Nunca hei-de entender o conceito de gorjeta. Não me faz sentido. Escusado será escrever que não dou gorjeta a ninguém. Em nenhuma circunstância. Acho a ideia paternalista, por um lado – assim, tipo, ganhas pouco deixa cá compensar-te porque até foste um gajo porreiro - e, por outro, profundamente discriminatória. Que é, como estou farto de escrever, dos comportamentos que mais me irritam.
Diria, até, que no âmbito da gorjeta a discriminação está institucionalizada e é socialmente aceite. O que, obviamente, me parece mal. Muito mal. Dar gorjeta a um barbeiro ou a um empregado de mesa é comummente aceite. Toda a gente o faz. Mesmo que o cliente saia da barbearia com um corte de cabelo de meter medo ao susto ou a refeição provoque daí por umas horas uma realíssima caganeira. Já à senhora que nos renova o cartão do cidadão ou ao funcionário que nos trata da licença do canito, por mais simpáticos que se revelem, nem pensar em dar gorjeta. E ainda bem. Fazê-lo seria até considerado crime, ou coisa parecida. Mesmo que, se calhar, estes últimos aufiram um vencimento mensal muito próximo daquele que recebem os primeiros.
Cada um ganha o que negociou com o patrão, ou seja lá o que for. Se está mal muda-se, como diria a minha avó. Mas a sociedade aceitar de bom grado arredondar o vencimento de uns e achar que outros, apesar de igualmente pobres, são uns mandriões e “já têm muita sorte em estar ali” é, digo eu, de uma profunda hipocrisia. Deve ter algo a ver com aquele conceito, geralmente detestável, da pobreza engravatada…
Está a "ouvir" as minhas palmas?
ResponderEliminarTambém não concordo com gorjetas!
Beijinhos Kruzes
Boa Noite
Ora bem falas de algo que também nunca participei. Quando ia com a minha mãe almoçar fora ela queria sempre deixar gorjeta o que me levava a discordar.
ResponderEliminarSubscrevo inteiramente.
Abraços e um bom feriado
Totalmente de acordo.
ResponderEliminarUma curiosidade: em Londres, anos 80, os motoristas de táxi ficavam ofendidos se não recebessem gorjeta. Ouvi alguns ofender quem não lhe patrocinava o 'shot'.
Cumprimentos, caro KK.
Desculpe mas não deixo 'gorja' 😎
Ass: O António
Obrigado!
ResponderEliminarBom feriado!
Mai'nada!
ResponderEliminarBom feriado!
E os gajos dos casinos?! Uma das raríssimas ocasiões em que entrei num antro desses fui logo ofendido por não dar gorjeta!
ResponderEliminarBom feriado, caro António.
Há sempre alguém do contra.
ResponderEliminarFui criado (educado) a ver os homens da minha Família a darem gorjeta em restaurantes. Proporcional ao serviço recebido. Em adulto também aprendi que no caso do serviço prestado ter sido imprestável, não dar a esperada gorjeta ou (pior) deixar um tostão é uma 'ofensa' que sempre me deu prazer.
Todo o serviço tem um preço. Que é pago, por norma. Ser o comprador a acrescentar-lhe valor não me parece grande ideia...
ResponderEliminarCumprimentos