Alguém que me explique – de preferência muito
devagarinho e com alguns desenhos à mistura, a ver se eu percebo – porque razão
é que, segundo PC, o corte do subsidio
de natal e de férias dos trabalhadores do sector privado prejudicaria a
economia e o mesmo corte aplicado aos funcionários públicos é benéfico para a
mesma. Então se as empresas não pagassem, não ficariam com mais dinheiro disponível
para investir e criar novos empregos? Não seria uma ajuda, ainda que pequena, é
certo, para a tão prometida desvalorização fiscal, em que se inseria a redução
da taxa social única e que se pretende obter com o acréscimo de meia hora de
trabalho? E, finalmente, como é que o corte de metade do subsídio de natal
deste ano ajuda no défice e a totalidade no próximo não ajudaria nada?! Das
duas, uma: Ou Parvus Coelho anda baralhado ou quer-nos baralhar a nós…
sábado, 15 de outubro de 2011
Diz umas piadas giras, o gajo.
Estou a contorcer-me de riso e já me começam a
doer a barriga e os queixos de tanto rir. O motivo para esta incontrolável
risota são as declarações, que acabo de ouvir, proferidas pelo primeiro-ministro
durante um encontro de autarcas social-democratas, em que o homem agradeceu o
esforço dos eleitos locais na disciplina financeira que estes estão a implementar
nas autarquias. Enalteceu mesmo a sua actuação, salientando inclusivamente que
começaram a tomar medidas nesse sentido ainda antes do Estado central o fazer.
Um exemplo a seguir, considerou.
Não sei se PC falava a sério ou não. Se era a sério
o melhor que tem a fazer, antes que a coisa se agrave, é falar já com o
ministro da saúde e tentar arranjar uma consulta com a máxima urgência. Se era
uma piada que tinha por objectivo fazer-nos rir, então, está de parabéns. Conseguiu.
Eu é que ainda não consegui parar de rir.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
O lobbie mau
Eu sabia. Ou, pelo menos, desconfiava. A
existência de um lobbie era mesmo dada como adquirida por quase toda a gente.
Menos, claro está, pela entidade reguladora que, coitada, ao contrário do que o
nome sugere, não regula lá muito bem. Foi preciso vir outra entidade, desta vez
da Europa e a regular ligeiramente melhor, para concluir aquilo que quase todos
suspeitámos: Que andava por aí um alegado lobbie. Podemos, portanto, dormir muito
mais descansados de agora em diante. Enquanto consumidores estaremos muito mais
protegidos. O lobbie foi descoberto, aniquilado e colocado um ponto final nas
suas tenebrosas práticas pouco concorrenciais. Graças à autoridade que regula
ligeiramente melhor do que a outra que não regula nada de jeito, o mercado da
banana vai passar funcionar como deve ser.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
"Há limites para os sacrificios que podem ser exigidos aos portugueses"
Mesmo não tendo ficado abismado – é um bom termo,
dadas as circunstâncias – com o discurso do primeiro-ministro, há certas
questões que me suscitam alguma perplexidade. Nomeadamente a afirmação de que,
a curto prazo e se nada for feito, o país não terá dinheiro para pagar salários
e pensões. Sinceramente não sei se acredite. É que, a ser verdade, deviam ter
sido anunciadas medidas sancionatórias – pena de prisão, por exemplo – para quem
anda a gastar em futilidades o dinheiro que não chega para o essencial.
Apesar do dramatismo da situação, o homem
limitou-se a anunciar cortes no rendimento dos portugueses. Podia, entre outras
coisas, proibir a realização de iluminações e das festas de natal que, de norte
a sul, vão em breve custar muitos milhões aos cofres públicos. Ou em lugar de
cortar os subsídios de férias e de natal, apenas para os funcionários públicos,
transformar o mesmo valor em imposto para toda a gente. Era coisa para resolver
o problema das finanças mais depressa.
Finalmente o IVA do vinho. Baralha-me esta protecção
escandalosa de que é alvo. e nem a justificação manhosa de que é para proteger a
produção nacional me comove. Por mim – e já que terei de fazer cortes - vou precisamente
cortar no vinho. E não, não lhe vou misturar água.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
É só fumaça! As autoridades são serenas...
Apesar de, por esta altura do ano, ainda ser
proibido fazer fogueiras, no resort das Quintinhas essa proibição é
liminarmente ignorada e, quase todos os dias, é possível assistir a este
cenário de nuvens de fumo negro a elevar-se nos céus da cidade. Nem desconfio
se as autoridades competentes intervêm ou não quando detectam este tipo de ocorrência.
Competentes é uma forma de dizer, porque, face à repetição dos fogaréus,
competência é coisa que não revelam ter. Ou não lhes assiste, como diria o
outro. O mais provável é que lhes assista o que ao outro não assistia.
Não parece difícil de adivinhar o motivo da
estranha tendência para o deflagrar de focos de incêndio naquele local. Qualquer
parvo o sabe. Incluindo aqueles que tem responsabilidades nestas coisas. De
resto é para isso que, apesar de mal, são pagos. Não se percebe, por isso, a
razão de não levantarem – todos - as peidas dos assentos e fazerem o trabalho que
lhes compete.
Não tenho grandes dúvidas que, se por algum
acaso, eu fosse queimar os restos da limpeza do terreno da família – ainda que
perdido no meio de nenhures – me apareciam por lá uns valentes e heróicos
zeladores da lei que não me perdoariam uma valente coima. Isto apesar de o
material a queimar não incluir nenhuma espécie de metal. Ou, se calhar, por
isso mesmo.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Aqui é que mora o presidente da junta!
Abro hoje uma excepção a tudo o que tenho dito
e escrito relativamente à merda de cão que se pode encontrar nos nossos
passeios. Desta vez quero enaltecer a pontaria do canito – ou a perspicácia do
dono, não interessa – na escolha do local onde foi deixar o presente. Nada mais
nada menos que à porta do presidente da Junta de Freguesia. O que, pelas razões
óbvias que abordei no post de ontem, constitui a melhor localização para a
canzoada aliviar a tripa.
domingo, 9 de outubro de 2011
Sujar a rua deve ser, também, um direito adquirido.
A notoriedade deste
blogue – a má fama, vá – deve-se, quase em exclusivo, à merda de cão. São
incontáveis os posts que dediquei ao assunto. Ainda assim muito menos do que os
cagalhões que se podem encontrar diariamente pelos passeios de qualquer cidade.
De nada, obviamente, tem servido. Os tugas javardolas não lêem blogues –
preferem, por razões óbvias, o facebook – e mesmo que lessem estar-se-iam nas
tintas. Acham que o seu cão, se come com eles à mesa e dorme com eles na cama,
terá também todo o direito a cagar onde muito bem lhe apetece.
Bem podem,
portanto, as autoridades locais apelar ao civismo dos cidadãos. Não adianta. Ou
os fazem sentir em termos pecuniários que são responsáveis por esta situação degradante
e que coloca em causa a higiene e saúde pública ou, então, mais vale estarem
sossegados e não gastarem tempo, papel e dinheiro. Porque, como dizia o outro,
lavar a cabeça a burros é gastadouro de sabão. Parece evidente que a única
sensibilização que produz efeito no tuga é a que atinge a sua algibeira. Neste
contexto não se percebe muito bem a atitude passiva de quem de direito
relativamente a esta matéria. Ou melhor, até entende. Mas, como já escrevi noutra
ocasião, é bom que percebam que quem não gosta de ver as cidades, vilas e
aldeias repletas de merda de cão também vota.
Se a repressão através da coima não será o meio
mais apropriado, até porque seria quase impossível aplicá-lo, já um forte
incremento no valor das taxas de licenciamento de canídeos e um eficaz controlo
– esse muito fácil de realizar – dos animais registados, contribuiria para
minorar o problema. Primeiro porque diminuiria o número de cães e, segundo,
contribuiria para um aumento de recursos financeiros que as entidades responsáveis
podiam alocar à limpeza dos espaços urbanos. Mas isso, se calhar, é pedir
demais. Envolve essa coisa, chata e aborrecida, a que chamam trabalho.
sábado, 8 de outubro de 2011
Economistas para quê?!
A receita mágica da esmagadora maioria dos
economistas para combater o défice das contas públicas tem sido, desde há um
ror de anos, o corte de salários e daquilo a que chamam regalias dos
funcionários públicos. Os sucessivos governos têm seguido essa linha, até
porque é simpática para a generalidade da opinião pública, e os resultados são
os que estão à vista. Que, diga-se, em pouco diferem daquilo que há mais de
seis anos – desde que existe o Kruzes – não me tenho cansado de prever. E que,
aliás, não revela qualquer espécie de genialidade da minha parte. Apenas os
tolos – e os apaniguados de serviço ao regime, o que é quase a mesma coisa –
não percebem que o caminho seguido nos conduzirá a uma tragédia de proporções
épicas.
Tal como muitos outros, aufiro hoje, em termos líquidos,
um rendimento mensal bastante inferior àquele de que dispunha em 2002. É a
consequência do congelamento salarial, aumento de impostos e diminuição ou
supressão de prestações sociais. Ainda assim não consta que o défice do Estado
e a divida pública tenham baixado. Nem sequer em valor igual aos escassíssimos milhares
de euros que deixei de receber. Antes pelo contrário. Significa, portanto, que
o Estado gastou o meu dinheiro mal gasto. É, para além de ladrão, incompetente.
Tanto como aqueles que defendem que esta politica é indispensável. Embora estes
últimos sejam também parvos.
Nota - Imagem de autor desconhecido retidada da internet
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Bichinho do betão
Alberto João Jardim já terá protagonizado
inúmeros momentos patéticos ao longo da sua extensíssima vida política. O de
hoje, que os diversos canais nacionais acabam de nos proporcionar, aproxima-se
do surreal. Por momentos pensei que se tratariam de imagens de arquivo, de uma
qualquer manifestação dos tempos do PREC, em que uns quantos malucos berravam
“abaixo o fascismo” a propósito de coisa nenhuma, como era hábito naqueles
tempos. Mas não. Foi mesmo hoje. E, pelo menos até agora, ainda não há notícias
de ter havido internamentos. O que apenas pode ser justificado pelos cortes que
estão a ser feitos no sector da saúde.
O homem não se cansa de inaugurar obras ridículas,
que ainda não pagou e que nem faz a mínima ideia como ou quando irá pagar.
Coisa que, no nosso país e para o povo que o habita, não é grave nem
censurável. Apesar da manifesta falta de cumprimento para com quem executa as
suas ideias extravagantes – chamemos-lhes, simpaticamente, assim – a criatura
insurge-se contra aqueles que, suprema heresia, têm a distintíssima lata de
reclamar o pagamento pelo trabalho que efectuaram. Pior. Segundo AJJ, apesar de
não receberem o que lhes é devido, têm o desplante de andar a viver acima das
suas possibilidades. Uns fascistas, portanto.
Confesso que, perante tão eloquente conclusão do
líder madeirense, toldou-se-me o raciocínio e, desde então, a minha actividade
cerebral encontra-se meio bloqueada. Este novo conceito de fascista e a tese
acerca de quem tem vivido para além das suas posses, são tão inovadores que
estou a revelar dificuldades pouco habituais em os assimilar. Mas, se bem
percebo, a vingar esta teoria, pode-se afirmar com toda a segurança e sem
qualquer receio de errar que o país está cheio de fachos que, para além de
ficarem a arder com os calotes, andam a fazer vida de rico à custa dos que não
lhes pagam as dívidas.
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