quinta-feira, 17 de junho de 2010

Remate kruzado

Diz que lá para a Somália, um território vagamente parecido com um país e onde uns quantos bandos de grunhos, barbudos e malucos – daqueles que rezam de cú para o ar enquanto, furiosamente, dão marradas no chão – vão na ausência de um governo normal, ou mesmo anormal como o nosso, impondo aquilo a que chamam lei islâmica. A ira desses alucinados abateu-se agora sobre o futebol. Mais concretamente o Mundial que se disputa por estes dias. Ao que consta a milícia islâmica proibiu a transmissão dos jogos e não hesita em matar os que ousam contrariar tão sábia determinação dos seguidores da religião da paz. 
Por serem suficientemente conhecidos os problemas mentais dessa rapaziada não me espanta tal procedimento. O que me surpreende são alguma reacções, ainda que tímidas, de alguns combatentes da internet vulgarmente conotados com a esquerda e a multiculturalidade, que apesar de estarem sempre prontos a defender todo o tipo de parvoíce, desde que praticada por aquela malta, ousam agora pôr em causa o costume, provavelmente ancestral, de matar gente que assiste a jogos de futebol pela televisão na Somália. 
Sinceramente não me parece bem esta ingerência grosseira nos assuntos internos de um Estado – soberano ou ingovernável, não interessa nada – nem tão pouco colocar em causa as sãs tradições de um povo que, acredito, queira manter vivos os seus costumes e resistir à invasão da decadente cultura ocidental. De resto não sei porque razão o nosso hábito de nos posicionarmos perto de um televisor a emborcar cerveja e a berrar em direcção ao aparelho, há-de ser mais valorizável do que o deles. 
Anacleto Louçã tratará de, espero, colocar na ordem estes críticos intolerantes. Ou então meter uma cunha a um desses mullah's desvariados para que lhes seja lançada uma fatwa. É que estão mesmo a pedi-las.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Publicidade enganosa

Esta gente é lixada. Sempre a deixarem-nos na expectativa da revelação de um qualquer segredo, do desvendar de um mistério ou do anúncio de um qualquer esquema mirabolante e, vai-se a ver, nada. Tá mal. O melhor é alguém colar no vaso um daqueles auto colantes a avisar que ali não se deve deixar publicidade. Especialmente enganosa.

Vende-se


domingo, 13 de junho de 2010

Ainda a propósito dos "vinte paus"...

Relembra o Luís, a propósito do post que publiquei ontem, que o poder de compra que detinha no ano em que foi emitida a nota de “vinte mil réis” da fotografia - 1978 – era muito superior ao actual. Mesmo sem recurso a números que o comprovem não hesito, assim a olhómetro, em dar-lhe razão. 
Comecei a trabalhar pelos finais de 1980. Auferia então a fantástica quantia de oito contos e novecentos escudos – quarenta e quatro euros e quarenta cêntimos – correspondentes à penúltima posição da escala salarial da função pública - sim, porque nessa altura não se assentava praça em general – e, ainda ainda assim, conseguia viver razoavelmente bem numa cidade a cento e cinquenta quilómetros de casa. Claro que não sobrava muito para poupanças, mas isso também não era coisa que constasse das preocupações de um ainda teenager. Hoje tal não seria possível. A penúltima posição remuneratória da função pública representará actualmente pouco mais de quatrocentos e oitenta euros e, com isso, duvido que alguém sobrevivesse, nas mesmas circunstâncias, mais do que uma semana. 
Argumentá qualquer letrado da ciência económica que por acaso leia este texto, que terá sido por causa dos “elevados salários” que então se praticavam que, anos mais tarde, o FMI teria de intervir e o governo da época obrigado a tomar medidas drásticas para salvar o país da bancarrota. Também, com esses, não terei grande dificuldade em concordar. 
Recuso, no entanto, qualquer paralelismo com a situação que então se viveu – em 1983 - e a actual. Àqueles que o fazem, apontando o dedo mais uma vez aos chorudos ordenados que se pagam na função pública, digo-o com toda a frontalidade, são umas bestas. A esses recordo que em 1980 não havia empresas municipais, parcerias público-privadas, institutos públicos, as empresas públicas ainda não pagavam prémios milionários, os governantes tinham algum decoro na forma como geriam o dinheiro dos contribuintes, assessorias eram um conceito desconhecido e, sobretudo, muitos dos actuais boys ainda usavam fralda. 
Não fique, com tudo isto, a ideia que sou um saudosista. Nada disso. Até há poucos anos costumava repetir aquela velha máxima que “saudades só tinha do futuro”. Infelizmente hoje nem isso.

sábado, 12 de junho de 2010

Importância relativa

Faz hoje uma data de anos que aderimos à então Comunidade Económica Europeia. Eu cá não sou de grandes comemorações mas, ainda assim, gosto sempre de assinalar uma data importante. Ou, pelo menos, relativamente importante. 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Volta ao Alentejo (II)

Lá por não me parecer particularmente bem que dinheiros públicos sirvam para financiar este tipo de eventos, ainda mais numa altura de crise – ao que dizem, porque notar não se nota grande coisa que haja por aí uma crise – não ia deixar de assistir ao final da etapa de hoje da Volta ao Alentejo em bicicleta, que terminou em Estremoz. 
Garanto que, contrariamente ao insinuado no local, o meu posicionamento naquele ponto do percurso, à saída da curva que dava acesso à recta da meta, nada teve a ver com a elevada possibilidade de ali se verificar uma queda, mais ou menos aparatosa, devido à chuva que caiu antes da chegada dos ciclistas e à dificuldade que o trajecto apresentava. A minha colocação naquele sitio deveu-se somente à necessidade de prevenir uma eventual retirada estratégica para local abrigado, não fosse, como acabou por acontecer, cair mais uma valente carga de água. Suspeito, no entanto, que muitos dos que por ali estavam acalentavam a secreta esperança de ver uma ou outra derrapagem... o que, felizmente, não ocorreu.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Desperdicio sobre (duas) rodas

Está na estrada mais uma edição da Volta ao Alentejo em bicicleta promovida, como habitualmente, pela Associação de Municípios do Distrito de Évora. Ou pela Comunidade Inter-Municipal sua sucedânea, pouco importa para o caso. O que realmente tem importância são os custos astronómicos – para a realidade da nossa região – que estas coisas envolvem.
É do conhecimento geral que a modalidade atravessa, por motivos sobejamente conhecidos, um período de forte descrédito e que, talvez pela inexistência de figuras de referência, revela notória dificuldade em despertar o interesse do grande público. Sabe-se também que a visibilidade da corrida, em termos de comunicação social, será bastante reduzida. Até porque os média têm, por esta altura, todas as atenções focadas no campeonato do mundo de futebol e o tempo dedicado aos outros acontecimentos desportivos é ínfimo. 
Tudo isso constituem razões para que a organização de um evento desta natureza por parte de uma entidade composta por uma dúzia de “accionistas” falidos e que, também ela, não terá grande saúde financeira, nunca possa ser considerado um acto de boa gestão. Neste contexto de dificuldade, em que nos querem fazer crer que vivemos, é uma decisão que convive bastante mal com a lógica e com o rigor que devem presidir à gestão dos dinheiros públicos. Os custos que estão associados a esta prova – e serão, provavelmente, muitos – vão ser suportados pelos alentejanos, sem que nenhum proveito palpável – ou até mesmo daqueles que não são susceptíveis de ser apalpados - obtenham em troca. E nós, alentejanos, bem precisados andamos de apalpar qualquer coisa...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estacionamento tuga


Poderão existir circunstâncias em que o tamanho pouco ou nada importe. No estacionamento, pelo contrário, cada centímetro é importante. Muito em especial no caso dos veículos pesados, normalmente de grandes dimensões, que estacionam aqui pelas redondezas e para os quais nem sequer chega o amplo terreno à entrada do bairro. Que o digam as árvores que de vez em quando ali são plantadas só para atrapalhar o tuga camionista! Espaço que, refira-se, há para aí vinte cinco anos aguarda um qualquer arranjo urbano-paisagístico por mais manhoso que seja.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Coisas sem sentido

Li ou ouvi em qualquer lado que a recente entrada em vigor da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo termina finalmente, no entender do eufórico analista, com aquilo que o sujeito – desconheço se activo ou passivo – considera ser o “casamento de sentido único”. 
Não me importo de, mais uma vez, manifestar a minha completa ignorância, mas confesso o meu total e mais absoluto desconhecimento relativamente a este conceito. Devo, até, esclarecer que não entendo o seu sentido. A menos que se pretenda insinuar que o casamento, tal como o conhecíamos até aqui, tinha um sentido enquanto esta nova espécie de matrimónio não terá sentido nenhum. Mas isso seria uma tirada digna de um homofóbico desprezível ou de um daqueles nojentos mentecaptos que descriminam as pessoas em função das suas orientações sexuais e não lhes reconhecem os seus legítimos direitos. 
Como já escrevi em inúmeras ocasiões não me aflige que esses indivíduos se casem, divorciem ou suicidem. É-me indiferente. O que verdadeiramente me irrita é a apologia que se pretende fazer desses comportamentos, quase como se fossem exemplos a seguir ou os seus praticantes dispusessem de uma superioridade moral relativamente a quem não é como eles. Esse é, manifestamente, o único pensamento que não faz sentido.

Não é por nada, mas alguém sabe a quanto está o litro de gasolina?

Estremoz, Rossio Marquês de Pombal, onze e quinze de uma qualquer manhã. Hoje, por exemplo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Os outros carrinhos do resort

Morar no resort – bairro, acampamento, ou lá o que lhe queiram chamar – das Quintinhas não constituirá o sonho de qualquer estremocense. Mesmo não pagando renda pela ocupação do espaço, ainda que a casa tenha sido construída com materiais “encontrados” aqui ou ali, com água de borla e luz paga pela Câmara, aquele local não fará parte do projecto de vida que o cidadão médio fez para si.
Apesar das manifestas contrariedades que atormentarão a vida dos que por ali moram, nem tudo é mau para os escolheram o local como poiso permanente, temporário, ou como refúgio mais ou menos seguro para escapar às consequências de uma ou outra tropelia própria de quem leva uma vida repleta de ócio e pouco consentânea com o cumprimento dos deveres de cidadania. Os notórios sinais exteriores de riqueza, nomeadamente ao nível do parque automóvel, são disso um bom exemplo. A par da invejável localização. Que permite, por exemplo, uma ida às compras ao supermercado situado mesmo ao lado e levar comodamente o carrinho  das compras até à porta de casa. 
O inverso, levar o carrinho para ir às compras, é que parece não ocorrer com frequência. Donde facilmente se conclui que todas as teorias que garantem a pouca apetência daquela malta para a realização de tarefas que envolvam esforço são, manifestamente, desprovidas de fundamento. Parece evidente que eles preferem manobrar os ditos carrinhos quando estão carregados e pesam muito mais, do que quando estão vazios e o esforço a despender será significativamente menor.

domingo, 6 de junho de 2010

Propagandas

Por estes dias a intelectualidade bem pensante e todos aqueles que querem parecer inteligentes não se têm cansado de exprimir a raiva contra Israel e de manifestar uma inequívoca solidariedade para com os palestinianos, árabes e mourama em geral. Deve constituir uma espécie de necessidade patológica, mas fica-lhes bem. Se não o fizessem nem ficávamos a saber da sua superioridade moral, intelectual e da elevada formação cívica de que são dotados. Tudo coisas que os torna sensíveis à propaganda. Seja do Hamas ou da Cofidis.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Tuga extremoso

Que me desculpe o extremoso proprietário deste carrinho, mas acho as capas de protecção para automóveis completamente ridículas. Quase tanto como aquelas fatiotas estranhas que alguns donos mais parvos insistem em vestir aos canitos durante o inverno. Terá o automobilista em causa a intenção de preservar o brilho da pintura e a qualidade, certamente magnifica, dos plásticos da sua viatura. Quererá, provavelmente, mantê-la fora do alcance de algum descuidado transeunte que, intencionalmente ou não, lhe provoque um ou outro risco. Ou, mais improvável, conservá-la fora de olhares mais indiscretos. 
Seja como for, não gosto. É por isso que desta vez nem vou reclamar contra a pintura que algum maroto resolveu fazer na cobertura nem, tão pouco, mangar com a sinalética que também se pode observar na foto e que, há muitos anos, está em contradição com o sentido do trânsito praticado no local.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

As teorias da malandragem

Finalmente o país começou a fazer contas à vida. Não era sem tempo. Entre essas contas estão a que pretendem apurar o custo dos feriados. Parece ter-se chegado à conclusão que, por cada um, Portugal perde trinta e sete milhões de euros. Não tenho grandes razões para duvidar da sapiência de quem se deu ao trabalho de elaborar tão intrincados cálculos e, por isso, não hesito em declarar-me incondicionalmente ao lado dos seus autores. Discordo apenas das soluções preconizadas. Reduzir somente três ou quatro feriados é manifestamente pouco ambicioso. Por mim acabava com todos e começava a preparar as massas para a necessidade imperiosa de acabar também com as férias. É injustificável que qualquer malandro, só porque tem o privilégio de ter um emprego, se arrogue no direito de ficar vinte e dois dias sem fazer nada, com o patrão – coitado – a suportar-lhe o ordenado. Uma injustiça a que urge pôr fim. 
A existência de feriados, tolerâncias de ponto, férias, pontes e afins é, por outro lado, altamente prejudicial para a criação de emprego, causa danos incomensuráveis na economia e lesa de forma dramática os cofres do Estado. Recorro, para sustentar esta teoria, ao meu próprio exemplo. Aproveitando este e o próximo feriado, e com uns dias de férias pelo meio, vou pintar a minha casa. Ora se estes privilégios inqualificáveis não existissem teria de contratar pintores para o fazerem. Criaria emprego, pagaria IVA quando me apresentassem a factura, os trabalhadores pagariam IRS e a empresa iria pagar mais uns pozinhos – uns pingos, vá – de IRC. Como se vê as férias, feriados e outros dias de mandriice só prejudicam o país. Pelo menos é o que garante uma certa malandragem.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Encerramento de escolas

Não consigo ter, pelo menos para já, opinião formada acerca da intenção anunciada pelo Ministério da Educação de encerrar as escolas com menos de vinte alunos. A acontecer, o encerramento será dramático para as localidades afectadas, quase todas no interior, que verão acentuar-se tendência de desertificação que há muito se verifica nas regiões do interior. Se actualmente já é difícil convencer os residentes mais jovens a fixar-se nas suas aldeias, com esta medida vai ser praticamente impossível que qualquer casal jovem coloque sequer a hipótese de o fazer. 
Por outro lado a educação foi um sector que, a nível do Estado e das autarquias, engordou desmesuradamente e que representa actualmente um peso excessivo e desproporcionado nos orçamentos do Estado e autárquicos. Gosto sempre de apontar um exemplo que considero sintomático. Um dos jardins-de-infância públicos de Estremoz, com duas salas e cinquenta alunos tinha, há dezoito anos, duas educadoras e uma auxiliar. Há doze anos o mesmo jardim, então com cerca de quarenta crianças e mantendo as duas salas, já contava com quatro educadoras e outras tantas auxiliares. Tal acréscimo de pessoal, garanto, não correspondeu a qualquer melhoria da qualidade do ensino ou, sequer, a alargamento de horário. Actualmente não conheço a realidade deste estabelecimento de ensino mas, calculo, que o número de pessoas que ali trabalham deve ser ainda maior. 
É simpático arranjar emprego ao amigo, ao vizinho ou às mulheres de ambos, e as escolas têm constituído uma óptima reserva para o efeito. O problema é que este estado de coisas, de haver sempre lugar para mais um, ou mais uma, não podia durar eternamente. Saltava à vista que o estouro não demoraria e só quem acredita que algures existe uma máquina de fazer dinheiro a trabalhar vinte e quatro horas por dia é que não se apercebia da inevitabilidade de fazer alguma coisa para colocar um fim nesse desvario. Pena é que as consequências destas políticas acabam – como quase sempre – por prejudicar aqueles que não tem qualquer culpa. 
Valham-nos as boas notícias que, cada vez mais raramente, ainda vão surgindo. Diz que o fado fará parte dos currículos das escolas do ensino básico e secundário, provavelmente já no próximo ano lectivo. Por enquanto apenas em Lisboa, mas estas coisas espalham-se depressa e nada garante que a coisa não alastre. Os alunos vão, com certeza, rejubilar. Por mim vou comprar uns tampões para os ouvidos. À cautela.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Resistir por um bombardeamento melhor

O meu amigo Luís Russo é gajo que nutre uma especial simpatia pelos palestinianos. Daí que considere os israelitas uns criminosos da pior espécie. Razão pela qual é bem capaz de agarrar nele próprio e ir protestar para a porta da embaixada israelita em Lisboa no dia indicado no cartaz que publicita no seu blogue. Mesmo que as criaturas com quem se vai solidarizar se estejam nas tintas para ele ou, o mais provável, o considerem um infiel que merece morrer por não crer em Alá. Nem noutra qualquer divindade, diga-se. 
Curioso, mas mesmo curioso, foi não ter encontrado no “Resistir por um mundo melhor” nenhuma referência ao ataque criminoso da Coreia do Norte contra um barco sul-coreano. Provavelmente os quarenta e seis que morreram estavam mesmo a pedi-las, porque isto de andar a provocar regimes democráticos tem muito que se lhe diga. Ou, então, foram os próprios marinheiros que resolveram mandar a barcaça ao fundo só para poderem prejudicar a imagem dos seus vizinhos do norte. Embora, acredito eu, o Luís não excluirá a hipótese de tudo não passar de mais uma manobra imperialista dos Estados Unidos que terá como objectivo último atacar uma nação pacífica.

Solidariedade "reciporca"

Aos olhos do ocidente os islâmicos são um povo – ou vários sei lá, mas isso não vem ao caso – amante da paz e desejoso de conviver pacificamente e em harmonia com todos os outros povos que habitam o nosso planeta. Principalmente connosco, ocidentais. Idolatramos ardentemente aquela gente simpática e educada e, em simultâneo, detestamos judeus e yankees que, para nós, representam tudo o que há de pior à face da terra. 
Deve ser por isso que hoje muitos se manifestam lamentado a morte de uns quantos “activistas” - nome que a malta toda modernaça do politicamente correcto inventou para denominar os desocupados, vadios e outros parvos, que se manifestam pelas causas mais queridas daqueles que ditam as linhas do pensamento vigente – que, alegadamente, se dirigiam em missão humanitária para território palestiniano. Não sei se quem mora por aqueles lados necessita ou não de ajuda. Se calhar até precisa. Mas esses tais “activistas” não terão ninguém no seu próprio país, até mesmo perto de casa, que também tenha carências de igual nível como as daqueles que supostamente iam ajudar? Com a inegável vantagem, digo eu, de poderem na mesma auxiliar o próximo - que no caso estaria bem mais próximo – e com bastante menos probabilidade de levarem um tiro nos cornos. A perda de vidas humanas, ainda que de “activistas”, é sempre de lamentar. 
Pena que os lamentos a que assistimos não passem de lágrimas de crocodilo e de miseráveis aproveitamentos políticos para atacar Israel e enaltecer o cordato povo da palestina. Se assim não fosse, os que hoje zurram pela morte de uma dúzia de provocadores teriam levantado bem alto a sua voz pela morte de quarenta e seis marinheiros sul-coreanos vítimas da ditadura demente da Coreia do Norte. Por coincidência também estavam num barco e esses, ao contrário dos que agora quinaram, nem estavam a incomodar ninguém.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Rotos

Não faço ideia de quantos contentores do lixo são, por ano, destruídos no Concelho. Acredito que sejam muitos. A sua substituição é cara, exige recursos que poucos percebem ser escassos e que podiam ser aplicados noutras áreas – muitas certamente - não fosse a despreocupação com que olhamos para o bem público e a indiferença com que assistimos à destruição daquilo que, também, é nosso.
Mesmo sendo hoje um dia histórico para a malta esquisita, a coisa até meteu almoçarada com o não menos esquisito pseudo-engenheiro, parece-me completamente desnecessário fazer isto aos recipientes destinados à recolha de resíduos sólidos da nossa cidade. Para rotos já chegam esses javardolas que daqui por uns dias se vão poder divorciar.

domingo, 30 de maio de 2010

A contradição já não é o que era

Na anterior crise o importante era gastar. Criar incentivos às empresas, distribuir generosamente dinheiro pelas famílias mais carenciadas e fomentar o crescimento económico mesmo que isso significasse fazer disparar o deficit para valores estratosféricos. Isso, na altura, era visto como algo de necessário e apresentado até como um acto de boa gestão. Dizia-se, à época, que tinha acabado a era dos economistas e que de então em diante prevaleceria a lógica da política. 
Esta teoria disparatada foi rapidamente seguida por muitas autarquias. De um dia para o outro desatámos a ter notícias de planos anti-crise que iam surgindo um pouco por todo o lado. De resto neste campo as autarquias estavam como peixe na água, porque distribuir de maneira generosa e magnânima o dinheiro dos contribuintes está-lhes na génese. 
De repente – em três semanas, diz o outro pantomineiro – o mundo mudou, a crise também e onde antes se punha dinheiro é agora urgente tirá-lo. Assiste-se agora a idêntico frenesim autárquico, mas de sentido contrário, e são às dúzias as Câmaras a anunciar a tomada de medidas visando a contenção de despesas. De resto não é difícil escolher onde cortar. Ao longo dos anos as autarquias habituaram-se a gastar, investir dizem eles, como se não houve amanhã ou se o dia seguinte fosse de uma radiosa prosperidade. 
É bom que seja este o caminho a seguir. Mais tarde ou mais cedo será inevitável extinguir municípios e freguesias e se os gregos optaram por extinguir os que têm menor número de habitantes – dez mil no caso – nada nos garante que, por cá, alguém não possa ter a ideia de acabar com os mais endividados…

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Se "escutados" e "filmados" trabalham todos no mesmo ramo porquê proceder de maneira diferente?!

Da mesma forma que a divulgação de escutas, ainda que alegadamente reveladoras de potenciais crimes, não é autorizada sendo até punida criminalmente, também a exibição de imagens de um assalto a uma estação do CTT, pelos vários canais televisivos nos seus espaços noticiosos, não devia ter sucedido. Ocorrem-me razões de vária índole para sustentar o que afirmo. A saber:
 - A falta de autorização dos jovens – é assim que agora são conhecidos os meliantes – para a divulgação da sua imagem. Este procedimento, altamente condenável, pode constituir uma violação da sua privacidade e dar azo a que estes interponham uma acção contra quem autorizou a divulgação do filme. De estranhar até que não tenham interposto uma providência cautelar ou, melhor ainda, se tenham apoderado das câmaras antes de abandonar o edifício. Uma coisa assim do tipo acção directa;
 - A relativa facilidade com que o trabalhinho foi feito e o êxito da operação podem suscitar o interesse de outros pacatos cidadãos que, por uma ou outra razão, têm ficado privados dos seus meios de subsistência. Sabe-se que, por enquanto, na actividade dita criminal ainda não existe desemprego, embora a existência de cada vez mais pessoas a procurarem esta carreira possa alterar radicalmente esta realidade;
 - A tentativa de agressão de que foi alvo um dos intervenientes na operação. Como é perfeitamente visível nas imagens foi atirado um objecto que, a atingi-lo, podia ter colocado em causa a sua integridade física. Este mau exemplo, se seguido por futuras vítimas, pode influenciar o actual equilíbrio de forças e vir a condicionar o desempenho dos técnicos de angariação de bens alheios. O que, principalmente numa altura de crise, não é nada bom. Injustamente esta é ainda uma profissão não reconhecida, com poucos direitos laborais e como os profissionais do sector nem sempre cumprem com as suas obrigações com a segurança social, qualquer acidente em serviço é susceptível de causar sérios prejuízos no rendimento mensal obtido pelo técnico atingido.
Temos, felizmente, uma Justiça sensível a estas questões. Estou, por isso, em crer que em breve serão tomadas medidas sérias que evitem a exposição inqualificável dos "jovens" que, abnegadamente, se dedicam a estas causas. E, já agora, que se identifique o patife que atirou o balde, ou lá o que era, na direcção do profissional que, de forma honesta e briosa, fazia o seu trabalho. Coisas destas não podem ficar impunes sob pena de a justiça cair na rua.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A falta de fair-play da paneleiragem

Não me canso de afirmar que o verdadeiro ataque à liberdade de expressão não vem, como nos últimos anos muitos nos têm feito crer, dos políticos que ocupam os mais variados cargos aos diversos níveis do poder. Nem mesmo José Sócrates, apesar de todas as manigâncias em que é acusado de estar envolvido, conseguiu calar ninguém. Mesmo quando circunstancialmente levou a sua avante e obteve o afastamento de uma ou outra voz mais incómoda, muitas outras se levantaram e as consequências das suas tentativas – a terem existido - revelaram sempre que não é possível silenciar as vozes discordantes nem calar aqueles que se opõem ao poder.
Entendo, já o referi vezes sem conta, que a verdadeira censura que se vive hoje em Portugal tem muito mais a ver com o pensamento politicamente correcto, padronizado por uma esquerda pedante e em muitos casos rabeta, que impede a maioria das pessoas de exprimir livremente a sua opinião sobre assuntos,acerca dos quais está instituído uma linha de pensamento oficial da qual não se pode divergir sem ser vítima de uma adjectivação insultuosa que, já me tem acontecido, apenas se entende o significado com um dicionário por perto.
Veja-se, a este propósito, as reacções da paneleiragem e actividades correlativas ao último trabalho discográfico de Quim Barreiros. Denotando uma falta de fair-play e poder de encaixe – característica que não posso deixar de estranhar nessa malta – os insultos ao cantor não se fizeram esperar. Por mim não aprecio - detesto é capaz de ser mais apropriado - as músicas do dito cantor. Mas detesto ainda mais aqueles que o  criticam, não por o homem cantar mal ou aparentar um estilo a atirar para o javardola mas porque ousa parodiar o casamento gay no seu último trabalho. E, imaginem a ousadia, atreve-se a tratar por paneleiros, larilas ou maricas aquela rapaziada que fez a opção – legitima, evidentemente – de o ser.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Orçamento para lamentar

Mesmo correndo o risco de ser acusado de populismo, ou de estar a enveredar por um perigoso caminho que é geralmente percorrido por aqueles que atacam a democracia e as suas instituições, não posso deixar de me indignar – poder até podia, mas não quero – com o agravamento dos custos que o país tem suportar com os seus representantes, vulgo deputados, na chamada casa da democracia. Pior ainda quando em simultâneo o restante país está sob fogo cerrado de medidas altamente restritivas que, não raras vezes, raiam o ridículo e visam apenas poupar uns míseros trocos sem significado. 
Não consigo vislumbrar argumentos que justifiquem a absoluta necessidade democrática de pagar subsídios de reintegração, viagens ou de melhorar significativamente as ajudas de custo dos deputados. Nem, sequer, que se gaste uma pequena fortuna a proporcionar-lhes um ambiente de trabalho ainda mais agradável. Podem os apreciadores desta democracia argumentar que tudo isso contribuirá para elevar a qualidade das nossas leis e, por consequência, das nossas vidas e que, no fundo, os beneficiários de todas estas pequenas extravagâncias não são eles, somos nós. Podem, mas é melhor que não o façam perto de quem vai ser espoliado de centenas de euros que, entre outras coisas, vão servir para melhorar a qualidade de vida de um certo surripiador de dispositivos de gravação.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sai um pastel de...qualquer coisa!

A Deco andou por aí a investigar pastéis de bacalhau e rissóis de camarão. Daqueles ultra-congelados que se vendem nos supermercados, e outras superfícies comerciais, que constituem um dos alimentos preferidos das donas de casa pouco dotadas na arte de bem confeccionar refeições decentes. Fez, aquela associação de defesa dos consumidores, muito bem. Afinal, segundo o que os resultados da investigação acabaram por revelar, os ditos pastéis do fiel amigo tinham muito pouco e os rissóis de camarão quase nada. As surpresas não ficaram, no entanto, por aqui. Pior do que aquilo que não tinham e deviam ter é que tinham aquilo que não deviam ter. Terá sido, a serem verdadeiras as conclusões, encontrada em algumas embalagens uma quantidade significativa de bactérias de nome esquisito que também habitam, entre outros locais, no nariz de um vulgar – não necessariamente pouco asseado – ser humano. Macacos, portanto. 
Não sei se a segurança alimentar dos portugueses está ou não garantida, mas noticias como esta não são de maneira nenhuma tranquilizadoras. Até porque o mundo mudou – e não foi apenas nas últimas três semanas – pelo que hoje poucos concordarão com aquela velha máxima de outros tempos que garante que tudo “o que não mata engorda”.

domingo, 23 de maio de 2010

O mercado das festas

Não vale a pena tentar encontrar desculpas para o falhanço de certos eventos. Muito menos recriminar os habitantes de uma determinada localidade pela fraca adesão a esta ou àquela iniciativa. Não vale a pena argumentar com essa vaga desculpa das mentalidades, nem disparar um sem número de chavões sem qualquer significado, para tentar justificar o injustificável. A cultura, a arte, o espectáculo ou até mesmo o desporto e todos aqueles que os promovem – ou se querem prover à sua conta - tem que compreender primeiro, e aceitar depois, as regras do mercado. É inútil querer dar ao mercado aquilo que ele não quer, não precisa ou para que se está nas tintas. Arranjar outros argumentos faz lembrar a velha história do soldado que aos olhos da família era o único com o passo certo.
Parece-me ser esta a altura apropriada para que o país pondere se deve continuar a financiar realizadores de cinema, produtores de eventos ditos culturais, clubes de futebol e toda uma panóplia de “organizações” que apenas têm lugar graças ao financiamento público. Ou seja ao dinheiro de todos os contribuintes.  Os mesmos que agora são chamados a "salvar a pátria". É tempo de toda essa gente perceber o que o mercado quer e, com os seus meios ou com aqueles que o mercado estiver disposto a conceder-lhes, mostrarem o que valem. Porque isto de fazer festas e festinhas com o dinheiro dos outros é coisa que não parece muito complicada. Mesmo que o público não apareça.

sábado, 22 de maio de 2010

O "comprimento" do dever...

Não conheço Fornos de Algodres. Nunca lá fui. E se até ontem não lamentava esse facto, depois de ver as notícias num dos telejornais da noite tudo mudou e passei a ter uma enorme vontade de conhecer essa terra. Ao que parece, a serem verdadeiras as informações veiculadas pela SIC, aquela autarquia é das mais endividadas do país. A confirmarem-se as notícias, terá uma divida de trinta e cinco milhões de euros! O que, para um município com uma área de cento e trinta e um quilómetros quadrados e uma população de cinco mil e trezentos habitantes, menos catorze quilómetros quadrados e dois mil e cem residentes do que – por exemplo - Borba, é algo de absolutamente surreal. Nomeadamente se tivermos em conta que se trata de uma Câmara que, a título de Fundos Municipais, recebe pouco mais de quatro milhões e trezentos mil euros e que as receitas próprias andarão pouco acima dos dois milhões. 
Terão feito, com certeza, muitas obras. Todas importantes, acredito. Com um tal volume de divida é provável que tudo esteja revestido a ouro, ou então que a cada passo se tropece em infra-estruturas de fazer inveja a qualquer eleitor de uma qualquer cidade de um qualquer país rico. Terão, também, atribuído subsídios de forma mais ou menos generosa que se revelaram determinantes para o progresso, bem-estar e qualidade de vida dos residentes no concelho. O pior é pagar a conta. E parece que chegou a altura de o fazer. 
A reportagem televisiva terminou sem que nos tenha sido dado conta se os responsáveis por esta situação calamitosa estarão ou não presos. Num país decente, habitado por gente honesta, regulado por leis elaboradas por pessoas sérias e aplicadas por profissionais competentes, não tenho grandes dúvidas que “políticos” deste calibre seriam responsabilizados por tamanho descalabro. Por cá ainda lhes fazem uma estátua…

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Coisas (pouco) sérias

Esforço-me por acreditar naqueles que as televisões e outros órgãos de comunicação social escolhem para nos manter informados acerca das incidências da actual crise e das possíveis soluções para a ultrapassar. Acredito que, na sua maioria, são pessoas sensatas e, quase todos, saberão daquilo que falam. Torna-se, no entanto, cada vez mais difícil levá-los a sério e, à semelhança dos membros do governo ou do pessoal ligado ao PS, é crescente o número de supostos analistas políticos, económicos e financeiros a dizer alarvidades. Ora esse era um papel que tinha como reservado para gajos que escrevem em blogues parvos. Como este, por exemplo.
Cito apenas dois casos. O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa sugeriu que os funcionários públicos recebessem os subsídios de férias e de natal em certificados de aforro. Medida que, defende, constituiria um incentivo à poupança. E nada melhor que começar pelos trabalhadores do Estado que, à semelhança do patrão, são uns esbanjadores pouco dados a essa coisa de manter um pé-de-meia. A proposta, principalmente vinda de onde vem, é no mínimo suicida. Até porque representaria uma quebra dramática no consumo e acabaria por se virar contra quem a propõe. 
Também Belmiro de Azevedo se saiu, um destes dias, com uma tirada genial. As dificuldades que se avizinham legitimam, segundo o patrão da Sonae, que os pobres roubem para se alimentar. Uma afirmação destas na boca do dono de uma cadeia de supermercados que vendem, nomeadamente, bens alimentares não me parece lá muito sensata…Mas pode ser um bom argumento a usar em Tribunal por um qualquer larápio apanhado a gamar uns “morfes” para o pic-nic. 
A maior evidência dos tempos estranhos que vivemos não veio, quanto a mim, da área económico-financeira. O Presidente da República falou ao país acerca de paneleiros, fufas e actividades correlativas. Quando o mais alto magistrado da nação ocupa uma parte do seu tempo, por mais ínfima que seja, com assuntos de merda – literalmente – como esse, é porque estamos realmente em crise.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ainda os plátanos da Fonte do Imperador

Como já escrevi noutro post todas estas árvores, de ambos os lados da antiga estrada nacional quatro junto à Fonte do Imperador, foram podadas, de uma forma radical e absolutamente despropositada, na mesma altura. As do lado esquerdo da fotografia recuperaram, enquanto as do lado direito estão num estado deplorável e apresentam apenas tímidos sinais de recuperação. Coisa que, naturalmente, não acontece por acaso e que apenas se verifica porque enquanto umas crescem livremente, sobre as outras têm sido exercidas, ao longo dos últimos anos, várias acções com o evidente propósito de as matar. 
Obviamente não sei quem é o criminoso que assim procede. Sei apenas que estas acções ocorrem desde que, no terreno mesmo ao lado, foi plantado um nogueiral. Será também consensual que os plátanos não se auto-mutilam, e se aparecem sistematicamente cortados é porque alguém o fará. Pensa-se, mas isso são as más-línguas a sugerir porque eu dessas coisas nada sei, que se tratará de um passarão que estará por detrás desta manigância. Uma espécie de pato-bravo que por aqui tenta esvoaçar de rosa no bico e motosserra debaixo da asa…

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Que dizem os rotos à nua?! Nada, ao que parece.

Surpreende-me que, por estes dias, não se tenha ainda levantado uma onda nacional de indignação pela atitude da Câmara de Mirandela relativamente à professora daquela localidade que entendeu por bem deixar-se fotografar, tal e qual veio ao mundo, para a revista “Playboy”. Nem mesmo a intelectualidade bem pensante, sempre tão empenhada em manifestar-se contra qualquer coisa que lhe cheire a discriminação, esboçou o mais leve protesto. Nem, ao menos, uma obscura organização de direitos humanos, um sindicato pró-comunista ou uma associação que ninguém conhece, mas que garante defender intransigentemente o direito a qualquer um, ou uma, se despir quando muito bem lhe apetece, surgiu a defender a esbelta senhora. Incrivelmente nem os tresloucados do Bloco de Esquerda vieram a público insurgir-se contra a decisão da autarquia e protestar pela atitude alegadamente discriminatória de que a docente estará a ser vítima. 
Este é um caso que me parece extremamente grave, atentatório da liberdade individual e revelador, da parte daqueles que assim decidiram, de uma mentalidade que até mete dó. Provavelmente para todo o alheamento que se tem verificado em relação a esta situação contribuirá o facto de a senhora não ser – digo eu que não a conheço de lado nenhum – fufa. Porque se o fosse o caso mudaria imediatamente de figura e, desde há dias, assistiríamos a intermináveis telejornais transmitidos directamente de Mirandela, debates onde a Câmara e população local seriam tratados abaixo de energúmenos e, quase de certeza, existiriam já algumas dúzias de processos em tribunal. Assim, sendo ao que parece uma cidadã perfeitamente normal, que se lixe.

domingo, 16 de maio de 2010

Produtividade

Um dos nossos problemas enquanto país é a produtividade. Ou, no caso, a falta dela. Argumenta-se quase sempre que o Estado possui uma máquina pesada, desadequada à realidade actual, pouco produtiva e, em consequência disso, constitui um sorvedouro de recursos essenciais que deviam ser colocados à disposição do tecido empresarial que, ele sim, é o verdadeiro motor da economia e o único capaz de gerar riqueza  por possuir uma capacidade de optimizar os meios que tem à sua disposição de uma forma muito melhor do que o Estado alguma vez fará.
Acredito em tudo isso. Ou quase. Apenas me faz confusão, quando no sector público isso é absolutamente banal, que muitas empresas não tenham ainda um site na internet. Ou, sequer, um contacto de correio electrónico. Já nem refiro a relutância que muitos ainda demonstram em fornecer o número de identificação bancária, mesmo que isso signifique uma forma de agilizar procedimentos e antecipar recebimentos de clientes.
Elejo, no entanto, como símbolo máximo da falta de produtividade aquelas empresas – e não são poucas – que, apesar de facilmente o poderem fazer, continuam a enviar toda a sua facturação ou outro tipo de correspondência, nomeadamente para organismos públicos e para outras empresas, por via postal. Cada carta custa trinta e dois cêntimos mas, ainda assim, este continua a ser o meio preferido de os nossos empresários comunicarem. Ainda que o façam para a mesma cidade e que, provavelmente, até passem à porta do destinatário antes de chegarem à estação dos correios…

sábado, 15 de maio de 2010

As medidinhas

Ao contrário do que muitos reclamam, não considero desajustado o conjunto de medidas de combate ao défice anunciadas pelo governo. Se não vejamos:
- Considero preferível subir impostos a baixar salários. O IRS baixará na próxima oportunidade, que é como quem diz quando as eleições se aproximarem. Já os vencimentos, caso tivessem sido reduzidos, só muito dificilmente voltariam a subir. Para além da inegável vantagem de, pelo facto de outros países terem seguido essa via, nos estarmos a aproximar da média europeia em termos salariais;
- A diminuição do montante das transferências para as autarquias locais afigura-se também acertada e dotada da mais elementar justiça. Os municípios estão há muitos anos a passar ao lado da crise, continuam a gastar como se não houvesse amanhã e estão a endividar-se a um ritmo alucinante. Pode a medida não representar uma poupança orçamental por aí além mas é, pelo menos, um abanar de consciências para eleitos e eleitores. Talvez de agora em diante todos comecem a pensar que afinal nas tesourarias municipais não existe nenhuma máquina de fazer dinheiro;
- O aumento do IVA, embora seja um imposto cego e socialmente pouco justo, constituía uma daquelas inevitabilidades…inevitáveis.

Por fim a pergunta que se impõe. E aquele pessoal que em certos dias do mês enche as estações de correio, em que medida é afectado por esta crise e de que forma é chamado a dar o seu contributo?! Assim de repente lembrei-me que o IVA das cervejas também aumenta mas, de imediato, veio-me à memória que os pack´s de seis latas à venda no Modelo são frequentemente constituídos apenas por cinco…