Que diferenças existem entre o discurso de Manuela Ferreira Leite e a prática governativa de José Sócrates? Nenhumas, diria eu. Sem ponta de ironia. Talvez a líder do PSD tenha o coração mais perto da boca, coisa de família a julgar pelo que se ouve todas as segundas à noite num canal televisivo, e diga em voz alta aquilo que o primeiro-ministro não permite que os seus lábios pronunciem.
Recorde-se, a propósito, o que o insuspeito socialista António Barreto escreveu no jornal “Público”, no inicio deste ano, acerca do seu camarada que ocupa o lugar de presidente do conselho de ministros.
"Não sei se Sócrates é fascista. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu Governo. O primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.
Temos de reconhecer: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo..."
