domingo, 27 de setembro de 2026

Causas e habituações

 


Acredito que apenas muito poucos, em alguma ocasião, compraram um tijolo ou mudaram uma torneira. Apesar disso quase todos sabem tudo acerca da problemática da habitação. Constituirão, também, uma ínfima minoria os que entendem como funciona o IRS. Isso, ainda assim, não obsta a que as redes sociais, os jornais, as televisões e qualquer outro local onde o assunto venha à baila esteja repleto de especialistas especialmente especializados em fiscalidade. Nomeadamente quando o tema são os combustíveis e a habitação. Por mim – apesar de ter carro e já me terem passado muitos tijolos e algumas torneiras pelas mãos - não me incomoda nada reconhecer a minha ignorância quanto à solucionática para qualquer destas problemáticas.

Já no que diz respeito à parte da fiscalidade, fico cada vez mais boquiaberto com as teses mirabolantes que vou vendo, ouvido e lendo. Inclusivamente, algumas, desenvolvidas por criaturas pelas quais até nutria uma certa admiração, dado o conhecimento que detém sobre o tema. Um desses cavalheiros, num artigo publicado na passada semana, defende o aumento dos impostos sobre o património como forma de fazer baixar o preço das casas. Posição que é igualmente preconizada por outros especialistas na especialidade e que, como era de esperar, suscitou um enorme coro de aplausos dos invejosos do costume. Muitos deles, se calhar a maioria, defendem também a redução dos impostos sobre os combustíveis como forma de baixar o preço dos mesmos. Coisa que, assim de repente, me deixa ligeiramente baralhado.

Cada qual pode defender as teses que quiser e a imaginação ditar. Não será por isso que qualquer destes problemas terá solução num futuro próximo. A carestia dos combustíveis depende de factores externos e a da habitação - para além do aumento dos custos de construção e manutenção – da procura e da oferta. Afinal, o milhão e meio de pessoas que entrou no país em meia-dúzia de anos tem de morar nalgum lado. O tempo que andaram a chamar fascistas, xenófobos e a mandar outras bacoradas para o ar tivessem, ao menos, reconhecido que isso constituía um problema. Como, de resto, já havia constituído quando do regresso dos retornados. Os burros não tropeçam duas vezes na mesma pedra. Esperar que os socialistas também não, é ser demasiado exigente com eles.

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