sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Efeito carrossel

As medidas anunciadas ontem pelo primeiro-ministro são assim uma coisa a atirar para o poucochinho. Apesar disso têm motivado horas e horas de debate. Centrado quase todo, diga-se, na miserável redução de IRS que o homem anunciou. Na SIC, a jornalista que moderava o debate levou o tempo a contestar a medida. Que, para ela, em nada beneficia quem não paga IRS. O que, parece-me, faz sentido. Aquilo, por maior estranheza que possa causar à mulher, é como dizia o tipo do carrossel: “Mais uma voltinha, mais uma viagem, aqui menina bonita não paga, mas também não anda”.

Esta é, de resto, uma discussão recorrente sempre que há mexidas no imposto sobre o rendimento. É óbvio que, sendo um imposto progressivo, quando sobe afecta os que ganham mais, quando desce beneficia os que mais ganham. É matemática, ou lá o que chamam à ciência que trata destas cenas. Quem não sabe, aprenda ou deixe de dizer bacoradas como se de verdades absolutas se tratassem. Deste ponto de vista nunca se baixava nenhum imposto, pois haverá sempre alguém que não é abrangido pela sua incidência.

Depois há aquela coisa do “dar”. O governo não dá nada. O pouco dinheiro que resulta desta redução – meia dúzia de euros num ordenado médio – não é do Estado. É dinheiro nosso. O Estado limita-se apenas a sacar menos umas migalhas. Como já escrevi noutras ocasiões isto é tão básico, mas mesmo tão básico, que apenas um básico não entende. Até o meu gato imaginário, o Bigodes, percebe a lógica da coisa.

Mais consensual é aquela ideia de distribuir dinheiro pelos reformados. Ninguém, por razões óbvias, se atreveu a discordar. Os reformados são muitos, insistem em votar e dizer coisas que eles não gostam de ouvir constitui um risco político que poucos querem correr. Entretanto os gajos da Santa Casa já estarão a providenciar um reforço do stock de raspadinhas lá mais para alturas do Natal.

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