quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"Oh Granas pá, esquece lá isso!"

Há gente com uma memória prodigiosa. E outra que se lembra de coisas da noite para o dia.

Providência cautelar

À cautela vou tomar providências. Ainda não sei ao certo quais, nem acerca de quê e muito menos quando, mas está decidido que vou providenciar.   

Coisas que fazem sentido

“Excesso de água nas estradas é a causa para o aquaplaning”.
E isso preocupa Nuno Salpico, o Presidente do Observatório de Segurança de Estradas e Cidades.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A dificil arte de mentir

José Sócrates tem, pelo menos, uma virtude. Poucos lhe ficarão indiferentes. Para uns é um líder à altura dos desafios que se colocam ao país e revela uma coragem impar no combate aos interesses instalados que, segundo certas teorias, são a causa do atraso estrutural de que padecemos. Outros vêem nele um conjunto de defeitos difíceis de reunir numa só pessoa. Assim uma espécie de Diabo. Com cornos e tudo.
Reconheço que esta parte dos cornos era escusada e que faria muito mais sentido mencionar as ditas armações quando me referisse ao ex-ministro, e futuro manda-chuva no Banco de Portugal, Manuel Pinho. Mas bolas, isto de um gajo como o Sócrates deve-se sempre dizer mal. Mesmo que não se saiba ao certo porquê, algum motivo haverá que o justifique.
E o homem não se cansa de nos dar “razões para lhe chegar a roupa ao pêlo”. Hoje, no parlamento, garantiu para quem o quis ouvir que não são os vencimentos de políticos, administradores, assessores e toda uma vastíssima panóplia de boys que cirandam pelos lugares cimeiros da administração pública e afins, que prejudicam as contas públicas. Sugerir a redução do vencimento de toda essa malta não passa de populismo e demagogia. Provavelmente será. Que o impacto no equilíbrio do orçamento seria diminuto, também acredito. Agora que contribuiria para legitimar os sacrifícios que se pedem aos portugueses e que constituiria uma medida que podia ajudar à credibilização – se é que eles se importam com isso – de quem vive da politica, disso não duvido.
Mas não foi apenas por esta tirada que o Primeiro-ministro caiu ainda mais baixo na minha consideração. À saída do hemiciclo, confrontado pela comunicação social acerca das declarações contraditórias que tem proferido relativamente a uma das muitas trapalhadas em que estará envolvido, José Sócrates manifestou um estranho embaraço e uma incapacidade, invulgar nele, em responder de forma expedita – pregar mais uma peta, digamos assim – ou esquivar-se de forma airosa às questões suscitadas pelos jornalistas. Até parece que não está habituado.
Quanto aos meus leitores não sei, mas a mim desagrada-me profundamente que o primeiro-ministro do meu país minta de forma brilhante e ao alcance de poucos quando nos quer lixar – ou seja, quase sempre – e não seja capaz de arranjar uma mentira mais ou menos convincente quando o querem lixar a ele.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Nervosismos

Acredito que a maioria dos vendedores que semanalmente expõem os seus produtos – chamemos-lhe, simpaticamente, assim – na feira de velharias que se realiza aos sábados de manhã nas alamedas do Rossio Marquês de Pombal, são pessoas sérias e honestas. Provavelmente algumas reunirão, até, esses dois atributos.
Há, no entanto, entre eles gente com manifesto mau feitio. Ou que revelam fobias dificilmente explicáveis. Uns não gostam de automóveis, que não os deles, estacionados junto ao seu local de venda – no local destinado ao estacionamento automóvel – e outros não suportam máquinas fotográficas apontadas a algumas das suas peças. Ainda que expostas ao público, à vista de todos e ali colocadas para venda! Chegam mesmo a evidenciar, perante uma objectiva, um inquietante nervosismo. Vá lá saber-se porquê.

Reportagens feitas à medida

Sempre que a comunicação social visita um daqueles locais onde mora uma determinada comunidade que ao longo dos anos se especializou em viver de subsídios e que considera como direito adquirido que o Estado, ou a autarquia da área de residência, lhe dê uma casinha, sou levado a pensar que os repórteres enviados ao local são estagiários, uns perfeitos idiotas ou levam o sermão encomendado. Talvez, até, as três coisas em simultâneo.
Vem isto a propósito de uma reportagem exibida por estes dias num canal televisivo, acerca do realojamento de uma dúzia de famílias que vivem em habitações precárias, na cidade de Montemor-o-Novo, e que a Câmara local pretende transferir para contentores. Daqueles que vulgarmente se vêem nas obras e onde dormem muitos portugueses que são forçados a procurar trabalho longe de casa mas que desagradam profundamente aos ditos moradores. Alegam que esse tipo de solução não lhes serve e que não terá as condições de habitabilidade e de conforto indispensáveis para os albergar. Provavelmente por serem mais difíceis de partir, digo eu.
Por algum motivo que me escapa, nestas reportagens, nunca os jornalistas questionam os moradores acerca do seu modo de vida, do porquê de não adquirirem com os próprios recursos uma habitação condigna e, principalmente, porque pedem – exigem, quase sempre – auxílios do Estado destinados aos mais pobres, quando possuem evidentes sinais exteriores de riqueza como ouro em abundância e viaturas de alta cilindrada que não estão ao alcance do cidadão médio. Isto para já não falar em armas, legalizadas ou não, que tal como os anteriores não aparentam constituir artigos de primeira necessidade para quem, alegadamente, vive em situações de precariedade social.
Suscitar este tipo de questões é, para alguns parvos,sinónimo de racismo, xenofobia e outras coisas mais ou menos bonitas que decoraram dos livros que leram em noites de insónia. São a versão esquerdista das frequentadoras dos chás de caridade e consideram-se os detentores de uma superioridade moral inabalável, só ao alcance de quem é de esquerda. Manifestam uma intolerância, que nada tem de estranho atendendo à ideologia que perfilham, para com quem ousa discordar das suas verdades absolutas. O pior, para eles claro, é que ninguém lhes liga.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Os calhandros

Os mais recentes casos de divulgação de dados, que supostamente deviam permanecer na confidencialidade dos processos judiciais, suscita, mais uma vez, uma questão deveras curiosa. Parece que o crime – o ilícito, vá, sejamos condescendentes – não está naquilo que nos é revelado pela comunicação social ou outros meios ainda mais acessíveis ao cidadão comum, mas, surpresa das surpresas, na divulgação do facto. Ou seja, criminoso não é quem comete o acto mas quem o torna público!!!!
Tem o primeiro-ministro toda a razão quando diz que estamos a assistir a jornalismo de “buraco de fechadura”. É perfeitamente normal que assim seja. Equilibra na perfeição com os políticos que temos. Nomeadamente com o partido que está actualmente no poder. Convém não esquecer que é no seio do PS que foi – está? – a ser cozinhado um projecto de lei que coloca online o rendimento de cada português. O rendimento declarado, diga-se, porque o obtido por meios indeclaráveis, esse, continuaremos sem notícias dele.
Também, ao que consta, a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais pretenderá institucionalizar a queixa e a denúncia como forma de combate à fraude e evasão fiscal. Assim uma espécie de bufaria institucional em que os cidadãos – bufos – se substituiriam ao Estado no seu dever de fiscalizar as actividades paralelas ou todos aqueles que tentam escapar aos impostos. Num e noutro caso tenho dificuldade em encontrar outro nome, que não “politica de fechadura”, para denominar este tipo de actuação. Mas, como é iniciativa do poder, deve ser coisa de superior interesse nacional.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Trânsito

Apesar de considerar que fazemos um péssimo uso do automóvel e que, alheios a todo o tipo de custos que isso acarreta, não prescindimos dele mesmo nas situações mais injustificáveis, não partilho da opinião que alguns pretendem fazer passar que esse – e outros – maus hábitos constituem a principal causa dos congestionamentos, quase permanentes, nos cruzamentos junto ao centro de saúde.
Parece-me óbvio que tal situação tem como causa maior a inexistência da variante do IP2. É o preço que todos pagamos para preservar o sossego de uns quantos urbano-deprimidos, mais preocupados com outros interesses que não os da comunidade local que vê, diariamente, a sua segurança colocada em causa. Esta será, muito provavelmente, uma obra que não verá a luz do dia pelos tempos mais próximos ou, a ser feita, terá outro traçado que não resolverá absolutamente nada naquela zona.
O problema não se esgota, no entanto, apenas no adiamento ad eternum da construção da variante. A ausência de uma ligação desde a rotunda do Modelo até ao Parque de Feiras e daí para a Nacional 4, bem como o deficiente traçado do arruamento a poente do centro de saúde, que devia – em minha opinião – ligar à rotunda junto ao Centro de Emprego, constituem dois motivos para o estrangulamento do trânsito junto às escolas. No primeiro caso porque desviaria o trânsito que não se destina à cidade e, no segundo, porque eliminaria o cruzamento actualmente existente.
Mas, enquanto tudo isso não se resolve, a proibição de virar à esquerda em todos os cruzamentos situados no espaço entre as duas rotundas não dava uma ajudinha?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Vozes de burro

“Os funcionários públicos são parasitas do OGE. Vão embora de Portugal! Funcionários públicos = pessoas com cartão do partido.”
“Concordo que a classe politica suga tudo, mas não são piores que a função publica, esse o verdadeiro cancro nacional.”
Com a democratização das novas tecnologias há cada vez mais bestas, daquelas que não conseguem fazer chegar a sua voz nem sequer perto do céu, a escrever as maiores burrices. Como, por exemplo, as que se podem ler no inicio deste post.
Podia ter escolhido outras. Ou, em lugar de duas, trinta ou quarenta frases semelhantes. Mas optei apenas por seleccionar estas duas opiniões que encontrei ao consultar um fórum de que sou habitual frequentador e que demonstram aquilo que em Portugal se pensa dos funcionários públicos. Choca-me que existam criaturas quem pensem assim. Não tanto pela opinião pouco abonatória que expressam acerca dos funcionários públicos mas, muito mais, pela ignorância que evidenciam e pelo ódio que sentem relativamente a outros portugueses.
Provavelmente quem assim escreve são os mesmos que berram e fecham escolas a cadeado quando não há auxiliares para tomar conta dos filhos ranhosos e mal-educados. Ou que guincham estridentemente quando se insurgem contra a falta de policias, de médicos e de qualquer serviço que o governo queira encerrar. Aí – e noutras circunstâncias também - porque lhes dói, porque os afecta, porque de alguma forma colide com os seus interesses muitas vezes mesquinhos, já reclamam pela “indispensável” presença dos funcionários públicos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Depois da economia de casino vem aí a economia de circo!

A redução de salários continua a ser uma das medidas mais defendidas por alguns economistas, alegadamente conceituados, como essencial para combater a actual crise. Começar pelo deles era capaz de não ser má ideia. De preferência um corte substancial para, a título experimental, vermos se resultava. Caso resultasse e a economia começasse a dar os tão esperados sinais de recuperação, avançar-se-ia então para reduções salariais massivas em todos os outros sectores da sociedade. Acredito que, pouco tempo depois, mesmo que o nível de vida da generalidade dos portugueses estivesse ao nível da Coreia do Norte, as contas públicas apresentariam um fabuloso superavit e a economia nacional cresceria muito mais do que a chinesa.
Por alguma razão que não descortino – o que não admira porque nunca estudei essas coisas – os alegados especialistas da área económica entendem que pagando ordenados mais baixos, as empresas poderão criar mais emprego. É capaz de ser verdade. Não menos verdade será que mais empregados representarão uma maior quantidade de bens produzidos a um menor custo que, dentro da mesma linha de raciocínio, chegarão ao consumidor a um preço mais em conta. Consumidor a quem, recorde-se, foi reduzido o vencimento e, em consequência, terá um poder de compra ainda menor. O que fará com que não compre os tais produtos que serão produzidos por mais empregados a ganhar menos.
Suspeito – mas quem sou eu para o afirmar – que por força do que atrás escrevi, a receita dos impostos, directos e indirectos, cairá a pique e o Estado verá consideravelmente diminuída a sua capacidade para assegurar as funções mais básicas que lhe competem. Por outro lado, ainda em consequência do menor poder de compra que se verificará se esta brilhante teoria for avante, é provável que entremos num cenário de deflação. O que, convém não esquecer, ainda há não muito tempo aterrorizava estes génios da ciência económica.
Como escrevi em anteriores posts não consigo levar essa gente a sério. Mas divertem-me, o que já não é mau.

Perguntas parvas

Finalmente uma sondagem. Um inquérito, vá. Inútil tal como todas as outras sondagens e todos os outros inquéritos com que os autores de blogues gostam de artilhar os respectivos espaços. A pergunta em causa, de certeza absoluta, não terá resposta fácil para a esmagadora maioria dos leitores que, diária ou esporadicamente, visitam o KK. Até porque poucos visitarão o espaço internet local, situado no Convento das Maltesas, e desconhecerão por isso os odores que por lá poluem o ar.
Não pretendo, de todo, influenciar a votação mas, para os que não sabem, sempre adianto que aquele espaço é maioritariamente frequentado por uma certa malta que, apesar de ter bom corpo para isso, não trabalha, mesmo tendo idade para tal, não estuda e que, tradicionalmente mantém uma relação inconciliável com hábitos de higiene. Só virtudes, portanto.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A tradição ou a conta

Já, nas páginas deste blogue, tive ocasião de elogiar a decisão governamental de constituir uma conta bancária para cada criança que nasça em Portugal. Recorde-se que esta medida, apesar de só agora ter sido aprovada e de apenas entrar em vigor lá mais para a final do ano, foi anunciada há largos meses integrada num suposto pacote de incentivos à natalidade.
Começam agora a ser conhecidos alguns contornos do projecto e, pelo menos desta vez, quem o elaborou parece ter tido – a confirmarem-se os pormenores que tem vindo a público – o bom senso necessário para não tornar mais uma boa iniciativa numa distribuição generalizada de dinheiro público por oportunistas pouco dados a trabalhar, sempre dispostos a viver à custa dos esquemas manhosos que inventam e com que vão passando entre as malhas da lei.
Creio, no entanto, que alguns aspectos deste novo apoio estatal não agradarão a uma certa esquerda nem aos multiculturalistas peneirentos. Nomeadamente se a obrigatoriedade de completar o ensino secundário vier a ser condição indispensável para ter acesso ao dinheiro depositado. O que, na perspectiva de certos fundamentalistas, constituirá uma discriminação e uma intolerável falta de respeito pelas tradições ancestrais das comunidades que não valorizam o estudo e a formação pessoal.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cem dias

O governo completou os seus primeiros cem dias de governação. Embora a efeméride não me suscite especial entusiasmo, nem os feitos governativos sejam merecedores de grandes encómios, apetece-me mencionar este facto apenas para fazer um ligeiro exercício de memória e tentar recordar-me de alguma coisa de útil em que o executivo de José Sócrates tenha ocupado o tempo. O que é capaz de ser uma tarefa difícil visto, assim de repente, lembrar-me apenas do nome de dois ou três ministros e recordar vagamente uma ministra a atirar para o jeitoso.
Admito com facilidade que a malta do governo se tenha esforçado e, inclusivamente, que tenha desenvolvido iniciativas ou feito coisas. Daquelas importantes, até. Assim como revogar legislação obsoleta e atentatória da liberdade do indivíduo – e da indivídua – que não permitia o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Coisa que, parece, deixa o primeiro-ministro e os seus seguidores todos orgulhosos. Eles lá sabem o que mais lhes convém.
Nada, no entanto, que me surpreenda por aí além. Recordo ainda António Guterres quando, ao leme de outro governo também ele socialista, instado a pronunciar-se acerca da medida que mais se orgulhava de ter tomado enquanto chefe do governo, proclamou que era NÃO ter feito a Barragem de Foz Côa. Há coisas que nunca mudam por mais que o palco do regabofe político vá conhecendo outros actores.
Celebre-se, ainda assim, a centena de dias de funções do actual executivo. A minha modesta contribuição para as comemorações é, tão-somente, constituída por esta foto de três robalos. É que sem aumento de ordenado um gajo não pode entrar em estroinices…

domingo, 31 de janeiro de 2010

É cultura, estúpido!

A expressão artística pode assumir muitas formas. Incontáveis, segundo os entendidos nestas coisas da cultura. Tomemos como exemplo os orgasmos da Clara Pinto Correia. São, ao que afirmam porque eu não vi a exposição nem os orgasmos, uma notável – sublime, até – demonstração de arte.
Neste contexto considero claramente discriminatório que as minhas fotografias de merda de cão não sejam igualmente consideradas um trabalho artístico de elevado potencial e que, pelo contrário, sejam muitas vezes depreciadas por aqueles – poucos e de gosto duvidoso – que não apreciam o meu blogue. Ignorantes e umas bestas é o que vós sois!
Pelo menos nas minhas fotos não há lugar a montagens, fingimentos ou qualquer tipo de retoque. Embora, também nelas, algo seja posto a nu. A falta de civismo de uns quantos que se arrogam no direito de sujar impunemente o espaço colectivo. Mas sobre este tipo de impunidade escreverei noutra ocasião…

sábado, 30 de janeiro de 2010

Automóveis a andar às voltas são uma coisa muito gira...

Faz por este dias dois anos que foi posto em prática o plano de sinalização e circulação de trânsito nos bairros da Salsinha, Quinta das Oliveiras e Monte da Razão. Não sei ao certo se é assim que chama o conjunto de disparates elaborado por um grupo de alegados técnicos, provavelmente pós-graduados em trânsito, e aprovado com sérias reservas – a imbecilidade da coisa saltava à vista - de todos os membros do anterior executivo.
Mas isso agora também não interessa nada. O que interessa é que passado todo este tempo o modelo de circulação continua a prejudicar os moradores, a não respeitar as mais elementares normas de protecção ambiental e a constituir um forte incentivo à transgressão. Sim, porque poucos estarão dispostos a percorrer inutilmente trezentos ou quatrocentos metros às três ou quatro da manhã – ou a outra qualquer hora, como já aqui documentei – só porque um plano idealizado por uns quantos “técnicos” impede que se chegue ao mesmo local percorrendo apenas dez metros. Coisa de gente sentada tranquilamente a uma secretária que desconhece a realidade do terreno e que, por qualquer motivo desconhecido mas que poderá ter a ver com alguma patologia, acha muito giro andar às voltas com o carrinho.
A linha vermelha desenhada nas imagens de satélite representa o trajecto que os residentes são agora obrigados fazer. Pelo menos os que cumprem o Código da Estrada. Não vale por isso a pena alongar-me - por hoje, porque voltarei ao tema - a dissertar acerca da dimensão da burrice que foi cometida. Neste, como noutros casos, uma imagem – ou duas – valem por mil palavras. Ou mais.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A avenida da harmonia

Este original canteiro pode ser apreciado numa das entradas da cidade. Ou saídas para quem circula em sentido contrário. A sua existência resulta – digo eu, embora qualquer outra explicação seja igualmente boa - do facto de, quando do arranjo paisagístico da zona, o passeio não ter sido “encostado” ao pavimento já previamente alcatroado. Apesar disso a faixa de rodagem não ganhou mais meio metro mas, em contrapartida, ficou visivelmente mais…verdejante, digamos. Constitui mesmo um exemplo perfeito da harmonia em que podem coexistir o alcatrão e esta espécie de hortaliça.
Não sei se aquilo, depois de seco ou noutro estado qualquer, se pode fumar ou não. Nem se será coisa que se possa utilizar numa salada. Tão pouco me interessa. Acho apenas que é de preservar esta pequena maravilha com que a natureza nos brindou. Apesar do tráfego intenso, dos gases emitidos pelos escapes dos milhares de viaturas que por ali passam diariamente e das adversas condições de subsistência é reconfortante assistir à resistência heróica – brava, é capaz de soar melhor – com que estas plantas enfrentam a invasão do seu espaço natural. E mesmo quando o calor as transformar em pasto recordar-nos-emos do seu exemplo. Afinal não são apenas as árvores que morrem de pé. Algumas ervas, ainda que daninhas, também.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Orçaminto (II)

 A generalidade dos comentadores económicos não está satisfeita com a proposta de Orçamento de Estado ontem apresentada. Para eles era preciso cortar mais na despesa. Muito mais. Nomeadamente nos vencimentos dos funcionários públicos. Ou até mesmo mandar muitos para o desemprego. O que seria o ideal, no entender dessas sumidades potenciais candidatos a prémio Nobel da ciência económica, embora noutra parte do seu discurso lamentem a elevadíssima taxa de desempregados e elejam isso como um dos principais males do nosso país. 

Confesso que este tipo de discurso me deixa completamente baralhado e com receio, mais que fundamentado, de não estar a acompanhar o raciocínio das criaturas. Senão vejamos. Segundo eles o desemprego é um problema gravíssimo e o governo não revela competência para inverter a situação que, asseguram os nossos economistas, é coisa para a breve prazo chegar aos dois dígitos. Por outro lado, se muitos funcionários públicos fossem despedidos – duzentos mil dispensados da função pública foi um número que chegou a ser adiantado por um desses badamecos – seria excelente. Ainda que a tal estatística, dramática segundo eles, atingisse valores que agora consideramos impensáveis.
Claro que estes senhores não são para levar a sério. Nem sei como ainda se atrevem a atirar para o ar soluções para uma crise que não foram capazes de escrever. Contudo exibir estes admiráveis níveis de incoerência parece-me uma coisa já relativamente próxima da parvoíce.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Salário menos minimo

Caso os média nacionais não estivessem por estes dias mais preocupados com o Orçamento de Estado, a medida promovida pela Câmara da Vidigueira de aumentar os funcionários com mais baixos salários à custa da redução do vencimento de eleitos e respectivo staff de apoio, causaria ampla discussão e provocaria intenso debate na opinião publicada.
Ainda assim, nos blogues e nas caixas de comentários dos sites de alguns órgãos de comunicação social onde a notícia mereceu uma discreta referencia, as reacções não se fizeram esperar. Se, por um lado, uma ampla maioria concorda com o caminho que aquela autarquia alentejana se propõe seguir surgem já, aqui e ali, umas quantas vozes discordantes a revelarem um certo incómodo. Provavelmente mais preocupadas com as consequências e as ondas de choque que a decisão inevitavelmente irá provocar na sociedade portuguesa, do que com o seu conteúdo ou os efeitos que poderá causar na pequena localidade onde será posto em prática. Coisa que, como é óbvio, lhes interessará muito pouco por se situar a considerável distância do seu umbigo.
Não é preciso possuir grandes dotes adivinhatórios para prever que não assistiremos ao generalizar de decisões como esta noutras autarquias, em empresas, nem - ainda menos - no Estado. Não passa de demagogia. Argumentarão muitos. Talvez. Mas tratem de convencer disso quem, por esta via, vê o seu ordenado substancialmente melhorado.
Ah! E porque não tenho qualquer reserva mental em fazê-lo,aqui fica devidamente referido que a Câmara da Vidigueira é gerida pelo Partido Comunista Português.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Orçaminto 2010 (I)

Sem necessidade de recorrer a estratagemas mais ou menos limianos, o governo de José Sócrates já conseguiu a garantia de aprovação do orçamento para o ano em curso.
Hesito em considerar este facto uma boa noticia. Embora não tenha acompanhado com especial atenção os desenvolvimentos das negociações entre o governo e os dois partidos da oposição à direita, não deposito grandes esperanças nos negociadores alegadamente opositores. Não lembra a ninguém – a menos que seja do CDS/PP – colocar como condição essencial para viabilizar o Orçamento que o governo fiscalize a atribuição do Rendimento Social de Inserção. Ou seja, que cumpra a lei.
Com o PSD a coisa não terá corrido melhor. Este partido estará firmemente disposto a aceitar que os funcionários públicos vejam os seus salários congelados. Isto apesar do governo até ter já revelado, noutras ocasiões, abertura – ainda que ligeira, que não convém dar largas a esses malandros da função pública – para conceder uns escassos cagagésimos de actualização salarial aos servidores do Estado.
Perante posições tão extremadas não terá sido fácil chegar a um entendimento. Cálculo que para José Sócrates tenha sido penosa a aceitação de propostas tão drásticas que, estou em crer, nunca lhe terão passado pela cabeça. Pior. Relativamente às condições avançadas pelo CDS/PP custa-me a acreditar que o governo tenha cedido em matéria tão controversa como o cumprimento da legalidade. É, decididamente, um precedente de extrema gravidade.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Multiculturalismo e ingenuidades

Por essa internet fora anda uma turba de indignados a tecer os mais variados comentários e a ameaçar com processos judiciais uma mãe britânica que colocou no Facebook uma fotografia do seu petiz, armado em alarve, com um cigarro na boca. Coisa feia, reconheça-se. Embora, relativamente a essa apreciação, o meu grau de parcialidade seja elevado na medida em que não fumo. Apesar disso não me parece que a senhora em causa, para além do pouco juízo evidenciado, tenha cometido qualquer espécie de crime ou o seu acto ponha em causa algum direito de alguém.
Estranhamente, ou talvez não, o nível de indignação não atinge as mesmas proporções quando fotos, vindas de outros lugares onde tudo parece ser permitido e tolerado pelo multiculturalismo vigente, nos mostram crianças a fazer coisas pouco próprias para a idade. Tanto quanto se sabe, até agora nenhum iluminado terá manifestado vontade de processar os extremosos papás muçulmanos por revelarem um comportamento irresponsável e que coloca em causa a integridade física dos seus fedelhos. Sinto-me tentado a não resistir à graçola fácil e pensar que apenas não o fazem pela dificuldade em identificar o pai…
O tabaco é uma das principais causas de morte mas, ainda assim, acredito que uma arma é capaz de ser um objecto mais mortífero. Mas isso sou eu - não passo de um ingénuo - que não consigo ver o elevado simbolismo na luta contra a opressão e a tirania imperialista a que estão sujeitos os heróicos povos do oriente médio.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Propostas parvas

Que eu escreva as mais variadas e destemidas barbaridades acerca de qualquer assunto sobre o qual me apeteça opinar não vem nenhum mal ao mundo. Na pior das hipóteses, se a opinião for por demais disparatada, faço figura de ignorante. Mas, como a minha voz não vai mais além do que o reduzido número de leitores deste blogue, a coisa não se reveste de uma gravidade especial. Até porque, como faço sempre questão de sublinhar, o que por aqui escrevo não passam de opiniões irrelevantes a maior parte das vezes desprovidas de fundamentação.
O mesmo não pode acontecer com as pessoas importantes. Aquelas que discursam em colóquios, fóruns e afins. Os que, pela importância ou destaque dos lugares que ocupam, deviam ter alguma moderação na divulgação das medidas que preconizam ou que propõem para regularizar a caótica situação em que se encontram as contas da Nação. É que a sucessão de disparates que várias figuras públicas têm debitado nos últimos dias, acerca daquilo que o Orçamento de Estado para o corrente ano deve conter, está ao melhor nível das sábias propostas de um assíduo frequentador de uma qualquer tasca mal-afamada.
Veja-se, só a título de exemplo porque podia citar mais uns quantos, o Presidente do BPI. Provavelmente ainda a digerir a resposta – em grande estilo, diga-se - de José Sócrates às críticas feitas pelo banqueiro à quantidade de dinheiro que o Estado terá gasto a combater a actual crise, o homem apresentou por estes dias propostas verdadeiramente inovadoras. E simultaneamente cínicas. Propõe Fernando Ulrich, entre outras coisas fantásticas, o congelamento das admissões e dos salários na função pública por um período de três anos. Sensivelmente um ciclo eleitoral, portanto.
Mesmo admitindo que em termos financeiros essa seja uma medida com resultados imediatos no controlo do défice, embora anteriores congelamentos já tenham demonstrado que o seu impacto não foi determinante, em termos económicos tal imposição, a concretizar-se, revelar-se-á uma verdadeira tragédia para as regiões mais pobres do país. Sabendo-se como em muitos concelhos uma parte significativa da população activa depende dos salários pagos pela autarquia ou pelo Estado, magros na sua esmagadora maioria, não será difícil adivinhar o impacto que tal situação causaria nas restantes actividades económicas. A quebra nos negócios seria acentuada, verificar-se-ia uma baixa na cobrança de impostos e daí resultaria uma menor receita para as Câmaras que, em circunstâncias extremas, deixariam de ter recursos para fazer face às suas obrigações porque, como se sabe, o financiamento das autarquias do interior, onde não existem negociatas de milhões a nível imobiliário, depende na sua quase totalidade do IRS gerado na sua área e do Fundo de Equilíbrio Financeiro, calculado com base nas receitas nacionais do IRS, IVA e IRC.
Por mim, que também gosto de fazer propostas parvas, proponho que todos os funcionários públicos cancelem as suas contas no BPI. Pode não fazer grande efeito e ter um impacto praticamente nulo nos negócios do banco, mas quem zomba desta forma indecente com largas centenas de milhares de pessoas não merece que nenhuma delas lhe confie o seu dinheiro.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Se houvesse imparcialidade na arbitragem o Porto era todos os anos campeão com 25 pontos de avanço!

Desde que me lembro – e já me lembro de muita coisa – o Benfica tem sido beneficiado pelas arbitragens. Tem sido essa, aliás, a única forma de o clube ganhar títulos. Isso em tempos distantes porque nos últimos anos as ajudas dos homens do apito e da bandeirinha tem apenas evitado que a equipa vizinha do Colombo desça de divisão. Sim, porque estou convencido que se não fosse o descarado favorecimento de que goza o Benfica estaria a disputar a terceira divisão distrital da associação de Futebol de Lisboa e, mesmo aí, andaria quase de certeza pelos últimos lugares.
Nesta época, por exemplo, ainda que as suas fileiras estejam recheadas de jogadores que são internacionais por selecções como o Brasil ou a Argentina e sendo o glorioso, quase de certeza, um dos clubes com mais jogadores presentes no próximo Mundial da África do Sul – ainda assim, reitero – apenas tem ganho os seus jogos graças aos erros, sistematicamente a seu favor, das equipas de arbitragem. Até naqueles jogos em que ganha por quatro, cinco ou mais golos, essa decisiva e maléfica influencia se revela determinante. Pelo menos na sábia opinião dos paineleiros televisivos para quem, se houvesse imparcialidade dos juízes, o Benfica mesmo recheado de estrelas, estaria em zona de despromoção e teria averbado até à data um ou dois pontitos. Um dos quais, na melhor das hipóteses, teria sido amealhado em casa com o Vitória de Setúbal porque, haverá certamente quem garanta, sete golos foram ilegais.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O que outros escrevem sobre nós...

O blogue “A nossa terrinha”, num dos últimos posts, publica uma extensa “reportagem” onde a autora manifesta a sua reprovação pela utilização do Rossio Marquês de Pombal como aquilo que considera ser um mega parque de estacionamento e, também, pela profusão de automóveis estacionados nos mais diversos recantos da zona central da cidade. Concordo, quase em pleno, com este ponto de vista. A cidade tem demasiados veículos, estacionados e a circular, sem que se vislumbre, face à sua dimensão e ao reduzido número de habitantes, razão que justifique uma utilização tão massiva do automóvel. Como escrevi em diversas ocasiões os estremocenses perderam o hábito de andar a pé, preferindo usar o carrinho para pequenas deslocações de escassas centenas de metros durante o dia e reservando as caminhadas de quilómetros para o fim do dia ou inicio da noite. Opções.
Relativamente às críticas ao estacionamento no Rossio, promovidas pelo citado blogue, discordo em absoluto. A placa central deve servir para isso mesmo. Constitui uma inegável mais-valia para a cidade a possibilidade de residentes e visitantes disporem de um local que lhes permite o fácil acesso aos serviços, ao comércio e ao lazer, contribuindo dessa forma para trazer mais pessoas ao centro e assim dinamizar – ou pelo menos não deixar morrer – as actividades económicas que aí se desenrolam. Para utilização pela população existem as amplas alamedas laterais onde cabem, se necessário for, todos os habitantes do concelho.
Lamentavelmente no único sitio onde a nossa visitante elogia a possibilidade de estacionar – junto ao Centro de Ciência Viva – é agora proibido fazê-lo. Apesar de alguma incongruência, a sinalização é clara quando ao impedimento de levar o popó para as imediações.

Nogócios pirateados

Os donos de vídeos clubes, preocupados com a perda de clientes e a consequente quebra do negócio, encontraram uma original forma de protesto. Juntaram-se na via pública e vá de desatarem a fazer downloads de filmes para provarem que o combate à pirataria não existe e esse facto constitui a principal ameaça para sobrevivência dos seus estabelecimentos.
Embora até admita que os dinâmicos empresários da área “videoaluguer” possam ter alguma razão de queixa da concorrência dos novos meios ao dispor de cada vez mais gente – viva o choque tecnológico e o divino Sócrates que o promoveu – não me parece nada bem esta forma de luta. Protestar contra a proliferação de um crime e a alegada displicência das autoridades, cometendo o mesmo crime que queremos que as autoridades alegadamente displicentes combatam, não me parece nada bem.
Pretenderá esta classe empresarial que, visando proteger os seus interesses, seja instituída uma espécie de policia dos costumes que trate de impedir o acesso a conteúdos que são disponibilizados na rede e alojados em servidores situados sabe-se lá aonde. Ou, quem sabe, se isso não for suficiente para a rentabilidade do seu negócio, proibir até a gravação caseira dos filmes transmitidos pelas televisões. Talvez fosse apropriado, digo eu, seguir o conselho da novel Ministra do Trabalho e olhar para as novas tecnologias com um olhar refrescante!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Audiências

Isto de opinar também cansa. Principalmente quando os objectivos estabelecidos ficam longe, muito longe, de ser atingidos. Ainda que as opiniões não sejam grande coisa - a maior parte das ocasiões não passam de devaneios pouco sérios, coisa para que os leitores estão devidamente alertados pelo lema do blogue – começa a aborrecer-me seriamente a fraca visibilidade conseguida ao fim de todo este tempo de existência.
Naturalmente que, atendendo ao tipo de escrita e de conteúdos, nunca perspectivei que este espaço obtivesse um sucesso por aí além mas, apesar disso, cheguei a considerar perfeitamente natural que, ao fim de quase dois anos de existência, passassem diariamente por aqui muito mais do que cem ou duzentos visitantes. O que nem constituiria proeza de espantar se atendermos às audiências conseguidas por uns certos blogues que ninguém lia e que existiram até há pouco tempo.
Com muitos ou pouco leitores o Kruzes continuará a existir e a manter a mesma linha “editorial”. Ainda que isso acabe por dar razão a quem afirma que “um blogue sem leitores não passa de um acto de masturbação intelectual”.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Questões (im)pertinentes

Em diversas ocasiões manifestei nas páginas deste blogue a minha concordância com a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Socorri-me para isso de argumentos que, passe a imodéstia, considero muito mais válidos e pertinentes do que os utilizados pelos entusiastas e militantes dessa causa que, na esmagadora maioria dos casos e apesar dos floreados de linguagem, se traduziam em português médio por “isso é lá com eles” ou, ainda mais simplórios, por um infantil “porque sim”.
Cheguei, inclusivamente, a declarar que se devia ir mais longe e redefinir o conceito de casamento como um “contrato entre pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida”, ultrapassando assim a barreira discriminatória e o entendimento reaccionário de família que limita a duas a possibilidade de contrair matrimónio. Uma aberração legal que nem as mentes espectacularmente iluminadas de uma certa intelectualidade ousa questionar. Vá lá saber-se porquê.
Já relativamente à adopção manifesto algumas reservas. Por um lado é verdade que há muita criança institucionalizada, ou a viver com toda a espécie de tarados, que seguramente estaria muito melhor se entregue aos cuidados de quem lhe pode proporcionar uma vida digna. Como será o caso de algumas parelhas constituídas por duas pessoas do mesmo sexo.
Também não me choca por aí além se, no futuro, uma criancinha filha adoptiva de uma dessas parelhas quando chegar ao jardim-de-infância quiser, se for menina, ter outra menina como “namoradinha” ou, no caso de um menino, fazer festinhas às pilinhas dos outros meninos. Quando muito aumentará o número de arranhões e nódoas negras, mas não será isso que me demoverá de considerar como boa a extensão deste direito a toda a gente.
A este respeito tenho apenas algumas dúvidas se estaremos a acautelar a felicidade das gerações futuras ao permitir a adopção de crianças por parelhas constituídas por duas mulheres. Sinceramente hesito. Devo lembrar que estas crianças têm direitos. Nomeadamente a, quando chegar a altura, também elas constituírem família. E será que, posto perante a perspectiva de vir a ter duas sogras, alguém estará disposto a casar com elas? Tenho as minhas reservas. Não me parece que em nome de caprichos presentes se deva hipotecar ou colocar em causa direitos futuros. Sim porque se alguém - paneleiro, fufa ou com outra orientação menos normal - me vier dizer que até gostava de ter duas sogras é, com certeza, um grande mentiroso.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A minha sardinha é melhor do que a da vizinha.

Não consigo evitar um sorriso trocista sempre que ouço uma peixeira mais indignada assegurar que a nossa sardinha – a portuguesa – é que é boa. Nada que se compare à sardinha espanhola que, garantem, é uma verdadeira porcaria. Afinal parece que estava enganado. A prová-lo, ao clupeídeo marítimo que escolhe as nossas águas para navegar e que por cá acaba por morrer, foi hoje, após um processo que demorou quase ano e meio de aturados estudos, atribuída a certificação de qualidade que garante que o dito peixinho é mesmo bom.
A dúvida que me atormenta é como ter a certeza que as sardinhas agora certificadas passam a vida nas águas portuguesas. É capaz de ser um trabalho difícil mas alguém terá de o fazer. Importa, de agora em diante, garantir que nenhuma delas ultrapassa a fronteira e se deleita em navegações mais que suspeitas pelos mares castelhanos antes de ser capturada pelas redes de um qualquer pesqueiro português. Para isso conto com a honestidade dos nossos pescadores e com a perspicácia das nossas peixeiras. Serão peças fundamentais para a realização de um controlo eficiente que assegure que nenhuma sardinha pôs guelra em água espanhola. Ou lá se vai a certificação de qualidade. Que, como toda a gente sabe, é uma coisa muito importante. E também muito cara, diga-se.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Tugas ao volante

Condutor que nunca estacionou em cima de uma passadeira, que não tenha passado com o sinal vermelho ou que nunca cometeu uma outra qualquer espécie de transgressão, que mande a primeira buzinadela. Reinaria, tenho a certeza disso, o mais absoluto silêncio nas estradas portuguesas…
Não é que me admire, de tão frequentes, qualquer um destes atropelos ao código da estrada. Não esperava, era vê-los em simultâneo. E, atente-se em pormenor na fotografia, no caso em apreço nenhum dos prevaricadores teria necessidade de cometer nenhuma destas infracções. A carrinha branca tem espaço mais do que suficiente para estacionar antes da passadeira e o pesado de mercadorias, que passou com o semáforo no vermelho, já tinha pela frente pelo menos uma viatura vinda em sentido contrário a sair das Portas e perfeitamente à vista do condutor.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Noticias sobre as quais não me apetece escrever

São vários os temas que mereceram hoje um inusitado destaque nos noticiários radiofónicos e televisivos. Hesito entre pronunciar-me sobre as declarações de Pinto da Costa, o escândalo sexual que alegadamente envolve a mulher do primeiro-ministro irlandês e as previsões do Banco de Portugal relativamente ao crescimento económico para 2010.
Acerca do que disse o Presidente do clube de futebol do Porto não me apetece escrever grande coisa. O homem falou de coisas estranhas que tem ocorrido ou que estarão para ocorrer e deixou no ar a insinuação que haverá resultados desportivos que estarão a ser fabricados. É possível que sim. Destas coisas sabe ele melhor do que ninguém e, a nível futebolístico, os resultados dos últimos trinta anos são a melhor prova disso.
Escândalos sexuais também não são para aqui chamados. A senhora terá resolvido enrolar-se com um jovem que podia, pela tenra idade, ser seu neto e agora o marido suspendeu o mandato por uns tempos para ver se consegue salvar o casamento. Pois. O curioso da coisa é que se trata do chefe do governo que aprovou a lei, recentemente entrada em vigor, que pretende punir a blasfémia. O que é que tem uma coisa a ver com a outra? Assim de repente não me lembro de nada. A não ser que o diabo também tem cornos.
Sobre as previsões do Banco de Portugal quanto ao comportamento da economia também não me agrada dissertar. Ainda há seis meses previa um crescimento negativo de 0,6 por cento – ainda estou para saber como é que algo cresce negativamente – e agora já acredita que, afinal, a economia portuguesa vai crescer 0,7 por cento em 2010. Não me alongo em considerandos acerca do assunto, mas tiraria o meu chapéu, se o usasse, a este nível de coerência e ao grau de credibilidade que elas transmitem.
Perante notícias como estas fico sem palavras para escrever. O que, no caso, é bom. Ao ouvi-las começo a pensar que este é um blogue sério. Credível, até.