sábado, 15 de novembro de 2008

Bota abaixo!

Muitos municípios estão a optar por agravar a taxa de IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis – para os prédios devolutos e/ou degradados dos centros urbanos. O que em teoria parece uma medida sensata, pois supostamente visará penalizar os proprietários que não colocam os prédios no mercado de arrendamento nem promovem a sua recuperação, pode não passar apenas de um descarado aumento da carga fiscal sobre o património. Provavelmente a melhor solução para muitos desses edifícios – os degradados, evidentemente - seria a sua demolição e a requalificação do espaço por eles ocupado.

Estremoz não é uma cidade, pelo menos por comparação com outras, onde esta questão seja demasiado preocupante. Embora existam situações pontuais, merecedores de alguma atenção, nomeadamente a Rua Magalhães de Lima. A demolição dos prédios em ruína junto ao largo do Espírito Santo e o aproveitamento do terreno entretanto liberto poderia constituir uma mais-valia para a zona, aproveitando o espaço para outro tipo de infra-estrutura. Até porque, face à acentuada diminuição de população, a construção de novas habitações não se afigura como prioritária.

Outro exemplo apontado com frequência é o da antiga casa da Câmara junto ao Arco de Santarém. Embora muitos idealizem a reconstrução do edifício, para ali instalar qualquer coisa relacionada com actividades culturais manhosas, daquelas que nos dias bons atraem o interesse de quatro gatos-pingados, a melhor solução passaria, também, pela sua demolição. Poupar-se-iam ao erário público alguns milhões de euros em estudos, pareceres, projectos, construção, manutenção e custos de funcionamento enquanto a cidade ganharia um amplo espaço, no centro histórico, onde podia, por exemplo, ser construído um jardim. Ou na falta de ideias melhores, um parque de estacionamento.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Não regulam bem...

Nos últimos tempos a actividade de regulador tem estado em foco, quase sempre, pelas piores razões. Embora muitos, agora, a entendam como essencial e exijam cada vez mais regulação para tudo e mais alguma coisa, não creio que esse seja o caminho. Quando as coisas dão para o torto, ou correm mal o que é quase o mesmo, é aos tribunais que compete fazer com que os prevaricadores paguem pelos seus actos, enquanto quem cumpre vai continuando a fazer a sua vidinha sem necessidade que venham uns quantos figurões, de uma alta autoridade qualquer, armar-se em reguladores.

Aplicado a tudo o que envolva comunicação, seja qual for o meio, o conceito de regulação será sempre confundido com censura ou, no mínimo, como algo condicionador da liberdade de opinião. Incluo aqui os blogues. As regras são impostas pelas empresas que disponibilizam as plataformas de alojamento, com as quais se concorda ou não e não concordando procura-se outro serviço, e os conteúdos aqueles que os seus autores entenderem como mais apropriados ao fins que procuram atingir com a sua criação. Matérias como inclusão de propaganda política, publicidade ou qualquer outro tipo de mensagens terão de, forçosamente, ficar ao critério de cada autor desde que respeite os termos de utilização do serviço de alojamento.

Tentar regular a blogosfera é contra a essência do que são os blogues e dar o primeiro passo para o seu fim. E, se calhar, para o fim de outras coisas que hoje damos por garantidas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O post pode esperar

Aborrecido, chato, desagradável ou ligeiramente irritante é como qualifico o desaparecimento do texto que tinha preparado para hoje. Ou melhor para amanhã dado que estou a escrever hoje, ou seja o meu hoje não é o mesmo hoje – e ainda menos o mesmo amanhã - de quem tem o azar de me estar a ler.

Pior ainda. Com o dito texto sumiram-se mais uns quantos escritos que, num raro momento de inspiração, tinha preparado e que pensava publicar ao longo dos próximos dias. Talvez, se a memória ajudar e me conseguir lembrar das alarvidades que escrevi, possa recuperar alguma coisa. Caso contrário não se perde nada de muito especial. A manifestação de regozijo pela quase absolvição de Fátima Felgueiras, essa padroeira da capital do calçado a quem alguns queriam dar com os pés, pode esperar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Dona Milú, as quase beijocas e os ovos.

Não tenho qualquer espécie de admiração pela Ministra da Educação, nem devo ser o único a achar que a senhora, com ares de uma respeitável e preocupada dona de casa, que doravante será mencionada neste texto como Dona Milú, nada deve ao bom aspecto, à simpatia e, sobretudo, ao tacto político.

Esta quase antipatia não tem, no entanto, a ver com as questiúnculas em que a senhora tem estado envolvida nos últimos tempos. Que é como quem diz desde que chegou ao governo. Data do inicio deste ano, quando numa cerimónia realizada em Évora me preparava para a cumprimentar, arrefindado-lhe duas beijocas – com todo o respeito que a senhora e o cargo que exerce me merecem – e a Dona Milú me estendeu secamente a ministerial mão. Não é, obviamente, pela beleza, mas porra nunca beijei uma ministra e quando tenho oportunidade de cumprimentar uma ela estende-me a mão! Não lhe perdoo.

Ainda assim não gostei da recepção, direi mesmo que foi deplorável, que uns quantos alunos fizeram ontem quando a senhora ministra se preparava para distribuir mais uns quantos diplomas. Atirar ovos acima de alguém é de um mau gosto atroz e de uma falta de educação quase ao nível do ministério da dita. Em consequência disso a Dona Milú deu às de vila Diogo e ninguém mais lhe pôs a vista em cima. Nem mesmo aqueles que só lhe queriam dar uma beijoca. Tá mal, pá!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ostentações de merda

Bairro da Salsinha à porta de quem não tem cão
Bairro da Salsinha junto ao infantário "Os Fofinhos"
Monte da Razão junto ao lar da Cerciestremoz

No último número de um dos jornais cá da terra, no caso o “Ecos”, são entrevistados vários cidadãos que têm em comum o facto de serem donos de cães. Instados a pronunciarem-se sobre o que fazem aos dejectos dos respectivos animais de estimação quando os levam a passear, todos garantem que os recolhem com um saco plástico e os depositam no lixo. Obviamente que, quanto aos cidadãos em causa, não tenho a mais pequena razão para duvidar que assim procedam. Diria mesmo que deles nem esperaria outra coisa.

Pena que o seu exemplo não seja seguido por outros habitantes, nomeadamente pelos moradores dos bairros da Salsinha, Quinta das Oliveiras ou Monte da Razão. Mesmo não querendo generalizar - as generalizações são sempre perigosas - muitos dos que por aqui moram não têm igual cuidado com os seus animais. A prática corrente é soltá-los ou conduzi-los pela trela, para que estes façam as necessidades fisiológicas longe das suas casas ou quintais, preferencialmente à porta ou até mesmo no quintal dos outros, sem qualquer preocupação pela limpeza das ruas nem com a saúde de quem por ali circula.

Muitos dos que tem estas atitudes são pessoas com instrução acima da média, algumas com responsabilidade nas áreas da formação e da educação de crianças, pelo que este tipo de comportamento lhes fica ainda pior. Gostava de acreditar no contrário mas, infelizmente, não creio que os exemplos oportunamente divulgados venham a ter eco junto de gente que ostenta tudo menos consciência cívica.