terça-feira, 18 de outubro de 2011

Fez-se luz

Sinto-me envergonhado. Embora, simultaneamente, satisfeito por estar errado. Afinal, tudo o que aqui tenho andado a papaguear contra as medidas anti-crise que têm vindo a ser tomadas nos últimos anos, não passam de alarvidades desprovidas de qualquer sentido. Uma vergonha, portanto. Ao contrário daquilo que tenho escrito, este, fez-se finalmente luz na minha mente, é o único caminho possível para evitar a recessão, melhorar o desempenho da economia e promover o emprego. Só mesmo um cego é que não vê ou um burro é que não percebe. Dificilmente me perdoarei por ter demorado tanto tempo a abandonar a classe dos asnos ceguetas e a reconhecer a genialidade de gente que apenas quer o nosso bem. Pinócrates e Parvus Coelho, nomeadamente.
O plano será, basicamente, o seguinte. Com menos dinheiro os consumidores deixarão de comprar desenfreadamente, como fazem agora, nas grandes superfícies e vão passar a fazê-lo nas lojas de bairro. Isto porque nas primeiras não saem de lá – pelo menos a maioria – sem pagar, enquanto nas segundas, mesmo sem dinheiro, podem adquirir fiado os bens de que necessitam. As pequenas mercearias multiplicar-se-ão e o emprego também.
Assistiremos igualmente à revitalização de negócios na área da reparação automóvel, dado que estes terão de durar muito mais tempo já que trocar de carro será coisa reservada apenas aos privilegiados, e vai generalizar-se o regresso de pequenos negócios como sapateiro, costureira, tricotadeira e muitíssimos outros que se julgavam definitivamente extintos.
Ou isso ou passar a comprar ainda mais coisas nas lojas dos chineses.

domingo, 16 de outubro de 2011

Estranhos conceitos de patriotismo


Acho piada aos que criticam quem, residindo perto da fronteira, opta por fazer a maioria das suas compras em Espanha. A sério. A crítica, que normalmente envolve falta de patriotismo e outros epítetos verdadeiramente ofensivos, vem, maioritariamente, de quem vive mais perto do litoral e onde, por consequência, a despesa a suportar com a deslocação não seria compensada por eventuais ganhos nas compras a preços menos elevados. Provavelmente muitos dos que censuram tem por hábito fazer férias no estrangeiro. Mas isso, se calhar, não é anti-patriótico. Talvez seja apenas uma espécie de novo-riquismo pedante.

Consumo minimo

Não há dinheiro. Dizem eles. Não há dinheiro para a vida que queremos fazer, digo eu. Um princípio que gostaria de ver aplicado à vida pública – e já agora à privada, também, mas aí depende da honestidade de cada um – é que não se faz, nem compra nada, para além do estritamente essencial, sem que tudo o que comprámos, fizemos ou manda-mos fazer anteriormente, esteja pago. Continuar a fazê-lo, sem antes liquidar as contas antigas ou não pagar ordenados, mesmo que sejam os chamados subsídios de férias e natal, é próprio de um qualquer caloteiro ou vigarista.

sábado, 15 de outubro de 2011

Parvus Coelho dixit


Alguém que me explique – de preferência muito devagarinho e com alguns desenhos à mistura, a ver se eu percebo – porque razão é que, segundo  PC, o corte do subsidio de natal e de férias dos trabalhadores do sector privado prejudicaria a economia e o mesmo corte aplicado aos funcionários públicos é benéfico para a mesma. Então se as empresas não pagassem, não ficariam com mais dinheiro disponível para investir e criar novos empregos? Não seria uma ajuda, ainda que pequena, é certo, para a tão prometida desvalorização fiscal, em que se inseria a redução da taxa social única e que se pretende obter com o acréscimo de meia hora de trabalho? E, finalmente, como é que o corte de metade do subsídio de natal deste ano ajuda no défice e a totalidade no próximo não ajudaria nada?! Das duas, uma: Ou Parvus Coelho anda baralhado ou quer-nos baralhar a nós…

Diz umas piadas giras, o gajo.

Estou a contorcer-me de riso e já me começam a doer a barriga e os queixos de tanto rir. O motivo para esta incontrolável risota são as declarações, que acabo de ouvir, proferidas pelo primeiro-ministro durante um encontro de autarcas social-democratas, em que o homem agradeceu o esforço dos eleitos locais na disciplina financeira que estes estão a implementar nas autarquias. Enalteceu mesmo a sua actuação, salientando inclusivamente que começaram a tomar medidas nesse sentido ainda antes do Estado central o fazer. Um exemplo a seguir, considerou.
Não sei se PC falava a sério ou não. Se era a sério o melhor que tem a fazer, antes que a coisa se agrave, é falar já com o ministro da saúde e tentar arranjar uma consulta com a máxima urgência. Se era uma piada que tinha por objectivo fazer-nos rir, então, está de parabéns. Conseguiu. Eu é que ainda não consegui parar de rir.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O lobbie mau

Eu sabia. Ou, pelo menos, desconfiava. A existência de um lobbie era mesmo dada como adquirida por quase toda a gente. Menos, claro está, pela entidade reguladora que, coitada, ao contrário do que o nome sugere, não regula lá muito bem. Foi preciso vir outra entidade, desta vez da Europa e a regular ligeiramente melhor, para concluir aquilo que quase todos suspeitámos: Que andava por aí um alegado lobbie. Podemos, portanto, dormir muito mais descansados de agora em diante. Enquanto consumidores estaremos muito mais protegidos. O lobbie foi descoberto, aniquilado e colocado um ponto final nas suas tenebrosas práticas pouco concorrenciais. Graças à autoridade que regula ligeiramente melhor do que a outra que não regula nada de jeito, o mercado da banana vai passar funcionar como deve ser.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

"Há limites para os sacrificios que podem ser exigidos aos portugueses"

Mesmo não tendo ficado abismado – é um bom termo, dadas as circunstâncias – com o discurso do primeiro-ministro, há certas questões que me suscitam alguma perplexidade. Nomeadamente a afirmação de que, a curto prazo e se nada for feito, o país não terá dinheiro para pagar salários e pensões. Sinceramente não sei se acredite. É que, a ser verdade, deviam ter sido anunciadas medidas sancionatórias – pena de prisão, por exemplo – para quem anda a gastar em futilidades o dinheiro que não chega para o essencial.
Apesar do dramatismo da situação, o homem limitou-se a anunciar cortes no rendimento dos portugueses. Podia, entre outras coisas, proibir a realização de iluminações e das festas de natal que, de norte a sul, vão em breve custar muitos milhões aos cofres públicos. Ou em lugar de cortar os subsídios de férias e de natal, apenas para os funcionários públicos, transformar o mesmo valor em imposto para toda a gente. Era coisa para resolver o problema das finanças mais depressa.
Finalmente o IVA do vinho. Baralha-me esta protecção escandalosa de que é alvo. e nem a justificação manhosa de que é para proteger a produção nacional me comove. Por mim – e já que terei de fazer cortes - vou precisamente cortar no vinho. E não, não lhe vou misturar água.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

É só fumaça! As autoridades são serenas...

Apesar de, por esta altura do ano, ainda ser proibido fazer fogueiras, no resort das Quintinhas essa proibição é liminarmente ignorada e, quase todos os dias, é possível assistir a este cenário de nuvens de fumo negro a elevar-se nos céus da cidade. Nem desconfio se as autoridades competentes intervêm ou não quando detectam este tipo de ocorrência. Competentes é uma forma de dizer, porque, face à repetição dos fogaréus, competência é coisa que não revelam ter. Ou não lhes assiste, como diria o outro. O mais provável é que lhes assista o que ao outro não assistia.
Não parece difícil de adivinhar o motivo da estranha tendência para o deflagrar de focos de incêndio naquele local. Qualquer parvo o sabe. Incluindo aqueles que tem responsabilidades nestas coisas. De resto é para isso que, apesar de mal, são pagos. Não se percebe, por isso, a razão de não levantarem – todos - as peidas dos assentos e fazerem o trabalho que lhes compete.
Não tenho grandes dúvidas que, se por algum acaso, eu fosse queimar os restos da limpeza do terreno da família – ainda que perdido no meio de nenhures – me apareciam por lá uns valentes e heróicos zeladores da lei que não me perdoariam uma valente coima. Isto apesar de o material a queimar não incluir nenhuma espécie de metal. Ou, se calhar, por isso mesmo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Aqui é que mora o presidente da junta!

Abro hoje uma excepção a tudo o que tenho dito e escrito relativamente à merda de cão que se pode encontrar nos nossos passeios. Desta vez quero enaltecer a pontaria do canito – ou a perspicácia do dono, não interessa – na escolha do local onde foi deixar o presente. Nada mais nada menos que à porta do presidente da Junta de Freguesia. O que, pelas razões óbvias que abordei no post de ontem, constitui a melhor localização para a canzoada aliviar a tripa.