Se eu tivesse um pequeno comércio – ou mesmo que
fosse apenas empregado de uma lojeca – numa pequena vila ou cidade de oito mil habitantes,
não me regozijava com o facto de oitenta por cento dos meus potenciais clientes
perderem uma parte significativa do seu poder de compra. A menos que esteja
farto do negócio ou coloque a hipótese de emigrar.
sábado, 22 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Antenas mal orientadas
Apesar do ecoponto estar mesmo ali ao lado – dez metros,
se tanto – constituiu para o munícipe que resolveu mudar de antena uma
distância demasiado grande para o seu espírito cívico. Estaria, provavelmente,
com pressa de testar a qualidade do som, a nitidez da imagem ou de dar uma
última olhadela na sintonia dos canais.
É verdade que este local não prima pela limpeza.
Nem, sequer, as condições circundantes são propícias a que a zona apresente um
aspecto minimamente asseado. Mas a verdade é que podia – e devia – estar bastante
melhor. Pena que os moradores, uns mais que outros, diga-se, pouco contribuam
para isso. Lamentável é que depois estas coisas nos saiam a todos do bolso.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Está tudo a arder, mas eles não sabem.
A julgar pelas reacções que se lêem nas caixas de
comentários dos jornais on-line, blogues ou mesmo as que se vão ouvindo ao vivo
e a cores, os portugueses ficaram bastante agradados com a proposta de
orçamento para o próximo ano. Principalmente porque malha nos funcionários
públicos e isso, como se sabe, cai sempre bem na opinião pública. Melhor apenas
se despedissem aos milhares deles. Nesse caso talvez lhes arranjassem “por lá”
um lugarzinho. O pior é que não vai ser assim. Ainda que muitos saiam da função
pública, não vai haver lugares para ninguém. Mesmo que peçam muito, muito,
muito. Que é como quem diz, metam cunhas. Muitas cunhas. Está tudo no tal presupuesto
de que gostam tanto.
Apesar de nunca, nem em pequenino, ter ambicionado
ser bombeiro, tenho por hábito colocar as minhas barbas de molho mal me
apercebo que as do vizinho começam a ficar chamuscadas. Não me tenho dado mal
com este princípio de vida e faz-me alguma confusão que outros – a maioria,
como infelizmente a realidade parece demonstrar – continuem em festa quando a
casa do lado está em chamas e o fogo há muito esturricou as barbas do dono. E
nesta ocasião, como em muitas outras que aí virão, ninguém está a salvo.
Espere-lhe pela pancada. Ou melhor, pela labareda.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Fez-se luz
Sinto-me envergonhado. Embora, simultaneamente,
satisfeito por estar errado. Afinal, tudo o que aqui tenho andado a papaguear
contra as medidas anti-crise que têm vindo a ser tomadas nos últimos anos, não
passam de alarvidades desprovidas de qualquer sentido. Uma vergonha, portanto. Ao
contrário daquilo que tenho escrito, este, fez-se finalmente luz na minha
mente, é o único caminho possível para evitar a recessão, melhorar o desempenho
da economia e promover o emprego. Só mesmo um cego é que não vê ou um burro é
que não percebe. Dificilmente me perdoarei por ter demorado tanto tempo a
abandonar a classe dos asnos ceguetas e a reconhecer a genialidade de gente que
apenas quer o nosso bem. Pinócrates e Parvus Coelho, nomeadamente.
O plano será, basicamente, o seguinte. Com menos
dinheiro os consumidores deixarão de comprar desenfreadamente, como fazem
agora, nas grandes superfícies e vão passar a fazê-lo nas lojas de bairro. Isto
porque nas primeiras não saem de lá – pelo menos a maioria – sem pagar,
enquanto nas segundas, mesmo sem dinheiro, podem adquirir fiado os bens de que
necessitam. As pequenas mercearias multiplicar-se-ão e o emprego também.
Assistiremos igualmente à revitalização de
negócios na área da reparação automóvel, dado que estes terão de durar muito
mais tempo já que trocar de carro será coisa reservada apenas aos privilegiados,
e vai generalizar-se o regresso de pequenos negócios como sapateiro, costureira,
tricotadeira e muitíssimos outros que se julgavam definitivamente extintos.
Ou isso ou passar a comprar ainda mais coisas nas
lojas dos chineses.
domingo, 16 de outubro de 2011
Estranhos conceitos de patriotismo
Acho piada aos que criticam quem, residindo perto
da fronteira, opta por fazer a maioria das suas compras em Espanha. A sério. A crítica,
que normalmente envolve falta de patriotismo e outros epítetos verdadeiramente
ofensivos, vem, maioritariamente, de quem vive mais perto do litoral e onde,
por consequência, a despesa a suportar com a deslocação não seria compensada
por eventuais ganhos nas compras a preços menos elevados. Provavelmente muitos
dos que censuram tem por hábito fazer férias no estrangeiro. Mas isso, se
calhar, não é anti-patriótico. Talvez seja apenas uma espécie de novo-riquismo pedante.
Consumo minimo
Não há
dinheiro. Dizem eles. Não há dinheiro para a vida que queremos fazer, digo eu.
Um princípio que gostaria de ver aplicado à vida pública – e já agora à
privada, também, mas aí depende da honestidade de cada um – é que não se faz,
nem compra nada, para além do estritamente essencial, sem que tudo o que
comprámos, fizemos ou manda-mos fazer anteriormente, esteja pago. Continuar a
fazê-lo, sem antes liquidar as contas antigas ou não pagar ordenados, mesmo que
sejam os chamados subsídios de férias e natal, é próprio de um qualquer
caloteiro ou vigarista.
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