sexta-feira, 27 de março de 2009

Arcebispo bem disposto

Dotado de um sentido de humor fabuloso o Arcebispo de Cantuária constitui para mim um ponto de referência no panorama blogosférico nacional. É um daqueles blogues que visito praticamente todos os dias e que não me canso de recomendar. Simplesmente imperdível.

Magalhães a dez euros!

O pequeno Magalhães, computador destinado à miudagem do primeiro ciclo do ensino básico, constitui hoje uma fonte quase inesgotável de piadas. A culpa vai inteirinha para o seu principal promotor que se encarregou de transformar uma boa ideia num dos objectos mais ridicularizados de sempre em Portugal.
Como se não bastassem as mais variadas peripécias que tem envolvido a divulgação e a distribuição do minúsculo portátil, soube-se agora que os pais de alguns alunos a que o mesmo foi distribuído o estão a vender. Confesso que esta notícia, embora não me surpreenda, deixa-me chocado. Gente que beneficia de toda a espécie de apoios do Estado e que vive parasitando a sociedade em que não se quer inserir, impede desta forma nojenta e abjecta os seus filhos de acederem a um meio que, seguramente, os ajudaria a elevar os níveis de conhecimento e a aceder a informação que seria importante no seu desenvolvimento e formação.
Um destes dias venderão igualmente os manuais escolares e, quando encontrarem maneira de o fazer, até o almoço a que na escola os seus filhos têm direito irão vender.

Exemplos de sucesso

Fátima Felgueiras foi, com as consequências conhecidas, julgada por diversos crimes que era acusada de ter cometido na gestão do município a que preside.
Avelino Ferreira Torres foi hoje absolvido, pelo tribunal da terra onde foi presidente de Câmara um ror de anos, de todos os crimes que o acusavam de ter praticado no exercício das suas funções de autarca.
Isaltino Morais está, por estes dias, a ser julgado por alguns actos menos lícitos que alegadamente terá cometido ao longo dos muitos anos em que vem dirigindo os destinos do município de Oeiras.
Perante estes factos espanta-me que ainda haja em Portugal quem duvide da eficácia do sistema judicial. Direi mesmo que é uma injustiça pôr em causa o funcionamento da justiça.
Também a democracia funciona por cá de modo verdadeiramente exemplar. Tanto assim é que lá para Outubro, estas três figuras bem representativas do que é o “ser português”, conquistarão com relativa facilidade e por uma expressiva margem de votos o lugar de Presidente a que não deixarão de se candidatar.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Andar a pé é uma "cansêra"

A ideia, amplamente generalizada entre os portugueses, que a Policia apenas se dedica à caça à multa em detrimento de efectuar um policiamento digno desse nome, não é verdadeira. Embora, verdade seja dita, que a ser essa a prática corrente das forças policiais não era coisa para deixar ninguém surpreendido. Sabe-se que, pelo menos teoricamente, um automobilista é potencialmente menos perigoso para a integridade física do agente do que um qualquer meliante e que uma multa de trânsito dá muito menos chatice do que uma detenção.
A fotografia ao lado confirma em absoluto aquilo que escrevo. Este cenário repete-se diariamente, a qualquer hora do dia, e mostra de forma inequívoca que por ali não há sinal que atemorize os condutores nem policia que se dedique a qualquer tipo de caça. Provavelmente todos terão uma boa razão para assim proceder. Uns porque a necessidade imperiosa de introduzir cafeína no organismo não lhes permite atrasar a sua ingestão por dois minutos, tempo que perderiam a estacionar no Rossio, e outros apenas porque não se querem cansar a andar a pé. O que se compreende. Chegavam estafados ao ginásio ou cansadinhos em demasia para a caminhada do final do dia.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Fantasias

A Assembleia da Republica no âmbito de uma das muitas Comissões de inquérito - ou de outra coisa qualquer - que os deputados da nação entendem constituir, chamou a prestar declarações um tal Fernando Fantasia. O homem teria estado envolvido num negócio de terrenos, que envolveria também o Banco Português de Negócios onde, suspeitam os nossos mui dignos representantes parlamentares, poderá ter feito uso de informações privilegiadas tendo em vista a concretização da dita transacção imobiliária.
Evidentemente não vale a pena estar aqui com pormenores acerca do que se passou na dita audição. A função deste blogue não é dar noticias – a propósito devo referir que ainda não sei ao certo se tem alguma função mas, garanto, quando descobrir digo qualquer coisa - e os leitores deste blogue são pessoas cultas, informadas e que, quase todos, sabem destas coisas bastante mais do que eu. Quero, por isso, apenas salientar a ironia da situação. Estamos perante deputados que pretendem averiguar se o BPN terá feito um negócio menos transparente. E para isso chamam um senhor chamado Fantasia. Tá bem, tá!

terça-feira, 24 de março de 2009

Sex shop longe do templo

Em diversas ocasiões manifestei, neste e noutros blogues onde já escrevi, a minha indignação e repúdio pelas regras que algumas religiões impõem aos seus seguidores e, principalmente, por pretenderem que essas imposições se estendam a toda a sociedade. Este conflito de interesses entre uns e outros deverá ser regulado pelo Estado, que se quer laico, e visará manter um equilíbrio razoável entre aquilo que é o direito à fé e à liberdade religiosa dos que professam as mais variadas – e avariadas também – religiões, com os direitos, liberdades e garantias dos restantes cidadãos que entendam não se reger pela lei de nenhuma divindade.
Ora é este ponto de equilíbrio que muitas vezes está desequilibrado. Muitos são os exemplos, mesmo em países democráticos e evoluídos como Portugal, (sim queiram ou não somos evoluídos) de situações em que o ponto de vista da confissão religiosa maioritária faz lei ou em que o culto religioso, ainda que de outra natureza, é protegido de uma forma que chega a ser absurda. Até a actividade económica - mesmo em tempos de crise - é condicionada pelas regras proteccionistas que o Estado entendeu promover em relação à prática da religião.
Exemplo disso foi o encerramento de uma sex-shop, feito hoje pela Asae numa cidade do interior do país. O estabelecimento comercial estaria a violar a legislação em vigor para este tipo de comércio por se encontrar instalado a menos de trezentos metros de um local de culto. O que contraria o disposto no decreto nº 647/76 de 31 de Julho que estabelece que “os estabelecimentos de comércio de objectos ou meios de conteúdo pornográfico ou obsceno não poderão funcionar a menos de 300 metros de locais onde se pratique o culto de qualquer religião…”.
Este larguíssimo raio de protecção não parece, de forma alguma, justificável. Certamente não será isso que impedirá as beatas de comprar preservativos, nem nenhum mariola de enfiar um dildo pelo rabiosque acima daqueles gajos que rezam de cú para o ar.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O Blackout que não chegou a ser

Afinal não vai haver “greve” – ou deverei dizer layoff?, ou, até mesmo, blackout? – de alguns bloggers estremocenses contra alegadas pressões que terão existido sobre eles próprios ou, não cheguei a perceber, acerca da linha de orientação dos respectivos blogues.
Acho que fizeram bem em reconsiderar. Apesar de haver já quem considere a blogosfera como o quinto poder, o que a vai expondo a manobras habituais noutros “poderes”, é bom que as coisas sejam relativizadas e que cada um perceba a importância que tem. No caso, pouca. E mesmo essa porque alguns insistem em demonstrar tais preocupações com a imagem que os outros têm de si, que acabam por “se pôr a jeito” ou, se preferirem, “estar mesmo a pedi-las”.
Bem esteve a Comissão instaladora da Associação Nacional de Blogues, que tem mantido um imperturbável silêncio relativamente a esta matéria.

Penalty's

À medida que o Benfica se começou a desabituar de ganhar fui deixando de me entusiasmar com as coisas da bola. Talvez por isso veja os jogos e as suas incidências com algum distanciamento e sem muita da paixão com que noutros tempos os via. E, no jogo da final da Taça da Liga o que vi foram duas equipas a jogar miseravelmente, pouco dignas das históricas camisolas que envergam, e uma equipa de arbitragem incapaz de disciplinar jogadores que mais pareciam estar num ringue de wrestling e que inacreditavelmente acabou por expulsar um que, pelo menos naquela ocasião, não merecia.
Embora compreenda os adeptos e, principalmente, os jogadores do Sporting, não me parece que haja motivo para tanto alarido nem para a crucifixação pública que se pretende fazer a Lucílio Batista. Tal como não havia noutras ocasiões, algumas ainda recentes, em que os protagonistas equipavam de outras cores. Nada disto é novo, a influência das arbitragens nos resultados é prática corrente e são inúmeros os campeonatos e outros troféus ganhos graças à acção dos árbitros. Premeditada ou não.
No caso de Sábado parece-me injusto atribuir todas as culpas ao juiz da partida. Afinal, nos pontapés da marca da grande penalidade, quem falhou foram os jogadores do Sporting que não conseguiram imitar Mário Jardel quando, no ano em que ganhou o campeonato, o clube de Alvalade dispôs, em trinta e quatro jornadas, de dezanove penalties dos quais o avançado brasileiro transformou dezassete em golo. O que deu, se não erro muito, a inusitada média de mais de um penaltie jogo sim, jogo não…

domingo, 22 de março de 2009

Pesquisa da semana

A semana que passou não foi particularmente fértil em pesquisas na internet que tenham trazido visitantes até ao Kruzes. Pelo menos daquelas que são merecedoras de destaque pela sua originalidade. Hesito por isso na escolha. Talvez, pela sua ingenuidade, entre a busca de “empresas verdadeiras que nos pagam por dobrar circulares em casa” e, pela pertinência e actualidade do tema, a “teoria do bota abaixo”.
Não sei se os internautas que fizeram estas pesquisas encontraram resposta para as suas dúvidas. Espero que sim. Embora, sem querer ser bota abaixo, tenha quase a certeza que não existem empresas, verdadeiras ou das outras, que paguem por fazer em casa o tipo de “trabalho” que o leitor procura. E, qualquer dia, nem por outro.

O tio-avô

Um tio-avô falecido já lá vão muitos anos, quando algo de menos bom acontecia a algum familiar ou conhecido, repetia invariavelmente a mesma frase: “Eu já sabia…” Não que a notícia lhe tivesse chegado em primeira mão ou que antes de o interlocutor lhe contar a novidade ele já tivesse conhecimento, mas sim porque, queria dizer na dele, sempre calculara que as coisas se passariam da forma como acabavam por acontecer.
Ora, para alguém como eu, então um teenager inconsciente, isso não fazia sentido nenhum. Pior. Se sabia devia ter avisado e não ficar a gabar-se que possuía dotes de adivinho. Pior ainda. Só sabia das coisas más e era um perfeito nabo quando se tratava de adivinhar as boas. Nem sequer conseguia prever por quantos ganhava o Benfica na jornada seguinte. Sim, porque por esses anos o Benfica ganhava sempre e, geralmente, por muitos.
Claro que, com o passar dos anos, comecei a perceber melhor o funcionamento do sistema de previsões que o tio-avô usava para “adivinhar” o futuro e hoje dou comigo, muitas vezes a pensar e algumas a dizer, perante determinados acontecimentos, que “eu já sabia…” ou, como quase sempre acrescento, “pelo menos calculava…”.

sábado, 21 de março de 2009

A instrumentalização

A acreditar em determinadas estratégias, em Portugal campeia a instrumentalização e proliferam os instrumentalizadores. Vejam-se as muitas centenas de milhares de instrumentalizados que nos últimos anos tem saído à rua manifestando o seu protesto pelas opções governativas. Coisas que se pensavam legitimas em democracia mas que, afinal, ao que afirmam alguns que aparentam sofrer da síndrome da avestruz - ou do Kalimero segundo outros diagnósticos – não passam de manobras difamatórias e de campanha negras (detecto aqui uma pontinha de racismo que analisarei noutra ocasião) orquestradas pelas forças mais reaccionárias e mais conservadoras que há memória.
Para existirem instrumentalizados terão de, forçosamente, existir instrumentalizadores. Mas, quer uma quer outra condição quase nunca são assumidas e, mesmo fazendo um assinalável esforço de memória, recordo-me apenas de dois assumidos militantes da mesquinha arte da instrumentalização. Logo a seguir ao Vinte cinco de Abril surgiu Arnaldo Matos, o auto proclamado instrumentalizador da classe operária e mais recentemente Santos Silva ex-militante de causas revolucionárias que continua a tentar instrumentalizar os seus correligionários para a distinta tarefa de malhar nos porcos facistas. Ou seja, todos aqueles que não abanam a cauda ao divino e iluminado líder detentor de toda a sabedoria e fonte da suprema virtude.
Até agora apenas as pessoas parecem estar a ser vitimas desse processo, talvez campanha, de instrumentalização. As instituições não aparentam padecer deste mal e apresentam-se rigorosamente independentes e à margem dos avanços – se é que os há - por parte de alguns instrumentalizadores mais descarados. É por isso que considero grotesco e abusivo tentar associar isto a qualquer tipo de instrumentalização. Ninguém em seu perfeito juízo o faria. Nem eu.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Públicas virtudes

Sabe-se como os cidadãos de uma etnia minoritária com forte implantação em Portugal – e também por cá - são, por norma, pessoas cordatas, educadas, respeitadoras e que, principalmente em grupo, se comportam de maneira invulgarmente pacífica. É igualmente conhecida a sua apetência para o trabalho, principalmente o que envolve qualquer tipo de esforço físico, bem como é manifesta a relutância em aceitar ajuda de carácter social ou financeiro, venha ela da parte do Estado ou de qualquer outra entidade. Recorde-se ainda a notável colaboração e voluntarismo que demonstram com as mais diversas autoridades, fazendo mesmo ponto de honra do exemplar cumprimento da lei. São, igualmente, cumpridores quando toca a pagar impostos e, ao que se saiba, não haverá muitos nas listas de devedores ao fisco divulgadas pela Administração Fiscal.
Também na escola são verdadeiros exemplos de sucesso e de empenho nas actividades lectivas. Ao contrário da maioria dos encarregados de educação que, como se sabe, nunca põe os pés na escola dos filhos, os pais e restantes familiares dos alunos desta etnia interessam-se sobremaneira pela evolução escolar dos seus educandos. A atestá-lo estão as frequentes deslocações a estabelecimentos de ensino, conforme de vez em quando a comunicação social vai relatando, para estabelecer contacto com os professores, pessoal auxiliar e até mesmo com coleguinhas dos seus meninos. É, de facto, bonito. E comovente, também.
São igualmente meigos. Tratam todos com carinho e são incapazes de um gesto mais violento ou agressivo seja para quem for. E esta é outra faceta que não está devidamente divulgada. Injustamente, diga-se. Exemplo disso serão as carícias com que, um destes dias, a mãe de um aluno terá presenteado, numa escola não muito distante, a professora do seu filho. É a não divulgação pública destas coisas que faz com que, por vezes, alguns energúmenos pensem coisas erradas acerca deles. Daqueles em quem estão a pensar. Sejam eles quem forem.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A combustivel igual, iva igual!

O Estado português – todos nós, bem vistas as coisas – arrisca-se a ser penalizado por insistir em não seguir a imposição da Comissão Europeia que obriga à cobrança de iva à taxa de vinte por cento na travessia da Ponte Vinte Cinco de Abril. Trata-se de uma exigência antiga a que todos os governos têm, ao longo dos últimos anos, evitado dar cumprimento. E compreende-se porquê. Foi na Ponte que o cavaquismo se começou a desmoronar e, por isso, todos os executivos vão, com recursos e outras manigâncias, adiando até que possam uma medida que lhes custará muitos votos e, provavelmente, a sua queda.
Enquanto isso os portugueses que não passam na ponte vão contribuindo para minorar os custos daqueles que pelas mais diversas razões, muitas nem sempre defensáveis, optam pelo transporte próprio em detrimento do colectivo. Este último quase sempre mais barato e alvo num passado mais ou menos recente de avultados investimentos, principalmente o comboio, que muito caro saiu aos portugueses. Passem ou não na Ponte.
Pena que esta opção pela taxa reduzida não se aplique quanto a outras matérias. Veja-se, a título de exemplo, o caso do gás. Bruxelas pretende uniformizar o imposto sobre o valor acrescentado – vinte por cento - que incide sobre o gás butano e propano em garrafa, com o do gás natural, que é de cinco por cento. No entanto o governo faz finca-pé e mantém-se intransigente não acatando as recomendações da Comissão Europeia originando que, para além de ter de carregar com as botijas às costas por não disporem de acesso à rede de gás natural, os portugueses do interior ainda sofram a discriminação fiscal de pagar mais quinze por cento de imposto pelo gás que consomem.
Em tempo de incontáveis medidas contra a crise, muitas de eficácia duvidosa, era capaz de ser boa altura para acatar a proposta europeia. Não sei, digo eu!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Investir noutro lugar

A tourada é um espectáculo que não me diz grande coisa. Ao vivo nunca assisti a nenhuma e nem mesmo quando transmitidas pela televisão me despertam entusiasmo por aí além. Não que isso tenha a ver com algum desagrado para com o sofrimento dos touros ou, como os pseudo-defensores dos animais, considere que se trata de um espectáculo bárbaro onde os bicharocos são torturados. Provavelmente terá mais a ver com a previsibilidade do desfecho do espectáculo, que termina, quase sempre, com o boi vencido por KO.
Talvez seja por isso que não encontro razão para o incómodo que alguns manifestam por este tipo de espectáculos serem agora realizados, em Estremoz, numa praça amovível. Sinceramente não vejo grande diferença, nem me parece que qualquer dos intervenientes na contenda saia prejudicado pela precariedade do espaço da refrega. Isso não invalida que deixe de considerar lamentável o actual estado de degradação da praça de touros, bem como o facto de os seus proprietários terem deixado chegar o imóvel à condição de quase ruína.
A actual praça é privada, gerida por privados, e assim deve continuar. Se não dispuserem de meios financeiros próprios, caberá aos seus proprietários encontrar uma forma de financiamento para a recuperação do espaço e igualmente a eles cabe, se assim o entenderem, estabelecer as parcerias que entendam para a rentabilização do imóvel.
Investimento público nesta matéria não me parece boa opção. O país em geral e Estremoz em particular têm outras necessidades e a prioridade deverá ser sempre as pessoas. Investir recursos, principalmente quando os mesmos representam quase sempre mais endividamento, em algo que não é essencial nem constituirá uma melhoria para a vida dos estremocenses não será, seguramente, uma boa aposta.

terça-feira, 17 de março de 2009

O Gato morto

O Gato Morto foi o primeiro blogue em que escrevi. Durou pouco tempo. Alguns dias, talvez. Largos meses depois e porque um gato tem, ao que garantem, sete vidas, seguiu-se “O Regresso do Gato Morto”. Que, volvidas escassas semanas e uma dúzia de posts, encerrou igualmente as suas portas sem nunca, ao contrário do que anunciava no seu post de despedida, ter mudado para outras paragens. O curioso da coisa é que – outros tempos – apenas um núcleo muitíssimo restrito de pessoas soube da sua existência e não andava por aí ninguém a gabar-se de, graças a poderes miraculosos, ter descoberto a identidade do seu autor. Era, aliás, um blogue que não interessava a ninguém. Nem a mim.
Não sei porque me fui lembrar disto, mas tenho a leve suspeita que o facto de um bichano com as hormonas em polvorosa andar há horas numa miadeira insuportável pelos muros dos quintais e telhados das garagens das redondezas tem alguma coisa a ver.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ele é que é o Presidente da Junta

Se há políticos que tudo fazem para se perpetuar no poder, outros parecem fortemente empenhados em não ser reeleitos para os cargos que actualmente ocupam. O Presidente de uma Junta de freguesia do concelho de Barcelos aparenta pertencer a este último grupo. O homem surgiu hoje nos telejornais a demonstrar a sua indignação pelo tratamento, alegadamente discriminatório, de que estarão a ser vitimas uns quantos alunos de etnia cigana a quem uma escola daquele concelho reservou, no âmbito de um projecto educativo local, um espaço próprio e uma turma constituída apenas por alunos daquela etnia. Coisa que, como é bom de ver indignou o autarca, o Sos Racismo, o Bloco de Esquerda e mais uns quantos que não têm filhos em idade escolar ou dispõem de dinheiro suficiente para os pôr a estudar em estabelecimentos de ensino particular.
Embora desconheça completamente os motivos que levaram os responsáveis pelo agrupamento de escolas lá do sítio a optar por esta solução, acredito que não o tenham feito de ânimo leve e que a mesma obedecerá a critérios pedagógicos devidamente fundamentados. Pelo menos bastante mais fundamentados que alguns argumentos que vão sendo grunhidos, do alto da sua superioridade moral e intelectual, por pessoas que acham que um matulão de dezasseis ou dezoito anos deve partilhar a mesma carteira (e às vezes até partilha…) que uma criança de nove ou dez anos.
Estranhamente essa malta não manifesta a mesma indignação pelo regime de escravatura a que são submetidas as mulheres ciganas. É algo que não os incomoda. Mesmo o facto de uma menina de onze ou doze anos deixar de frequentar a escola, casar aos catorze, ter filhos aos quinze e, caso fique viúva, ficar privada de fazer as coisas mais banais não constitui, para esses projectos de intelectual mal acabados, qualquer problema. É cultura, dizem eles, e há que respeitá-la. Sintomático, digo eu, quanto aos sentimentos e ao crédito de que essa intelectualidade é merecedora.

domingo, 15 de março de 2009

(In) Justiças

Não vejo grandes razões para em Portugal se gastarem tantos recursos com a Justiça. Principalmente quando se sabe, logo à partida, que os chamados mega processos que envolvem figuras públicas e que se arrastam durante longuíssimos anos – consumindo meios humanos e financeiros que seguramente seriam muito mais úteis noutras áreas – chegam sempre a lugar nenhum. Por mais evidentes e credíveis que as acusações pareçam aos olhos de todos, nunca há culpados de nada e a culpa morre invariavelmente solteira. Desconfio até que se não fosse a liberalização dos costumes ainda seria virgem.
Não há suspeito que se preze, seja qual for a alegada manigância em que se suspeita possa estar envolvido, que não alegue convictamente estar a ser vítima de perseguição, de uma cabala, campanha negra ou mesmo de uma qualquer tramóia. O que me leva a concluir que os portugueses são maus como as cobras - embora ainda esteja por provar que os repteis em causa sejam assim tão maus e que esta expressão não passe de uma campanha rasteira contra eles - a julgar pelas alegações dos suspeitos, que num ápice passam a vitimas, gostamos de perseguir, de armar cabalas, fazer campanhas e congeminar tramóias.
Excluindo Vale e Azevedo, que passou uns anitos no xelindró, mais ninguém com algum prestígio social ou que seja detentor de algum tipo de poder, malhou com os costados na choça. E mesmo este apenas porque teve o azar de perder as eleições para Manuel Vilarinho. Se isso não tivesse acontecido, José Mourinho teria continuado a treinar o Benfica e a história tal como hoje a conhecemos, provavelmente, seria muito diferente.

sábado, 14 de março de 2009

O porco

A ponta do véu, levantada pelo vizinho Alto da Praça, aguçou-me o apetite acerca de uma história que envolve um porco, pelo menos, um Presidente de Câmara e, segundo o blogue da CDU local, intenções. Daquelas que estão na moda. Menos claras. Do Presidente, como é bom de ver porque o porco, coitado, foi involuntariamente envolvido na historieta.
Segundo sugere aquela força política a matança do suíno e sequente repasto oferecido pela autarquia aos seus trabalhadores no dia, precisamente naquele e não noutro qualquer, em que estava marcada a manifestação da CGTP em Lisboa, terá tido como objectivo levar o pessoal a trocar a deslocação até à capital por uns quantos coiratos e uma febras na brasa, ambos regados com um tinto lá da terra.
Até pode ser que esta leitura esteja correcta. Mas, caso assim seja, a ideia é no mínimo hilariante. De qualquer modo não adiantou nada. Na dita manifestação terão estado duzentas mil pessoas, nas contas dos sindicatos, ou segundo os números do governo, um pouco menos, pelo que a falta dos trabalhadores da autarquia onde o repasto teve lugar não se fez notar nas ruas de Lisboa.
É por isso que não percebo a azia da CDU. Bem vistas as coisas todos terão ficado satisfeitos. Os que foram à “manif”, porque eram muitos, os que compareceram à petiscarada, assim sobrou mais para os que optaram por ficar e o Presidente que viu os seus colaboradores regalados da vida a atirar-se à febra. Afinal o único que se lixou foi o porco.

Pesquisando...

Periodicamente gosto de analisar as pesquisas que trazem os leitores até este blogue. É inútil, uma perda de tempo dirão alguns ou, resmungarão outros, coisa de quem não tem mais nada de interessante para fazer. Seja. Mas gosto, dá-me algum gozo e vontade de partilhar com quem tem a pachorra de me ler.
Algumas dessas pesquisas são perfeitamente normais. Por exemplo, não me surpreende que procurando por “piadas parvas” este espaço surja entre as sugestões devolvidas pelo Google. “Gajas nuas” também faz parte do habitual motivo de vinda até aqui. Nos últimos dias tem, contudo, havido uma ligeira variação e alguns procuram algo mais rebuscado como “gaijas da wwe nuas e também as mamas”, “gajas nuas em cima de carros” ou “as melhores gajas do mundo todas nuas”.
Também há quem pesquise coisas verdadeiramente importantes, para as quais obviamente não tenho resposta e que apenas uma qualquer falha no motor de busca justifica que aqui tenham vindo parar. Ou acham que sei as “razões que motivam a deslocalizações de empresas”, “como fazer caloteiros pagar a conta”, “onde encontrar alho nacional”, como “ganhar dinheiro sem esquemas” ou porque raio são infligidos “maus tratos a frangos”?! Até porque essas são “coisas que ninguém se interessa”.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Diacono Remédios dos blogues

A expressão “PJ dos blogues” está a tornar-se perigosamente corriqueira na blogosfera estremocense. Mal, quanto a mim. E devia ser, de imediato, abandonada pelas razões que passo a enumerar.
Primeiro porque a Policia Judiciária, se é isso que as iniciais PJ significam, é uma Policia altamente prestigiada, que merece todo o nosso respeito e que não deve ser associada a coisas insignificantes como os blogues. Nomeadamente os de Estremoz que, mesmo nos dias bons, em pouco ultrapassam as cem visitas e não têm mais que escassas dezenas de leitores regulares.
Em segundo lugar porque nem os blogues cá do sítio são especialmente acutilantes nem, em termos locais, parece haver alguma coisa merecedora de captar a atenção dos leitores destes espaços durante um período de tempo significativo. Ou seja, não se passa nada de interessante e quem tem um blogue sabe que é difícil manter actualizações diárias apenas escrevendo sobre assuntos relacionados com o concelho.
Em terceiro lugar porque não tem graça absolutamente nenhuma e revela uma imaginação muito fraquinha. Proponho por isso que, de ora em diante, se passe a usar a expressão “Diácono Remédios dos blogues” quando se quiserem referir a essa entidade misteriosa - que nunca ninguém viu mas que alguns garantem existir - que andará por aí a controlar a blogosfera local.
Por último porque a própria ideia de alguém poder fiscalizar e de alguma forma obrigar à extinção de um qualquer blogue é, no mínimo, delirante. Independentemente da ausência de conhecimentos e de meios técnicos apenas acessíveis a muito poucos, ninguém em seu perfeito juízo o faria. Até porque seria suficientemente inteligente para perceber que isso acabaria por, mais tarde ou mais cedo, ter consequências. Desagradáveis, quase de certeza.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Quatro anos depois

Não vou aqui fazer nenhum balanço do que foram os quatro anos de governo socrático que hoje se completam. Apesar de este ser um espaço reconhecidamente pouco sério, merecedor de pouco crédito e onde se privilegiam temas menores, logo parecer o lugar indicado para o fazer, vou resistir à tentação, que é muita, diga-se, de dedicar umas quantas linhas a analisar o que tem sido a acção governativa neste longo quadriénio.
Em vez disso deixo apenas algumas perguntas. Todas de fácil resposta, creio. Até mesmo para aqueles, muitos a julgar pelas sondagens que teimam em colocá-lo perto de nova maioria absoluta, que ainda pensam ser José Sócrates o Ser perfeito e iluminado que, como nenhum outro antes dele, exala competência e irradia sabedoria na condução dos destinos do país. A esses, pergunto se Portugal é hoje um lugar melhor, em que se vive com mais qualidade e onde os cidadãos, nomeadamente do interior do país, têm acesso a mais e melhores serviços. Tenho igualmente curiosidade em saber se os apaniguados do primeiro-ministro entenderão que valeram a pena todas as guerras travadas contra inúmeros sectores da sociedade, bem como a permanente instigação aos sentimentos de inveja de parte da população contra os diversos grupos profissionais ou sociais onde se pretendia intervir. Será que os resultados obtidos com essa intervenção, se é que os houve, contribuíram para melhorar o seu desempenho, para a prestação de melhores serviços aos portugueses e contribuíram decisivamente para o bem-estar geral? Portugal é hoje um país onde há mais liberdade, mais respeito pela opinião alheia e em que qualquer um pode expressar-se sem antes ponderar se aquilo que vai dizer ou escrever desagrada ao chefe?
Nestes quatro anos assistiu-se também, como nunca se tinha assistido em Portugal, ao culto do líder. O Partido Socialista, a quem os portugueses muito devem e com um passado de luta pela liberdade pouco comum entre os seus congéneres, está refém dos humores do seu secretário-geral e respectivo séquito. Transformou-se num partido onde broncos que gostam de malhar, comunistas arrependidos, ex-esquerdistas à procura de tacho, mantêm em sentido verdadeiros democratas, socialistas de sempre e figuras ímpares da família socialista. Mas deles, apesar da fanfarronice que agora evidenciam, não rezará a história.

Outras formas de combater a crise

Perante a satisfação geral dos trabalhadores e a inveja dos restantes munícipes, a Câmara de Mafra iniciou a aplicação do novo horário dos serviços municipais que, como foi amplamente divulgado, passarão a estar encerrados às sextas-feiras. Esta opção, a todos os títulos inovadora, embora permita uma significativa poupança de recursos à autarquia, que poderão serão canalizados para outras áreas de actuação, provavelmente não terá sido tomada a pensar na crise nem se inserirá em qualquer pacote de combate à dita mas, ainda assim, constituirá quase seguramente a medida que mais resultados práticos trará nesse domínio.
Pense-se naquilo que cada um pode fazer com mais um dia livre, a juntar a todos os fins-de-semana, e imaginem-se as inúmeras actividades económicas, sociais, culturais e desportivas que disso beneficiarão no concelho. O tempo encarregar-se-á de dar razão aos defensores desta estratégia e de mostrar aos velhos do Restelo e outros invejosos que é este o caminho a seguir. Oxalá outros o queiram percorrer.

quarta-feira, 11 de março de 2009

O fim do "Estremoz em Debate"

Na altura em que escrevo este post desconheço em absoluto o que terá levado o Albino a encerrar o seu Estremoz em Debate. Mas, seja o que for, lamento que o tenha feito. Tratava-se de um espaço de referência na blogosfera local onde muitos e variados temas de interesse para a região foram sendo abordados e debatidos aos longos dos seus cinco anos de existência.
Com o encerramento deste blogue o debate e a democracia local ficam irremediavelmente mais pobres. Até porque a elevação sempre norteou aquele espaço onde o respeito pela opinião alheia foi a nota dominante. Espero, por isso, que este não seja um adeus do Albino à blogosfera. Na pior das hipóteses que não passe de um até já tão curto quanto possível.

terça-feira, 10 de março de 2009

Crise imaginativa

Já perdi o conto às Câmaras municipais que por este país fora estão a tomar as mais diversas medidas, cada uma mais imaginativa que a outra, no sentido de apoiar os seus munícipes neste conturbado período de crise que atravessamos. Confesso-me ligeiramente desiludido por brilhantes autarcas como Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras ou Isaltino Morais não nos terem ainda surpreendido com uma – pelo menos uma, porra, era pedir muito?! – daquelas iniciativas que, mesmo sabendo-se do as figuras são capazes, não deixam de causar espanto geral e uma acentuada irritação aos adversários políticos.
Reduções no preço da água e isenções nas diversas taxas ou serviços municipais, em benefícios dos munícipes mais necessitados, já quase todos os municípios praticam. É, podemos considerar, coisa de um passado pré crise. Há que ser mais ousado, ir mais longe ou, se preferirem, mais perto dos problemas dos cidadãos. Vejam-se estes exemplos que, seguramente, contribuirão para minorar as dificuldades dos destinatários e contribuirão de forma decisiva para o bem-estar de alguns. Agora e num futuro mais ou menos próximo.
A Câmara Municipal de Almeirim deliberou subsidiar cinquenta por cento do valor das propinas dos estudantes do ensino superior que sejam eleitores no concelho;
Em Matosinhos o município local vai apoiar no pagamento de rendas às famílias que vejam bruscamente alterada a sua situação familiar devido a situações de desemprego ou, pasme-se, por causa de um divórcio;
Em Valença foi cancelada uma feira, que custaria cerca de duzentos mil euros, para afectar esse montante ao apoio aos mais afectados pela crise. Entre os apoios a conceder estarão o pagamento de despesas com a renda da casa, do consumo de electricidade e de gás;
Entretanto, ainda no âmbito do combate à crise, em diversas autarquias foram já constituídos gabinetes de apoio às mais diversas situações. Desde o investimento, ao endividamento e até ao aconselhamento, há-os para quase todos os gostos e, como é fácil imaginar, constituem um excelente meio de contrariar os efeitos da crise. Nomeadamente do desemprego.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A campanha

Miguel Veloso, mais um daqueles jogadores com o hábito ridículo de falar de si próprio na terceira pessoa, veio a público queixar-se de uma campanha – curiosamente não mencionou a cor – que lhe estarão a mover. Tal como dentro de campo, também nesta pequena entrevista não concretizou. A acusação, obviamente. Pelo que ficámos sem saber por quem a dita – campanha, claro - era dirigida. Sem querer acusar ninguém, até porque não sou dessas coisas, suspeito do cabeleireiro. Alguém que faz aqueles penteados ao rapaz quer de certeza tramá-lo.
Entretanto algumas fontes deste blogue, mal informadas como quase sempre, julgam saber que um conhecido adepto do Benfica já manifestou a sua solidariedade para com o moço e, num rarissimo lampejo de honestidade terá mesmo confidenciado: "Posso não saber governar, mas de campanhas percebo eu."

A rede

Desde que a bilheteira encerrou, o serviço que a “Rede de Expressos” presta aos passageiros que pretendem apanhar o autocarro daquela empresa em Estremoz é, se quisermos ser simpáticos, deplorável. Nomeadamente aos Domingos à tarde quando um maior número de passageiros – embora o habitual para aquele dia da semana - tenciona seguir viagem com destino a Lisboa. Pelo menos é, também, disso que se queixam os seus utentes.

domingo, 8 de março de 2009

Cartão de crédito para tótós

Um cartão de crédito que dá cinco por cento de desconto em todas as compras parece, assim à primeira vista, uma coisa aliciante e capaz de despertar o interesse tanto ao forreta mais militante ou ao consumista mais inveterado. Como eu, que numa estranha miscelânea difícil de justificar, consigo reunir algumas das piores virtudes e melhores defeitos de ambos.
Incoerências parvas à parte, tanta fartura deixou-me desconfiado. Como quase sempre acontece ao pobre quando a esmola é grande ou recebe propostas aparentemente tentadoras. Ainda para mais quando vindas de um banco, mesmo que seja cliente desse banco há mais de vinte anos.
Uma leitura mais atenta do folheto publicitário deixou-me sem dúvidas. É mesmo verdade. Aquele fantástico rectangulozinho de plástico dá os prometidos cinco por cento de desconto em tudo o que puder comprar com ele. Claro que tem essa condição mínima - irrelevante, até – de tal desconto apenas se aplicar no caso de pagar o saldo do cartanito em suaves prestações, que poderão ir até sessenta meses, pelas quais o banco irá cobrar uns simpáticos vinte e três por cento de juros. E no caso, pouco provável, de pretender amortizar o montante em divida apenas terei de suportar uma penalizaçãozinha, quase insignificante, de três por cento sobre o valor amortizado. Ganda negócio!

sábado, 7 de março de 2009

Estratégias ou estratagemas?

Depois de, num tempo não muito distante, a banca ter sido acusada de conceder crédito para tudo a toda a gente, inclusivamente a pessoas que era quase garantido não teriam grandes condições para suportar os encargos daí decorrentes e que na primeira contrariedade deixariam de cumprir com o pagamento das prestações, passou-se para uma fase em que se acusam agora os mesmos bancos de dificultarem o acesso ao crédito. Injustificadamente, garantem alguns, porque as ajudas concedidas pelo Estado visariam fazer com que o dinheiro chegasse à economia.
Tenho dúvidas que assim seja. Até porque o problema da banca portuguesa não estará, pelo menos por enquanto, no crédito malparado. A fazer fé naquilo que se vai ouvindo e lendo será exactamente o contrário. Que o digam os depositantes do Banco Privado Português que não sabem onde pára o seu dinheiro.
Por outro lado, continua a assistir-se a uma estratégia bastante agressiva de alguns bancos no sentido de cativarem os clientes a contrair novos empréstimos. Do banco onde tenho conta recebi ontem um contrato, já devidamente preenchido com todos os meus dados pessoais, onde me bastaria escolher o montante pretendido do crédito – entre dez e vinte mil euros – assinar e devolver pelo correio para de imediato ter na conta a importância desejada. Não é uma coisa catita?! A mim parece-me que não.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Afinal quem é evoluido, quem é?

Coisas que se lêem por aí:
"Durante escavações nos EUA, os arqueólogos descobriram, a 100m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1.000. Os americanos concluíram que os seus antepassados já dispunham de uma rede telefónica desde aquela época.
Entretanto, os espanhóis, escavaram também o seu subsolo, encontrando restos de fibras ópticas a 200m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade, divulgando triunfantes, que os seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra óptica quando Jesus nasceu!
Uma semana depois, em Beja, no diário local, foi publicado o seguinte anúncio: Após inúmeras escavações arqueológicas no subsolo de Beja, Évora, Moura, Estremoz e Redondo, entre outras localidades alentejanas, até uma profundidade de 500m, os cientistas alentejanos não encontraram absolutamente nada. Assim se conclui que os antigos habitantes daquela região alentejana já dispunham, há 5.000 anos atrás, de uma rede de comunicações sem-fios, vulgarmente conhecida hoje em dia pela designação de 'Wireless'."

E que tal congelar certos comentadores?

Os comentadores oficiais do regime, o que não quer dizer afectos ao actual governo, estão a começar a preparar a opinião pública para a necessidade, segundo eles, de proceder ao congelamento – alguns falam mesmo em redução - de salários no próximo ano. Que, como se sabe, é um ano bom para tomar medidas deste tipo. O novo governo terá acabado de tomar posse e estará então na plenitude da sua força para aplicar as chamadas medidas anti-populares. É o período que habitualmente se chama estado de graça e que, quase sempre, constitui uma desgraça para os portugueses.
Congelar salários não é uma medida nova. Nem inovadora. A pretexto de controlar o défice orçamental, o governo em que Manuela Ferreira Leite foi Ministra das Finanças fê-lo, em dois anos consecutivos, relativamente aos vencimentos da função pública acima de mil euros. Quanto aos resultados que daí advieram são por demais conhecidos, falam por si e os seus efeitos no equilíbrio das contas públicas são o que todos sabemos.
A lição parece não ter sido aprendida e como desta vez a coisa é ainda mais séria, quase de certeza, a medida será aplicada independentemente de quem vença as próximas legislativas e o leque de vítimas será muito mais alargado. O que não deixa de ser estranho quando se sabe que um dos factores que mais contribui para o actual estado de crise em que vivemos é a redução do consumo privado. Não ponho em causa, como é óbvio, os conhecimentos académicos de alguns defensores desta medida, nomeadamente o Professor Silva Lopes, mas acho bom que esta gente se decida. Porque, e falo por mim, se para o ano ganhar o mesmo ou ainda menos do que ganho este ano, provavelmente não vou consumir mais. É cá um pressentimento.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Uma questão de lingua

Tenho alguma dificuldade em perceber a razão pela qual muitas pessoas têm a necessidade imperiosa de, sistematicamente, fazer alusão à genitália humana nas suas conversas com os outros. Há mesmo quem, por cada três palavras pronunciadas, não resista a incluir pelo menos uma menção às partes pudibundas e ao uso que delas se faz.
Este mau hábito está a vulgarizar-se também na escrita. Muita gente usa essas palavras em frases onde não se justificam e que, quase sempre, podiam ser substituídas por outras. A generalidade das vezes com inequívoca vantagem. Até porque a língua portuguesa, para além de muito traiçoeira ou talvez por isso mesmo, é pródiga em sinónimos, cada um mais jeitoso que o outro, para designar quase tudo. Em especial os órgãos sexuais e funções afectas, sempre tão presentes na boca e nas mãos dos portugueses.

Para que conste

Mesmo sem saber para que serve, nem lhe encontrar ponta de utilidade, resolvi aderir ao twitter. Talvez um dia descubra e, então, comece a dar uso a isto.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Um blogue também é cultura, estúpidos!

“O acesso à cultura, em todas as suas expressões, é um direito dos povos e da juventude consagrado na Constituição”. É por isso que a JCP entregou uma petição na Assembleia da República exigindo do governo um efectivo apoio para as bandas de garagem. Não discuto, obviamente, a importância das bandas de garagem na formação dos jovens. Principalmente dos jovens músicos ou, se preferirem, dos músicos enquanto jovens. Agora que seja o governo a subsidiar essa rapaziada é que já não me parece nada bem. Até porque, em tempos, um desses grupos reunia-se periodicamente numa garagem perto de mim e o resultado dessas reuniões não parecia nada uma coisa que pudesse ser considerada “cultural”. Pelos menos na parte relativa à chinfrineira com que atordoavam a vizinhança.
Por falar em cultura, creio que a actividade bloguistica – esse nobre entretenimento de escrever patacoadas em blogues – também se enquadra, pelo menos em meia dúzia das tais “expressões de cultura”. Com a inegável vantagem de, relativamente às bandas que tocam nos lugares destinados ao estacionamentos de automóveis, fazer muito menos barulho. Pelo menos daquele que se mede em decibéis. Ora assim sendo parece-me da mais inqualificável injustiça que ainda nenhum partido tenha peticionado ao governo apoio para os bloggers portugueses que, coitados, se fartam de criar verdadeiras obras de arte literária sem verem reconhecidos os seus méritos. Pelo menos um subsidiozinho para desgaste do material. E das cabeças dos dedos, também.

É cultura, estúpido!

Esta magnifica, extraordinária e até mesmo sublime obra-prima esteve, no Verão passado, patente ao público numa exposição de…digamos… arte. Ou lá o que lhe queiram chamar. Trata-se de um livro de guias de remessa de uma firma de mármores onde, ao longo do tempo, os empregados de escritório foram emitindo os documentos que acompanhavam as mercadorias que a firma comercializava. Sem sequer desconfiar que estavam a produzir arte. E da melhor! Afinal quanta criação artística se pode transmitir através de uma guia de remessa, uma factura ou uma venda a dinheiro?! Muita, como se pode ver.

terça-feira, 3 de março de 2009

Coisas que m’atormentam

Detesto parecer pretensioso, mas não há outra forma de o dizer. Acho que sou dotado de estranhos poderes. O que me leva a pensar isso é o facto de qualquer cenário para onde aponte a máquina fotográfica sofrer, inevitavelmente, uma transformação nos dias seguintes. Já andava desconfiado e, nos últimos tempos, as piores suspeitas confirmaram-se. Ou então tudo não passa de uma espantosa coincidência. Daquelas que até chateiam de tanto coincidir. Pena que não funcione com a merda de cão nem com o sinal de sentido único da minha rua!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Urbanismo de trazer pelo passeio.

Um arquitecto, ou qualquer outro técnico da área do urbanismo, encontrará facilmente meia dúzia de boas razões para justificar a ocupação do espaço público por este tipo de construção. Acredito que todas plausíveis e que me reduziriam à verdadeira dimensão de ignorante, no que à arte de bem planear e melhor construir diz respeito. Ainda assim não ficaria convencido. Considero um abuso, um aproveitamento descarado do espaço que é de todos em benefício de alguns e, mesmo que existam argumentos que demonstrem o contrário, continuarei a não gostar. Só porque não, se não houver mais motivo nenhum.

domingo, 1 de março de 2009

Tenham medo...tenham muito medo!

De vez em quando dou uma vista de olhos pelo contador de visitas do blogue que, para além de contar o número de visitantes que chegam até aqui, dá um conjunto de outras informações. De pouco ou nenhum interesse, diga-se. Entre elas a palavra pesquisada no Google, o motor de busca mais popular mas pode ser noutro qualquer, que encaminhou o leitor até ao Kruzes Kanhoto.
Não me surpreende a quantidade de pesquisas que envolvem as palavras “gajas”, “mulheres” “nuas”, “peladas”, “gaijas”ou “boas”. Nem mesmo pesquisar “velhas fufas” me parece muito estranho. Agora o que gostava de saber é o que passou pela cabeça dos quatro leitores que no mês passado vieram aqui parar acreditando que “PJ investiga blog de Estremoz”. Da próxima pesquisem no Google se “o Pai Natal e o Coelhinho da Pascoa existem”. Pode ser que tenham mais sorte.

Troca-tintas

Mensagens há muitas. Mas, com os avanços tecnológicos a que assistimos, mensagens escritas nas paredes vão sendo cada vez mais raras. Para isso usa-se o telemóvel e as paredes são agora ocupadas com graffitis de gosto quase sempre tão aberrante e nojento quanto os seus autores.
O conteúdo da mensagem fotografada não é esclarecedor quanto à intenção do autor em informar-nos do seu estranho problema de pigmentação. Todas as conclusões são, por isso, legitimas. Um espírito desocupado e pernicioso como o meu pode até concluir que se trata de um qualquer político troca-tintas, uma espécie de "bacalhau com todos", à procura de partido.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Congresso do Partido Socialista

A acreditar naquilo que garantem os seus apoiantes, Portugal é governado pelo melhor governo da sua história recente e o primeiro-ministro é o mais competente que o país conheceu naquele cargo. Todas as suas medidas são as mais indicadas e oportunas, roçando quase sempre a genialidade, e só uma cambada de burros e ignorantes que não querem abrir mão dos seus privilégios injustificados é que as contestam. Pior. Desarmados perante tamanha sabedoria recorrem a campanhas – invariavelmente negras - para, numa tentativa desesperada e quase sempre falha de argumentos válidos e construtivos, destruir a imagem do engenheiro José.
Não fora a laicidade do partido que o apoia e os tiques supostamente esquerdistas de que por vezes é acometido e não me espantaria que o homem ainda fosse, caso batesse a bota – coisa que, obviamente, não se deseja – proposto para santo.
Ora é por isso que o lema da moção a aprovar no congresso do Partido Socialista – A força da mudança – me causa alguma perplexidade. Se é tudo tão genialmente perfeito na actual governação, mudar o quê e para quê? A menos que ser apenas genial não seja o bastante. Provavelmente pretende-se passar à fase do soberbo. O que, se atentarmos em certas atitudes a que vimos a assistir nos últimos anos, faz todo o sentido.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A minha rua

Este blogue ganhou parte da pouca notoriedade que tem, muita má fama e alguns inimigos, por causa das postagens que aqui tenho colocado acerca do mau comportamento cívico dos estremocenses donos de cães que permitem aos seus animais cagar na via pública sem que, de seguida, recolham os dejectos que estes vão largando. Recordo que, a este propósito, o KruzesKanhoto foi já citado num órgão autárquico quando um dos seus membros alertava para esta problemática. Muito prestigiozinho, portanto. Embora de merda, convenhamos.
Por isso este tema não podia permanecer por mais tempo longe destas páginas. Até porque, quase diariamente, os canitos das redondezas fazem questão de mo lembrar. Repare-se nesta foto, obtida à minha porta, e onde é possível constatar a profusão de dejectos espalhados pelo passeio. Não que os cachorros tenham especial predilecção pelo passeio fronteiro à minha casa ou os donos, que desconfio nem lêem blogues, os tragam a cagar num local que me incomode. Nada disso. Eles é que cagam em todo o lado e vão contribuindo para nunca falte material para publicar no blogue.

Autárquicas 2009

Em época eleitoral surgem as mais fantásticas promessas com o intuito de cativar o eleitorado. Principalmente quando se trata de eleições para os órgãos locais. Depois daquela extraordinária promessa do Bloco de Esquerda, que prometia criar um serviço de “táxi pijama”, ou seja, um transporte público que recolhesse os bêbados e os levasse a casa ao fim da noite, ou princípio da manhã conforme o ponto de vista, tenho alguma dificuldade em imaginar o que estará para ser prometido nas autárquicas 2009.
Aguardo com expectativa que alguém se lembre de prometer a construção do primeiro “Centro de Contacto, Acolhimento e Boas-vindas aos Visitantes de Outros Planetas”. É um tipo de infra-estrutura de que o país ainda não está dotado e que representa uma lacuna na prossecução de interacções harmoniosas com habitantes de outras galáxias que partilham connosco este imenso espaço cósmico. Urge, portanto, desenvolver sinergias nesse sentido.
Quando às boas, vindas do nosso próprio planeta, também não serão, certamente, esquecidas. Nunca o são.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Causas fracturantes

Não deixa de ser curioso que os chamados temas fracturantes surjam em tempos de especiais dificuldades e lançados a debate pelo partido do poder em vez de, contrariamente ao que seria expectável, serem os partidos da oposição mais à esquerda e sem responsabilidade governativa a suscitar este tipo de discussão.
Regionalização, eutanásia e casamento entre pessoas do mesmo sexo são, para já, as questões pretensamente fracturantes, nomeadamente as duas últimas, com que se quer entreter a sociedade. Obviamente parece-me pouco ambicioso. Devia e podia ter-se ido mais longe. Alvitram alguns que discutir a eutanásia dos homossexuais seria uma coisa ligeiramente mais fracturante e que motivaria uma discussão ainda mais acalorada. Mas nem vou por aí. Já ficava satisfeito se em debate estivessem assuntos como a desigualdade fiscal entre contribuintes casados, solteiros ou divorciados, ou a viver em comunhão de facto (ainda que com pessoas de sexos diferentes), com claro prejuízo para os primeiros. Ou, mas se calhar era pedir demais, que se discutisse a descriminação no acesso aos diversos apoios sociais concedidos pelo Estado e onde os trabalhadores por conta de outrem estão claramente em desvantagem em relação a quem trabalha por conta própria.
Evidentemente que os temas que sugiro não suscitariam grandes discussões nem, quase de certeza, mobilizariam os portugueses. Infelizmente para a maioria dos meus concidadãos parece tão aceitável um par de indivíduos meter coisas que não tem em lugares onde não deve, como outros usarem coisas que não devem em desfavor daqueles para quem essas coisas foram criadas.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

É malha-los!

Episódios como a apreensão de exemplares de um livro em Braga ou a proibição judicial da exibição de imagens de mulheres nuas no Carnaval de Torres Vedras, em ambos os casos por supostamente serem atentatórias da moral e bons costumes, não são novidade. Assim de repente e sem fazer um grande esforço de memória, recordo-me quando, em pleno cavaquismo, o então Subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, resolveu cortar da lista de concorrentes ao Prémio Literário Europeu o romance de José Saramago “Evangelho segundo Jesus Cristo” porque, segundo ele, a obra atacava princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses.
Igualmente os casos que a comunicação social tem relatado envolvendo a DREN e a sua inenarrável directora ou declarações como as do pigmeu político – na sua própria definição – Santos Silva, também não constituem nada de novo na vida social e politica portuguesa. Sem necessidade de recuar a tempos mais antigos, recordem-se as intenções de um certo general que ponderava a hipótese de meter uns quantos cidadãos numa conhecida praça de touros – e não, não era para assistir a nenhuma tourada – ou da estória do despedimento de um segurança, em serviço num hospital público, que pediu a identificação a um conhecido político quando este pretendia visitar o pai fora do horário estabelecido para as visitas.
Nada disto, acho eu, constitui qualquer drama. Antes pelo contrário. São estas coisas que nos proporcionam a ocasião para os malhar. Porque os autores destas traquinices, além de fazerem figuras de parvo e se cobrirem de um ridículo que os acompanhará até ao fim dos seus dias, também levam. Eles que se habituem.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carnaval sem sátira, sem gajas nuas e quase sem minis

No post de domingo acerca do desfile de carnaval lamentei a ausência de sátira e de gajas nuas. Hoje congratulo-me com uma quase ausência. As “minis”. Felizmente foram poucos os “foliões” que desfilavam de cerveja na mão. Excluindo os condutores de dois carros alegóricos e uma senhora já com idade para ter juízo mesmo no carnaval, não eram muitos os que se faziam acompanhar de um apetrecho que, naquelas circunstâncias, não fica nada bem. Até porque se o esforço despendido exige a ingestão de líquidos, de certeza que uma bejeca não é a bebida mais apropriada.

O mundo à janela

A televisão, diz-se, é uma janela aberta para o mundo. Quando, para além dos quatro canais generalistas portugueses e mais dois ou três espanhóis captados pelas antenas vulgares, se dispõe de uma parabólica que permite sintonizar uma quantidade infindável de estações de televisão é todo um maravilhoso mundo novo que nos entra janela dentro. Claro que, em consequência, outras janelas se fecham. Literalmente, no caso.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Fragâncias

Recebo por correio electrónico todo o género de spam. São mais que muitos os avisos que ganhei prémios em concursos de que nem sabia a existência, os pedidos de actualização de dados bancários vindos de bancos onde não tenho conta e as ofertas, a preços generosos, de produtos miraculosos como o viagra e outros que também fazem crescer coisas. Nomeadamente cabelo.
Recentemente, também por mail, chegou-me a mais recente e extravagante proposta de um produto que alguém se propõem vender. Trata-se, garante o anúncio, de um frasco que contém o verdadeiro, sim que nestas coisas também é capaz de haver imitações, odor a vagina. É um conceito original de negócio que pretende empestar os totós que o adquirirem com uma fragrância vaginal completamente natural. As consequências adivinham-se absolutamente imprevisíveis para aqueles que ousarem dar-lhe uso.
Para além de outras questões que este “produto” me suscita, interrogo-me acerca dos métodos que terão sido usados no processo de engarrafamento…

Aselhice

Tal como quase todos os portugueses considero-me um ás do volante. O que na prática se traduz por ser mais um dos muitos aselhas por aí circula. Que o diga este buraco, estrategicamente situado no largo da República em frente à espingardaria e ao talho. Várias vezes por dia passo no local onde se encontra e, desgraçadamente, acerto-lhe sempre com pelo menos uma das rodas, quando não com as duas, mesmo em cheio.
O buraquito, que até nem é muito grande, diga-se, está sempre ali. No mesmo sítio. O pobre coitado não vai a lado nenhum, afinal não passa de uma cova, e à força de tanto passar no local, conheço a exacta localização da micro cratera que, como é de calcular, nunca se desvia à minha aproximação. Não se trata de nenhuma embirração nem, tão pouco, de uma qualquer aposta para testar quantas vezes acerto no espaço do arruamento em que não existe alcatrão. Nada disso. É aselhice mesmo.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

E gajas nuas? Porque é que não há gajas nuas?!

Foram seguramente muitos os que contribuíram com o seu tempo e trabalho voluntário para que fosse possível a realização do desfile de carnaval. Esse esforço é, sem dúvida, meritório e ainda que tenha como compensação a diversão que proporciona também aos que nele intervêm, nunca é demais enaltecer quem contribui de forma desinteressada para que eventos como este possam continuar a ter lugar.
Mesmo não sendo um entendido nestas lides carnavalescas, acho que o desfile deste ano esteve fraquinho. Outros, mais especialistas na matéria do que eu, poderão achar outra coisa qualquer, mas isso é lá com eles. Por mim reitero as criticas – não são bem críticas, são antes um lamento – à ausência de dois factores que considero essenciais num desfile com estas características. O primeiro é a ausência de sátira. Coisa perfeitamente incompreensível num ano em que tantos motivos e personalidades das mais variadas áreas podiam ser objecto de umas quantas piadolas. A “responsabilidade” será certamente da falta de espírito crítico ou de iniciativa dos foliões, pois não creio que a organização impusesse qualquer restrição à sua existência. O que, a ser assim, apenas vem dar ainda mais razão aos que garantem não existir massa crítica em Estremoz.
O motivo para o segundo lamento tem a ver com a inexistência – mais uma vez – de gajas nuas. Dirão alguns que não acrescentariam grande coisa nem contribuiriam para que o Carnaval de Estremoz fosse melhor. Pois não. Mas alegrava a rapaziada.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Manipulações

Que os defensores dos animais protestem contra as touradas é aceitável, apesar da existência do animal que supostamente eles pretendem proteger apenas se justificar pelo fim a que se destina. Que se indignem pela maneira inadequada como muitas vezes são transportados e abatidos os animais que se destinam à alimentação humana, também é compreensível que o façam. Agora o que me deixa completamente boquiaberto é que pessoas inteligentes, que certamente são, os defensores da bicharada denunciem como cruéis e desumanas práticas como “…Na produção de mel, as rainhas são inseminadas artificialmente com esperma de abelhas decapitadas…” ou que se revoltem porque “…Quantidades de fumo são introduzidas nas colmeias para tornarem as abelhas mais facilmente manipuláveis”.
São coisas destas que me fazem levar pouco a sério essa malta das associações de defesa dos animais mas, por outro lado, me fazem simpatizar mais um pouco com os apicultores. É que manipular uma abelha, no meio de uma fumarada, para a inseminar deve ser uma tarefa de fazer perder a cabeça e que requer uma perícia fora do comum…

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O que é que a Elisa tem?

Nada. Aparentemente não tem nada. Nada de especial, entenda-se. Além de ter a intenção de se candidatar à presidência da Câmara do Porto e de se lançar na tarefa, que não se avizinha fácil, de destronar o social-democrata Rui Rio que há oito anos preside aos destinos da invicta.
Elisa, a Ferreira, não me parece uma boa candidata. Nem sequer uma candidata boa. Noutros tempos talvez, quando os seus globos oculares de dimensão apreciável terão tido mais encanto e brilhavam com outra intensidade fruto, talvez, de então ainda acreditar nos ideais do partido por que concorre e em representação do qual tem exercido diversos cargos públicos nos últimos anos.
Também os apoios já anunciados não auguram nada de bom. Apesar de se apresentar como independente, numa demarcação relativamente ao Partido Socialista que lhe poderá garantir algum eleitorado, a presença de Pinto da Costa e Mário Soares entre os apoiantes constitui uma evidente menos valia. O primeiro porque mobiliza facilmente contra si, ou contra aqueles a quem manifesta o seu apoio, uma imensa legião de pessoas que tem pelo líder portista uma aversão visceral. Já quanto ao segundo apenas poderá ajudar eleitoralmente se, entretanto, levar um par de estalos. Mas isso já seria coisa de muito mau gosto e que não se faz a um velhinho. Por mais socialista que seja.