quinta-feira, 8 de abril de 2010

Discriminados?!

De vez em quando surge um intelectual, normalmente da esquerda fracturante ou da direita caritativa, a lamentar a marginalização e a discriminação de que são alvo as comunidades ciganas em Portugal. São, à sorrelfa, quase sempre apontadas umas quantas críticas à sociedade, que é como quem diz à generalidade dos portugueses, por manifestar uma percepção pouco positiva dessa etnia. O que, eufemismos à parte, significa para essa intelectualidade da treta que somos todos racistas e xenófobos. 
Rejeito em absoluto, pela minha parte, essa classificação. Embora, se quisesse ser racista, xenófobo ou  seguidor de outra qualquer fobia era e pronto. Afinal cada um é o que quer e ninguém tem nada a ver com isso. Mas, como acabo de escrever, não discrimino ninguém com base na raça, na nacionalidade ou noutra coisa qualquer - não gosto de islâmicos, mas isso fica para outro post - contudo incomoda-me que um grupo de pessoas com elevada liquidez e evidentes sinais exteriores de riqueza seja sistematicamente apontado como discriminado, estigmatizado, desfavorecido da sociedade e mais umas quantas parvoíces que os profissionais da sua defesa gostam de afirmar.
Veja-se o exemplo do "nosso" Ciganário e dos seus habitantes. Beneficiarão do Rendimento Social de Inserção e do Subsidio de Desemprego espanhol – muitos terão documentos de identificação do país vizinho – e dedicar-se-ão aos mais variados negócios que, acredita-se, lhes trarão lucros significativos. É o que se pode concluir das viaturas de alta cilindrada em que se passeiam e do facto de todos eles apresentarem um aspecto em nada compatível com quem passa por dificuldades de carácter alimentar ou de evidenciarem carências de qualquer outro bem essencial à vida.
As condições exteriores das suas habitações não são, de facto, as melhores. Embora, garante quem já viu, o interior seja bem mais sofisticado. Paciência. Não se pode ter tudo. O dinheiro do Jaguar era capaz de dar para um T1 em segunda mão, mas o facto de terem optado pela sua compra em lugar de uma habitação não lhes dá o direito de reclamarem, ou de outros reclamarem por eles, uma casinha grátis. Isso sim é discriminação relativamente a todos aqueles que trabalham e fazem sacrifícios para pagar a sua casa ao banco.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Porque será que lá fora não há quem os queira?!

Anda por aí uma legião de indignados com o ordenado, prémios e rendimentos diversos que constituem o simpático pecúlio arrecadado, no espaço de apenas doze meses, pelo manda chuva da EDP. Uns invejosos digo-vos eu, é o que é. Então o homem trabalha que nem um mouro - talvez este não seja o melhor exemplo porque a mourama não consta que seja muito dada ao labor, mas diz que o senhor trabalha quem nem uma besta – e depois vem para aí uns quantos badamecos, que não sabem fazer mais nada do que praticar o bota-abaixismo, pôr em causa os honorários do distinto gestor?! Tá mal pá. Bem esteve o nosso primeiro, que se desfez em elogios à gestão levada a cabo na empresa em causa. Pena não se ter referido ao aumento do preço da energia nem à manifesta falta de concorrência no sector que, digo eu feito alarve, é capaz de ter dado uma ajudinha aos resultados obtidos.

Ainda sou do tempo em que este tipo de indignação era quase exclusivamente dirigido aos jogadores de futebol. Hoje, se repararem, já ninguém questiona os ordenados que os profissionais da bola auferem. Os que por cá jogam, mesmo nos principais clubes, seriam as segundas linhas de qualquer clube europeu e se algum revela uma maior aptidão para a arte do pontapé no esférico é de imediato “requisitado” por clubes estrangeiros que, esses sim, pagam a peso de ouro.

Ora é precisamente esse mesmo princípio não se aplicar aos profissionais da gestão que me faz uma confusão do catano. Se esta gente é assim tão boa a gerir empresas, porque raio não vem cá nenhuma grande empresa estrangeira recrutar um destes gurus da gestão, à semelhança do que fazem os clubes de futebol?! Apenas vejo dois motivos. Ou não pagam tanto ou, afinal, os tais gestores de ordenados chorudos não são assim tão bons.

Para que se perceba melhor o meu ponto de vista. Até o Fernando Santos – que treinou o Sporting e o Benfica com os resultados conhecidos e conseguiu não ser campeão no Porto ainda com o Jardel – treina um dos maiores clubes gregos. Já quanto aos nossos mais bem pagos gestores, pese toda a sua genialidade, não consta que haja nenhuma empresa europeia interessada nos seus serviços. Nem mesmo na Grécia. Vá lá saber-se porquê.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O amor é uma coisa muito linda!


Não sei de que se envergonha a senhora da fotografia. O amor é uma coisa muito linda e os gestos de ternura não devem deixar ninguém embaraçado. Não havia, por isso, necessidade de esconder o rosto da objectiva. O que os une, mulher e animal, deve ser algo muito forte. De tal forma que, se repararem com atenção, ambos usam uma fatiota que apenas difere na cor.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Esclarecimento deveras esclarecedor

Pouco depois de ter publicado o último post, tomei conhecimento de um comunicado emitido pelo gabinete de José Sócrates onde este reconhece a existências dos projectos de construção de várias moradias particulares, que hoje fazem manchete na comunicação social, ao mesmo tempo que  esclarece terem sido elaborados de forma gratuita, a pedido de amigos. Fica, portanto, esclarecida a questão que suscitei acerca da existência ou não de recibo relativamente aos honorários pelos serviços prestados. Quando muito – e não há mal nenhum nisso, acrescente-se - a retribuição, ou o agradecimento, pode ter sido feita sob a forma de presentes. Uma caixa de robalos pelo Natal, por exemplo.

Campanha negra!


A campanha negra contra o nosso honrado e impoluto primeiro-ministro não dá sinais de parar. Os episódios rocambolescos que lhe são atribuídos, as calúnias, a maledicência tornaram-se uma constante e tudo parece servir para denegrir a imagem do homem que os portugueses adoram. Pelos menos os suficientes para o eleger chefe do governo e para o defender nos jornais, nos blogues, nos cafés ou à volta do Rossio. 
Anuncia hoje o Público, com honras de primeira página, que José Sócrates terá assinado – o que, acrescento eu, não é a mesma coisa que ter elaborado, mas isso é outra história que não vem ao caso – mais de vinte projectos de casas quando já era deputado na Assembleia da República. Coisa que não devia ter feito porque, acrescenta o periódico, usufruía do regime de exclusividade no Parlamento. 
A este propósito diversas questões se podem aqui suscitar. A primeira que me ocorre é se a assinatura dos projectos será mesmo de um engenheiro. E, a sê-lo, se será a do agora primeiro-ministro. Por fim, mas não por último nem menos importante, será curioso saber se – a confirmarem-se como positivas as respostas às duas primeiras questões – o engenheiro José Sócrates, então deputado e engenheiro projectista de moradias, terá passado recibo das quantias auferidas em resultado desta sua actividade privada. Na óptica do pagador, os honorários cobrados por este tipo de serviços não são nada simpáticos e poderá ter existido pelo meio aquela velha ameaça de “com recibo tenho de cobrar o iva” a que poucos conseguem resistir. 
Tudo isto, claro, partindo do principio que a noticia publicada hoje tem algum fundo de verdade. Coisa em que tenho dificuldade em acreditar. O nosso primeiro não seria capaz de uma coisa dessas. Se uma legião imensa de seguidores garante a honorabilidade do senhor, enquanto afiança que o homem é quase santo e que todas estas questões mais não do que manifestações de ódio e perseguição pessoal promovidas por um jornalismo de sarjeta, não sou eu quem vai dizer o contrário.

domingo, 4 de abril de 2010

Quem é que o Coelho quer tramar? Os do costume, obviamente...


O PSD está afastado do governo há mais anos do que aquilo que sempre esteve habituado. Sendo uma das tradicionais forças de poder é normal que não conviva bem com a situação e os seus sucessivos dirigentes vão procurando, de forma mais ou menos desesperada, inverter o actual estado de coisas e colocar o partido de novo na rota governativa. Para isso, ao invés de procurarem politicas alternativas, vão-se agarrando às politicas do Partido Socialista e afirmando que iriam, ainda, mais longe. O que não augura nada de bom e, ao contrário do que pensarão os seus actuais dirigentes, não constitui garantia de uma mais rápida aproximação ao poder.

Com a chegada de Passos Coelho à liderança do partido esta tendência acentuou-se de forma preocupante. Garante, entre outras coisas, o recém-eleito líder social-democrata que o PSD preconiza ainda mais cortes na despesa pública como forma de controlar o défice. O que, a mim, me parece muitíssimo bem. O que já não me parece assim tão bem e revela antes o enveredar por um populismo fácil, é aquilo que é anunciado como prioritário. Pretendendo ir ainda mais longe que o governo, garante o líder laranja que com ele apenas entrará um novo funcionário público por cada cinco que saírem. Ou seja, um novo médico por cada cinco que se forem embora do serviço nacional de saúde, um novo policia ou GNR por cada cinco que abandonarem as forças de segurança, um novo juiz por cada cinco que deixarem os tribunais, um professor e um auxiliar de acção educativa por cada meia dezena que deixarem as escolas e assim sucessivamente até ao encerramento do país.

Lamentavelmente Passos Coelho não propõe a redução do número de deputados. Já nem digo na mesma proporção, mas pelo menos de duzentos e trinta para cento e vinte. Ou de ministros, secretários de estado, sub-secretários, directores-gerais e a extinção dessa invenção pós-Abrilada que são os assessores. Hoje toda a gente que ocupe cargos políticos, por mais insignificantes que sejam, tem uma legião de assessores. Desconfio que até os assessores terão outros assessores a assessorá-los! Digo eu, que gosto muito de dizer coisas, era capaz de levar a uma poupança de recursos bastante superior a que poderá ser alcançada através de congelamento de salários ou do despedimento de funcionários públicos, que é uma ideia que também corre por muitas cabeças sociais-democratas.

Mas, até compreendo a opção de Passos Coelho. Afinal o PSD está há muito tempo longe do poder e é necessário arranjar lugares para tantos e tantos militantes laranja, que esperam - e desesperam - que a rosa murche para poderem ocupar o espaço deixado livre no canteiro. Afinal até no chefe os dois partidos são, agora, iguais.

sábado, 3 de abril de 2010

Remate kruzado

Tenho estado à espera das reacções ao jogo de ontem que opôs o Braga e o Guimarães. Nomeadamente daqueles arautos da verdade desportiva, da transparência e que, invariavelmente, defendem que este é o campeonato dos túneis. Espaço onde, garantem, o actual líder cimentou a sua liderança. É verdade que nas imagens amplamente divulgadas dos incidentes que terão ocorrido no túnel da Luz apenas é possível vislumbrar jogadores do Porto a agredir seguranças privados. Também em Braga, naquilo que é possível ver, o que se descortina são jogadores do clube da casa a malhar em tudo o que ostenta o emblema da águia. Mas, ainda assim, é por causa desses incidentes que o Benfica vai à frente do campeonato. Opiniões. 
Esperava ver e ouvir - que inocência a minha! – ondas de indignação, vindas especialmente daqueles opinadores que tem visto o Benfica ser beneficiado pelos árbitros em todos os jogos e graças aos quais, e apenas por isso, segue na liderança. Depois do escândalo que constituiu a arbitragem do jogo de ontem, dificilmente acreditei que Pinto da Costa – esse acérrimo defensor da lisura de processos no futebol português – ficasse calado e não manifestasse o seu veemente protesto pelo facto de continuar a ver o segundo lugar a cinco pontos. Tão pouco achei possível que Domingos Paciência não fosse para a conferência de imprensa arrasar a actuação do árbitro. Nem, muito menos ainda, me pareceu plausível que hoje os muitos bloggers portistas que aí pululam não desancassem em todos os  que contribuíram para a imensa palhaçada a que o país, incrédulo perante tanta incompetência, pode assistir ontem ao fim da tarde. 
A menos que toda essa gente tenha um ódio tão grande ao Glorioso que prefira ver o seu clube prejudicado desde que isso represente uma hipótese, ainda que remota, de afastar o Benfica do título. Talvez seja isso. De resto nem lhes interessará por aí além ir à liga dos campeões. Assim perderia sustentação a tese de terem sido prejudicados pela ausência do Givanildo e, consequentemente, a razão da choruda indemnização que reclamam da Liga de Clubes. E toda a gente sabe a importância do homem naquela equipa. O Meireles que o diga.

Águas limpidas

 
A julgar por aquilo que a comunicação social nos vai dando a conhecer, os negócios que envolvem água não serão dos mais transparentes. Seja quando estão em causa coisas que submergem, que flutuam, ou simplesmente quando o precioso líquido se destina à ingestão a suspeita de que haverá qualquer coisa a turvar o negócio parece estar sempre presente. 
Pena que não seja tudo tão claro como no desporto que se pratica dentro dela. Aqui a qualidade vem sempre à tona. Fanfarrões e grunhos, que também os há como em tudo na vida, são facilmente desmascarados no curto espaço de vinte cinco metros… 
Serve isto de pretexto para publicar este vídeo de uma prova em que a mais jovem membro do clã (na pista dois com touca vermelha), diversas vezes campeã e vice-campeã regional nos escalões etários que tem ido percorrendo, participou na presente época. E também para provar, se isso ainda fosse necessário, que é muitíssimo melhor a nadar do que o pai a filmar.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Negócios subaquáticos.


Desconfio que vem aí mais uma campanha negra. Ou, para continuar a não ser original, uma cabala. Provavelmente voltaremos a assistir a telejornais travestidos de ódio e perseguição pessoal em que será feita uma verdadeira caça ao homem. Teremos igualmente motivo para mais umas quantas comissões de inquérito, às não faltarão razões para convocar diversos ex-ministros, ou outros ex-qualquer coisa, a fim de serem ouvidos acerca dos negócios subaquáticos em que estiveram envolvidos antes de serem ex-fosse o que fosse. Tudo normal, portanto. 
Enquanto isso lá para os lados da Alemanha esses mesmos negócios já deram origem a uma prisão e a várias acusações pelo Ministério Público alemão. Coisa que, obviamente, não se entende. Devem, quase de certeza, ser ainda os resquícios do regime nazi que não foram devidamente expurgados da legislação germânica. Deviam era pôr os olhos em nós, portugueses, que quando se trata de julgar estes casos estamos na vanguarda do direito, da justiça e da defesa dos inocentes. Ou não fossemos uma sociedade e uma democracia muito mais avançadas do que as desses boches! 
De referir, finalmente, a nossa – pelo menos de alguns de nós – propensão para os negócios. É espantoso que este país, onde até com sucata se fazem fortunas e se mete dinheiro ao bolso quando o mais normal seria meter água, não constitua um exemplo de progresso, de modernidade e os seus cidadãos não tenham um nível de vida muito acima da média europeia.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Remate kruzado

Sem que se perceba bem porquê, três canais entenderam ocupar parte significativa do seu horário nobre com entrevistas a figurões ligados ao futebol. Que se saiba, nenhum deles, nos largos anos – pelo menos em dois casos – em que andam metidos no meio desportivo, terá marcado um golo ou feito algo merecedor de ser aplaudido dentro de um relvado. Farão, quando muito, umas fintas estonteantes que deixam os seguidores mais fanáticos à beira do delírio. O que, ainda assim, não constitui mérito suficiente para entrar casa dentro das pessoas honestas. 
O velhote careca terá sido, ao que rezam as criticas, o mais divertido. Daí não me arrepender de não ter visto o programa em que senhor participou. É que sempre me ensinaram que não nos devemos rir da miséria alheia nem “fazer-pouco” dos mais velhos, e, pelo que tem vindo a lume, ser-me-ia difícil manter alguma seriedade perante tão hilariantes declarações. 
É por demais notório que a pessoa em causa está mentalmente fragilizada. Nem será necessário perceber nada de medicina para diagnosticar ali um quadro clínico revelador de uma percepção distorcida da realidade, em que manifesta uma evidente falta de memória e onde a demência toma conta de um discurso que intercala o patético com o ridículo. Ou, por vezes, ambas as coisas em simultâneo. Seja como for, causa-me alguma tristeza assistir ao declínio intelectual de alguém que já foi bom naquilo que fez. Mesmo não tendo feito nada de bom.

terça-feira, 30 de março de 2010

Kruzes Kanhoto Memória


Não acredito que os meus leitores se lembrem deste post, publicado no longínquo dia catorze de Julho de 2006. Primeiro porque já lá vai muito tempo, segundo porque têm mais em pensar – coisas importantes, nomeadamente – terceiro porque se estão nas tintas para o que aqui é publicado – fazem muitíssimo bem – e, finalmente, porque ninguém lê blogues. Principalmente os meus leitores. 
Mas eu, que até leio blogues, lembro-me. Achei, na altura, piada ao facto de alguém – um “zovem”, provavelmente - ter perdido algum do seu precioso tempo a pintar as unhas da estátua. Tarefa inglória, acreditava eu, porque mais dia menos dia alguém, munido de uma ferramenta apropriada ao efeito, trataria de limpar os pezinhos do Santo André. Afinal não foi tão rápido quanto supunha mas, muito mais tarde do que seria de esperar, o santo deixou de ter o aspecto abichanado que durante tanto tempo exibiu.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Estacionamento tuga


São muitos os que se queixam da maneira caótica e pouco civilizada como inúmeros papás e mamãs estacionam os seus bólides à porta das escolas, nomeadamente da preparatória, enquanto esperam pelas suas crias. Embora tal comportamento provoque o bloqueio da circulação na zona, ainda poderá encontrar alguma justificação na elevada quantidade de pessoas que para lá se deslocam usando as suas viaturas e no tráfego, de certa forma significativo, com origem ou destino a Mendeiros.
Nenhum desses problemas sucede no Bairro da Salsinha. Mas existe uma escola. E, consequentemente, progenitores que depositam e recolhem os seus rebentos. Por sinal alguns deles a pé. Ainda assim, apesar de não faltarem lugares para estacionar, há sempre alguém que, por vício ou para mostrar que a sua carripana até é capaz de subir passeios, opta por estacionar da maneira que é mostrada pela imagem. Mesmo que não tenha necessidade absolutamente nenhuma de o fazer. 
Aproveito para esclarecer que, ao contrário do que já aqui sugeriram alguns comentadores a propósito de outros posts que versavam sobre este mesmo tema, o veículo não é meu, nem pedi ao dono – que não sei quem é – que estacionasse no passeio só para eu poder tirar uma fotografia.

domingo, 28 de março de 2010

A grande poda


Corria o ano de dois mil e oito quando os plátanos que ladeiam o percurso por onde em tempos passava a antiga estrada nacional quatro, umas centenas de metros antes da Fonte do Imperador para quem se desloca de Évora para Estremoz, foram alvos de um ataque selvático em forma de poda. Apesar do argumento que aquele tipo de intervenção não prejudicaria as árvores e que é de todo o interesse retirar ramos secos, que podem constituir uma ameaça à segurança das pessoas que eventualmente por ali passem, nunca me convenci da inocência da coisa. 
Passado todo este tempo dou a mão à palmatória. Sou mesmo parvo. Afinal as árvores voltaram a crescer e não tarda - afinal a Primavera está aí – vão estar cobertas de folhas e proporcionar sombras magníficas. Tal como acontecia antes da inteligente intervenção de carácter técnico que as amputou de todos os seus ramos mas que lhes proporcionou um revigorado e saudável crescimento. 
Apenas um pequeno senão me continua a inquietar. Uma coisa insignificante que, com toda a certeza, os técnicos que decidiram a dita selvajaria – sim porque decidir estas coisas é assunto para técnicos, não foi? – explicarão facilmente. Não consigo entender porque razão os plátanos de um dos lados estão a crescer e a voltar ao normal, enquanto os do outro continuam como no dia em que foram cortados. Do lado dos que crescem está plantada uma vinha e do lado dos que não crescem foram, pouco tempo antes da dita “intervenção”, plantadas árvores de fruto. Será que está provado cientificamente que plátanos públicos não crescem se por perto existirem árvores de fruto privadas, mesmo que os primeiros tenham sido plantados dezenas de anos antes das segundas?!

sábado, 27 de março de 2010

O abanão

O tremor de terra que hoje sentimos foi de baixa intensidade mas, ao contrário do que já vi escrito por alguns sábios comentadores, não me parece que tenha sido apenas mais um dos muitos abalos que acontecem todos os dias e dos quais nem nos damos conta. Verdade que não senti a mesa a que estava sentado a abanar. Tão pouco senti a terra a fugir-me debaixo dos pés. Mas aposso afiançar que as portas e janelas vibraram de forma bastante perceptível o que, também estou em condições de garantir, não acontece com frequência. Contudo o que mais me impressionou foi o imenso barulho originado pelo sismo. Já, ao longo da minha assim não tão curta vida, senti alguns fenómenos destes e jamais algum se assemelhou em tamanha algazarra. Peço, por isso, licença aos especialistas para discordar. Tremores de terra como este não há todos os dias. E se, por acaso os houver, são muitíssimo mais silenciosos. Garanto-vos eu, que apesar de andar por cá há uns anitos ainda estou em muito bom uso. Pelo menos de ouvido.

Estacionamento tuga


O trânsito em Estremoz é – em certos dias, determinadas horas e em alguns locais – extremamente irritante e de tirar a paciência a qualquer santo. A quantidade de viaturas a circular é absurda, tendo em conta a dimensão da cidade e o número de habitantes, e o comportamento dos automobilistas revelador de uma falta de civismo próxima de um incapacitado mental. 
O estacionamento em segunda fila, em cima do passeio e/ou em locais onde impedem a passagem dos outros veículos ou simplesmente parar em plena faixa de rodagem para dar dois dedos de conversa com o amigo ou conhecido que não vê há dez minutos, são práticas correntes e rotineiras para muitos dos que rolam pelas nossas ruas. Impunemente, quase sempre. 
Não foi o caso do condutor/a deste jipe. Após larguíssimos minutos estacionado em cima do passeio lá apareceu um polícia a colocar o papelinho da ordem no pára-brisas. Bem feito! Estacionar desta maneira, num Sábado de manhã, em pleno centro da cidade e a provocar constantes congestionamentos é de quem está mesmo a pedi-las.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Os prémios da ira


Os gestores das empresas públicas, ou detidas maioritariamente pelo Estado, anunciaram já a sua intenção de processar o accionista maioritário pela anunciada medida de não atribuir prémios. Esta atitude é bem reveladora das qualidades morais dessa gente e da coerência das suas atitudes relativamente aquilo que advogam para os outros. Quando os “sacrifícios” lhes tocam a eles - se é que se pode chamar sacrifício ao facto de receber apenas catorze meses de chorudo ordenado – reagem mal e entendem que têm direitos adquiridos que não podem ser postos em causa. 

Concordo que pode até ser uma medida meramente populista e que não será por aí que a conjuntura vai melhorar. Trata-se, no entanto, de um sinal. Nomeadamente quando se pedem sacrifícios aos portugueses e se apela ao espírito de mobilização para ultrapassar esta hora difícil. Espera-se por isso que o governo não ceda às pressões que, inevitavelmente, surgirão dentro do próprio partido socialista, pois é lá que quase todos os gestores agora queixosos foram recrutados. 

Compreendo também que os visados se estejam nas tintas para tudo isso e queiram mas é receber o deles. Eu próprio me estou borrifando para o verdadeiro buraco negro em que nos meteram. Quem o criou que se desenrasque, que eu não tenho culpa nenhuma das asneiras e farei o mesmo para contornar a asfixia financeira em que pretendem sufocar-me. O que verdadeiramente me lixa, muito mais que a indignação dos fulanos por perderem umas maçarocas simpáticas, é que eles não queiram tomar o mesmo remédio que nos prescrevem.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Só?!

Um estudo recentemente divulgado revela-nos que um em cada cinco portugueses tem alguma espécie de problema de índole mental. São, portanto, malucos. Melhor, entre cada cem, vinte de nós são doidos varridos. Dois milhões, mais coisa menos coisa. Nada que constitua grande novidade ou que motive reacções de espanto. Poderá, quando muito, suscitar uma leve interrogação. Assim do género: “Só?!”
Identificar o quinto de cidadãos envolvidos nesta problemática é que não me parece tarefa fácil. Como distingui-los dos outros oito milhões que, tal como eles, também se julgam pessoas normais?! Mais difícil ainda quando a maioria dos cidadãos não reconhecem os seus erros, os seus defeitos e, regra geral, são perfeitamente incapazes de assumir os seus problemas ou os que causam aos outros. Diria antes que vivemos num país de narcisos. Pior. De narcisos malucos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Remate kruzado

A todos, seja qual for a profissão que exercemos, já aconteceu ter um daqueles dias em que tudo nos corre mal. São, por norma, a excepção. Contudo, se acontecem com uma frequência que vai para além daquilo que normalmente o senso comum tem como razoável, o melhor é mudar de emprego.
O futebol não foge a esta regra. Anda por lá gente com notória incapacidade para estar num relvado onde, conjuntamente com outras vinte e uma pessoas, disputa um jogo que, por mais interesses que possa mover, é apenas isso. Um jogo. Pior ainda quando o indivíduo a quem as coisas correm sistematicamente mal - no sentido de procurar jogar a bola que, recorde-se, é o objectivo central do jogo – ostenta a braçadeira de capitão. Quando o líder perde a cabeça, exibe uma conduta desvairada e se revela uma fonte de instabilidade para a equipa que comanda, não merece ser líder. Quando o profissional não faz aquilo para que é principescamente pago e manifesta uma verdadeira incapacidade para se concentrar na bola, preocupando-se apenas em malhar os adversários, o melhor que tem a fazer é procurar outro trabalho onde aquilo em que é bom constitua o objectivo a atingir. A bem, neste caso, do futebol e da instituição que representa.
Não raras vezes os maus profissionais gozam de uma estranha e intrigante protecção, quer das suas entidades patronais ou daqueles que têm autoridade para os punir. Também assim é no futebol e, por incrível que pareça, verdadeiros arruaceiros que, apenas contribuem para a má imagem dos clubes que lhes pagam e da profissão que desempenham, beneficiam da protecção daqueles que deviam ser os primeiros a punir exemplarmente gente que é incapaz de exercer de forma séria as funções que lhes estão atribuídas.
O país inteiro assistiu ontem a mais um episódio que ilustra o que acabo de escrever. O comportamento protagonizado por um profissional foi muito mais próprio de um desequilibrado mental, do que de alguém que se pretende seja um exemplo de conduta. E não pode ficar impune. Até porque se repete sistematicamente.

domingo, 21 de março de 2010

Tudo à mostra, já!

Assistimos actualmente ao preocupante fenómeno de, cada vez mais gente dentro do Partido Socialista, estar a perder a noção do país em que vive, do cargo que ocupa ou do exemplo que, por força dos lugares que desempenha – bem ou mal, por mérito ou por compadrio, para o caso pouco importa – deve transmitir aos portugueses. A quem, é bom que se recordem disso, devem prestar contas.
Veja-se a desabrida intervenção do deputado José Lello no plenário da Assembleia da República. Agastado pelo facto de o monitor do seu computador poder estar a ser alvo das objectivas indiscretas dos repórteres fotográficos, o homem evocou supostos direitos à privacidade para tentar condicionar o trabalho daqueles profissionais. Verdade que a resposta do Presidente da Assembleia foi lapidar - nem podia ter sido outra – mas, reconheça-se, qualquer coisa não estará a bater bem dentro de certas cabeças quando é necessário recordar a um titular de um elevado cargo público que no desempenho das suas funções e enquanto utilizador de um equipamento público destinado exclusivamente a ser utilizado ao serviço do órgão de soberania, não pode exigir privacidade. Não é para isso que foi eleito.
Não é que me incomode que os deputados naveguem pelas redes sociais, leiam blogues ou, até mesmo, vejam gajas nuas. Acho, inclusivamente, de extrema utilidade que o façam. Pretender enganar-nos, impedindo que outros nos mostram que o fazem, é que me parece grave, porque temos todo o direito a escrutinar o que se passa no parlamento. Sejam computadores ou decotes mais ousados.

sábado, 20 de março de 2010

Só se perdem as que caem no chão...

Fico sem saber o que pensar quando ouço os “jovens”, a quem inexplicavelmente algumas televisões dão voz, relatar a sua versão dos acontecimentos sempre que está em causa uma intervenção mais musculada das forças de autoridade. Invariavelmente alegam que estão em amena cavaqueira uns com os outros, sossegados, sem fazer mal a uma mosca e que são os policias – conhecidos desordeiros como toda a gente sabe – quem surge do nada e desata a dar pancada como se não houvesse amanhã.
Confesso que por vezes me sinto tentado a acreditar nesta versão. Bem vistas as coisas dar uma carga de porrada em certa malta – nomeadamente aquela que no meio do discurso mete umas quantas palavras estrangeiras - é um desejo comum à esmagadora maioria da população. Por mais que isso custe aos multiculturalistas apaneleirados que de vez em quando também debitam umas patacoadas a propósito dos tabefes que por aí vão sendo distribuídos.
Mas o que verdadeiramente me intriga é que os tais “jovens” nunca alegam ter sido espancados enquanto estão a trabalhar. Das duas, uma. Ou existe aqui uma grave falha da polícia, que não vai aos locais de trabalho dessa “juventude”, ou então essa rapaziada não trabalha. Esta segunda hipótese, a verificar-se, poderá ter como álibi a elevada taxa de desemprego que por cá se regista. Embora, mas deve ser desatenção minha, também não me ocorra nenhum caso de alegada violência policial quando algum destes “jovens” andava à procura de emprego…

Poupança fiscal

Garantem quase todos os analistas que, com a entrada em vigor do PEC, vamos passar a pagar mais impostos. Ou ter menos deduções. O que, como os nossos governantes e o PS em geral não se cansam de sublinhar, não é exactamente a mesma coisa. Pois não. Quando muito passaremos a receber uma quantia significativamente menor a título de reembolso do irs. Só um cego – pior, apenas quem sofre de uma cegueira política absoluta – é que não percebe que estamos da presença de algo completamente distinto de uma subida de impostos.
Pode mesmo acontecer o inverso e haver quem pague menos. Suponhamos o caso de um contribuinte – até pode ser um daqueles que não foi aumentado este ano mas deduz menos despesa em irs - que recorre aos serviços de uma oficina de reparação automóvel e o dono, pela primeira vez em muitos anos, faz um preço de amigo. Do género “são cento e cinquenta euros e esquecemos essa coisa da factura”. Logo ali, sem mais aquelas, há dois cidadãos que pagam menos impostos. Não é que eu saiba de alguém que proceda assim – eu ia lá saber destas coisas! – mas desconfio que vai passar a ser, ainda mais, o pão nosso de cada dia.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Kuriosidades

Sabe-se que estamos numa localidade do interior com um baixíssimo número de habitantes quando, a meio da manhã e em pleno centro da cidade, não há várias dezenas de mirones a observar quem trabalha. Mais ainda, quando acontece um daqueles percalços, que só não sucedem a quem não faz estas coisas, e não surge uma chusma de gente a mandar bitaites quase sempre disparatados. Apesar disso, ao contrário do que muitas vezes se observa noutras fotos profusamente espalhadas pela internet e alusivas a situações vagamente semelhantes, mesmo assim os curiosos – cinco - são em maior número…

quarta-feira, 17 de março de 2010

Limpar Portugal

É já no próximo sábado que os participantes – muitos, espera-se - no Projecto Limpar Portugal saem para a rua com o intuito de tornar o nosso país um lugar ligeiramente mais asseado. A ideia, ao contrário do que o nome possa sugerir, não visa destituir o governo, correr com a classe política ou moralizar a gestão das empresas públicas e daquelas em que o Estado tem participação. O lixo que se pretende remover é outro. Cheira mal, tem pior aspecto – esta parte é discutível – mas não nos faz tanto mal. Apesar disso vai ser recolhido pelos voluntários que estiverem dispostos a trocar um dia de descanso pela árdua tarefa de recolher a porcaria que outros fizeram.
Os locais onde será efectuada a recolha estão assinalados na página da internet dedicada ao evento e, como seria de esperar, também cá pela zona haverá muito para limpar. Serra d’Ossa, “Alto do Braga” e envolvente às muralhas são os pontos onde os que se disponibilizarem a participar na faxina vão poder dar largas à sua vontade de, no caso, limpar Estremoz. A missão não se augura fácil nem, mas isso sou eu a dizer, capaz de produzir efeitos que perdurem no tempo. As pessoas são porcas por natureza e, mal a limpeza esteja concluída, voltarão a depositar o lixo como sempre fizeram.
Por falar em porcos, porcarias e outros comportamentos pouco sociais, estranho que entre os sítios eleitos para esta jornada de luta não esteja incluído o Bairro da Quintinhas. O resort, portanto. Diz que pelas imediações o lixo é mais que muito e que os habitantes das moradias de construção precária – repararam como nenhuma caiu com os vendavais que recentemente se fizeram sentir?! – apesar de terem vários contentores à disposição, preferem despejar os seus resíduos domésticos para a rua. Que é como quem diz, para o espaço público circundante. É pois uma pena que o resort não tenha sido escolhido para uma intervenção no âmbito deste projecto. Juntar um grupo de voluntários e ir limpar o bairro àquela malta ia ser uma coisa gira. Aposto que eles se iam divertir à brava ao ver meia dúzia de cidadãos bem-intencionados recolher os seus detritos.

terça-feira, 16 de março de 2010

Os bons rapazes não fogem à policia

Há quem se esteja a esforçar - e muito - para colocar na ordem do dia a morte de um indivíduo, alegadamente vítima de um tiro da polícia, após ter sido perseguido durante oito quilómetros depois de se ter recusado a parar quando tal lhe foi ordenado. Não me parece, mesmo tratando-se de uma morte envolvendo violência, que a situação mereça o destaque que alguns lhe querem atribuir. O homem até podia ser uma excelente pessoa. Um santo, quase. Os seus amigos alegarão que era uma jóia de rapaz como não havia outro lá no bairro social. Podem até ter razão. Mas há actividades que envolvem riscos e fugir à polícia é seguramente uma delas. Independentemente dos motivos que levam alguém a fazê-lo e mesmo tratando-se, como parece ser o caso, de um cidadão exemplar. Apesar de, em vida, declamar aqueles versos bacocos em tom esquisito.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A oposição que temos!

Lamento não partilhar o sentimento de indignação que assola a blogosfera lusa a propósito da decisão do congresso social-democrata de impor a lei da rolha aos militantes do partido nos sessenta dias que antecedem um acto eleitoral. Não é medida que me surpreenda, nem que mereça tanto alarido, dado que de inédito tem muito pouco. De uma ou outra forma todos os partidos políticos tem, ao longo de todos estes anos de democracia, feito o mesmo relativamente aos seus militantes mais rebeldes ou que ousem levantar a voz contra o líder. Um pequeno exercício de memória, coisa que há muito pouca na política, levar-nos-ia a encontrar um número apreciável de casos em que a pena agora implementada no PSD foi, se calhar de maneira mais encapotada, usada para afastar as vozes mais incómodas.
O que me causa um espanto incomensurável é que uma proposta - qualquer que ela seja - apresentada por Santana Lopes, consiga obter mais que dois votos. Mesmo que isso aconteça num congresso do PSD. É deprimente. Que dois terços dos congressistas sociais-democratas o tenham feito é que é, de facto, algo que devia preocupar o país. Ou, adaptando o lamento que os portugueses tanto gostam de repetir, “é a oposição que temos!”

domingo, 14 de março de 2010

As dúvidas de Cavaco

Como era esperado o Presidente da República enviou o diploma que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo para o Tribunal Constitucional. Por mim acho mal. Se o Estado fosse uma empresa, ou dispusesse de contabilidade organizada e tivesse que proceder ao apuramento de custos, seria interessante saber quanto custou já ao erário público toda a discussão, nos órgãos de soberania, à volta deste assunto que de relevante para o interesse nacional nada tem. Era bom que se pudesse quantificar, em nome da tão reclamada transparência, quais foram os custos reais que os contribuintes portugueses tiveram de suportar relativamente ao tempo que duzentos e trinta marmanjos - e marmanjos bem pagos, sublinhe-se – discutiram a aprovação desta medida. Para não falar do tempo que, antes e depois da aprovação, outros da mesma laia igualmente pagos com o dinheiro dos nossos impostos gastaram ou vão gastar com este assunto que, perdoem-me os interessados e os defensores da causa, não passa de um fait-divers.
É por isso que entendo que o melhor era aprovar logo aquilo. Os gajos e as gajas que se casem uns com os outros - ou umas com as outras - sejam felizes, façam grandes festas de casamento, paguem mais irs, divorciem-se e voltem a fazer tudo de novo. Vão ver que é bom para todos. Criam-se mais postos de trabalho, nomeadamente na indústria do casamento, na área da justiça para tratar dos divórcios e dinamizam-se sectores da economia que, com a diminuição dos casamentos normais, corriam o risco de ter de encerrar.
Era por isso escusada esta atitude do Presidente da República. Principalmente quando estamos em presença de um arguto economista a quem estas coisas não deviam escapar, que não se cansa de demonstrar as suas preocupações com a crise e de apelar ao entendimento para encontrar soluções que ajudem a ultrapassá-la. Era tempo, digo eu, de ir dando o exemplo.

sábado, 13 de março de 2010

Só com uma moca!

Receio não estar a compreender. Um professor ter-se-á suicidado, alegadamente por não conseguir resistir à pressão que sobre ele seria exercida por um grupo de alunos mal comportados e com perfeito desconhecimento do que são as regras de boa educação, e o Ministério da Educação – ou alguém que o representa, sei lá – vem manifestar a necessidade de apoiar os “estudantes” a ultrapassar o trauma que esta morte lhes possa provocar!!!!!!
Algo não bate certo. A vítima, digo eu na minha ignorância, terá sido o professor. Os alunos foram os agressores. Culpados ou não as instâncias próprias se encarregarão de apurar, julgar e, se for o caso, punir. Pelo menos é o que se me afigura seria lógico acontecer. Pretender fazer dos “jovens” os coitadinhos que precisam de ajuda é querer fazer de nós parvos. A única ajuda que essa rapaziada precisa é de uns bons açoites.
Não é com “ajudas” que lhes minimizem os traumas – tadinhos, tão traumatizadinhos que até metem dó - que se mete na linha gentalha daquela. E, é bom que se recorde, são eles os homens e mulheres de amanhã. Os mesmos que nos irão atender, dentro de poucos anos, no “Modelo”ou no “Continente”. Dir-me-ão que não serão todos iguais. Claro que não, mas os bons vão-se embora e nós cá ficaremos entregues a esta bicheza.