Surpreende-me que, por estes dias, não se tenha ainda levantado uma onda nacional de indignação pela atitude da Câmara de Mirandela relativamente à professora daquela localidade que entendeu por bem deixar-se fotografar, tal e qual veio ao mundo, para a revista “Playboy”. Nem mesmo a intelectualidade bem pensante, sempre tão empenhada em manifestar-se contra qualquer coisa que lhe cheire a discriminação, esboçou o mais leve protesto. Nem, ao menos, uma obscura organização de direitos humanos, um sindicato pró-comunista ou uma associação que ninguém conhece, mas que garante defender intransigentemente o direito a qualquer um, ou uma, se despir quando muito bem lhe apetece, surgiu a defender a esbelta senhora. Incrivelmente nem os tresloucados do Bloco de Esquerda vieram a público insurgir-se contra a decisão da autarquia e protestar pela atitude alegadamente discriminatória de que a docente estará a ser vítima.
Este é um caso que me parece extremamente grave, atentatório da liberdade individual e revelador, da parte daqueles que assim decidiram, de uma mentalidade que até mete dó. Provavelmente para todo o alheamento que se tem verificado em relação a esta situação contribuirá o facto de a senhora não ser – digo eu que não a conheço de lado nenhum – fufa. Porque se o fosse o caso mudaria imediatamente de figura e, desde há dias, assistiríamos a intermináveis telejornais transmitidos directamente de Mirandela, debates onde a Câmara e população local seriam tratados abaixo de energúmenos e, quase de certeza, existiriam já algumas dúzias de processos em tribunal. Assim, sendo ao que parece uma cidadã perfeitamente normal, que se lixe.







