Os gregos
chegaram ao fim da linha. Tal como nós, mais cedo do que tarde, acabaremos por
chegar. Colocar nas mãos do povo a decisão acerca do seu futuro parece uma
decisão sensata. Ou perigosa. Depende do ponto de vista. Mas que se justifica
face à dimensão do que está em causa.
Por cá, quase
de certeza, nunca seremos chamados a pronunciar-nos acerca das novas patifarias
a que, um dia destes, seremos sujeitos. Principalmente se, como é expectável, os
referendos – sim, porque tal como noutras ocasiões serão gajos para repetir a
votação até o resultado ser do seu agrado - na Grécia não correrem de feição
para aqueles que nos querem tirar a pele. Mas, se estiver enganado e formos também
a votos, acredito que aceitaremos tudo e mais alguma coisa. Verdade que a
alternativa será a falta de dinheiro para pagar ordenados, pensões e importar comida
ou medicamentos. No entanto talvez fosse uma boa oportunidade para, definitivamente,
os portugueses – incluindo muitos políticos e seus sabujos – aprenderem que a
gestão da vida, a privada e a pública, não se faz apenas de gastar dinheiro. Principalmente
do que não temos.
