A julgar pelas reacções que se lêem nas caixas de
comentários dos jornais on-line, blogues ou mesmo as que se vão ouvindo ao vivo
e a cores, os portugueses ficaram bastante agradados com a proposta de
orçamento para o próximo ano. Principalmente porque malha nos funcionários
públicos e isso, como se sabe, cai sempre bem na opinião pública. Melhor apenas
se despedissem aos milhares deles. Nesse caso talvez lhes arranjassem “por lá”
um lugarzinho. O pior é que não vai ser assim. Ainda que muitos saiam da função
pública, não vai haver lugares para ninguém. Mesmo que peçam muito, muito,
muito. Que é como quem diz, metam cunhas. Muitas cunhas. Está tudo no tal presupuesto
de que gostam tanto.
Apesar de nunca, nem em pequenino, ter ambicionado
ser bombeiro, tenho por hábito colocar as minhas barbas de molho mal me
apercebo que as do vizinho começam a ficar chamuscadas. Não me tenho dado mal
com este princípio de vida e faz-me alguma confusão que outros – a maioria,
como infelizmente a realidade parece demonstrar – continuem em festa quando a
casa do lado está em chamas e o fogo há muito esturricou as barbas do dono. E
nesta ocasião, como em muitas outras que aí virão, ninguém está a salvo.
Espere-lhe pela pancada. Ou melhor, pela labareda.

