segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cuidai-vos!

Diz que um velho satélite vai despenhar-se na Terra na próxima sexta-feira. Ou, talvez, um dia antes. Mas também pode ser um dia depois. Os cientistas ainda não sabem ao certo. Optam, por isso, pelo incerto. Quanto a mim, que destas coisas de satélites apenas sei mudar de canal, a culpa pela incerteza das previsões científicas relativamente à hora – ou pior, ao dia – da sua entrada na atmosfera terrestre terá a ver com as dimensões do objecto. Mais ou menos as mesmas de um autocarro.
O local de aterragem do monte de sucata espacial está já identificado. Será, mais coisa menos coisa, algures entre o norte do Canadá e o sul do Chile. Nada de preocupante, portanto. Até porque o obsoleto aparelho irá fragmentar-se e ao solo apenas chegarão vinte e poucos pedaços de dimensão mais apreciável. Assim como assim, espero que em termos longitudinais a possibilidade de queda do satélite se restrinja a uma área bem menor. Apesar de, como salientam os gajos da NASA, a probabilidade de aquilo cair em cima de alguém ser praticamente remota. Ou residual, vá. O que, atendendo às circunstâncias e às características do objecto em queda, não me deixa particularmente tranquilo.

domingo, 18 de setembro de 2011

Dislike

Alberto João Jardim tem sido, principalmente nos últimos dias, alvo da crítica desabrida da esmagadora maioria dos portugueses. Dado como exemplo de como não se deve governar é apontado a dedo como gastador-mor e um dos grandes responsáveis pelo gigantesco buraco – mais um – nas contas deste desgovernado e ingovernável país.
Independentemente das inúmeras tropelias financeiras que o homem tenha, alegadamente, feito durante a sua já longa governação, não me parece que haja muita gente com moralidade suficiente para o atacar. Isto, claro, no âmbito estritamente da gestão financeira da ilha e do endividamento a que conduziu a região. Quem ataca o governante madeirense que olhe para o todo do país ou, se não se quiser dar a esse trabalho e ficar pelas coisas mais comezinhas, para a sua autarquia. Qualquer uma serve. É só escolher entre os trezentos e oito municípios e mais de quatro mil freguesias. De caminho pense um pouco e, para não criticar apenas comportamento alheios, ponha a mão na consciência e reflicta se nunca exigiu nada ao seu autarca, se não se congratulou com aquele fantástico espectáculo do Carreira, meteu uma cunha para um emprego lá na autarquia ou andou a espalhar “likes” sempre que é anunciada mais uma obra sem a qual os moradores lá da terra passavam muitíssimo bem e que, por mais estranho que possa parecer, desequilibra também ela as contas do Estado.
É fácil criticar, à posteriori, quando estas coisas vem a público. Aí o gajo que autorizou é “um malandro”,  ”devia ir preso” e “andou-se a amanhar”. O pior é que muitas vezes fomos nós que exigimos, aplaudimos a sua actuação e, no fim, quando a factura é apresentada, fazemos de conta que não o conhecemos e que não é nada connosco. Por isso é bom que se perceba que o descalabro das contas nacionais, incluindo regiões e autarquias, é culpa de todos. Ou os “likes” nascem de geração espontânea?!

sábado, 17 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Montra

Alguém, provavelmente um aspirante a decorador de montras, entendeu decorar esta fonte - que por acaso está seca - com o recheio de um guarda-roupa. Não sei se a fatiota está ou não fora de moda. Nem, sequer, desconfio se estará em condições de ser utilizada. Agora que é de um mau gosto assinalável promover esta exposição de peças de vestuário, disso tenho a certeza.  
Neste local é frequente encontrar todo o tipo de despojos. A zona é maioritariamente habitada por pessoas idosas e não é raro encontrar por aqui sinais claros de mais uma casa que fica vazia. É por isso que, perante este cenário, hesito em alargar-me nas piadolas. Quem sabe, se continuarmos a percorrer este caminho, um destes dias o último pendura a indumentária e já não há ninguém para tirar a fotografia.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Coisas da bloga

Sete anos a escrever em blogues, a comentar e a ser comentado, dão-me um certo à vontade a lidar com provocações. Sejam elas feitas on-line ou na vida real. Já perdi a conta aos insultos, às ameaças de me chegarem a roupa ao pêlo e a reacções mais ou menos intempestivas acerca de coisas que escrevo com uma intenção e que, espantosamente, alguém encaixa como ofensa pessoal ou ataque desrespeitoso às suas opiniões. Continuo, no entanto, sem entender o motivo de tanta susceptibilidade. Principalmente quando comparada com a fraquíssima capacidade de reagir que a maioria demonstra quando confrontados a sério – e com coisas sérias – ao vivo e a cores. Parece, portanto, que muitos de nós apenas nos ofendemos e reagimos de forma desabrida quando navegamos na internet.
Vem isto a propósito de um comentário que deixei num blogue, tristonho e desengraçado, onde o seu autor, socrático devoto, criticava o actual governo por não fazer nada para promover o emprego. Limitei-me, sarcasticamente, a deixar um comentário interrogando o autor se ficaria satisfeito com um eventual anúncio de criação de cento e cinquenta mil novos empregos. Nada de mais nem de ofensivo e incapaz de, em qualquer conversa, provocar mais do que um sorriso amarelo. Mas que, vá lá saber-se porquê, despoletou a ira do bloguista em causa e motivou uma reacção pouco cordial que envolveu o recurso à ofensa pessoal. Não há – senhor Manuel pequenino – necessidade de tanta irritabilidade.  Deixe lá. Nem o Sócrates lhe agradece nem eu me aborreço com comentários bacocos.  

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A solução final

Por alguma estranha razão o governo entende que deve subsidiar alguns consumidores - os fiscalmente pobres, ao que parece - de electricidade e de gás natural. Tudo por causa do aumento da taxa de IVA a que esses bens de primeira necessidade vão passar a estar sujeitos. Nem vou estar para aqui a explicar porque acho a atribuição deste tipo de subsidio uma patetice. Limito-me a realçar a profunda injustiça e gritante discriminação que continuará a ser cometida relativamente aos consumidores de gás de botija. Esses, ainda que pobres de verdade e não apenas em termos fiscais, continuarão como até aqui a suportar alegremente a taxa máxima de IVA que há muito pagam pelo seu gás engarrafado.
Provavelmente os decisores destas coisas desconhecem que grande parte do país não dispõe de acesso ao gás natural. Desconhecerão igualmente que o gás butano e propano, comercializado em botijas, fica bastante mais caro ao consumidor que o seu congénere natural. Ou, então, são sabedores de tudo isso mas acham que, assim como assim, já estão habituados aos 23% e, portanto, nem vão estranhar. Seja como for trata-se, quanto a mim que como escrevi atrás acho este subsidio um disparate, de uma discriminação intolerável entre portugueses e que dá vontade de mandar esta malta levar na bilha. Ou de lhes dar gás. Ou, melhor ainda, de ir ali a Espanha e poupar dez euros em cada garrafa…

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Coisas que me aborrecem

Quando determinado bem ou serviço apresenta um preço demasiado elevado relativamente à média do mercado ou ao que estou disposto a pagar por ele, ainda que possa ter dinheiro para o adquirir opto por não o fazer. Isto, naturalmente, em termos gerais e deixando de lado situações especificas e completamente anormais. Penso que desta forma penalizarei muito mais o vendedor ganancioso e o Estado-ladrão do que, por exemplo, desatar a chamar gatuno a quem vende e filho de uma senhora que anuncia os seus préstimos nos classificados do Correio da Manhã ao político que aumenta impostos. Daí que tenha manifesta dificuldade em entender os protestos contra o preço da gasolina daqueles que, podendo andar a pé, continuam a não abdicar do automóvel ou, como está agora na moda, dos que vociferam contra a cobrança de IVA à taxa máxima da electricidade e, eventualmente, do vinho.  
Em ambos os casos não me parece que seja difícil proceder a uma redução do consumo que cubra o previsível aumento do preço. Se, relativamente à electricidade, as maneiras de poupar poderão requerer alguma imaginação e, até, prescindir de algum conforto, já quanto ao vinho não se me afigura que a coisa apresente dificuldade de maior. Basta reduzir o consumo em 9% e a carteira não se irá queixar de correntes de ar. Ou, em alternativa, que quem o vende seja um pouco menos ganancioso. Porque um restaurante, ainda com IVA a 13%, vender por 5,90€ uma garrafinha de 37,5 cl, contendo uma vulgar zurrapa que custa em qualquer supermercado pouco mais de euro e meio, é algo muito parecido com roubar. Ou assaltar, como fazem inúmeras espeluncas no Algarve, que cobram um euro por uma gota de café que mal tapa o fundo da chávena.
É por estas coisas que, contra a corrente daquilo que a maioria dos estudiosos garante, considero o imposto sobre o consumo muito mais justo do que a tributação sobre o trabalho e, em certa medida, sobre o capital. Se quanto ao consumo disponho sempre de opção em função de uma série de factores que posso controlar, o mesmo não se verifica relativamente ao rendimento em que não existe alternativa ao pagamento. É que pagar impostos e “engordar gulosos” são duas das coisas que mais me chateiam.

domingo, 11 de setembro de 2011

Enganem-nos que nós gostamos


Como é publico e notório, de tantas vezes que já o repeti, tudo o que é opção de reduzir custos pela via dos salários causa-me uma certa alergia. Dá-me brotoeja, digamos. A recentemente anunciada intenção governativa de reduzir para metade os cargos dirigentes na administração local não foge à regra e, para além da vontade de me coçar, provocou-me igualmente uma incontrolável vontade de rir. Embora até admita que a necessidade de controlar nomeações nas autarquias é essencial – por este lado a ideia pode ser vista como positiva – já a parte da poupança prevista me parece completamente tola. Das duas, uma. Ou o governo é ingénuo ou é parvo. Ou então acha-nos ingénuos e quer fazer de nós parvos. É que, se não forem tomadas outro tipo de medidas, o dinheiro que não for pago aos dirigentes municipais que deixarem de o ser – trabalhadores como os outros, recorde-se – não irá ficar nos cofres autárquicos. O mais certo é ir direitinho para as contas bancárias do clã Carreira e de outros agentes culturais do nosso contentamento, para fazer obras que apenas servem para alimentar o ego dos autarcas ou para governar a malta que, de norte a sul, pulula em redor de muitas associações de utilidade mais que duvidosa.
Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com a redução salarial este ano decretada e com o fim do abono de família. Os números são públicos e demonstram claramente que o facto de os trabalhadores levarem para casa bastante menos dinheiro que anteriormente, em nada, mas mesmo em nada, contribuiu para a redução da despesa e do endividamento global das autarquias. Antes pelo contrário. Estas não pararam de se endividar, de admitir mais “funcionários” e de fazer mais despesa que, se vivêssemos num país sério, devia colocar na prisão quem a autoriza. Daí que anúncios destes me dêem vontade de chamar nomes pouco abonatórios a muita gente. A começar por aqueles que os aplaudem.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Os crentes devem estar loucos

Só uma qualquer espécie de desequilíbrio mental de gravidade acentuada levará alguém até ao meio de nenhures para fazer uma parvoíce destas. Ainda para mais em pleno mês de Agosto e quando o potencial risco de incêndio atinge os valores mais elevados. Será, com certeza, uma mente a precisar de tratamento urgente. Dificilmente se pode encontrar outra razão que justifique acender uma quantidade industrial de velas em redor de uma gravura. Se calhar, digo eu que não percebo nada destas coisas, é “macacumba”. Ou magia alentejana, até. Pelo sim pelo não mijei-lhes em cima.