sábado, 5 de setembro de 2026

A chata mania de não gostar de ser assaltado

 


O caso do cavalheiro que foi vítima do gangue do Rolex tem dado muito que falar. E escrever, também. Diz que o homem – de quem sabemos tudo, desde a raça do cão até à marca de aftershave que usa, ao contrário do criminoso de quem apenas se suspeita que goste de relógios e de ar livre – pode vir a ter chatices com a justiça por causa da sua reação ao assalto. Parece que, naquelas circunstâncias, o seu comportamento foi absolutamente irresponsável, condenável e, presumo, profundamente fascista.

De facto aquilo não se faz. Anda um pobre deserdado da fortuna a fazer honestamente o seu trabalho – no fundo, ou à superfície tanto faz, gamar é uma ocupação tão respeitável como a helicicultura – e depois fazem-lhe isto. Não está certo. Não se persegue um técnico especialista na subtração de bens alheios apenas porque se tem um inusitado e injustificado amor a uma traquitana que só serve para ver as horas. Mais ainda quando o trabalhinho tinha sido feito com toda a limpeza, elevado profissionalismo e um toque de delicadeza.

Há, reitero, que mostrar empatia com quem trabalha. Perante um assalto devemos sempre colaborar. Ser simpático com o profissional do crime, entregar voluntariamente tudo o que ele – ou ela, ou seja lá o que for – pretender tornar seu e, se possível, providenciar o bem-estar do delinquente. Oferecer-lhe um cafezinho, uma mini, ou uma água não vá o gajo ficar desidratado e acusar a vitima de tentativa de homicídio por inanição hidrica. Eventualmente, até, disponibilizar-se para fazer uma massagem capilar ao meliante ou ouvir a sua história de vida para melhor perceber as causas profundas que o levaram a escolher aquela profissão em vez de uma carreira no âmbito da física quântica.

Convém, no entanto, ter em conta que quem assalta é por norma mais pobre do que quem é assaltado. O que, perante muita gente, legitima o roubo por via da redistribuição instantânea de matéria. Daí que, neste caso, a matemática financeira desempenhe um papel importante. Se, na sequência do roubo e após umas contas de cabeça, o assaltado concluir que fica mais pobre do que o assaltante, parece-me que existe legitimidade para se reapoderar do que antes lhe tiraram. Ou seja, fazer um pequeno biscate no sector da criminalidade preventiva. Ninguém, excepto os imbecis do costume, lhe levará a mal.

10 comentários:

  1. Anónimo9:26 p.m.

    BOM FIM DE SEMANA

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  2. A tua ironia é excelente e fez-me rir:))))
    Abraços e um bom domingo!

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    1. Obrigado! São apenas umas alarvidades...

      Cumprimentos

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  3. Já ninguém respeita ninguém, nem os ladrões.
    Cumprimentos, caro KK.

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    1. Pois não, caro António. Isto no que diz respeito ao respeito já não há nenhum.

      Cumprimentos

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  4. Se ficou algo de positivo no caso, é que deixou de andar por aí menos um criminoso e parasita. É a vida. Houvesse mais casos similares, poderia fazer pensar duas vezes quem sabe que neste país o criminoso tem mais direitos e protecção que a vítima.

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    1. Infelizmente o criminoso tem mais direitos do que a vitima. Pelo menos até ao momento em que o criminos escolhe a vitima errada.

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