Compreendo que o pessoal não goste de pagar impostos. Também detesto fazê-lo. É por isso que aproveito tudo o que a lei permite para pagar o menos possível. Outra coisa, muito diferente, é o uso de esquemas fraudulentos. Esses, agora em muito menor número do que em tempos idos, é que são condenáveis. Mais ainda quando envolvem dinheiros públicos.
Consta que, alegadamente, lá para os confins do norte haverá clubes, associações e outras agremiações alegadamente sem fins lucrativos, que alegadamente receberão subvenções públicas com as quais alegadamente retribuirão o trabalho do treinador, do mestre da banda e de outros colaboradores, por baixo da mesa. Sem que as finanças e a segurança social saibam, portanto. Para alegado beneficio de ambos. Da colectividade, que pagará menos, e do colaborador que verá uma maquia mais ou menos simpática longe das garras do fisco. Tudo alegadamente, está bem de ver.
Ora isto, a acontecer, será duplamente condenável. Tratar-se-á de dinheiro dos nossos impostos gasto sem controle e do qual não será, alegadamente, pago o correspondente tributo. Que quem recebe não goste de pagar impostos, ainda percebo. Que quem dirige essas agremiações, sabendo que está a receber dinheiro público seja, alegadamente, compincha do esquema é que já me parece outra coisa bem pior. Isto, naturalmente, a acontecer. Porque, reitero, a existência de gente tão trapaceira deixar-me-ia deveras surpreendido.