quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Simulador de irs de 2011 a pagar em 2012

Embora a maior parte dos portugueses não tenha - ainda - dado conta, este foi um ano em que o IRS teve um aumento colossal. Sem outras palavras pelo meio que possam levar a concluir que estou a exagerar. Com o aproximar do final do ano é altura de fazer contas à vida, pelo menos para os incautos que ainda não as fizeram, e tentar minimizar os estragos. Para o efeito sugiro o simulador de IRS sobre os rendimentos obtidos em 2011 a pagar em 2012, disponibilizado aqui. Está situado sensivelmente a meio da página, basta descarregar o ficheiro zipado, descompactar, abrir a folha de cálculo e inserir os dados correspondentes aos rendimentos e despesas – não esquecendo o esbulho do subsídio de natal - para ficar a saber com o que pode contar.
O ficheiro é fiável, não instala nada nem contém vírus. Fica, no entanto e desde já, o aviso. Não me responsabilizo pelos danos que o resultado da simulação eventualmente possa causar ao bem-estar físico ou emocional dos que se atreverem a usar o simulador. Estão por vossa conta. Boa sorte.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A velha, o burlão e o burro

De que o mundo mudou já alguns – por enquanto ainda não muitos – se deram conta. A mudança foi para pior e, talvez por isso, a maioria se recuse a encarar a realidade. Não é o caso de uns quantos burlões que abandonaram as arcaicas formas de enganar o próximo. Fraudes com casas, automóveis ou notas de euro pertencem já ao passado. Agora os tempos são outros e há, portanto, que optar por inovadoras e mais adequadas maneiras de ludibriar os mais incautos. Daí que dois arrojados e perspicazes mariolas tenham optado pelo burro como objecto privilegiado para o exercício da arte de burlar. Apesar do espírito de iniciativa demonstrado, falharam redondamente na escolha da vítima. Uma velhota que, para azar dos meliantes, é entendida em jericos e dotada de sólidos conhecidos no que se refere à avaliação da espécie em causa. Foi por isso que não conseguiram extorquir mais do que uns míseros quinhentos euros pelo asno quando, segundo a imprensa que revela o caso, pretendiam sacar dois mil. Um roubo, terá pensado a idosa. Que, mais teimosa que o quadrúpede, se recusou, para desespero dos malandrins, a adiantar mais um euro que fosse. Talvez, entre os burlões, surja um novo ditado. Assim qualquer coisa como "um olho no burro e outro na velha".

domingo, 2 de outubro de 2011

Ladroagem


Ontem, pela tardinha, desloquei-me a um terreno agrícola – uma courela, vá – propriedade da família, com a intenção de apanhar os frutos da época que as árvores por lá existentes vão insistindo em produzir. A deambular pelo local encontrei um indivíduo todo vestido de preto, barbudo, de chapéu igualmente preto enfiado pela cabeça, acompanhado da sua prole e dois ou três cães que, provavelmente, fariam igualmente parte do agregado familiar. Questionado acerca dos motivos da sua presença numa propriedade privada, isolada e completamente fora de qualquer rota, justificou-se com uma alegada caçada aos ouriços. Ou, na sua linguagem, “aiiiii….andemos aos ouriçuuussss”. Bichos que, diga-se, nunca vi por ali. Deve ser porque os gajos os caçam todos.
De referir que não foi necessária grande insistência para que o cavalheiro e seus acompanhantes, de duas e quatro patas, se pusessem ao fresco. Tal como não foi preciso muito tempo para constatar que frutos eram coisa que já não existia nas árvores. Não sei se deva relacionar a visita – esta ou outras que notoriamente ocorreram antes – com a ausência das nozes, marmelos ou romãs que esperava colher. Se calhar será abusivo da minha parte sugerir que gente vestida de preto, barbuda e de chapéu me anda a assaltar a propriedade. Até porque nem todos os ladrões estão de luto.  É bem capaz de outros, que se vestem de cores mais garridas e se deslocam em furgões brancos, também irem lá de vez em quando dar uma mãozinha. Pena que não lhe dê para cortar as silvas que, muito mais do que os frutos, vão crescendo a um ritmo alucinante.

sábado, 1 de outubro de 2011

Touradas

Mesmo levando em consideração a clara afronta política ao estado espanhol que envolve a decisão do governo da Catalunha de proibir as touradas na região, tudo indica que, mais ano ou menos ano, este tipo de tomada de posição vai generalizar-se e a proibição daquele tipo de espectáculo estender-se-á a todo o mundo civilizado.* Gostemos ou não, discorde-se ou aplauda-se, o futuro será assim. Todas as coisas tem o seu tempo e o das touradas parece estar a chegar ao fim. É a vida, como dizia o outro.
Por mim, devo dizer, acho mal. Não sou apreciador do espectáculo, não se me afigura que constitua uma tradição imprescindível de manter e, caso acabasse, não me parece que viesse grande mal ao mundo. Desagrada-me, no entanto, que o seu fim seja anunciado por decreto, motivando desta forma o despertar de ódios e paixões absolutamente desnecessários. Mais ainda me aborrece por o terminar desta actividade acontecer por força de um insuportável politicamente correcto. Quando acabar que seja por mais ninguém ligar àquilo, por não ter mercado, não ser rentável e jamais por causa de argumentos absolutamente badalhocos de uns quantos alegados defensores dos animais. De resto tem sido esta malta que, nomeadamente em Portugal, com as suas iniciativas patéticas, mais terá contribuído para evitar um ainda mais acentuado declínio da chamada festa brava.

*O termo civilizado não envolve qualquer crítica pejorativa aos amantes das touradas. Até porque elas não existem no mundo que usualmente não consideramos como civilizado. Aí não precisam de torturar touros porque, para o efeito de tortura, podem usar pessoas.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Isaltinar

Isaltino foi preso e libertado menos de vinte e quatro horas depois. Não sei, nem isso me interessa muito, se a justiça procedeu mal quando o prendeu e bem quando o soltou ou vice-versa. O que me entristece, desgosta e repugna, tudo em simultâneo, é a opinião dos eleitores do seu concelho. Independentemente do carinho, da estima pessoal ou do apreço em que até possam ter a sua obra, tentar justificar as suas por enquanto alegadas acções e aceitá-las como perfeitamente naturais é, pelo menos na minha maneira de ver as coisas, algo de inaceitável e que me faz ter vergonha de ter nascido no mesmo planeta que aquela gentalha.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Insensibilidade e falta de bom-senso (ou de senso, apenas)


Não sei o que causa tanta indignação nas declarações proferidas por um corretor inglês - que afinal, sabe-se agora, não o era -  numa entrevista televisiva onde afirmou estar radiante com a actual crise porque, ao que garantiu, lhe está a permitir auferir elevados proveitos. Qualquer corretor dos verdadeiros, se quisesse ser sincero, diria exactamente a mesma coisa. Não é desonestidade nenhuma e, nesta como em noutras profissões em que tal é possível, ganhar muito dinheiro revela  elevada competência profissional. Pena que a esmagadora maioria diabolize o lucro e dirija a sua fúria na direcção errada.
Vejamos este pequeníssimo e quase insignificante exemplo. Numa qualquer localidade, mesmo daquelas onde a maioria dos escassos habitantes está com os pés para a cova, construiu-se uma piscina, um pavilhão desportivo onde se podem praticar todas as modalidades e mais algumas, dotou-se o campo de futebol lá do sítio de um relvado todo janota, fizeram-se estradas que vão de nenhures a lado nenhum e edificaram-se duas ou três escolas todas catitas e modernaças. Isto apesar de quase não nascerem crianças lá na terra e de idênticos equipamentos existirem já em todas as localidades vizinhas. Tudo somado é coisa para vinte milhões de euros financiados a oitenta por cento. O que, para os decisores, se afigura como um negócio fantástico. Ou soberbo, na opinião dos eleitores inebriados com tanto dinamismo. Claro que o insignificante pormenor de ainda faltarem quatro milhões é apenas um miserável detalhe, só invocado pela falta de visão estratégica de uns quantos parvos. Até porque, como é óbvio, a banca estava mesmo desejosa de financiar a parte do investimento que os fundos europeus não cobriam. Apesar de, também ela tal como o país, não ter dinheiro e, por consequência, necessitar de recorrer aos mercados.
Ora, como é suposto saber-se, estas coisas pagam-se. E quando alguma coisa se paga alguém ganha alguma coisa. E é aqui que os tais corretores, insensíveis e gananciosos, entram em acção. Embora, que se saiba, nunca tenham posto os andantes na tal terriola perdida onde já não nascem crianças. Nem precisam. O melhor é mesmo não aparecerem por lá. Nessa terra – e nas outras todas também – as pessoas não gostam de quem ganha dinheiro. Apreciam muito mais quem o gasta.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Premiar a burrice

Contrariando todos os que já duvidavam da intenção do governo em cortar na despesa, o executivo anunciou finalmente medidas que visam inverter o caminho do inusitado despesismo pelo qual o país enveredou nas últimas décadas. Foi hoje anunciado que, afinal, o prémio de quinhentos euros a atribuir depois de amanhã aos melhores alunos do ensino secundário já não seria atribuído. Em vez disso o montante global em causa será destinado ao apoio a alunos carenciados. Mesmo que burros e se estejam cagando para essa maçada das actividades lectivas. Parece-me bem. Essa ideia parva de premiar o mérito e a excelência é socialmente injusta, fascizante, despesista e elitista. Há, pelo contrário, que promover a solidariedade social, estimular o espírito de partilha e fazer ver aos alunos que se esforçaram e deram o melhor de si, que será para eles muito mais gratificante e enriquecedor apoiar, por exemplo, os filhos daquele comerciante de toda a espécie de coisas, que, coitado, não tem dinheiro para livros, material escolar e alimentação dos seus meninos. Isto apesar de se deslocar num veículo topo de gama e de, alegadamente, já ter sido visto mais do que uma vez a depositar uma invulgar quantidade de notas numa instituição bancária.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Vozes que não chegam muito alto


A julgar pelas opiniões expressas nas caixas de comentários de alguns sítios onde o assunto tem vindo a ser abordado, a redução significativa do número de freguesia agrada claramente a uma imensa maioria de comentadores. São, até, em número bastante considerável os que acreditam que se devia ter coragem e ir mais além, aproveitando a ocasião para acabar igualmente com uma quantidade apreciável de municípios.
Relativamente a esta temática já aqui deixei a minha opinião e, pelo menos nos tempos mais próximos, não voltarei ao assunto. Mas, confesso, desagradam-me a esmagadora dos comentários que acabo de ler. Nomeadamente porque, tenho a certeza, não haverá igual consenso quando chegarmos à fase determinante do processo. Aquela em que o legislador vai, preto no branco, escolher as freguesias que deixarão de o ser. Ou, se for o caso, os municípios a agregar. Aí, acredito, vou ler opiniões tão convictas das suas certezas como as de agora. E a maioria, não me devo enganar muito, manifestando um grau de concordância bastante mais reduzido.

domingo, 25 de setembro de 2011

Fitas

É assim, sem mais pormenores, que é anunciado o filme em exibição naquela sala de cinema. Ficamos, por isso, sem conhecer dados determinantes como os protagonistas ou o realizador. Embora, por outro lado, até seja boa esta ausência de detalhes. Podemos sempre dar largas à imaginação e tentar adivinhar o enredo, o elenco ou o figurão que dá as ordens.
Pode não ser coisa para ganhar um Óscar, um Leão de Ouro ou, sequer, merecer uma nomeação para um qualquer prémio secundário. Não irá, na melhor das hipóteses, além de uma menção desonrosa. Mas lá que tem um nome sugestivo, isso tem.

sábado, 24 de setembro de 2011

Uma fisga para cada um e não se fala mais nisso

Garantem muitos que o dinheiro gasto em guerras e armamento chegaria, e ainda sobejava, para acabar com a fome e a miséria no mundo. Terão, provavelmente, toda a razão. Acredito que países como o Iraque, Irão, Paquistão, Coreia do Norte ou Índia estariam num patamar elevadíssimo de desenvolvimento humano se não desviassem parte significativa dos seus recursos para fins militares. Até mesmo o Afeganistão, o Sudão ou a Somália não seriam a bosta que se conhece caso o dinheiro investido na sua islamização e no combate religioso fosse aplicado em coisas realmente úteis. Ou, aqui mais perto, a ETA aplicasse todos os meios de que dispõe para ajudar quem precisa – e calculo que haja gente no país basco a passar mal - em lugar de andar a pôr bombas que, por acaso, matam pessoas que nada têm a ver com as suas ideias parvas.
Não tenho a certeza – é, aliás, uma dúvida que me persegue – se será a este dinheiro que a maioria dos que usam este argumento se referem. Desconfio que não. Parece-me que estarão antes a pensar na massa que o ocidente rebenta em despesas militares e que, por qualquer espécie de obrigação moral, alguns consideram que devia gastar a ajudar os pobrezinhos do resto do mundo. Como se esses pobrezinhos não estourassem em tralha militar, também eles, dinheiro mais do que suficiente para viverem muito melhor. Mas isso sou eu a especular. É que, ainda sou desse tempo, de vez enquanto vem-me à memória a história dos mísseis bons e dos mísseis maus.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Noticias do país irreal onde a crise é imaginária

Não faz parte do currículo do 1º ciclo, ao que julgo saber, nenhuma disciplina que, pelo menos ao de leve, aborde temas como a economia, gestão ou finanças. E ainda bem. Mas, pelo menos, quando este tipo de generosidade – e outros, também – são praticados, deviam vir sempre acompanhados de uma explicação acerca da origem do dinheiro que permite adquirir os “presentes”, da necessidade de se substituir na compra de livros a eleitores encarregados de educação que os podem comprar e, já agora, do prazo que o fornecedor vai ter de esperar para receber a conta.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

As coisas que eu não sei...

Fez hoje notícia a alegada e já desmentida intenção do governo em nacionalizar a Santa Casa da Misericórdias de Lisboa. Apesar de estranho não seria coisa que me surpreendesse. O que me deixou surpreso, principalmente com o meu nível de ignorância, foi o facto de, entre os exemplos de equipamentos sociais, ser mencionada uma tal Herdade do Monte de Cima, situada no concelho de Estremoz. Será, com toda a certeza, uma falha imperdoável para quem aqui viveu quase toda a sua vida, mas, verdade verdadinha, nunca ouvi falar da existência de qualquer equipamento de carácter social propriedade da SCML instalado por estas bandas.  Se até da Misericórdia local, assim de repente, é difícil lembrar a existência de  alguma instalação deste género, quando mais da de Lisboa…