Uma rotura é uma coisa tramada. Seja qual for a sua natureza. Na canalização, então, é do piorio. Pior, muito pior do que uma rotura de stock's. Mais desagradável só uma rotura de ligamentos...
Uma rotura é uma coisa tramada. Seja qual for a sua natureza. Na canalização, então, é do piorio. Pior, muito pior do que uma rotura de stock's. Mais desagradável só uma rotura de ligamentos...
Nem precisava escrever mais nada. Um post com um titulo destes vai, de certeza, estoirar com a capacidade do contador de visitas aqui do blogue. Não faltará gente interessada em saber a técnica de corte, o material cortante utilizado e o tamanho a que as unhas ficaram reduzidas. Ou, quiçá, um qualquer outro importantíssimo aspecto que me esteja a escapar relacionado com tão relevante facto.
“Vou cortar os pintelhos”, “descasquei uma banana e só no fim descobri que era um morango”, “como fazer um bolo de chocolate sem chocolate” ou “comprei uma t-shirt muita fofinha”, seriam títulos igualmente bons. Ficam para a próxima.
Acabar com feriados e impor as quarenta horas de trabalho na função pública nada tem a ver com austeridade. É, mais, parvoíce. Daí que propor a reposição da situação anterior nada tenha de especial, nem constitua uma benesse. Apenas bom senso. O país nada ganhou com o fim dos quatro feriados e só perdeu com as cinco horas semanais que acresceram ao horário dos funcionários públicos. Concluir o contrário apenas estará ao alcance de uma imaginação delirante.
Não sei, no entanto, se esta promessa socialista não constitui mais um tiro no pé. Há quem aprecie as medidas, sejam elas quais forem, que tramem os funcionários públicos. Neste caso as vozes contra já começaram a destilar veneno. A qualidade da argumentação é vários pontos abaixo de sofrível e resume-se quase a um elucidativo “por que sim, seus filhos da puta”. Mais ou menos o mesmo que fazem os velhinhos que se sentam nos bancos do largo cá do sitio e que regozijam por nos verem cumprir o horário vigente.
O país indignou-se um destes dias com o caso das duas enfermeiras de um hospital do Porto a quem, para provar que estavam a amamentar os seus pimpolhos, terá sido sugerido que espremessem as mamocas para ver se esguichava dali qualquer coisa. Não admira. Indignamos-nos facilmente e um assunto destes puxa ao sentimento. O pior, quase sempre, é quando se começa a escarafunchar. Ou, no caso, uma das senhoras resolve dar a cara e falar do assunto. Afinal o puto, a julgar pelas imagens, está em boa idade para deixar a mama. O que já teria acontecido há muito se a mãe não fosse funcionária pública. Esperemos é que o gajo não decida continuar a mamar até ir para a universidade. Embora, pelas reacções conhecidas, os contribuintes não se importem de continuar a pagar por isso.
Compreendo que o pessoal não goste de pagar impostos. Também detesto fazê-lo. É por isso que aproveito tudo o que a lei permite para pagar o menos possível. Outra coisa, muito diferente, é o uso de esquemas fraudulentos. Esses, agora em muito menor número do que em tempos idos, é que são condenáveis. Mais ainda quando envolvem dinheiros públicos.
Consta que, alegadamente, lá para os confins do norte haverá clubes, associações e outras agremiações alegadamente sem fins lucrativos, que alegadamente receberão subvenções públicas com as quais alegadamente retribuirão o trabalho do treinador, do mestre da banda e de outros colaboradores, por baixo da mesa. Sem que as finanças e a segurança social saibam, portanto. Para alegado beneficio de ambos. Da colectividade, que pagará menos, e do colaborador que verá uma maquia mais ou menos simpática longe das garras do fisco. Tudo alegadamente, está bem de ver.
Ora isto, a acontecer, será duplamente condenável. Tratar-se-á de dinheiro dos nossos impostos gasto sem controle e do qual não será, alegadamente, pago o correspondente tributo. Que quem recebe não goste de pagar impostos, ainda percebo. Que quem dirige essas agremiações, sabendo que está a receber dinheiro público seja, alegadamente, compincha do esquema é que já me parece outra coisa bem pior. Isto, naturalmente, a acontecer. Porque, reitero, a existência de gente tão trapaceira deixar-me-ia deveras surpreendido.
Anda por aí um basqueiro do camandro por causa de um novo código de conduta – ou lá o que é que aquilo se chama – aplicável aos funcionários de um qualquer sector da justiça. Do pouco que tenho lido acerca do assunto não se me afigura que seja motivo para tanto. Parecem-me, até, coisas do mais elementar bom-senso. Mesmo naquela parte que salienta o dever de relatar situações suspeitas de configurar um ilícito. Bufaria, garantem umas quantas virgens ofendidas muito mais empenhadas em proteger os criminosos, corruptos e outros vigaristas. Lá saberão porquê.
Não consigo acompanhar o raciocínio. Assim de repente não estou a ver como é que a culpa pela ausência de público num espectáculo pode ser atribuída ao Presidente da Câmara. Que se saiba o homem nem fazia parte do elenco!
Nem todos, obviamente, temos as mesmas prioridades. Mal seria se tivéssemos. Podíamos era ter, até por respeito aos outros, algum bom senso. Vem isto a propósito das habituais opiniões dos populares sobre a crise e as dificuldades da população, nomeadamente da jovem, a que a televisão gosta de dar palco nestas quadras festivas.
Num desses comoventes momentos televisivos lamentava-se uma jove que, mesmo tendo emprego, não conseguia reunir dinheiro bastante para viajar ou jantar fora. Longe de mim questionar as opções da criatura. São tão legitimas como a da outra que ambicionava ter malas e sapatos às centenas. Ela está é a confundir tudo. Não ter dinheiro para viajar ou ir a uma casa de pasto, não é crise. É falta de poder de compra por não ganhar o que, eventualmente, merecia auferir. Crise é não ter dinheiro para comer, pagar a casa, a saúde ou a educação dos filhos. O resto são balelas de gente que se convenceu que era rica.
Cada um é como cada qual. Já sentenciava a minha avó, essa sábia senhora, quando a rapaziada tratava de gozar com o gordo, o orelhudo, o caixa de óculos ou a vizinha da mamas grandes. Ficou-me, desde aí e já lá vão muitos anos, o ensinamento. Não vou, portanto, escarnecer com os gajos que apreciam ter coisas enfiadas nos intestinos nem fazer piadolas jocosas com quem não se importa de mandar o “Zézinho” à merda. Nem, tão pouco, zombar com qualquer outra coisa que os rabetas andem por aí a fazer. Eles lá sabem.
Nos eventos que originam uma grande concentração de pessoas é normal que ocorram situações como a que, alegadamente, originou o tweet acima reproduzido. São muitos filhos de muitas mães reunidos num local relativamente pequeno. Talvez, em futuras edições do certame, seja de considerar a opção de instalar um espaço próprio para esta gente fazer o seu negócio. Há que dar condições à paneleiragem antes que eles reclamem que estão a ser discriminados...
Acho piada a essa coisa das alegadas “feiras medievais”. Não tanto ao evento mas à estranha necessidade de cada terra, terrinha ou terreola, organizar a sua própria feira. Numa breve pesquisa no portal “Base.gov”, sitio na Internet onde obrigatoriamente é publicitada toda a contratação pública, é possível encontrar referências a quase centena e meia de contratos tendo como objectivo a realização destas festarolas. Não será, digamos, um bocadinho demais?! É claro que as empresas do ramo precisam de vender mas, c'um caraças, a malta das Câmaras escusava de andar sempre a copiar o que faz o município vizinho. Podiam, de vez em quando, ter alguma imaginação. Se, para justificar os lugares, têm de esturrar o IMI que pagamos ao menos que o façam de forma original.
Não percebo a indignação que causa, nomeadamente à esquerda, a existência de uma lista de pedófilos. Ou de devedores ao fisco. Ou de outra qualquer classe de prevaricadores que alguém tenha a ideia de pretender divulgar. Até parece que o criminoso e o incumpridor gozam de privilégios especiais ou que são uma espécie que urge proteger. Deve ser por isso que uns e outros se multiplicam. Depois queixem-se...
A pergunta é assaz pertinente mas, quanto a mim que me tenho na conta de impertinente assumido, desnecessária. É que hoje em dia ninguém se cala. Mesmo que nada de útil tenham para dizer, todos têm qualquer coisa para opinar a propósito de tudo. Ainda que do assunto acerca qual debitam verborreia nada percebam. De tal modo que me pareça fazer muito mais sentido perguntar antes: Por que não te calas?
As propostas do PS para salvar o país da crise e potenciar o desenvolvimento estão mesmo a entusiasmar os portugueses. Não admira. Afinal todos sabemos que nada melhor para tapar um buraco do que o gajo que o cavou.
O entusiasmo, escrevia eu, é quase geral. Até nos locais mais improváveis. Domingo de manhã no supermercado Continente cá do sitio, a operadora de caixa proclamava para quem a queria ouvir – no caso eu e os dois clientes que me precediam – que o futuro, com Costa no poder, será radioso. Entre outras tiradas à Santos Silva – não o que está preso por causa daquela coisa da alegada corrupção, mas o outro que foi ministro e agora é comentador – garantia que só gente “absolutamente estúpida” é que votará noutro partido que não o Socialista.
Fiquei, confesso, visivelmente impressionado com a eloquência da “piquena”. Com uma língua daquelas auguro-lhe um futuro ainda mais radioso do que aquele que ela prevê para o país em caso de vitória socrática do PS. Assim tenha cabeça para a controlar. À língua, claro.
Não sei o que é isso dos “valores de Abril” com que uns quantos gostam de encher a boca. Caso se refiram à democracia estamos conversados. São valores universais, não são exclusivo nosso e, hoje, é algo tão normal quanto o ar que se respira. Nem vejo, assim de repente, que seja coisa para grandes festejos. Quando muito será apenas ocasião para lamentar que tenha chegado com tanto tempo de atraso.
Provavelmente há quem, saudosamente, associe os tais “valores de Abril” ao que se passou nos meses seguintes ao golpe militar. Se assim é esses valores estarão mais associados à loucura e ao crime. Há, também, quem o faça sempre que o seu partido percorre a via sacra da oposição. Uma chatice, isso de estar longe do pote.
Interessante, igualmente, é a insistência de, ao nível local, promover a realização de sessões solenes comemorativas da data. Se fazem tanta questão passem a agendar a sessão obrigatória de Abril para o dia 25. Assim fico a pensar que é apenas para uns milhares de marmanjos, ao longo país, se aboletarem aos cerca de setenta euros da senha de presença.
Um Presidente de Câmara apregoava um destes dias que, caso venham a existir situações de fome no seu concelho, não hesitará em deixar de pagar as prestações do empréstimo do PAEL a que teve de recorrer graças à gestão desastrosa dos seus antecessores. É de homem. E fica-lhe bem tamanha generosidade. A malta gosta de ouvir. De certeza subiu vários pontos na consideração de muita gente. Nomeadamente daquela que não percebe patavina daquilo que o senhor está a falar.
Independentemente da eventual boa vontade do autarca em questão – e que certamente será muita – as coisas não funcionam assim. Em caso de incumprimento das obrigações decorrentes do tal empréstimo, para acudir a casos de fome ou por outra razão qualquer, o dinheiro das prestações em falta nem sequer chega a entrar nos cofres da autarquia. É-lhe retido, sem mais aquelas, pelo Estado. Portanto o dito Presidente, seja qual for a circunstância, apenas tem duas hipóteses. Ou paga ou...paga!
Significa isto que o autarca pode fazer a caridade que muito bem entender. Com o dinheiro que disse que faria é que não faz de certeza. Para já, só fez uma bravata. Daquelas para eleitor pouco esclarecido aplaudir.
A ideia socialista de baixar o IVA da restauração da taxa máxima para a intermédia parece-me excelente. Melhor, fantástica mesmo, só se estes serviços passassem a estar isentos. E, a bem dizer, nem vejo razão nenhuma para assim não ser.
É, reconheço, uma medida muito prazenteira. Capaz, segundo quem a propõe, de revitalizar economicamente um sector bastante abalado pelas opções austeritárias do Parvus Coelho. Com o IVA a passar de vinte e três para treze por cento os preços baixam, os consumidores aumentam ou consomem mais e ficamos todos a ganhar. Nós porque pagamos menos, os taberneiros porque facturam mais e o Estado porque, na sequência das premissas anteriores, acaba por obter mais receita.
Por mim, optimista convicto e crente assumido na honestidade de toda a gente, fico a aguardar ansiosamente pelo dia em que a baixa do IVA fará com que o preço que pago pelo meu café passe dos actuais sessenta e cinco cêntimos para os sessenta resultantes da influência da nova taxa na formação do preço.
Nem ouso questionar a bondade das propostas do PS ontem conhecidas. A genialidade dos sábios que as elaboraram, em contraponto com a notória falta de sapiência da minha, não o permite fazer de forma séria. Mas, se bem entendo, aquilo é tudo uma questão de escolhas. De opções. Escolher um caminho em detrimento de outro. Ou lixar uns em vez de outros.
O caso da segurança social, por exemplo. Escolheram não cortar nas pensões dos actuais pensionistas. Optaram por dar mais uma machadada nas dos futuros reformados. Estes vão continuar a subsidiar os primeiros, a troco de uma miserável redução da TSU durante um curto período de tempo. Uma legislatura, convenientemente. Genial, esta ideia. Não é para qualquer besta, reconheço.
Ainda estou, confesso, atordoado com as promessas eleitorais do Partido Socialista. Não esperava tanto. Afinal parece que os cofres sempre estão cheios e que o dinheiro para distribuir pelo povo é mais do que muito. Ainda bem que assim é. Fico contente por isso. Tão, mas tão contente que até vou esquecer essa coisa da esmola avultada que faz o pobre desconfiar.
Há quem diga que a actividade politica não é para as pessoas sérias. Não vou tão longe. Embora seja cada vez mais difícil encontrar argumentos que rebatam essa tese.
Veja-se o caso do gajo que, quase de certeza, vai voltar a governar o país depois de ter contribuído activamente para para o estourar. Nem, ao que é noticia, as contas do Partido a que preside conseguirá pagar mas, alarvemente, arrota postas de pescada sobre as maravilhas da sua governação.
Existem, ainda, uns quantos patetas ou iletrados que não percebem o motivo do aumento da divida da República - por comparação com a existente antes da intervenção da troika – nem a razão para a diminuição da divida do município de Lisboa. O chefe do grupo do Rato sabe. Mas não diz. A isto chama-se, de uma forma simpática, demagogia.
Parte significativa dos portugueses – não sei se a maioria, sei apenas que são muitos – têm uma espécie de fetiche com a TAP. Tem que ser pública porque sim e não se pode privatizar porque não. Deve cair a asa de algum avião se a companhia for vendida a privados, deve…
Os pilotos, esses, até nem se importam que a companhia aérea portuguesa deixe de ser pública. Se calhar até preferem. Desde que tenham parte significativa do capital, está tudo bem. Daí que não se estranhe que tenham pedido ao governo para ter bom senso…
Continuando a dissertar sobre gente idiota. Os admiradores de Sócrates vão voltar a manifestar-se junto à prisão de Évora. E a dependurar cravos vermelhos nas letras que identificam o estabelecimento prisional, também. Começo a achar que os velhotes que, insistentemente, lamentam a perda dos valores de Abril, terão alguma razão. Por comparação com os bandalhos que vão andar às voltas à cadeia eborense, até parecem uns gajos cheios de lucidez…
Depois ainda há quem tenha o topete de reclamar por não termos um governo normal...
Assegurava um ambientalista, presença habitual no espaço televisivo matinal, que despejar o lixo nos contentores sem estar devidamente acondicionado em sacos de plástico é um procedimento errado. Aconselhava, por consequência, que da lista de compras que levamos para o supermercado constasse sempre a aquisição dos sacos adequados para o efeito. De plástico, acrescentava. São estas coisas que me confundem as ideias. Não me dão sacos para, assim, proteger o ambiente. Mas devo comprá-los para proteger o dito ambiente. Ou seja, a protecção ambiental está garantida se eu pagar. Não percebo. Mas não faz mal. E, pelo sim pelo não, não pago!
Um fartote de rir as propostas em discussão no parlamento para fomentar a natalidade. Próprias de quem vive num mundo que apenas raramente coincide com a realidade. E esta assegura-nos que os jovens casais não querem ter filhos em número suficiente que assegure a substituição de gerações. Têm outras prioridades. Legitimas, admito, das quais eles próprios serão as primeiras vitimas.
Já que estamos em maré de discutir ideias parvas, podiam ter proposto uma taxa de valores exorbitantes para abranger diversas situações potencialmente “culpadas” pelo fraco ímpeto reprodutivo do pessoal. A posse de cães, o consumo de electricidade a partir das dez da noite, as viagens ao estrangeiro ou os contraceptivos, por exemplo. São, aceito facilmente, propostas com pouco sentido. Ao nível das apresentadas pelos partidos, portanto. Só que muito mais baratas para o contribuinte.
Uma gaja atacou hoje a sede do BCE. Sem armas. Apenas guinchou. Para gáudio, presumo eu, do segurança que teve qualquer coisa jeitosa para apalpar. Lamentavelmente a tipa não se despiu. Nem, ao menos, mostrou as mamocas aos banqueiros europeus. Já não há activistas como antigamente, é o que é.
Esta é daquelas noticias que não constituem novidade para ninguém. Excepto, talvez, para os políticos que decidiram inventar mais um imposto, ecologistas e outras pessoas que vivem numa espécie de realidade paralela. Estava-se mesmo a ver que poucos seriam os que passavam a comprar sacos para o lixo e que as consequências da inexistência de sacos grátis iam ser as que mostra o recorte que acima publico. E, por enquanto, ainda existem locais onde os sacos são à borla e quem tenha um stock apreciável em casa...
Deve ser um novo negócio. Daqueles que dinâmicos empreendedores empreendem para dar a volta à crise. Ao mesmo tempo, também, uma oportunidade para quem tenha em casa baterias que não "funconam" se livrar delas. É que se em casa uma bateria que não "funcona" não serve para nada, pode sempre dar jeito a quem a saiba pôr a "funconar". Seja isso o que fôr. Que eu cá não sou de intrigas nem gosto de tirar conclusões precipitadas.
Desta panóplia de instrumentos, expostos para venda numa feira de velharias, hesito quanto ao mais inútil. Questiono-me, até, sobre a espécie de loucura consumista momentânea pode levar um normal e pacato cidadão a abrir – e muito – os cordões à bolsa para adquirir qualquer um destes itens.
O aviso para ter cuidado com os pés faz, quanto a mim, todo o sentido. Dá mesmo vontade de dar um pontapé naquela tralha...
Desde a implementação das medidas que incentivam os consumidores a pedir factura que se assiste a uma campanha descarada – a soldo de interesses que não são difíceis de adivinhar – contra esses incentivos. Tudo serve. Desde os custos astronómicos, absolutamente insuportáveis mesmo, com que teria de lidar quem tivesse o tremendo azar de lhe sair o carro sorteado pelas finanças até outras mais recentes e que envolvem penhoras fiscais.
Cada um será tão parvo quanto lhe apetecer e acreditará no que quiser. Há quem acredite no Pai Natal, na inocência do Sócrates ou que o Sporting ainda pode ser campeão. Nada disso muda a realidade. E, no caso das facturas, a realidade é que se não pedirmos factura daquilo que consumimos pagaremos muito mais impostos. Directa ou indirectamente. O resto são conversas da velha à soalheira.
Ao que se diz uma quantidade assinalável de coisas alegadamente sumidas de diversos locais, nomeadamente aqui da zona, aparecem nas cercanias do Continente cá do sitio. Tratar-se-á, estou em crer e nada me leva a pensar o contrário, de uma inexplicável coincidência. Nada mais do que isso. A menos que queiramos entrar no domínio da especulação e atribuamos estas alegadas deslocações de objectos a alguém com poderes no âmbito da telecinesia. Mas se calhar é melhor não. Ao que parece a ciência divide-se quanto a isso.
Não sei se percebi bem mas, em boa verdade, isso também não interessa nada. Julgo ter ouvido por aí que, tendo em vista fomentar a natalidade, o PSD vai propor – e se os sociais democratas propõem é quase certa a aprovação – que os funcionários públicos possam trabalhar meio-tempo, recebendo sessenta por cento do vencimento, para assim terem mais disponibilidade para a procriação.
É, façam o favor de reconhecer, uma medida genial. Daquelas que mata dois coelhos de uma só cajadada. Por um lado reduz a despesa e, por outro, o pagode fica com mais tempo para tratar se reproduzir. A medida, especialmente boa no caso em que os dois sejam funcionários públicos, é igualmente prazenteira mesmo quanto apenas um membro do casal trabalha na função pública. Este, indo para casa mais cedo, sempre pode ir adiantando as coisas de modos que quando o outro chegar é só tratar daquilo que é realmente importante.
Para os cépticos, os que estão sempre do contra e aqueles que acham não ser isto que vai estimular o pessoal a fazer mais filhos, deixo o exemplo do concelho onde resido. Um dos mais envelhecidos do país, com a autarquia local a constituir a principal empregadora e uma daquelas em que os funcionários municipais têm de cumprir o horário de quarenta horas. Se isto não está tudo ligado...
Na comunicação social nacional e regional têm surgido nos últimos dias noticias que referem uma queda, mais significativa nuns casos do que noutros, do número de trabalhadores das autarquias. Isto em consequência das restrições às despesas com pessoal impostas pelo acordo com a troika.
Para uns a noticia é boa, para outros nem por isso. Depende, claro, do ponto de vista de quem analisa os dados. Por mim estou como dizia um saudoso professor. “Não é boa nem é má. É uma merda”. Na esmagadora maioria das autarquias a despesa corrente primária cresceu e o número de pessoas que, directa e indirectamente, são pagas pelos orçamentos municipais também. Basta ver o site onde são publicados os contratos públicos e o portal autárquico para, facilmente, se perceber a dimensão da marosca.
Neste aspecto, tal como noutros, o país andou a fingir que cumpria aquilo a que se comprometeu. Tratou-se, apenas, de maquilhar os números para troika ver. Coisa em que “semos” mesmo bons. E fê-lo tão bem, mas tão bem, que até se convenceu a si próprio. Vamos ver se da próxima – que não deve tardar mais que uma legislatura socialista - os conseguimos voltar a enganar.