Parte do país está em negação. Nunca equacionou que a coligação pudesse vencer as eleições e, desde domingo à noite, não faz outra coisa que mal dizer os portugueses que optaram por confiar o seu voto aos vencedores. Um lamentável exercício de falta de cultura democrática, de arrogância, de ausência de civismo, de educação e, também, de notória indigência mental.
Por muito que custe a esse pagode existe vida e existe gente fora do Facebook. Pessoas que, como eles, fazem as suas opções politicas. Que – não me interessa se mal ou bem – estão de acordo com o caminho que o governo escolheu para conduzir o país. Gente que, por pensar diferente, não é ignorante. Fez as suas opções, votou e o quadrado onde assinalou a sua intenção de voto foi o que recolheu mais cruzinhas. É a vida. De outra vez calhará a outros.
O curioso é que muita dessa gente que agora usa os maiores impropérios para ofender os votantes do PAF, gosta de citar Voltaire – Jorge Jesus também podia ter dito algo parecido – recitando aquele chavão do “não concordo com o que dizes mas defendo até à morte o direito de o dizeres”. Por aquilo que vejo, ouço e leio parece que esta vontade de sucumbir defendendo o direito à discordância não se aplica naquela coisa da liberdade de voto, ou lá o que é.