Diz que um
velho satélite vai despenhar-se na Terra na próxima sexta-feira. Ou, talvez, um
dia antes. Mas também pode ser um dia depois. Os cientistas ainda não sabem ao
certo. Optam, por isso, pelo incerto. Quanto a mim, que destas coisas de
satélites apenas sei mudar de canal, a culpa pela incerteza das previsões científicas
relativamente à hora – ou pior, ao dia – da sua entrada na atmosfera terrestre
terá a ver com as dimensões do objecto. Mais ou menos as mesmas de um
autocarro.
O local de
aterragem do monte de sucata espacial está já identificado. Será, mais coisa
menos coisa, algures entre o norte do Canadá e o sul do Chile. Nada de
preocupante, portanto. Até porque o obsoleto aparelho irá fragmentar-se e ao solo
apenas chegarão vinte e poucos pedaços de dimensão mais apreciável. Assim como
assim, espero que em termos longitudinais a possibilidade de queda do satélite
se restrinja a uma área bem menor. Apesar de, como salientam os gajos da NASA,
a probabilidade de aquilo cair em cima de alguém ser praticamente remota. Ou residual,
vá. O que, atendendo às circunstâncias e às características do objecto em
queda, não me deixa particularmente tranquilo.

