparadas com outras que o mesmo personagem tem protagonizado. Não partilho, obviamente, desta opinião. Os enfeites natalícios de ruas, praças e largos – pelo menos com a exuberância e ostentação que se conhecem – são relativamente recentes, servindo essencialmente para alimentar os egos – quando não outras coisas – dos seus mentores. Á custa, como é fácil de calcular, dos bolsos de todos. E, por mais que me tentem convencer do contrário, em pouco contribuem para a dinamização seja do que for. A menos, talvez, da carteira do gajo que vende as lâmpadas.
No actual contexto uma iniciativa deste género mais parece uma provocação. Queimar largos milhões de euros e não pagar as dividas, não direi que seja inédito. É, no entanto, uma irresponsabilidade própria de um nababo que há muito tempo devia ter sido afastado da proximidade de qualquer local onde exista dinheiro público. Também por isto sinto-me cada vez mais satisfeito por não ter colaborado nem com um cêntimo para a campanha de angariação de donativos organizada na sequência do temporal na Madeira. Verifico agora que o meu contributo não era necessário. Afinal dinheiro é coisa que não falta por lá.

domingo, 20 de novembro de 2011

Assalto facturado


Tudo serve de pretexto para nos irem ao bolso. Vejam-se, por exemplo, as facturas da água ou da electricidade. São tantas as parcelas facturadas, a suportar pelo consumidor, que chega a ser difícil perceber o que efectivamente gastámos em água ou luz e quanto do que nos é facturado vai para aquilo a que, eufemisticamente, chamam de taxas, impostos e outros contos do vigário.
Mas parece que, ainda assim, não chega. É preciso mais. Cada vez mais. Novas taxas, tarifas, impostos, sobre-taxas e tudo o que a fértil imaginação da gentalha que manda destas coisas conseguir inventar irão, num futuro não muito longínquo, juntar-se ao extenso rol do que todos os meses temos de pagar. Deve ser a isso que chamam sacrifícios. Só falta dizerem que lhes dói mais a eles do que a nós...

sábado, 19 de novembro de 2011

Roubalheira!

Pagar é algo que me desagrada. Quando se trata de impostos, então, nem se fala. Nomeadamente quando daí não se retira qualquer lógica para além da mais descarada roubalheira. É o caso dos cinco euros que este mês me estão a ser cobrados a titulo de imposto de selo pela utilização do cartão de crédito. Mais uma invenção dos criativos das finanças – no caso os outros que lá estiveram e dos quais estes que lá estão agora em nada diferem – encontraram para nos sacar dinheiro. Os espertalhões arranjaram um esquema manhoso em que – pasmai – mesmo não tendo qualquer valor em divida e esteja a decorrer o prazo para o pagamento do extracto mensal, o portador do cartão de crédito é sempre obrigado a pagar uma percentagem sobre o valor das compras. Ainda que pague a totalidade dentro do prazo estabelecido.
Por alguma razão, que segunda-feira vou tratar de averiguar, apesar da legislação já ter mais de um ano, este foi o primeiro mês que o banco de que sou cliente se aproveitou da marosca. O roubo está legitimado por esta jóia da arte de sacar dinheiro: “Crédito utilizado sob a forma de conta corrente, descoberto bancário ou qualquer outra forma em que o prazo de utilização não seja determinado ou determinável, sobre a média mensal obtida através da soma dos saldos em dívida apurados diariamente, durante o mês, divididos por 30”. Portanto crédito gratuito por cinquenta dias foi coisa que passou à história. Tal como o meu cartão de crédito. Logo que pague o extracto deste mês vou entregá-lo ao banco. Não estou para engordar gulosos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Despesa, querem eles dizer...


Num prospecto hoje distribuído à porta do meu local de trabalho, onde se apela à mobilização para a próxima greve geral, consta, entre outras, uma proposta “não só exequível como absolutamente indispensável” com contornos assaz curiosos. Propõem os autores do manifesto “a aposta no investimento produtivo e no investimento público”. Ora, a menos que esteja a ver mal a coisa, é precisamente por aqui reside o problema. Como se depreende da construção da frase assume-se desde logo que o investimento público não é produtivo. E, de facto, não tem sido. Estádios onde ninguém joga à bola, auto estradas onde não passam automóveis, estradas que vão de nenhures a sítio nenhum e escolas novas onde não existem crianças, podem constar de um extenso rol de investimentos públicos, manifestamente improdutivos, que contribuíram decisivamente para o estado a que chegámos.
Existirão motivos de sobra para apelar à greve. Entre os quais se incluirão a exigência na aposta em investimento produtivo, seja ele público ou privado. Ou, também, para exigir a responsabilização daqueles que, nesta matéria, insistiram em tomar opções que, como saltava à vista de qualquer iletrado, acabaram por se confirmar ruinosas. E, já agora, porque não igualmente daqueles que, de uma ou de outra forma, andam por aí a exigir, para além de investimento produtivo, também investimento público?!

Mas que raio andam estes economistas a fumar?!

“Os cortes salariais no sector privado poderiam pôr em causa a solidez do sistema financeiro nacional por causa do grande endividamento das famílias. Assim, cortar os rendimentos punha em causa não só a situação social como o sector financeiro, já que muitas famílias poderiam ficar sem conseguir pagar os seus empréstimos aos bancos”. 
Foi o que teve o descaramento de zurrar um reputado economista. Curiosa interpretação, esta. Principalmente quando vinda de quem não manifestou idêntica preocupação quando foi anunciada a mesma receita para os trabalhadores da função pública. Talvez o cavalheiro considere que os últimos não têm empréstimos a pagar ou – hipótese a não descartar mas que eu não partilho - são mais honestos que os trabalhadores dos privados. Um pândego, o homem.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tadinhos...

Decididamente não compreendo os portugueses. Pelo menos aqueles que não se importam de dar a conhecer as suas opiniões. Até há poucas horas os cortes que atingem os funcionários públicos eram considerados como algo de bom. Após a troika revelar o seu entendimento que iguais cortes deviam também abranger os trabalhadores do sector privado, o sentido das opiniões que se podem encontrar em blogues e nas caixas de comentários dos jornais, vão em sentido diametralmente oposto. O que antes era bom - só atingia os malandros da função pública - é agora mau porque, mais cedo do que tarde se vai aplicar a todos. Impressionante a coerência de certa gentinha.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A sesta

Não foi à ora tanto tempo que um grupo de alarves andou a tentar motivar os portugueses para a importância da sesta e, pasme-se, chegou a tentar que a pausa para passar pelas brasas fosse consignada como um direito. Entretanto o mundo mudou. A vida tal como a conhecíamos acabou e agora até em Espanha o intervalo para dormir está a ser colocado em causa. Tudo indica que mesmo em Espanha esta tradição nacional tenha, pelo menos para quem trabalha, os dias contados.
Nunca, nem em pequeno, fui adepto da sesta. Nessa altura nem obrigado pregava olho. Sempre achei um absurdo a ideia de interromper o trabalho, ou prolongar a hora de almoço, para tirar uma soneca. Desconfio, no entanto, que entre quem defendia antes o direito à sesta se devem encontrar muitos que agora defendem o contrário. Em nome da produtividade. Ou de algo assim.