Durante o fim-de-semana um banal incidente doméstico envolveu a necessidade de utilização de um dispositivo para fixar solidamente dois objectos entre si. Dado que, na situação em causa, o pequeno problema apenas podia ser resolvido mediante o recurso a um parafuso e uma porca, e não dispondo em casa destes acessórios nas dimensões adequadas, tentei adquiri-los numa grande superfície comercial da cidade. Até porque, estando o restante comércio encerrado, nem o podia fazer noutro sítio.
Estavam-me, no entanto, reservadas algumas surpresas. Após encontrar a medida dos parafusos pretendidos constatei que a embalagem não incluía as respectivas porcas. Uma inovadora estratégia de vendas ou uma imposição legislativa visando proteger o consumidor incauto que apenas pretenda comprar parafusos e tenha que gramar com as porcas, foi o que primeiramente me ocorreu. Nada disso. Uma mais cuidada observação permitiu-me constatar que nenhuma das espécies de parafusos e porcas, à venda em embalagens separadas, tinham qualquer relação de medida entre si. Ou seja, nenhuma das porcas enroscava em nenhum parafuso exposto. O que me leva a concluir que, afinal, é só burrice da parte de quem vende.
Sem estes acessórios, apenas umas artimanhas manhosas permitiram minorar os estragos. Resta-me ter esperança que a coisa aguente até o comércio tradicional reabrir.
