segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

As ruinas, os milhões e outras degradações

Edifícios magníficos, como este, não merecem o estado de abandono e degradação em que se encontram. Os factores que contribuíram para o actual estado de coisas – neste e em milhentos outros casos pelo país inteiro – são muitos, a maior parte conhecidos e poucas vezes de fácil resolução pelos proprietários. Que, diga-se, nem sempre são os principais responsáveis por os prédios se encontrarem neste triste estado.
Num ano em que o Estado gastou larguíssimos milhões de euros a apoiar empresas, sob o pretexto do combate à crise e às suas consequências, sem que dessa fabulosa injecção de dinheiro público se assistam a resultados palpáveis, parece cada vez mais evidente que se perdeu uma oportunidade histórica de recuperar as nossas cidades. Mesmo que não fosse necessário recorrer a uma espécie de nacionalização de todos os edifícios degradados – embora o governo tenha nacionalizado um banco em avançado estado de degradação – haveria de se encontrar uma qualquer solução que permitisse ao Estado promover a recuperação de muito património edificado. Constituiria uma opção geradora de emprego e que, seguramente, dinamizaria muito mais as economias locais do que empreendimentos megalómanos ou alguns apoios que começam a suscitar dúvidas e sobre os quais ainda muito se há-de ouvir falar. Com a inegável vantagem de, passada a crise, voltarmos a ter as nossas cidades devidamente arranjadas e bonitas.
Neste edifício funcionou até ao final dos anos oitenta uma das mais afamadas e finas mercearias da cidade. Frequentada por clientela distinta e onde maltrapilhos como eu não eram bem vistos. Recordo-me de, na única vez que lá fui, apenas terem recebido um cheque como meio de pagamento das minhas compras – algumas garrafas de vinho do Porto – porque um outro cliente, que não conheci de lado nenhum, garantiu que eu não era gajo para andar a passar cheques carecas. Devia estar farto esperar na bicha da caixa…

domingo, 10 de janeiro de 2010

Portugal, um bom local para viver.

Segundo um estudo de uma conceituada - mesmo que não seja tida em grande conta convém sempre salientar este aspecto, para dar um ar de credibilidade - revista internacional, Portugal é um dos melhores países do Mundo para viver. O país surge em vigésimo primeiro lugar da tabela e, para espanto de muita gente, à frente de países como o Reino Unido, Grécia, Eslovénia, Mónaco, Suécia, Polónia e mesmo o Japão.
A análise resulta da média de um conjunto de indicadores e foi, com toda a certeza, realizada tendo por base aturados, sérios e competentes estudos científicos. Nem outra coisa será de esperar de quem se dá ao trabalho de publicar uma lista. Seja ela de que tipo for. Não vou por isso questionar o posicionamento de Portugal no referido ranking. Até porque vivo numa cidade onde empregadas domesticas vão de Mitsubishi Strakar para casa das patroas e empregadas de café se deslocam para o trabalho num daqueles jipes que custam várias dezenas de milhares de euros.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Aquecimento global?!

São cada vez mais as vozes que manifestam o seu cepticismo relativamente às teorias catastrofistas acerca do aquecimento global. Há mesmo quem considere que estamos perante um mito sustentado por interesses nem sempre transparentes e que mais não visa do que dar dinheiro a ganhar a muita gente.
Não sei se é assim ou não. Para além de não possuir conhecimentos científicos que me permitam ter uma opinião fundamentada, o assunto não faz parte do meu top ten de preocupações. Até porque, se as previsões mais pessimistas se concretizarem, quando a vida se tornar insustentável no planeta já por cá não andarei e, pelo rumo que o mundo leva, a Terra por essa altura não será, medido pelos padrões da sociedade actual, um lugar agradável para viver.
Sei apenas que está um frio do caraças e que um pouco mais de aquecimento, que nem precisa de ser global basta apenas regional, não fazia mal nenhum mal. Um grau negativo não é temperatura que se apresente. Nem no Alentejo onde estas coisas, mesmo não sendo novidade, não acontecem todos os invernos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Modernaços mas pouco

Até agora um gajo apenas podia casar com uma gaja e a uma gaja só era permitido casar com um gajo. O que era claramente limitador, tratava-se de uma restrição inadmissível da liberdade individual e revelava-se uma intolerável ingerência na intimidade de cada um. Depois de muitas lutas e manifestações em que a principal palavra de ordem foi “eu amo quem quiser…” isso vai, finalmente, mudar. Dentro de pouco tempo um gajo já vai poder casar com outro gajo e uma gaja com outra gaja. Para além de, pelo menos por enquanto, ainda ser possível um gajo casar com uma gaja e uma gaja com um gajo.
Como já escrevi noutras ocasiões, embora não esteja completamente em desacordo com este significativo avanço civilizacional - também alinho com o “isso é lá com eles”, o argumento mais utilizado para defender a alteração do conceito de casamento - parece-me que ainda não se foi suficientemente longe na defesa dos direitos humanos e no combate a discriminações perfeitamente injustificadas. Não se vislumbra, em pleno século vinte e um, motivos suficientemente válidos para continuar a criminalizar, por exemplo, a poligamia. A limitação legal do casamento a duas pessoas constitui uma violação de vários direitos – e até um repugnante desprezo pelas tradições culturais de outros povos que vivem entre nós – para além de ser manifestamente errada por limitar o âmbito familiar a escasso número de indivíduos. Dois ou três, na maioria dos casos.
Afinal, apesar de tanto alarido, a alteração promovida pela esquerdalha pouca coisa mudou. Poderá dizer-se que apenas aumentou o leque de escolha. Verdadeiramente liberal e modernaço era um gajo poder casar com duas ou mais gajas, três gajas poderem casar com quatro ou mais gajos, cinco gajos – ou gajas - casarem entre si e por aí adiante. Isso sim, é que era. E façam favor de não me contrariar porque tenho dois argumentos irrefutáveis. “Isso é lá com eles”, e “eu amo quantas quiser”.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Alarves e papalvos

A fase que precede a apresentação do Orçamento de Estado é fértil no aparecimento de estudos, análises, propostas, declarações e emissões de opiniões, quase todas sábias, acerca do que o documento orientador da política económica e financeira do país dever prever para o ano seguinte. Ou, como é o caso, para o ano em curso. Isto porque o governo saído das eleições, que por acaso até mantém alguns ministros, prossegue a mesma linha política e é chefiado pelo mesmo primeiro-ministro do anterior, mais de cem dias depois, ainda não foi capaz de apresentar a proposta de orçamento na Assembleia da República. Produtividadezinha da boa, portanto.
As análises e bitaites diversos de toda esta brilhante rapaziada que habitualmente se pronuncia acerca dos males do país apontam todas no mesmo sentido. Reduzir a despesa para baixar o défice. Para conseguir tal desiderato as criaturas são unânimes em considerar como imperioso congelar os salários da função pública, os mais comedidos, e os mais radicais avançam mesmo para a necessidade de proceder a despedimentos entre os funcionários do Estado para controlar as contas públicas. Ou seja, nada de novo.
É precisamente a ausência de propostas inovadoras e arrojadas para a resolução do problema orçamental que me deixa perplexo. Congelar ou reduzir salários e despedir pessoal para equilibrar as contas, qualquer um é capaz de propor. Até alguém com um grau de inteligência entre o papalvo e o alarve. Mas de quem estuda estes assuntos até à exaustão esperava-se algo melhorzinho... 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Tenho direito a blasfemar!

Os sinais de um preocupante retrocesso civilizacional não param de nos surpreender e surgem de onde menos se espera. Desta vez não foi um grupo de velhos barbudos com ar alienado e aspecto de quem não toma banho há muitos meses a considerar blasfemos uns quantos rabiscos, afirmações ou textos de quem se está nas tintas para essa coisa dos deuses. Foi, isso sim, a democrática Irlanda, a mesma que repete referendos até que o resultado seja o pretendido, que inventou uma lei seriamente limitativa da liberdade de expressão quando em causa estão as crenças religiosas. De ora em diante quem proferir expressões atentatórias, abusivas ou insultuosas em relação a um assunto considerado sagrado por qualquer religião, causando indignação a um número substancial de seguidores dessa religião, poderá ser punido com multa até aos vinte cinco mil euros.
Este é um precedente – no ocidente apenas a Finlândia terá uma lei semelhante – que pode representar o fim da liberdade de expressão tal como a conhecemos. E não se pense que isso é problema apenas dos irlandeses. Esta lei incentivará aqueles países que defendem uma resolução da ONU que criminalize a nível mundial aquilo a que chamam difamação da religião. E será apenas o começo…porque essa malta das rezas e dos deuses não se vai ficar só por estas proibições.
Esta é uma lei claramente discriminatória. Apesar de supostamente pretender impedir que se goze com sentimentos, o que até pode parecer acertado, discrimina uns sentimentos em detrimento de outros. Para mim, que religião é o Benfica, continuarei desprotegido das blasfémias dos adeptos dos clubes minoritários. Ou seja de todos aqueles que não viram a Luz. Afirmar, sequer sugerir, que o Glorioso ganha os seus jogos graças às ajudas do árbitro causa-me, e também a um número significativo de seguidores – para aí uns seis milhões em Portugal e outros tantos no resto do mundo – uma profunda indignação. Tanta ou mais que aos cristãos quando se questiona a virgindade da mãe de Jesus – do outro, não do nosso – ou aos seguidores do profeta se sugerirmos que este era um brutamontes com cara de porco.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Personalidade assim-assim 2009

O Manel Maleiro julga-se o supra sumo da inteligência, da virtude, da integridade e portador de uma espinha – deve pensar que é um peixe, embora na verdade não passe de um verme - incapaz de se dobrar perante quem quer que seja. Mas isso é o que ele pensa e o que quer que os outros pensem dele. Coisa que os outros obviamente não fazem porque, por mais que se esforcem, não conseguem vislumbrar nenhuma dessas qualidades no nosso Manel. O que o deixa visivelmente transtornado e com vontade de recorrer a meios ao alcance de poucos – tão poucos que nem o próprio Maleiro se inclui nesse restrito grupo - para obrigar os demais cidadãos a reconhecerem-no como ele gostaria ser visto.
Embora com um enorme e lamentável atraso devido a problemas informáticos associados a uma habitual desarrumação de ficheiros, à semelhança do ano anterior este blogue volta a atribuir o prémio “Personagem Assim-assim do ano”. O objectivo é distinguir quem, não sendo grande coisa, contribuiu para nos animar ainda que não nos tenha divertido por aí além. O laureado de 2009 é, como já adivinharam, Manel Maleiro. Parece-me um justo e digno sucessor do Homem do Bloco que foi, recorde-se, merecedor de igual destaque em dois mil e oito.
De salientar que qualquer semelhança dos nomeados – Manel Maleiro e Homem do Bloco – com alguém, circunstâncias ou factos conhecidos, ou até mesmo desconhecidos, será uma mera e infeliz coincidência. Trata-se de personagens de ficção e não passam de produtos da mente, por vezes perversa, do autor deste blogue. Algo que qualquer professor de moral ou psicanalista, da nossa ou de outras praças, explicaria com relativa facilidade.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Vozes de burro não chegam ao Kruzes

Não me importo de alimentar polémicas. Nem aqui no blogue nem noutro qualquer lugar. Mas apenas as que eu quiser e quando eu quiser.
O mesmo se aplica à publicidade. Os que procuram palco para divulgar as suas propostas – ideias parvas é capaz de ser mais apropriado – terão de procurar noutro lado. É que neste blogue apenas publicito o que me pode trazer alguma rentabilidade.

Vara

No âmbito da piada fácil e da graçola de oportunidade o robalo tem estado claramente sobrevalorizado desde que um certo “passarão” fez revelações surpreendentes acerca do conteúdo de uma determinada caixa que lhe terá sido ofertada. Mas é tempo de mudar isso. Outras espécies merecem igual destaque, havendo portanto que acabar com a exclusividade do robalo no contexto do anedotário nacional quando em causa estão presentes, ofertas, lembranças e afins.
O pombo, acredito, seria uma excelente alternativa. Tem todas as condições para isso. Até porque, recorde-se, este simpático pássaro não canta nem pia. Apenas arrulha de forma curiosa.

sábado, 2 de janeiro de 2010

"Botabaixismo"

Este já foi um local melhor frequentado. Hoje, em ruínas e com evidentes sinais de vandalismo, mostra que os seus frequentadores – ocasionais, presumo - não serão pessoas de bem nem ali se deslocarão com as melhores intenções.
Este edifício, ou o que resta dele, é património da CP. Atendendo aquilo que tem sido ao longo das últimas décadas a politica de abandono sistemático do interior do país e de desinvestimento no transporte ferroviário, não surpreende que imagens de degradação como esta sejam uma constante ao longo de todas as linhas onde o comboio deixou de passar.
O destino deste prédio, e provavelmente da maioria dos que se encontram em idênticas circunstâncias, acabará por ser a demolição. Afinal, no país do TGV e de outros investimentos faraónicos, não parece haver lugar para pequenas obras de reparação e de aproveitamento, ainda que para fins diversos do inicial, do património edificado à custa dos contribuintes. Até porque não são essas obras que interessam às construtoras do regime ou às administrações bem remuneradas. Nem a outros comissionistas.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Previsões irrelevantes para 2010

A nível nacional o ano que agora começa voltará, provavelmente e tal como os anteriores, a ser marcado pelas campanhas negras. E também pelas caixas de robalos. Nada de novo, portanto.
As previsões dos Professores Bambo e Medina Carreira não se concretizarão. O mesmo acontecerá com as do governador do Banco de Portugal. Já as previsões do governo, após dez correcções, constatar-se-á estarem rigorosamente certas.
No campo do desporto - do futebol em particular – não arrisco prognósticos quanto a campeões. Prevejo apenas que, apesar de tudo, o Sporting não desça de divisão. Nem o Porto. Até porque, relativamente a este último, não disputa o campeonato italiano mas sim a liga portuguesa.
Cá pela terrinha continuaremos a ter merda de cão nos passeios. Nos bairros porque os cães andam livremente pelas ruas – o que me parece ser proibido – e na relva que circunda o Rossio, ou na maior avenida da Europa com iluminação LED, porque os donos os levam para lá a passear. E para cagar. O que também não se afigura de todo legal.
Merda e vómito provavelmente continuarão a aparecer na piscina. A menos que as medidas que se anunciam – ainda que polémicas e passíveis de causar elevados níveis de desagrado – contribuam para sanar o problema. Embora, quanto a mim, a coisa tenha que passar pela responsabilização dos papás. Babados ou não com as performances dos seus rebentos.
O ano que agora entra poderá também marcar a retirada das inestéticas – horríveis, vá – barracas de lata dos vendedores de fruta e hortaliça do centro da cidade. O novo espaço está praticamente concluído pelo que se avizinha a sua saída daquele local. Antes que a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica faça um daqueles raids espectaculares a que já nos habituou.
Também a variante do IP2 continuará sem existir. Mesmo que os técnicos, num golpe de magia, tirem da cartola um traçado alternativo uma vinha, um urbano-deprimido à procura de sossego ou um malmequer, impedirão a aprovação do projecto. O melhor, digo eu, era fazer o desvio à cidade através de um túnel. A bastante profundidade, não vá existir por ali uma colónia de minhocas de uma espécie em vias de extinção.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Eu também sou muito mentiroso...

Tenho o maior respeito pelos depositantes do Banco BPP. Quase tanto como o desprezo que nutro pelos “gestores” que os colocaram na situação em que agora se encontram. A sua frustração pela impossibilidade de disporem do dinheiro que amealharam - não interessa agora para o caso a maneira como o conseguiram - não justifica, no entanto, que manifestem uma visão distorcida da realidade. Ao ponto de considerarem violência policial o facto de dois ou três agentes da polícia de segurança pública tentarem impedir, quase de forma amistosa, a entrada dos clientes alegadamente lesados nas instalações daquela instituição.
Se as ocupações de delegações do banco em diversos pontos do país se afiguram uma forma de luta mediática, revelam-se igualmente pouco capaz de dar frutos. Não me parece que por insistirem em ir ao banco em horas pouco próprias e por lá pretenderem permanecer durante uns tempos as coisas se resolvam. Se calhar um esquema manhoso, quase tão manhoso como o que eles dizem terá sido usado para os tramar, era capaz de dar mais resultado. Tipo uns tabefes nos administradores. Assim mais vale usar o homebanking…
Apesar do desespero de quem não pode pôr a mão na massa – que por sinal é sua – não é aceitável que seja o Estado a garantir os chamados produtos de retorno absoluto. Até porque o dito banco continua ainda hoje, no seu sítio na internet, a garantir que se trata de um investimento com elevado grau de segurança.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Coisas de milhões

A julgar pelas notícias que a comunicação social tem trazido a público nos últimos dias, 2009 não terá sido um ano assim tão mau para os milionários portugueses. Ao que tem sido divulgado os magnatas lusos terão conseguido juntar à sua fortuna mais uns largos milhões de euros. Fico satisfeito por isso. Pena que não haja muito mais pessoas a consegui-lo e, pena maior ainda, que entre elas não esteja eu. Embora, verdade se diga, não tenha feito investimentos que me permitissem sequer sonhar em ganhar mais que meia-dúzia de euros. Excluindo, naturalmente, a aposta semanal no euro milhões.
Face a estes ganhos parece cada vez mais ridícula a oposição que estes senhores fazem ao novo valor do salário mínimo previsto para o próximo ano. Mesmo não se tratando de dividir o que ganham pelos pobres – até porque a função das empresas que gerem não á a pratica da caridade – não se afigura como razoável discutir tostões quando se ganham muitos milhões. A manterem esta postura arriscam-se a ser comparados ao governador do Banco de Portugal. E comparação dessas é coisa de que ninguém orgulha.
Muitos milhões, mas neste caso dos nossos impostos, vai o governo injectar nos chamados hospitais epe. O objectivo é ajudar a pagar as dívidas das unidades hospitalares que foram transformadas em entidades de gestão empresarial com a finalidade, recorde-se, de criar “um modelo organizativo, económico-financeiro e cultural centrado no utente e assente na eficiência de gestão”. Pois.
A julgar pelos milhões em causa este fantástico modelo não terá trazido assim tanta eficiência, demonstra pouca capacidade organizativa, económica e financeiramente é um desastre e a cultura de responsabilização da gestão pelos resultados obtidos estará longe de ser implementada. A grande vantagem será a existência de mais quinze conselhos de administração…

domingo, 27 de dezembro de 2009

A solidariedade fica-lhes tão bem...

Acho comovente a preocupação - quase sempre genuína, quero acreditar - amplamente demonstrada pelos militantes, simpatizantes e apaniguados em geral dos partidos de esquerda, perante a existência daquilo a que chamam presos políticos. Na blogosfera nacional não é difícil encontrar os mais variados manifestos de solidariedade e apelos à libertação de gente que se encontra enclausurada por esse mundo fora, por aquilo que os partidários das causas fracturantes e modernaças consideram ser delitos de opinião. Limitar o direito, legitimo na opinião deles, a fazer explodir bombas e matar pessoas é, de facto, intolerável.
Ao contrário do que seria de supor nenhum dos activistas - nome pelo qual gostam de designar terroristas e outros criminosos – merecedor das preocupações da esquerda está preso em Cuba, na Arábia Saudita, na Coreia do Norte ou no Irão. O que, bem vistas as coisas, nem constitui grande surpresa. As amplas liberdades de que desfrutam os trabalhadores e o povo desses países contrastam de forma clara e gritante com a repressão que é exercida contra os norte-americanos, franceses ou espanhóis vítimas da tirania dos seus governos.
Ainda mais estranho é não ter encontrado o nome de nenhum cidadão nacional nas inúmeras listas de prisioneiros que suscitam os ímpetos solidários dos bloguistas portugueses. Nem do Mário Machado. Provavelmente esqueceram-se. Ou então a culpa é do Código Penal. Ou do Sócrates.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Dichotes politicamente (in)correctos

Quando alguém toma uma atitude mais corajosa ou manifesta de forma desassombrada o seu ponto de vista, nomeadamente quando em causa estão questões melindrosas ou polémicas, é usual dizer-se que teve, ou tem, “tomates”. Metaforicamente, claro. Porque os “tomates” em causa são os testículos e não o fruto do tomateiro.
Ora é contra o uso dessa expressão que hoje me insurjo. Acho até que - em nome da igualdade do género, da não discriminação e de outras coisas que agora não me ocorrem - tal dichote devia ser erradicado da linguagem corrente. Mais. O seu uso, por claramente discriminatório, poderia ser considerado como um insulto para com aqueles que não os têm ou, mesmo tendo-os, é como se não os tivessem.
Esta expressão parece limitar a um grupo restrito de elementos da sociedade o exclusivo da coragem e da frontalidade. Enquanto se enaltece a masculinidade esquecem-se valores essenciais como a feminilidade e outros menos comuns resultantes de opções esquisitas agora tão em voga. Podíamos, por exemplo, começar a introduzir – ou vulgarizar para não ferir susceptibilidades - no léxico nacional ditos como “teve ovários…” se nos quiséssemos referir à coragem de uma mulher, ou “teve recto…” se pretendêssemos elogiar a frontalidade de um panasca. Poder, podíamos e se calhar até era a mesma coisa.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Piadas dos outros

É uma daquelas piadas de que não me importava nada de ser o autor de tão jeitosa que é. Mas não. A minha imaginação não dá para tanto. Limito-me por isso a reproduzi-la. Não cito o autor porque já a vi em, pelo menos, meia dúzia de blogues.
Raciocínio simplex :
1. deixem que todos os homens que queiram casar com homens, o façam...
2. deixem que todas as mulheres que queiram casar com mulheres, o façam...
3. deixem que todos os que queiram abortar, abortem sem limitações...
4. em duas gerações, deixarão de existir socialistas...

"Problogger's"

Embora em Portugal ainda não seja comum, há já quem ganhe bastante dinheiro com os blogues e, até mesmo, quem se dedique a esta actividade a tempo inteiro e dela faça profissão. Claro que num “mercado” como o português - apesar dos louváveis esforços do governo no sentido de massificar o acesso à internet – não é fácil conseguir um número de visitas mensal que permita obter uma rentabilidade sequer satisfatória, quanto mais a dedicação em “regime de exclusividade”. Mesmo blogues de topo, como o Arrastão, o Blasfémias, o 31 da Armada e outros, não vão além das três ou quatro mil visitas diárias o que fica a anos-luz do milhão de visitantes mensais de muitos congéneres brasileiros e norte americanos cujos autores arrecadam, ao que se escreve na Net, avultadas somas resultantes da publicidade. Segundo alguns estudos, nos Estados Unidos haverá quase tantas pessoas a viver da blogosfera como advogados. Coisa que, à luz da nossa realidade, se torna difícil de entender.
Por cá não existem dados que permitam aferir se existirão ou não muitos profissionais nesta área. No entanto alguns rumores – apenas rumores porque ninguém se confessa – apontam para a existência de um número ainda pouco significativo, mas em franco crescimento, de gente a tentar tirar partido de todas as potencialidades que estes novos meios de comunicação proporcionam. Pena que a nível nacional estejam ainda a ser dados os primeiros passos na exploração deste segmento publicitário e, mesmo assim, apenas por pequenas empresas que só muito lentamente conseguirão ir ganhando algum espaço. De lamentar também que o “Sapo”, a Cofina e outros não abram o mercado da publicidade contextual à afiliação e continuem a apostar na sua inserção somente nos seus sites.
Quanto ao Kruzes Kanhoto, dois mil e nove foi um ano negro relativamente a esta matéria. Primeiro, provavelmente em consequência da crise, se ter verificado uma baixa acentuada do valor dos anúncios do adsense e, posteriormente, pela exclusão por razões muito mal explicadas do dito programa de afiliados. As alternativas ao programa da Google, embora sejam muitas, são de rentabilidade quase nula. Nomeadamente para um blogue que apenas publica um post por dia e não vai além dos cento e cinquenta a duzentos visitantes diários. Acalento, no entanto, expectativas que as coisas melhorem e que os meus leitores reparem um pouco mais nos anúncios que por aqui vão aparecendo…

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A todos um bom Natal!

A todos os leitores, comentadores e demais visitantes que, diária ou ocasionalmente, têm a paciência de ler o que por aqui vou escrevendo, desejo um Feliz Natal, com muita saúde e vontade de continuar a acompanhar as opiniões irrelevantes nem sempre fundamentadas do Kruzes Kanhoto!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Abel - o Xavier - e o islão

Ao contrário do que esperam muitos dos meus leitores – dois ou três, vá - não me vou pronunciar nem fazer umas quantas piadas mais ou menos javardolas acerca da conversão de Abel Xavier ao islão. Primeiro porque não tenho nada contra quem, como individuo, professa essa religião mas sim contra tudo o que ela significa enquanto ideologia, o que representa e o que pretende impor à nossa sociedade. Em segundo lugar pelas alegrias que, enquanto profissional de futebol ao serviço do Benfica, Abel Xavier me proporcionou. Não foram muitas, é verdade, mas pelo menos uma é inesquecível. Refiro-me, obviamente, ao mítico jogo de Leverkusen onde com um fantástico golo, na sequência de um remate a trinta metros da baliza, contribuiu decisivamente para umas das mais brilhantes exibições que me recordo de ver ao Glorioso. Foi um jogo épico e pleno de emoção, daqueles a que raramente temos o privilégio de assistir por só acontecerem de muitos em muitos anos, e este agora islamita contribuiu para isso.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pressão baixa

Sei que por cá ninguém lê blogues. Não espero, por isso, que quem tem cão leia o Kruzes. Contudo desconfio que um daqueles cães a quem só falta falar, como gostam de afiançar os donos babados perante as façanhas dos seus filhos de quatro patas, anda a ler o que por aqui escrevo acerca dos dejectos que os da sua espécie vão largando à minha porta. Pena que o desgraçado só leia. Era melhor que falasse. Assim podia ofender-me em lugar de escolher esta miserável forma de pressão.
Durante meses, anos até, refutei a existência de qualquer tipo de pressão contra os autores dos blogues de Estremoz. Cheguei, inclusivamente, a garantir que isso não era mais que um pretexto mal amanhado para deixar de escrever depois de esgotada a inspiração ou atingido o objectivo a que se tinham proposto e agora… fazem-me isto! Há três ou quatro dias, invariavelmente a cada manhã, lá está um valente monte de merda bem à minha porta. O que, em meu entender, constitui uma tentativa – inútil garanto desde já – de me pressionar, intimidar e de silenciar o meu protesto relativamente a esta matéria. Mole, asquerosa e onde me apetecia enviar o focinho do dono e a tromba da dona.

sábado, 19 de dezembro de 2009

E o reaccionário sou eu?!

Há quem não se incomode com o crescente avanço da influência islâmica no ocidente, em particular na Europa, e veja até a progressiva islamização do velho continente como algo de positivo na medida em que contribuirá para enriquecer a nossa diversidade cultural. Não comungo dessa ideia, não me canso de o afirmar e, com as poucas armas que tenho ao meu dispor, lutarei contra ela até ao último dos meus dias. Ainda que os admiradores da esquerda moderna, progressista e bem pensante me condenem por isso deverão ter, pelo menos, a honestidade intelectual de reconhecer que é um direito que me assiste. Embora, nessas coisas dos direitos, a esquerdalha e os ditadorzecos do politicamente correcto manifestem uma selectividade tão estranha como os seus princípios…
Se por cá os sinais de afirmação do islão ainda não são preocupantes o mesmo não se pode afirmar de outras regiões da Europa. Em França, por exemplo, as reivindicações dos seguidores dessa ideologia estão a atingir níveis que vão muito para além do razoável e, em muitas circunstâncias, colidem com o modo de vida dos franceses pondo mesmo em causa direitos, liberdades e garantias que eram dados adquiridos para qualquer ocidental.
Segundo relatos da imprensa francesa em algumas empresas os trabalhadores de origem muçulmana exigem a retirada dos menus que incluam carne de porco das respectivas cantinas. Isto porque não aceitam que seja confeccionada ou consumida carne daquele animal no local onde tomam as suas refeições. As reivindicações atingem o ridículo de exigir que as empregadas que os servem estejam devidamente cobertas e não ostentem decotes ou os braços destapados! Também algumas piscinas, pavilhões e outros equipamentos desportivos municipais, por pressão da mourama, adoptaram já horários diversificados para homens e mulheres.
É, como se vê, o regresso à ditadura, ao fascismo e à idade das trevas. À substituição da democracia pela “sharia”. Tudo com o beneplácito da esquerda, dos que advogam a tolerância e dos multiculturalistas. Ou dos traidores, como prefiro considerá-los. Cobardes que não se cansam de escrever e falar em nome de amanhãs, mas que se preparam para deixar aos seus filhos um mundo que em nada honra a memória dos seus pais e dos seus avós.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Aumento chocante

Os argumentos recentemente apresentados como justificação para o aumento do preço da electricidade em quase três por cento, muito acima da inflação e dos aumentos salariais previstos, são uma verdadeira ofensa à inteligência dos portugueses. Lamentavelmente não se registaram reacções significativas a este anúncio, o que me faz pensar que andamos todos distraidos ou então já ninguém liga às parvoíces com que nos vão enganando.
Justificar o aumento do preço com o facto de se ter verificado uma quebra no consumo parece-me de muito mau gosto e uma desculpa de mau pagador. Ou, no caso, de mau vendedor. Principalmente quando existem estímulos de vária ordem, nomeadamente governativos ao nível da concessão de benefícios fiscais, para o uso de energias alternativas que substituam o consumo da energia eléctrica fornecida pela EDP.
Para irem ainda mais ao fundo do bolso podiam ter arranjado explicações mais convincentes. Por exemplo que os ordenados principescos dos administradores, as inúmeras viaturas de serviço ou alguns investimentos megalómanos terão de ser pagos por alguém. Os do costume, de preferência. Já estão habituados.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária

Para gáudio de uma certa malta o governo aprovou finalmente as alterações legislativas que vão permitir alargar o âmbito do conceito de casamento. Haverá, calculo, muita gente a rejubilar com mais uma sábia medida, do não menos sábio, líder do mais genial governo de todos os tempos. Exceptuando, talvez, o que nos governou nos últimos quatro anos e meio. Por mim hesito em rejubilar. Isto porque estou inteiramente de acordo com a decisão do governo, embora simultaneamente de opinião contrária e, por outro lado, é coisa pela qual manifesto mais profundo desprezo.
Concordo porque é bom para a economia. Toda a indústria casamenteira, chamemos assim, terá um incremento significativo no seu volume de negócios e, com certeza, isso irá gerar mais uns quantos postos de trabalho. A conflitualidade conjugal e a decorrente litigância sofrerá igualmente um acréscimo, o que motivará uma maior actividade nas áreas de negócio ligadas à justiça e ao direito. Finalmente também o Estado, como não podia deixar de ser, sairá a ganhar. Dois paneleiros ou duas fufas que decidam casar irão pagar substancialmente mais irs do que pagariam se continuassem solteiros. Logo, também pela via fiscal, esta parece uma medida positiva.
Por outro lado estou-me nas tintas. Eles que façam o que muito bem lhes apetecer com o rabiosque, simulem o que quiserem, brinquem ao faz de conta, casem, briguem-se e paguem mais impostos que, desde que não me chateiem, é coisa que não me interessa.
O desagradável desta nova realidade terá mais a ver com aspectos burocráticos. Imagine-se que alguém, no preenchimento de um qualquer formulário, pergunta a outrem se é casado e, perante uma resposta afirmativa, se com um homem ou com uma mulher. Isto enquanto a lei não contemplar o direito ao casamento entre espécies, claro. Não sei como a maioria das pessoas normais reagirá mas, quanto a mim, dou-lhe um murro nos cornos. Ou, pelo menos, fico com vontade de lho dar.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Janela improvável

Esta foto não tem nada de especial. Nada mesmo. Deve ser por isso que pouco me ocorre para escrever acerca dela. Verdade que a coexistência de três elementos me deixa de certa forma curioso. Mármore, gradeamento e azulejos convivem ali numa coexistência improvavel e simultaneamente estranha. Ou inútil.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Apanhados do clima

Como já escrevi inúmeras vezes nunca achei grande piada aos ecologistas, ambientalistas, pacifistas e outra malta, normalmente de aspecto duvidoso, que parece não ter mais nada que fazer na vida senão andar a protestar de cidade em cidade por esse mundo fora onde se realizem reuniões de chefes dos governos mais importantes do planeta. Não consigo descortinar qualquer tipo de credibilidade nem acreditar nas motivações científicas de uma criatura pouco menos que maltrapilha, com aspecto de manter uma relação inconciliável com a higiene e, em alguns casos, de cara tapada com se tivesse receio das verdades absolutas que nos pretende transmitir.
Para além dessas, outras questões não menos inquietantes, se levantam. Será que esse pessoal não trabalha ou, mesmo que o faça, como consegue arranjar tanto tempo livre e disponibilidade financeira para as deslocações? Ou, como há quem garanta, haverá uns quantos lobbies a financiar certas verdades tidas como convenientes? O fumo dos produtos que consomem não será, também ele, prejudicial, sob as mais diversas formas – desde o que vai para a atmosfera até ao posterior tratamento das consequências que provoca – para o planeta que dizem querer mais limpo?
Por fim, o modo escolhido para demonstrar o seu apego ao ambiente e a indignação contra as mudanças climáticas não podia ser pior. Partir montras, escavacar sinais de trânsito e mandar umas pedradas à polícia não me parece a forma mais eficaz de garantir a sustentabilidade do planeta. É má educação, descredibiliza as ideias por que dizem lutar e, pior, vai exigir que mais recursos sejam gastos a repor o que os meninos malcomportados estragaram.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

E se fosse uma mesquita?

A construção da nova Igreja de S. Francisco Xavier, no Restelo, em Lisboa, está a motivar acesa polémica. O projecto, que apresenta a igreja em forma de caravela dourada, tem motivado reacções negativas que colocam em causa, entre outras questões, a sua localização, volumetria e altura de uma das torres do edifício.
Podem até todos ter razão. Provavelmente terão. A mim, que não sou muito dado a essas coisas da religião nem aprecio fundamentalismos de qualquer espécie – sejam eles urbanísticos ou religiosos – fica-me apenas a dúvida se, caso se tratasse da construção de uma mesquita com um minarete, os que agora contestam manteriam a mesma posição. Talvez um destes dias venhamos a descobrir… 

domingo, 13 de dezembro de 2009

O maior progenitor português foi um padre!

Sexo, religião, politica e justiça constituem ingredientes bastantes para uma boa história de sacanagem. Como a que a seguir transcrevo e que pode ser encontrada na wikipédia. É só procurar que está lá tudo. Da sua leitura facilmente se conclui que algumas questões que ainda hoje ensombram a vida pública já se arrastam através dos séculos. A libertinagem de alguns agentes da igreja, a desertificação do interior e a ingerência do poder político nas decisões judiciais são, entre outras, as que podemos encontrar na breve historieta que se segue:
O Padre Francisco Costa foi provavelmente o maior progenitor português. Ele era prior da cidade medieval de Trancoso no século XV, dando origem a 275 filhos concebidos por 54 mulheres. Em processo movido por libertinagem na época o padre chegou a confessar que manteve relações sexuais e teve filhos com 29 afilhadas, 9 comadres, 7 amas, 2 escravas, 5 irmãs e uma tia, além da própria mãe.
Conforme sentença proferida em 1487 (cuja cópia repousa no Instituto Arquivos Nacionais Torre do Tombo, em Lisboa) ele foi condenado e a sua pena passava pelo arrastamento nos rabos dos cavalos pelas ruas públicas, com seu corpo em seguida sendo esquartejado e posto aos quartos, onde a cabeça e as mãos seriam depositadas em diferentes distritos. Porém o rei D. João II entendeu perdoar-lhe a pena e ordenou que fosse enviado para casa no dia 1 de Março desse mesmo ano, baseado no facto de "o padre Francisco Costa ter contribuído para o povoamento da Beira Alta".
A casa onde viveu o padre Francisco Costa é agora o restaurante "O MUSEU".
Sentença Proferida Em 1487 Contra O Prior de Trancoso
Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Autos arquivados no armário 5, maço 7:
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado, o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido:
- Com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos;
- De cinco irmãs teve dezoito filhas;
- De nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas;
- De sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas;
- De duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas;
- Dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas,
- Da própria mãe teve dois filhos.
Total: "duzentos e setenta e cinco, sendo cento e quarenta e oito do sexo feminino e cento e vinte e sete do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e quatro mulheres".

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Food Alentejo

Se bem entendo os princípios da coisa – da causa, talvez – o denominado Movimento Slow Food terá como finalidade contrariar o fast food, o ritmo frenético da vida actual e o desaparecimento das tradições culinárias. Pretende igualmente este Movimento internacional promover o interesse das pessoas pela procedência e sabor dos alimentos que consomem, bem como desenvolver programas de educação alimentar a favor da biodiversidade. Tudo, portanto, boas razões para nos congratularmos com a sua existência.
Como acontece quase sempre com os denominados “Movimentos”, deve ser por isso que se chamam assim, também este se espalhou pelo planeta - mais uma espécie de franchising - e chegou, há algum tempo, ao Alentejo. Nada de mais. Principalmente se tivermos em conta a má afamada lentidão nossas gentes – uma injustiça contra a qual voltarei a salivar um destes dias – e a rica tradição dos “comeres” alentejanos. Verdadeiras iguarias que, diga-se, estão por estes dias a ser promovidos junto da criançada que, lamentavelmente, já conhece melhor o sabor de uma lasanha congelada do que o excepcional gosto de umas migas com carne de porco.
Reconheça-se no entanto que há coisas que não se devem juntar. Água com azeite será o exemplo mais conhecido. Com as palavras sucede o mesmo. Lembro-me de, em tempos já distantes, o Portimonense ter uma dupla de centrais que obrigava os gajos dos relatos radiofónicos a fazer uma pausa quando anunciavam a constituição da equipa. Eram o Amílcar e o Alhinho. Ou do outro que insistia em ser conhecido pelo nome com que o padrinho o tinha baptizado – Adolfo - e pelo apelido do seu distinto pai. O Dias.
Com este movimento sucede algo parecido. “Slow Food Alentejo” lido assim, para o pessoal que nem o inglês técnico conseguiu tirar, é capaz de parecer outra coisa. Boa, igualmente, e que, se quisermos ser brejeiros, dará para fazer umas quantas piadolas relacionadas com a gastronomia. Ou uns trocadalhos do carilho.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Solidariedade selectiva

Esta zovem, provavelmente a soldo do capitalismo e do imperialismo ocidental, quase de certeza também dos interesses americanos no petróleo da zona, insulta de forma vil o Presidente do seu país, democraticamente eleito pelo povo em eleições livres e justas. É perante coisas destas que me apetece dizer: “O fascismo não passará!”. Ou, em alternativa, “o multiculturalismo é uma coisa muito linda”.
Claro que esta atitude seria muito mais valorizável se o gesto fosse destinado a um suíço e a zovem lutasse pelo seu direito inalienável a ver construídos muitos minaretes nas terras helvéticas, lugares habitados por gente sem cultura e reaccionária como o caraças, mas é o que se pode arranjar.
Curioso como os protestos de rua e a brutal repressão que foi exercida sobre os manifestantes que em Teerão lutam pela liberdade, contra o regime ditatorial e criminoso dos ayatollahs, não merecem da esquerda nem da intelectualidade bem pensante qualquer referência nem suscitem entre os habituais defensores das lutas latino-americanas ou palestinianas o mais ténue protesto.