quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O sacana do cão não cagou!

Ao deslocar-me hoje a Évora deparei com um número inusitado de pessoas – na sua esmagadora maioria jovem – com uma indumentária totalmente negra, ao estilo do Mancha. Ou do Zorro, mas sem chapéu. Circulavam em bandos pelo centro da cidade enquanto iam berrando obscenidades e impropérios dirigidos a outros jovens sensivelmente da mesma idade, estes com ar aparvalhado e com a cara e outras partes do corpo pintadas.

Entre os transeuntes havia quem garantisse que, todos eles, eram estudantes e que se tratava de algo a que chamam praxe. Algo que, garantem os defensores desta pseudo tradição, se trata de uma forma de integrar os alunos recém-chegados à universidade.

Não creio que assim seja. Nem tão pouco acredito que cidade tolere este tipo de comportamento por muito mais tempo. Se as tais criaturas vestidas à “Mancha” ou à Zorro sem chapéu olharem à sua volta, facilmente constatarão que todos os olhares lhes são dirigidos com desprezo e reprovação.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Boatos e rumores

Dizia-se em tempos que o boato era a arma da reacção. Apelava-se, nessa altura, a que os portugueses não dessem crédito nem ajudassem a propagar supostas notícias que visariam destabilizar o processo revolucionário em curso que conduziria o país no glorioso caminho rumo ao socialismo.

Muita coisa mudou entretanto. Ao contrário do que então se garantia, de punho em riste e vozes ao alto, a reacção acabou por passar e o caminho seguido sofreu, para o bem e para o mal, os desvios conhecidos e que nos conduziram a esta espécie de lugar nenhum. Também o boato desapareceu. Em seu lugar surgiu o rumor. Herdou os malefícios do seu antecessor e para isso nos alertam os actuais responsáveis pelo processo actualmente em curso. Seja ele qual for.

Ficámos hoje a saber, através dos gajos que percebem destas coisas, que a criminalidade afinal não aumentou, ao que parece tudo não passou de rumores. O mesmo se pode dizer da crise financeira. Embora essa pareça existir, também quanto a isso não devemos ligar ao que por aí se diz, nem dar credibilidade a algumas vozes. Voz abalizada quando o tema envolve dinheiro, Vítor Constâncio alerta-nos diligentemente para não ligarmos aos ditos rumores que, tal como os boatos do PREC, apenas pretendem aniquilar o sistema.

Provavelmente será do meu mau feitio, ou então de uma inexplicável mania de complicar o que é simples e transparente, mas não consigo deixar de fazer estranhas associações entre boatos e rumores, criminalidade e crise do sistema financeiro ou, até mesmo, entre caminhos que sofreram desvios que, cada um na sua época, se afiguravam como altamente improváveis.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Coisas que não interessam a ninguém ou a verdadeira razão porque ninguém lê este blogue

Um comentário a um post anterior, certamente carregado de uma ironia tão boa que até podia ter sido eu a fazê-la, fez-me pensar acerca da “qualidade” do conteúdo deste espaço. É verdade que não pensei muito. Até porque, pensando bem, a qualidade não é o que mais interessa aos leitores – também não interessa nem ao menino Jesus, mas isso é outra história - nem o que mais contribui para o sucesso de um blogue. Isto se o sucesso for medido pelo contador de visitas, evidentemente.

Não nutro grande simpatia pelo conceito de “qualidade”. Chego mesmo a desconfiar que, aplicada por exemplo à blogosfera, essa coisa não é mais que um negócio manhoso. No entanto tenho procurado desde o inicio que este blogue tenha algumas qualidades. Embora, como está amplamente demonstrado, raramente o consiga.

Acredito que algumas coisas aqui publicadas podem por vezes causar níveis razoavelmente elevados de azia - lamentavelmente, por mais que me esforce, ainda não consegui provocar um único caso de afríca - a quem se sinta atingido por uma ou outra expressão mais contundente. Se calhar é por isso que preferem navegar por outros blogues muito mais navegados. Ou então é mesmo da qualidade.

domingo, 5 de outubro de 2008

O deserto

Em consequência de políticas há muito seguidas de abandono sistemático do território e não obstante irem surgindo timidamente alguns incentivos por parte de muitas autarquias, a desertificação humana do interior é um fenómeno que não dá sinais de recuo.

Os resultados do recenseamento eleitoral mostram, como se isso ainda fosse necessário e não estivesse à vista de todos, esse verdadeiro drama com o qual poucos parecem preocupados mas que é, quanto a mim, o mais grave problema do país. A inexistência de pessoas que ocupem o território de uma nação é algo inconcebível e disso até os nossos antepassados sabiam.

Embora não seja, nem de perto nem de longe, dos concelhos onde esta questão se coloca com mais acuidade, veja-se o exemplo de Estremoz. Desde o ano 2000 e até 31 de Dezembro de 2007 o concelho perdeu 675 eleitores, 135 do quais só no último ano. Estes números representam uma perda, em apenas sete anos, de 4,88% dos eleitores recenseados, o que em termos de população residente significará, provavelmente, uma diminuição ainda maior.

Mesmo em concelhos onde têm sido tomadas algumas medidas visando incentivar a natalidade e a fixação de jovens, os resultados demonstram a pouca eficácia desses incentivos. É óbvio que a solução, se é que existe, demorará a ser encontrada e estou mesmo em crer que tudo piorará neste e noutros aspectos no Alentejo até que um dia comece finalmente a melhorar.

Canal Benfica só no Meo?! Hum....

Volta e meia sou assediado pelo telemarketing de uma qualquer operadora de televisão por cabo que me pretende vender os seus serviços, ou até mesmo pela que já me presta o serviço de telefone, internet e televisão, para que adquira o acesso a mais um ou outro canal televisivo.

Possivelmente por desconfiarem do meu gosto pelo futebol, a insistência relativamente à Sport Tv tem posto à prova a minha capacidade de resistência a todo o género de promoções fantásticas, ofertas extraordinárias e oportunidades magníficas, não poucas vezes também são imperdíveis, que me tem sido propostas. É verdade que cada uma é mais tentadora que a outra, mas o chato da coisa é que todas elas envolvem o desembolso de uma quantia que considero significativa.

Se até agora tenho travado um diálogo mais ou menos cordato, até relativamente simpático, com quem me tenta impingir um produto que não estou minimamente interessado em comprar, a julgar pela última abordagem tenho a ligeira impressão que de agora em diante vai ser diferente. Quase certa do meu benfiquismo – não é difícil falhar porque três em cada quatro portugueses são adeptos do glorioso – garantiu-me que caso não aderisse ao “MEO” deixaria, a breve prazo, de poder assistir a jogos do Benfica, pois estes passarão a ser exclusivamente transmitidos por aquela operadora. Ora isto é demais para um adepto do Benfas! É a guerra. E na guerra vale tudo. Ou quase. Mas, não sei porquê, tenho uma ténue esperança que não vai ser bem assim…