Todos os dias somos bombardeados com noticias que nos dão conta da escassa liquidez da banca e do perigo para a estabilidade do sistema financeiro que isso representa. Lamenta-se, em simultâneo, a dificuldade que os bancos portugueses terão em se financiar no exterior e quanto isso é terrível. Porque, dizem, não podem assim responder aos pedidos de crédito de empresas e particulares. O que, ao que se ouve e lê, inviabiliza o funcionamento da economia e provocará, profetizam, um verdadeiro desastre. Ou o fim do mundo tal como o conhecemos.
Tudo isso, acredito, será verdade. Mas, confesso, tenho uma leve desconfiança que a coisa é capaz de não ser bem assim. Não que ponha em causa a análise económico-financeira de quem diariamente nos transmite essa ideia – eu era lá capaz disso! - mas porque as evidencias parecem demonstrar o contrário. Ainda há dias um dos maiores bancos a operar em Portugal enviou pelo correio, aos seus clientes mais jovens, um contrato de crédito pré aprovado através do qual se propunha conceder-lhes em empréstimo de quinze mil euros. Bastava para tal devolver, até podia ser pela mesma via, os documentos devidamente assinados.
Ora se isto é assim quando se verifica escassez, nem quero imaginar como será quando houver fartura. Provavelmente irão apontar-nos uma pistola à cabeça para nos forçar a contrair um crédito.

















